Um dia no Metrô
Por Cinthia
Status da fanfic
Visitas:
Online:
Capítulo 1
sentou-se num dos acentos dentro daquele vagão do metrô. Tirou de dentro da bolsa o livro do cursinho de inglês pra revisar os últimos exercícios, que fizera na noite passada as pressas, pois quis sair com seus amigos pra uma balada. Que, aliás, foi a balada mais loca que já foi! Mas é claro... Londres era o lugar perfeito pras baladas de músicas eletrônicas, com muita rave.
folheava o livro a procura da página certa, quando percebeu que estava sendo observada por alguém ali perto. Disfarçando, olhou ao redor, vendo uma senhora ao seu lado e um homem enorme de gordo lendo um jornal atenciosamente, mas, a um pouco mais de três metros, avistou um homem. Esse, um tanto estranho do jeito que estava vestido, parecendo querer se disfarçar. O homem percebeu que
olhava e ajeitou o capuz da jaqueta de moletom preta por cima do boné vermelho, mas ele ainda lhe olhava atentamente, e foi quando intensificou sua atenção pra aquele rosto á distancia, e reparou que ele não era um simples estranho!
o reconhecia! "Orlando Bloom?!", pensou quase que em voz alta. Ele parecia ter lido os pensamentos dela, pois sorriu largamente, fez menção de se levantar, mas desviou os olhos para o seu livro... Uma sensação muito esquisita a fez travar... Estava com medo! Mesmo que fosse ele... Ou talvez fosse só um sósia! Isso podia acontecer. Antes mesmo de ir pra Londres, conheceu um rapaz no Brasil que era a cara do Orlando Bloom. Ele saiu mesmo de seu lugar, e logo viu o par de botas pretas surradas parar a sua frente. Ela meio que riu por dentro enquanto pensava na sua suspeita de ser realmente Orlando Bloom... Meu Deus! Era fã dele. Como iria ser se fosse mesmo ele? "Não desmaie! Não desmaie!", pensou antes de encará-lo.
- Com licença?
sentiu um frio no estomago quando ouviu a voz dele.
- Ai meu deus... - foi erguendo o rosto ao murmurar isso. E era o Orlando mesmo, o próprio, em carne e osso!
- Por favor, não se manifeste! - ele pediu, falando baixinho.
- O que? - ficava mais confusa ainda.
- Você me reconheceu, não fale nada. - Orlando espiou de canto de olho para os seus dois lados, com discrição.
- Mas por quê? Parece até que você tá sendo seguido. Tá fugindo?
- Sim, de um grupo enlouquecido de fãs que me seguiram desde o estacionamento do restaurante em que eu estive almoçando.
- Mas e o seu carro? Por que não fugiu com ele?
- Eu tentei, mas elas tiraram a chave da minha mão.
- Engraçado, você sempre foi tão receptivo com as fãs...
- Essas eram diferentes! Você tinha que ver. Eu nunca vi igual.
sentiu vontade de rir da cara de fugitivo medroso que Orlando Bloom estava, mas se conteve. Ouviu no falante a sua estação ser anunciada, e se pós de pé. Ficou tão perto dele que sentiu um enorme calor. Encarava aqueles olhos castanhos lindos... Nossa, ele era muito mais lindo pessoalmente!
- Eu tenho que descer na próxima estação. Boa sorte! - disse, sentindo vontade de cabular a aula e ficar naquele metro até ele sair, mas não foi preciso.
Ao sair do metrô e andar uns dois metros na plataforma, foi virar pra ver o metrô partir, levando o homem mais lindo do mundo, um sonho de homem... Mas... Deu de cara com ele emparelhando ao seu lado tirando o capuz da blusa.
- Você aqui? - falou, gaguejando.
- Me ajuda a sair daqui. - ele pediu, pegando no braço dela e envolvendo em um abraço.
meio que travou na hora. Orlando lhe apertava contra o corpo dele?!
- Ai meu Deus... - ela sussurrou baixinho, abaixando os olhos para o tórax forte e ombros largos onde segurava. Encarou-o finalmente e suas forças se desmanchavam devagar, deixando suas pernas bambas. Mas sentiu um medo muito esquisito. Ele lhe dava medo? Mas por quê? Nossa! Ela vivia divagando em sonhos bobos que se encontrasse Orlando Bloom um dia, agarraria-o e não largaria nunca mais, mas esse medo agora, a fez se afastar dele rapidamente.
Orlando olhava-a com interrogação muda.
- Como vou te ajudar? - ela falou finalmente, pra desfazer o silencio perturbador.
- Eu não sei. Me esconde em algum lugar. Pra onde esta indo?
- Pro meu curso de inglês, e já devo estar atrasada. - olhou no relógio de seu celular. Faltavam quinze minutos pra começar a aula. - Eu tenho que ir logo. Desculpa.
já ia andando, mas ele lhe puxou pela mão. voltou-se pra ele e o viu virando a aba do boné pra trás, e com aquele cavanhaque ele parecia um maloqueiro, mas estava adorando!
- Eu posso acompanhar você até a escola?
- Pode! - respondeu num fio de voz. Não estava conseguindo fazer a "ficha cair".
Começaram a andar, saindo da estação diretamente pra rua, que era menos movimentada do que no centro de Londres.
- Onde fica a sua escola? - ele perguntou, sorrindo.
- Duas quadras daqui. - também acabou por sorrir, contagiada pelo sorriso dele.
Continuaram andando, e mal podia crer que Orlando estava lhe acompanhando.
- Estamos andando pela rua, quero dizer, você não está com medo agora de alguma fã te reconhecer?
- Não muito. - ele falou com um tom de voz confiante, mas voltou a virar o boné pra frente abaixando a aba pra cobrir mais seu rosto.
não evitou o riso, enquanto ele andava olhando pro chão.
- Espero que você não esteja ficando paranóico.
- Eu também espero. - ele ria. - Espere, eu tive uma idéia.
Orlando parou no meio da calçada e tirou do bolso da calça jeans seu celular, digitou alguns números e colocou-o na orelha. Orlando olhou bem para a jovem mulher, agora reparando no tipo físico diferente que ela tinha das mulheres inglesas, até mesmo européias. Não que fosse um tipo que não lhe estava agradando, muito pelo contrario. Orlando nunca conhecera uma mulher tão cheia de curvas perfeitas e femininas. Até o perfume floral que exalava dela. Aquela moça era linda, e Orlando guardou em segredo as batidas mais fortes de seu coração quando encarou de novo os olhos dela, ao ouvir Allyn, sua agente, atender o telefone.
estava ali parada, ouvindo ele explicar pra tal Allyn o que tinha acontecido. Despreocupou-se da aula, olhando pra ele de cima a baixo e vice-versa. Orlando era alto. 1 metro e 80 de altura, mais ou menos. Tinha o corpo em forma. Parecia até um pouco mais forte do que o normal. logo deduziu que ele estivesse assim por algum novo filme que estivesse gravando. Os cabelos dele estavam só um pouco compridos, a ponto de despontar alguns cachinhos castanhos.
estava presa no sorriso que ele abriu ao desligar o celular. "Que dentes perfeitos!", ela pensou.
- Allyn é minha agente. Ela disse que vai ver se meu carro continua no estacionamento do restaurante.
- Você acha que a menina que tirou a chave do carro da sua mão pode te-lo roubado?!
- Eu não sei, mas a menina pode muito bem ter deixado a chave cair, e quem achasse talvez tivesse a má intenção. Vamos esperar para ver.
- Vamos? E meu curso? - foi olhando para o celular; já estava atrasada por dois minutos, até que chegasse lá, já teria perdido quinze minutos de aula e o professor não a deixaria entrar. - Já era.
Orlando viu a cara de desanimo dela por perder a aula tão importante e sentiu uma culpa enorme, caso ela tivesse perdido algum teste ou coisa assim.
- Me desculpa por ter feito você perder a aula? - Orlando pegou na mão dela com carinho. Vendo a surpresa dela, achou que ela fosse se afastar, mas ela não o fez.
viu ele sorrir, esperando ela responder.
- Tudo bem! Não tem problema.
- Tem certeza? Não teria nenhum teste hoje?
- Não. - não continha seu sorriso. Deveria ser um sorriso de boba babando por ele, ela pensou, e voltando a si, soltou devagar a mão da dele.
Só então notou que sua mão suava frio. "Será que ele percebeu?".
- Você ainda não me disse como se chama. - ele lembrou.
- .
- Você não é daqui. - Ele disse com toda certeza. - Quer ir comigo tomar um capuccino? - Orlando apontou para a cafeteria do outro lado da rua.
começou a pensar nos prós e nos contras, mas chegou a conclusão de que não tinha contras.
- Sim, por que não! - ela falou, tentando não demonstrar tanta ansiedade.
Atravessaram a rua e entraram na cafeteria, que por sinal era muito aconchegante, e claro, de outro nível comparado às cafeterias que costumava ir com seus amigos depois das aulas.
Orlando pediu uma mesa discreta para a garçonete, que logo o atendeu, e quando se sentaram, observou a garçonete olhar demais pra ele, enquanto ele fazia o pedido.
- E você ? O que vai querer? - ele perguntou, olhando-a.
- Ahm... Capuccino, com chantilly e granulados.
A garçonete anotou.
- É só isso por enquanto, obrigado. - Orlando falou pra garçonete, que o olhava atenta e com um sorriso tremulo de nervoso claramente visível.
Quando ela se afastou deixando sozinha com Orlando, um clima estranho caiu sobre eles, e para acabar com aquele silêncio, resolveu falar.
- Ela parece ter te reconhecido fácil. - disse num riso.
- É, eu também percebi. - Orlando apoiou os cotovelos sobre a mesa interessado em saber de . - Continuemos a nossa conversa. De onde você é?
- Como percebeu que não sou daqui? Oh! É o meu inglês. Não deve ser convincente... - ela disse rindo.
- Não foi só o seu sotaque diferente. - ele discordou entre o riso, olhando-a profundamente nos olhos, como se estivesse procurando saber tudo dela alí dentro deles.
se sentia tão sem graça... Ele era muito intenso.
- Eu sou do Brasil. Estou aqui já faz três meses.
Isso respondia o porque do tipo corpo de violão que tinha, Orlando pensou.
- E você veio para Londres para estudar, somente?
- Não, também vim para trabalhar. O irmão de uma amiga minha estava aqui a mais tempo trabalhando. Ele é professor da escola onde estou fazendo meu curso de inglês, e ele conseguiu um emprego pra mim na biblioteca da escola.
- É mesmo? E o que você faz lá?
- Eu sou a 'faz tudo'. - ela confessou sorrindo. - Desde a limpeza até a reposição dos livros devolvidos.
- Deve ser difícil memorizar onde se deve guardar cada livro. Imagino que por ser uma biblioteca de escola de línguas, deve ter uma grande quantidade de livros.
- E você esta inteiramente certo. No começo era muito difícil. Eu ficava perdida. Mas agora eu consigo me achar no meio de tantos livros.
O sorriso de contagiou Orlando de maneira absurda, e até misteriosa, pois seu peito parecia ter inchado com uma sensação diferente. Intrigante demais, instigando-o por contato físico quase que urgente! Olhou para as mãos delicadas dela sobre a mesa. Não havia nenhum anel ou aliança que indicasse que ela fosse uma mulher comprometida. Orlando teria estendido a mão pra toca-las, se a garçonete não tivesse voltado com as canecas de capuccino.
- Obrigada. - disse sorrindo pra moça, que pareceu erguer as sobrancelhas com orgulho. sentiu como se ela a tivesse parabenizando por estar com Orlando Bloom, tomando um capuccino numa tarde de inverno. A garçonete se retirou.
Capítulo 2
tomou um gole do seu café e sentindo novamente que estava sendo observada, assim como no metrô. levantou os olhos encarando-o, que também tomava seu capuccino e lhe olhava por sobre a borda da xícara. Orlando esteve em silencio até que tirasse o 'bigode' de chantilly com a língua com tanta naturalidade que nem pareceu provocação, e por isso ficou tão sexy.
- Está calor aqui dentro... - Orlando baixou um pouco o zíper da jaqueta de moletom e sacudiu-a um pouco para diminuir o calor, que na verdade vinha dele mesmo, e não do ambiente.
não entendeu, porque ela sentia calor sim, mas achava que era só ela que sentia, porque estava perto de Orlando Bloom! E não porque estava calor de verdade.
- E você vive sozinha? - ele resolveu perguntar.
logo achou ele bem curioso a seu respeito, mas talvez fosse maluquice sua.
- Na verdade, eu divido um apartamento simples com uma amiga francesa. Ela é atriz!
- É mesmo? - na verdade Orlando não estava interessado em saber da amiga dela, mas ele queria se interessar em saber da vida de , com misteriosa necessidade. - E sua amiga já fez algum filme?
- Não, fez algumas peças teatrais. Mês passado ela terminou uma temporada de uma peça muito boa. Eu fui ver no ultimo dia de apresentação. Era uma peça pequena, de poucos recursos, mas as atuações de todos os atores valiam a pena!
- Que bom que você se interessa por essa arte. - Orlano disse isso quase que para si mesmo, mas ouviu, e rindo, pensou se contava pra ele que era uma grande fã dele. ficou com medo de contar e ele perder essa naturalidade com que estava agindo com ela.
- Eu me interesso, e amo cinema.
- Você também atua?
- Não, eu sou muito tímida para isso. - ela riu, abaixando os olhos.
Orlando quase atravessou a mesa pra apertá-la em seus braços, mas que diabos estava fazendo com ele? O celular do Orlando tocou. ficou vendo ele atender. Pelo jeito que ele falava do carro dele, percebeu que deveria ser a agente. Orlando desligou logo depois de informar a cafeteria em que estavam.
- Eram noticias do seu carro?
- Sim, ele está intacto no estacionamento. Allyn disse que as chaves foram encontradas no chão, perto do carro. Ela vem com ele até aqui pra traze-lo pra mim. Em vinte minutos ou menos ela pode chegar aqui!
- Ah, que bom.
- Daqui você vai pra casa? Posso te levar. - ele disse num sorriso, esperançoso por dentro.
- Me levar? - sentia o coração saltar pela boca. - Não precisa. - ela riu, sem jeito.
- O que é isso, é o mínimo que posso fazer por te-la feito perder a aula.
- Mas eu moro longe.
Orlando percebia que ela estava evitando-o, só não sabia se porque ele era famoso, ou porque ela estava com raiva de te-la feito perder a aula, ou talvez as duas coisas. Mas ele não se deixava vencer por tão pouco. Não quando cismava em conseguir o que queria.
- Onde você mora?
- Hampshire. - sentia que isso não o impediria, sem saber porque sentia isso.
- Isso não é problema. Eu te levo pra casa. E não aceito 'não' como resposta. - Orlando tinha um leve ar de riso no rosto.
sorriu, vencida pela persistência dele.
- Ok. - colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha, num gesto tímido natural dela.
- Quantos anos você tem? - Orlando se arrependeu de pronto ao ver o olhar surpreso dela. - Desculpe, eu sei que não se deve perguntar a uma mulher sua idade...
- Não, tudo bem. - ela riu dele. - Eu tenho vinte e quatro.
- Puxa, sou um bocado mais velho que você. Fiz trinta e um na semana passada.
- É, eu sei. - falou, lembrando-se que no dia treze de janeiro ela se lembrara do aniversario dele, e por isso passara a tarde vendo alguns dos filmes dele em dvd, debaixo das cobertas e comendo pipoca.
- Você sabe? - logo Orlando entendeu na reação dela de embaraço, que ela sabia muito sobre sua vida.
- É, eu... Já li muito sobre você. - ela falou, olhando-o com um sorriso.
- Espero que só tenha lido as coisas verdadeiras. Coisas construtivas, que se possa levar a sério.
- Eu acho que não levei a sério coisas que eu sei que não são do seu caráter.
Orlando não precisou falar para perceber que lhe conhecia mesmo. Talvez até melhor que qualquer desconhecido.
- Como você pode saber do meu caráter? - ele riu, divertidamente.
- Eu não sei... - realmente não sabia explicar. - Eu sinto que você é um bom homem.
- Obrigado pelo voto de confiança. - ele disse sério.
- De nada. - gracejou num riso, fazendo-o rir também. - E você faz o que agora? Algum trabalho novo?
- Sim, estou fazendo um filme inglês. Como há muito tempo que quero fazer isso, quando o convite veio, não pude deixar de estudar o roteiro.
- Deve ser um roteiro muito interessante, já que você aceitou fazer o filme. - Ela disse, curiosa.
- Definitivamente. - Orlando confirmou.
Terminou seu capuccino sob o olhar intenso de . Por causa disso, o calor aumentou, fazendo-o tirar a jaqueta. deu uma estremecida por dentro, ao ver a camisa branca, de mangas compridas, com os três primeiros botões abertos, antecedendo como deveria ser o peitoral dele. Orlando também tirou o boné e passou as mãos nos cabelos, ajeitando-os. resolveu beber o resto do seu capuccino logo, para desviar os olhos e tentar mandar a tentação pra outro lugar.
Orlando pós as mãos sobre a mesa. adorava as mãos dele. Lembrava-se de uma vez quando sua mãe lhe falou que as mãos de um homem poderiam mostrar o caráter dele. E as do Orlando eram grandes, másculas. Eram mãos que transmitiam segurança, carinho e força ao mesmo tempo. Eram mãos que sonhava em ter tocando qualquer parte de seu corpo.
Não demorou muito pra Allyn chegar. Orlando as apresentou uma para a outra, mas percebeu que Allyn era pratica e apressada.
- Eu tenho que ir para o escritório o mais rápido possível, e como eu não sei se você vai fazer alguma coisa, ir pra outro lugar, eu pedi pro Clark vir atrás de mim, com meu carro. Assim eu volto com ele.
- Tudo bem, eu vou levar a pra casa. - Orlando afirmou, vestindo a blusa novamente para saírem lá para fora.
Já dentro do carro preto e clássico-moderno, sentia mais ainda o cheiro delicioso da colônia masculina. "Ai meu Deus! Será que ele existe mesmo?", era o que se perguntava em pensamento sem parar. Percebendo o silêncio dela, Orlando resolveu sugerir ligar o rádio.
- Quer ouvir música? - ele fez, já ligando num mp3 com uma música do U2.
- Pode ser. - gostava daquela música. Estava tocando "Eletrical Storm". Era uma musica de amor, como a grande maioria das musicas do U2.
- Gosta de U2?
- Adoro!
- Do que mais você gosta de ouvir?
- De tudo um pouco. Acho que sou bastante eclética.
O sorriso dela fazia Orlando querer cada vez mais coisas que era cedo demais pra desejar. Nem a conhecia direito! Por isso ele perguntava mais ainda sobre ela.
- Tipo o que?
- Tipo, música eletrônica, algumas black musics também são boas. Gosto de rock, sem por rótulos sabe? Desde Beatles até Linkin Park.
Orlando riu, olhando pra ela de relance e voltando a encarar a estrada.
- Eu também gosto dos Beatles. Ouvia muito na minha infância, por influência dos meus pais.
- Eu também. - sorriu para ele, finalmente se sentindo um pouco mais a vontade com ele. Até que não era difícil se sentir bem ao lado dele, a não ser pelo desconforto de uma atração física forte, que ainda não sabia se era só ela quem sentia.
Mas o tempo de saber ou não isso se esgotou, pois Orlando parou o carro em frente ao prédio de seis andares e tijolinhos vermelhos, onde morava. Ele desligou o motor e o rádio. sentia o olhar dele, enquanto tirava o sinto de segurança e ajeitava a bolsa.
- Bem... - destravou a porta, pronta para sair do carro, porém Orlando foi rápido o bastante pra tirar seu sinto de segurança, sair do carro e dar a volta, antes mesmo de ela abrir a porta, pra estender a mão pra descer do carro, num gesto tão cavalheiro que sentiu um forte frio no ventre e as batidas do coração dispararam. - Obrigada, Orlando!
Ele somente sorriu e fechou a porta do carro. respirou fundo ao mesmo tempo que ele fez o mesmo.
- É melhor eu entrar. - ela sorriu como despedida e andou dois passos.
- Me dá o número do seu celular? - ele pediu de repente.
virou-se meio zonza com o pedido.
- O que? - ela riu confusa. - Pra que você quer o numero do meu celular?
Orlando sentiu-se sem jeito, mas manteve-se confiante ao voltar a falar.
- Eu não gosto da idéia de que, hoje foi a única vez que estive com você.
"Aaaaahhhhh!!! Meu Deus!!!!!!", ela gritava por dentro de alegria, de medo, de todas as sensações perturbadas que possa se imaginar.
andou de volta até Orlando, que por algum motivo estranho, guardou as mãos rapidamente nos bolsos da calça, e baixou os olhos quando o encarou de perto.
- Ok. viu ele pegar o celular do bolso e ela falou seu número, para ele anotar. - Agora me dá o seu. - disse, menos nervosa com a situação.
Orlando não dava o número de seu celular pra qualquer desconhecido, mas pra ela, ele não hesitou.
anotou.
- Agora eu tenho que ir. Já está ficando tarde e muito frio. - ela disse rindo, enquanto ele também ria.
- Ok.
esperou. Não sabia pelo que, mas quando desistiu de esperar, Orlando segurou-lhe o rosto e um fogo a incendiou com violência, ao mesmo tempo que seus lábios se entreabriram. Orlando inclinou-se sobre ela e tocou seus lábios imensamente quentes no canto da boca da garota. O famoso "beijo na trave". só pôde se recuperar depois que chegou dentro do apartamento.
Orlando havia esperado entrar no prédio. Depois entrara no carro e partiu para sua casa no centro de Londres.
Capítulo 3
**dois dias depois**
Era uma tortura ter que esquecer que naquele dia estivera com Orlando Bloom, mas tinha que fazê-lo! Era quase impossível que voltasse a vê-lo, mesmo que tivessem trocado números do celular. sabia que Orlando era um homem famoso, e muitíssimo ocupado e que só o encontrou por pura força do destino.
Mas uma força que era única. Não teria mais como o destino ser tão bom com ... “Infelizmente”, pensava ela, enquanto terminava de repor os livros na ultima estante de três metros e meio, assim como todas as outras da biblioteca. desceu a escada com cuidado.
- ? Acho que já pode ir. Não tem mais ninguém e já vou trancar as portas. - disse a senhora Bartton, bibliotecária há mais de trinta anos naquela escola.
- Sim, senhora Bartton.
foi para o pequeno vestiário, tirou o avental cor vinho e pegou sua bolsa do armário. Guardou o avental na bolsa junto com seus livros e ajeitou seus cabelos longos que iam até as costas. Colocou seu par de luvas, pois, depois do dia em que conhecera orlando, parecia que o tempo tinha ficado ainda mais frio. vestiu seu casaco por cima da blusa cacharrel de lã vermelha, pôs o capus e saiu da biblioteca, respirando o ar gelado de Londres.
Andou toda as duas quadras pra chegar na estação do metro. Estava passando pela rua em que tinha aquela cafeteria em que passou um bom tempo com orlando. Estava olhando pra cafeteria muito chateada porque nunca mais iria ver Orlando de novo, a não ser pela tv ou pela tela do cinema.
- Oi !
Aquela voz um tanto rouca e grave, com delicioso sotaque inglês fez paralisar e virar para trás. Orlando chegava perto dela sorrindo. não sabia se estava sendo abençoada com tal oportunidade novamente. Só podia ser!
- Oi! - foi o que ela conseguiu dizer.
Os restos de suas forças foram para observar ele todo. Vestia um sobretudo preto por cima do terno e gravata, também pretos. O terno parecia ser de seda italiana, assim como o sobretudo.
Orlando sabia que poderia reencontra-la se procurasse ir no lugar certo. Já que ela passava por alí para ir para as aulas de inglês e trabalho. Fazia dois dias que não tirava ela da cabeça, não sabia porque.
- Está vindo do trabalho? - orlando perguntou.
- Sim. - fez que sim ao mesmo tempo em que sorria pra ele, sentindo muito frio. - Ah, está tão frio! - J não conteve um tremor violento.
Orlando logo puxou-a num abraço carinhoso e um pouco detido, apesar do desejo dele de toma-la em seus braços. não protestou, pois, afinal, estava congelando, e ele era tão quentinho!
- Não deve estar acostumada com essa temperatura no Brasil, não é?
- Lá nunca faz um frio como esse. - respondeu, erguendo o rosto e ficando a poucos centímetros dos lábios dele.
Orlando manteve em seus braços, deliciando-se com o quanto era gostoso o corpo dela, ao mesmo tempo era uma mulher de corpo incrivelmente sensual, era uma mulher doce... oras! Orlando tinha que controlar-se! Estava na rua! Era alguém público, assediado pela mídia por qualquer movimento que fazia. Se começasse a obedecer seus desejos impulsivos agora, acabaria sendo exposta por sua culpa. Foi quando Orlando afastou dele, e ela sentiu frio novamente.
- Foi bom te ver, - ela disse, num sorriso. - Mas eu preciso ir embora, antes que eu congele.
Orlando viu ela se afastar. Sem saber porque não gostava de ver ela fazer isso, alcançou-a parando na frente dela. olhou pros olhos dele. Sentia-os queimar seus lábios. Ele parou de olhar tanto pra eles, encarando-a nos olhos com a mesma intensidade.
- Quer que eu te leve pra casa?
- De novo? - percebia que o que acabara de falar fora mal interpretado por ele.
- Você não quer...
- Não!! Não é isso... Quer dizer, eu...
- Eu só vou te levar pra casa! - ele riu da confusão de palavras dela. - Como fiz da ultima vez.
- Eu sei. - tratou de conter o nervosismo. - Eu agradeceria muito se você me levar pra casa, mas você não está ocupado?
- Não. - Se Orlando dissesse que foi pra lá para tentar encontra-la... E que estava na cafeteria há mais de duas horas olhando pelas vitrines, como um esperançoso adolescente completamente tolo, que ela passasse por ali.
Quando chegaram, Orlando fez o mesmo gesto cavalheiro com ela, e dessa vez acompanhou-a até a porta do prédio. não sabia o que ele estava fazendo ali, mas não queria se iludir com seus sonhos bobos de adolescente platonicamente apaixonada por um ator famoso. Orlando viu , nervosa, abrir a bolsa à procura pela chave da porta. Orlando não devia fazer o que estava sentindo forte desejo de fazer naquele momento. Se ela ao menos o olhasse... Mas estava evitando lhe enfrentar. Teria ela percebido que estava ficando louco pra beijá-la?
- Mas cadê a chave? - quase se enterrava dentro da sua bolsa, para fugir de orlando, pois sabia o que estava acontecendo ali. Ele estava perto demais!
- ?
Orlando abraçou-a de encontro ao seu corpo. tentava não olhar pro rosto dele, mas Orlando roçou o rosto no dela com carinho indescritível, fazendo-a erguer o rosto e... Ele cobriu os lábios dela com os seus, num toque gentil e quente. perdeu o ar, até que resolveu entreabrir seus lábios e beijá-lo também. Só que selou um beijo lento e mais ardente. O orlando sentiu-se pegar fogo, mas era um fogo delicioso! E ao mesmo tempo perigoso, que estava tirando-o do seu estado ajuizado. Ambos se abraçaram numa procura urgente e deixou que ele tomasse sua boca com um beijo muito mais profundo. Orlando apertou mais para si, enquanto sentia as caricias doces do beijo dela. A partir daí, Orlando tinha absoluta certeza de que nunca mais ia querer parar!
se agarrava a ele em caricias na nuca dele, prendendo-o pra que aquele beijo não terminasse nunca, porém, Orlando sorriu lentamente, parando o beijo.
- Ai meu deus. O que eu fiz?
- Me beijou divinamente.?- ele sugeriu, ainda fora da realidade, tentando manter em seus braços. Mas ela conseguiu sair deles.
- Não... Não! – enfiou a mão na bolsa e dessa vez ela achou logo a chave. - Você e eu... Não podemos.
Orlando tentou detê-la, mas ela foi tão desesperadamente rápida pra entrar!
E nem ao menos tinha forças nas pernas pra subir as escadas até o terceiro andar, onde morava.
Deitada na cama, segurava seu celular, mas olhando pro nada. entrou no quarto e, ao vê-la assim, riu.
- O que aconteceu com você? Está ai assim desde que chegou da rua.
não sabia disfarçar que o beijo de Orlando lhe deixara sem rumo.
- Não é nada. - deu a desculpa menos convincente.
Também, nem estava conseguindo raciocinar direito! O que mais podia fazer agora? Não queria ficar assim, droga!!
Nervosa, saiu da cama e deixou o celular no criado-mudo perto do abajur, e foi tomar seu banho antes de dormir. Mas, ao deitar-se, não conseguiu dormir logo. As imagens do que aconteceu e as sensações se repetiam num flashback que destruía seu sono!
**alguns dias depois**
estava chegando em casa, quando assustou-a na porta do prédio, ainda do lado de fora, com uma euforia espantosa!
- Que bicho te mordeu mulher? - disse rindo, enquanto abria a porta.
Entraram as duas, mas , aos pulinhos eufóricos, esperou trancar a porta de novo pra agarra-la aos gritinhos.
- Ah! Eu consegui o papel! Eu consegui!!
- Que papel? Uma peça nova? - falou surpresa e alegre pela colega de quarto.
- Não! Algo muito melhor! - ainda sorria de orelha a orelha. - Eu consegui o papel de protagonista num filme!
- Jura ? Não acredito! E qual?
- Se chama "O Exilado". É um filme épico de produção inglesa. Conta a história de um príncipe guerreiro que é exilado de seu reino e depois volta pra se vingar, mas acaba se apaixonando pela noiva de seu arquiinimigo. E essa moça serei eu!!
- Que maravilha! To muito feliz por você! - abraçou com muito carinho e consideração por ela. Afinal, fora a única pessoa que a havia ajudado nos primeiros dias difíceis ao chegar em Londres.
- Ah, mas você ainda não sabe da outra boa noticia! - disse , fazendo suspense.
- O que? - ela perguntou, curiosa.
- Orlando Bloom vai atuar como personagem do príncipe exilado!
congelou o sorriso. Perdeu qualquer sentido de reação a aquela notícia. Achava que depois de um beijo daquele e do fora que dera em Orlando logo em seguida, nunca mais voltaria a ouvir o nome dele.
- Não é demais? Mal posso esperar pra contracenar com aquele homem lindo! - começou a subir as escadas.
a seguiu enfim, começando a voltar a si depois da surpresa.
- Você tá ansiosa pra contracenar com ele, só porque ele é lindo? Ele é um bom ator! Não acha? - não conteve como fã, em defender Orlando. E agora, nem tão como fã, mas com uma pontada de ciúmes por saber que , uma francesa linda e loira de olhos verdes, iria ficar perto de Orlando por tanto tempo.
- Claro que ele é. Mas , vamos combinar que ele é um cara magnífico.
não disse mais nada. Calou seu segredo de ter encontrado Orlando desde o inicio. Não tinha porque contar para agora o que acontecera. Afinal, Orlando não aparecera mais depois daquele beijo. Nem mesmo ligou.
E por mais que não gostasse de admitir pra si mesma, ela dormia agora com o celular do lado da cama, com a esperança entalada no peito. Mas com o passar de mais um dia, pensava muito no que disse pra ele depois do beijo. "Você e eu... não podemos". Afinal, seu medo de se envolver com Orlando Bloom foi o culpado. Com certeza ele entendeu aquilo como um "afaste-se de mim para sempre. Não quero me envolver com você".
E agora estava assim, largada numa nevoa de culpa e arrependimento.
Capítulo 4
Orlando estava entrando na loja de cd’s e dvd’s junto com Allyn. Ela queria comprar um presente pra sua irmã e pediu pra ele acompanha-la. Estavam parados diante de uma grande prateleira de cds, e Allyn mexia neles ao puxar o assunto.
- Você está bem Orlando?
- Sim. - Ele respondeu, também sem nem olhar pra ela e começando a mexer nos cd’s casualmente.
- Não parece.
Orlando parou de mexer nos cd's e olhou para a amiga e agente de tantos anos. Conselheira não só na sua vida profissional, mas também nos seus problemas pessoais.
-Eu estou bem Allyn. - ele esboçou um riso.
Mas Allyn sabia muito bem do quanto Orlando tinha dificuldades de expor seus sentimentos mais profundos. Orlando não gostava de quando Allyn o olhava do jeito que olhava agora, como se quisesse adivinhar seus pensamentos.
Orlando pôs as mãos nos bolsos da calça jeans e saiu andando pela grande loja. Estaria vazia de tudo se não fosse ele e Allyn. E também se não fosse por uma linda mulher, num canto mais escondido da loja, que dançava, mexendo os quadris lentamente. Ela era sensual! E estava usando um fone do cd player da loja.
ouvia as batidas de uma musica do Justin Timberlake sem medo de ser vista. Adorava aquela loja porque sempre estava vazia no horário que ía para o curso. Não sentia nenhum olhar curioso e podia se soltar sem vergonha.
A musica estava terminando e foi parando de mexer o corpo lentamente e abrindo os olhos pra desligar o cd player e ir embora. Mas se assustou com o curioso parado a dois metros, que parecia estar alí fazia muito tempo. Orlando sorriu para , tentando parar de sentir o desejo enorme e absurdo de toca-la. Mas ele não sabia que seria tão difícil se esforçar para isso. Ela estava graciosa com uma calça preta e um par de botas cano baixo cor creme, e um mini vestidinho como se fosse uma blusinha da cor creme também. Os cabelos compridos e soltos impressionavam Orlando, deixando-o com uma imensa vontade de toca-los. ainda estava calada. Tirou o fone olhando pra ele, mas ai acordou. Orlando estava alí, tão perto de novo! sentia seu coração quase que enfartando
- Oi! - conseguiu dizer.
- Oi! - Orlando disse num sorriso, indo pra perto dela... Mas percebeu o medo brilhar nos olhos dela, e parou no mesmo instante. A última coisa que Orlando iria querer era assusta-la. - O que você estava ouvindo?
- Justin Timberlake. - ela falou rindo e colando o fone no lugar. Pegou sua bolsa enquanto dizia: - As musicas dele são boas pra dançar!
- Eu percebi. - Orlando sorria.
colocou a bolsa no ombro e passou por ele pra sair dali. O jeito que ele lhe olhava era tentador demais pra ser verdade! Mas porque sempre ia embora sem aproveitar as oportunidades que o destino estava lhe dando?! virou-se pra ele num impulso de desespero. E medo ainda maior de não poder vê-lo novamente depois, se deixasse essa chance também passar em vão.
- E você? Estava fazendo o que na loja? - ela perguntou, querendo manter uma conversa.
- Eu estou com Allyn. Ela está escolhendo um presente pra irmã dela. - Orlando estava se contendo de alegria porque ela simplesmente desistiu de ir embora.
- Ahm... - começava a ficar nervosa. Não tinha assunto!!! O que ia falar? Mas ai lembrou do que contara. - Você já conheceu a ? Ela disse que conseguiu o papel protagonista no "O Exilado".
- Ainda não a conheci. - Orlando não sabia que a nova protagonista fosse ser atuada pela colega de quarto de . E nem sabia mais se comportar como normalmente fazia quando sentia vontade de abraçar alguma mulher, paquera, o que fosse... Não agora com ! Estava difícil de se controlar por dentro! Todos esses dias depois do beijo dela, Orlando pensou em ligar pra ela, ou até mesmo ir na casa dela, devendo dizer que estava arrependido, mas ele não sentia arrependimento nenhum! A não ser que fosse arrependimento... Mas porque o beijo o deixou assim, todo descontrolado, com suas emoções mais profundas bagunçadas.
- Quando vocês começam as gravações?
- Semana que vem. Eu estava fazendo aulas de equitação, e malhando pra ficar com o perfil de um príncipe guerreiro. Fora as aulas de como lutar com uma espada... De novo!
riu com ele. Lembrava-se de quando ele só fazia filmes épicos no inicio de carreira.
- Eu pensei que depois de tanta crítica, você não ia mais fazer filmes épicos, sabia? - confessou. - Mas eu adoro filmes épicos. E os que você fez são ótimos!
- Você assistiu a todos os meus filmes pelo jeito.
riu sem graça, mas não mais com medo ou vergonha. Ainda estava um pouquinho nervosa, mas estava bem menos!
- Sim, assisto todos que você faz. Você até que não é tão mal assim... - brincou e Orlando riu.
- Ora. Muito obrigado!!
riu da careta que ele fez, e Orlando se aproximou mais dela.
- Eu tenho que ir pra aula, Orlando. - ela disse com tom de voz tristonho.
- Eu gostaria de ficar... Um pouco mais conversando com você. - ele conseguiu dizer e sentiu que fez errado. Porque não fazia isso com freqüência, mas com essa moça, tudo estava saindo do normal!
- Eu também. - conseguiu falar, num tom de voz baixo.
Orlando e estavam tão perto um do outro, que conseguiam sentir a respiração um do outros em seus rostos. Era mágico como nem viram quando foi que fizeram essa distancia se desfazer. Orlando aspirou profundamente o perfume dela e olhou para as mãos dele, que sairam dos bolsos finalmente, e segurou-as com carinho... Estavam tão quentes!! Como ele era todo quente?!! Orlando entrelaçou os dedos nos dela e procurou os olhos dela. olhou-o logo.
- Você pode ligar pra mim. Eu deixo. - ela gracejou num leve riso.
Orlando sorriu aliviado e feliz por ela ceder um pouco de espaço pra ele agir.
- Você deixa? - ele ria.v
- Eu tenho que ir agora. - beijou o canto da boca dele como ele fizera no dia em que se conheceram. Orlando virou o rosto para conseguir escorregar os lábios dela para a sua boca, mas o máximo que deixou foi que seus lábios roçassem nos dele, e se afastou. - Tchau!
saiu de perto dele e saiu da loja.
Orlando nem tinha se recuperado ainda, quando foi abordado por Allyn, que estava indecisa com dois cds nas mãos.
- Orli, qual? Frank Sinatra com as melhores, ou John Lennon com o clássico "Imagine"? - Allyn percebeu o silencio dele andando devagar na direção da porta da loja, olhando pra uma mulher que acabava de sair. Allyn reconheceu a moça. Era a que estava com Orlando na cafeteria no dia da fuga dele das fãs enlouquecidas. - Orlando? - ela chamou com voz mais alta e com vontade de rir com o susto dele.
- O que?
- Sinatra ou Lennon? - ela falou mostrando os cd's.
- Lennon. - Orlando esfregou com o polegar e o indicador o lugar que os lábios de tocaram, sentindo as sensações boas que ela o fez sentir por poucos segundos, mas quase que eternos!
- Então é ela quem está deixando você assim. - Allyn resolveu falar.
- Ela? Ela quem? - Orlando disfarçava o máximo que podia.
- A moça que acabou de sair. É a moça que estava com você na cafeteria naquele dia, não é?
- Ela só me ajudou...
- Ela te ajudou? Só te escondeu na cafeteria! - Allyn sorria.
- Fui eu quem a convidou pra tomar um capuccino. - Orlando contou.
- E...? O que ela fez pra te deixar assim desde aquele dia? Já se conheciam?
- Não. Ela me reconheceu quando estava dentro do metrô.
- Ah!
O olhar de Allyn pra Orlando o deixou inquieto.
- Ela não fez nada comigo. Eu estou ótimo. Como sempre.
- Sempre? Você estava com cara de amuado todos esses dias. E agora que parece ter sido o seu reencontro com ela, está com cara de apaixonado! - Allyn brincou para provocá-lo, e rindo dele foi para o caixa com os dois cd's.
Orlando não podia contradizer o que Allyn acabara de falar. Conhecia-a bem, e sabia que se o fizesse, Allyn iria confirmar a suspeita que acabara de fazer, e deixaria de ser uma brincadeira.
- Você vai levar os dois cd's? - ele falou para desconversar.
- Sim. Assim evito ser descriminada pela minha irmã por não ter levado os dois maiores ídolos dela.
Capítulo 5
tentava, mas não conseguia evitar seu sorriso quando pensava em Orlando enquanto estava na aula do curso e também durante o trabalho. As pessoas que passavam por ela olhavam com curiosidade e tentava disfarçar. Teve uma única pessoa que resolveu matar a curiosidade: .
Foi quando chegou em casa. também tinha acabado de chegar, e ao ver começou a contar que esteve no set de filmagens que ficava numa cidade de Tilbory, perto de Londres. Pelos relatos de , o lugar era imenso... Medido por milhares de hectares...
- Afinal, qual foi o passarinho verde que te fez melhorar aquela cara de triste que você estava?
encarou rindo, querendo contar o que era realmente.
- Não foi um passarinho. E ele não é verde!
- Ele? - falou curiosa e maliciosa. - Humm... Parece que a imaculada encontrou um príncipe encantado!
- Eu não acredito nesse negocio de príncipe encantado. - falou sincera. - Mas tenho que reconhecer, que esse chega muito perto de ser um.
riu e abraçou , apertou suas bochechas num gesto divertido, fazendo ela rir.
- Que gracinha!
- Pára!!
- Ai ... - ainda rindo parou com a brincadeira e suspirou. - Posso te confessar uma coisa?
- Claro! - disse um pouco apreensiva com o que ela fosse falar. Esperava que não fosse nada sobre Orlando.
- Eu não estou agüentando de ansiedade... Tô louca pra conhecer o Orlando Bloom! Esse homem é um sonho de consumo!
tentou manter seu sorriso no rosto.
E agora? Não sabia o que fazer... Sempre tinha alguém que acabava gostando do mesmo cara que ela... E ainda mais com Orlando Bloom. Imagina... É claro que alguém mais... Muitas outras iriam se apaixonar por Orlando! Fora as que já eram loucas por ele!
Mas não sabia se falava pra que o passarinho verde era ele. Ainda não sabia o que Orlando pensava sobre o que acontecera até então. E se ele não estivesse dando tanta importância?! Talvez ele nem ligasse como estava esperando agora, mais do que antes!
Então resolveu se acalmar e esperar mais um pouco. As coisas não podiam acontecer conforme sua vontade! Era uma coisa que Orlando também tinha que querer. E odiava forçar os outros. Era completamente a favor do livre arbítrio.
Era sexta-feira.
estava saindo do trabalho com a mesma expectativa de reencontrar Orlando naquela mesma rua, assim como vinha sentindo nos últimos dias daquela semana.
A semana que ia entrar agora era a que iria acontecer o inicio das gravações do filme "O Exilado", e com isso iria embora pra Tilbory, junto com Orlando, por alguns meses. Afinal, sabia que Orlando era ocupado e que deveria estar ajeitando tudo pra ir pra outra cidade... Por isso que ele ainda nem se lembrou de ligar pra !
*********************
Orlando já tinha arrumado tudo, mas estava tendo aquela famosa sensação de que estava esquecendo de alguma coisa... Estava sentado na beira de sua enorme cama. E como vinha pensando nos últimos dois anos, "até quando iria dormir sozinho naquela cama, viver sozinho naquela casa enorme?"
Olhou para o criado mudo ao seu lado, onde estava seu celular. Pegou-o num impulso e mexeu na agenda de números e nomes teclando direto na letra J. O nome de apareceu entre outros nomes. Orlando não podia mais negar que estava fazendo coisas em seu interior que o estava surpreendendo. Por que ?
Ela era tão simples que no mundo em que Orlando vivia ela poderia passar por ele despercebida. Mas algo nela o fez perceber, e muito, que ela existia. E não só isso! No metrô, não pode evitar o impulso de se aproximar dela.
**************************
estava saindo do banho quando ouviu que seu celular estava tocando. Mas como estava debaixo do chuveiro nem pode ouvir o celular tocando lá em cima de sua cama. se enrolou na toalha rapidamente e deu uma corridinha até o quarto. No visor estava o nome que ela esperou tanto pra ver!
- Alô?
- Oi ! Sou eu, Orlando.
- Eu sei... - ela falou contendo sua euforia e vontade de gritar e pular, mas não conseguiu. Dando pulinhos e matando os gritos na garganta. - Tudo bem com você?
- Sim! Estou quase de partida. Por isso resolvi te ligar. Pra dizer tchau.
- também já arrumou as coisas dela. Está tão ansiosa... - conteve sua língua. Estava louca?! Pra quê contar pra ele que estava ansiosa?
- Eu estava pensando... Se você não quer me ver... Quer dizer... Pra gente conversar um pouco... Antes de eu partir pra outra cidade.
- Sim, tudo bem! - falou sorrindo largamente de alegria.
**************
foi de ônibus até o parque que Orlando falou. Era um lugar coberto de neve... O lago não muito grande estava congelado, e as árvores estavam com os galhos vazios de folhas e cheias de neve também. Era noite, mas não estava tão fria assim.
andava pelo caminho de ladrilho até a árvore e o banco verde musgo que Orlando falara ao telefone.
E lá estava ele, chegando também... nem sabia como aquilo poderia ser real, mas ao chegar perto o bastante dele e sentir o perfume da colônia masculina... Ver de perto que Orlando estava de verdade com ela naquele instante... Teve certeza que era real!
- Olá senhorita! - Orlando pegou sua mão, que vestia luva branca, e beijou-a mesmo assim.
abriu um sorriso pra ele, sem fala. Não quis que ele soltasse sua mão, mas ele soltou devagar.
- Obrigado por ter vindo. - ele falou, e em pensamento continuou "mas eu precisava te ver antes de ir embora."
- Quando você vai pra Tilbory?
- Amanhã pela manhã. Vou de carro, aproveitar que o tempo não esta mais tão ruim.
- Se estiver nevando de novo, por favor, não vá de carro! E nem de outro transporte. É perigoso! - quando percebeu, já tinha exposto sua enorme preocupação com ele agora.
Orlando sorriu pela importância que ela sentia pelo seu bem estar. Ela lhe fez lembrar de Sonia, sua mãe.
- Pode deixar. - falou Orlando.
estava adorando estar com ele! O jeito que ele lhe olhava direto nos olhos era pouco praticado quando estava com outro homem. Seu ex-namorado, por exemplo. Mas nem queria saber dele agora.
- Vamos caminhar um pouco? – ele falou
concordou e acompanhou-o.
- Como esta indo seu curso? - Orlando começou a conversa.
- Bem! Estou conseguindo repor os pontos negativos que fiquei por sua causa naquele dia do metrô... - disse, vendo a cara de culpado e sem graça dele, então ela riu - Eu estava brincando.
- Você... - ele riu aliviado - Eu ia ficar muito sem graça se fosse verdade.
- Eu estou bem no curso. Está na metade dele, dura mais 3 meses.
- E depois disso você vai embora ou fica aqui? - Orlando perguntou não demonstrando tanto a importância que dava pra resposta dela.
- Eu queria ficar aqui por mais um tempo. Gosto de trabalhar na biblioteca. Aproveito pra ler os best-sellers que tem por lá... Acabo juntando mais bons conteúdos pra minha cabeça. Gosto de aprender.
- Mas você quer ser bibliotecária?
- Não. Eu quero algo meu, sabe? Preciso fazer uma faculdade pra isso. Quero fazer psicologia. Só não fiz ainda, porque minha vida financeira no Brasil nunca foi muito fácil. Toda vez que eu arrumava um emprego tinha que dar prioridade pra pagar as contas atrasadas e as recentes. Mesmo assim sempre as recentes viravam as atrasadas do mês seguinte.
- Imagino como deve ter sido difícil até agora. Antes de eu conseguir tudo que tenho agora, também não era tão diferente. Só que meus pais fizeram de tudo pra me ajudar logo cedo no que eu queria fazer. Daí consegui uma bolsa pra estudar artes cênicas numa escola maravilhosa.
- Isso é muito legal... - encontrou os olhos dele, e por alguns segundo ela sentiu um momento de cumplicidade com ele.
- Psicologia? E vai querer abrir um consultório depois de se formar? - ele mais afirmou do que perguntou.
- Sim! Mas isso vai levar um tempão ainda!
- Acha que vai conseguir tudo isso em quanto tempo?
- Não tenho a mínima idéia!- ria – Talvez... Sei lá... Uns cinco anos, no mínimo!
- Mínimo?! - ele disse espantado - Não! Tem que ser no máximo! - ele riu - Você vai conseguir antes do que você espera.
- Como pode ser? Se eu nem sei quando vou começar a fazer uma faculdade? E nem vou poder fazer aqui em Londres... É muito mais caro do que o curso que estou fazendo...
- Você disse que vai trabalhar na biblioteca...
- Eu quero! Tenho que ver se vão me querer lá mesmo depois de terminar o curso.
- Você não disse que foi o irmão de uma amiga sua quem arrumou tudo isso pra você?
- Sim.
- Por que não fala com ele? Pede pra ele conseguir pra você que continue no trabalho depois do curso terminar.
- Eu já pensei nisso. Mas sei lá, fico apreensiva. - ficou muito insegura depois que foi pra outro país.
- Não fique. - Orlando parou olhando-a no fundo dos olhos. - Faça isso. Você não tem nada a perder!
- É verdade! - ela reconheceu, sentindo que sua insegurança ia embora graças às coisas que ele falava. – Obrigada, eu vou fazer isso. Vou procurar o Leonardo e conversarei com ele.
- Não esquece de me dizer depois de resolverem o assunto. - Orlando pediu.
- Como? Você vai estar em outra cidade... - ficou sem graça, mas tinha que contar que não podia fazer ligações interurbanas - Não posso fazer ligação pra fora da cidade... Tenho que economizar o máximo.
- Eu vou sempre estar aqui em Londres... Nos meus dias de folga.
- E você vai folgar quando?
- Sempre no sábado e domingo. Mas nem sempre aos sábados... Às vezes temos que fazer às pressas cenas que ficam atrasadas... Depende muito de como for no decorrer das filmagens.
Orlando sentia vontade de ficar com pelo resto da vida... Assim, conversando... Mas ele não conseguia evitar sentir mais do que uma ótima amizade... Não sabia se conseguiria ser somente amigo de uma mulher assim, com tanta força de vencer, sonhadora, bem humorada, dócil.
*************
Foram conversando sobre muitas outras coisas pelo trajeto dentro do carro de Orlando, que levava de volta pra casa. Quando chegaram, tirou o sinto e virou- se para se despedir.
- Adorei o passeio.
- Eu também. E muito! - ele confessou sorrindo.
sorria também... Como queria que ele lhe beijasse novamente!! Se olhavam longamente nos olhos... Orlando tirou o sinto na intenção de não resistir mais, porém se surpreendeu quando chegou mais perto. Orlando respirava arfante com os lábios dele roçando nos seus e sentindo a respiração arfante e morna que vinha da boca dela. Foi o necessário pra ele fechar os olhos e beija-la.
sabia que era possível que falecesse com tanta emoção ao mesmo tempo, mas não estava nem aí pra isso! Orlando beijava tão bem... E tanto... Que não sabia se ia sobreviver longe dele por mais alguns dias até a folga que ele mencionara.
- Eu preciso subir... - ela tentou dizer entre os beijos famintos dele.
Passaram tanto tempo dentro do carro! chutou uns quarenta minutos quando entrou no predio.
Estava no céu! Só podia ser...
Capítulo 6
Nos primeiros dias que se seguiram, pensava em Orlando mais do que nunca!
Os beijos dele eram diferentes. não podia evitar comparar com os do seu ex... Orlando começava com carinho, gentileza, como se estivesse estudando o território. Depois que correspondia com o mesmo, Orlando intensificava o beijo apaixonado e ardente, deixando querendo mais.
nunca fora beijada assim!
Estava pensando nisso quando a sra. Bartton apareceu entre uma estante e outra.
- Falta muito para você terminar de tirar o pó dos livros?
- Não senhora, já estou terminando. - tratava de apressar-se.
A senhora Bartton acentiu com um movimento calmo e saiu dalí.
até que gostava da senhora Bartton, porque ela não era chata, e nem pegava tanto no seu pé. Achava que se não fosse por Leonardo te-la indicado para o serviço, seria diferente. Lembrava que Leonardo lhe dissera que a senhora Bartton estava desesperada por uma jovem que se interessasse por livros. Ela colocara um cartaz nas dependências da escola à procura de uma estudante que tivesse esse interesse para ajudá-la nas funções gerais da biblioteca da escola de línguas. Foi quando Leonardo dissera ter lembrado da amiga de sua irmã, que queria muito ir pra Inglaterra pra estudar inglês e trabalhar.
Alias, se lembrou de ir procurar Leonardo depois do trabalho pra falar daquilo que Orlando lhe aconselhara três dias atrás: de continuar no emprego depois de terminar seu curso.
Depois que terminou suas tarefas, a sra. Bartton lhe dispensou. foi direto pra sala dos professores no prédio principal da escola. Por sorte, avistou Leonardo no corredor.
- ? O que faz aqui na escola ainda? - disse Leonardo tentando segurar todas aquelas pastas de trabalhos entregues pelos alunos durante a ultima aula.
- Eu acabei de sair da biblioteca. Estou querendo conversar com você sobre meu trabalho lá.
- O que foi que aconteceu?
- Seria possível você falar com a senhora Bartton sobre mim? Eu queria ficar mais tempo aqui em Londres, mesmo depois do fim do curso. Será que ela iria concordar em me admitir na biblioteca, sendo eu uma ex-estudante?
queria imensamente a ajuda de Leonardo pra isso!
Leonardo de repente riu.
- Mas é claro! Você ainda não falou com ela por quê?
- Eu não sei se ela vai querer... Achei melhor pedir pra você falar com ela a respeito.
- Não se preocupe, eu falo amanhã com ela, logo pela manhã.
- Ótimo! - falou aliviada. - Muito obrigada, Leonardo! De verdade.
- De nada! Agora deixe-me levar essa bagunça pra corrigir...
deixou Leonardo passar e esperou-o entrar na sala dos professores pra dar seu pulo de alegria.
************
Mais tarde, quando estava jantando, o telefone tocou. Ao atender, reconheceu logo a voz de , toda eufórica de novo. logo entendeu o porque.
- !
- Oi, ... Como você está? - falou contendo sua irritação. Sabia que tinha ligado pra contar as novidades. Supostamente, Orlando seria o assunto.
- Você não imagina o quanto que estou maravilhada com esse lugar! Estou no set de gravações. E Orlando Bloom está a alguns metros de distancia, conversando com o diretor do filme. Orlando é mais lindo ainda de perto! Queria que você tivesse um pouquinho da sorte que eu tenho!!
- E então? Como estão indo as gravações? - falou tentando não chamá-la de pretensiosa. Ah, se ela soubesse que já conhecia Orlando, primeiro que ela, e que ele já lhe beijara algumas vezes...
- Estão indo bem !! Adivinha que cena eu tenho que fazer agora?
- Não tenho idéia!
- O beijo!!!
sentia um imenso ciúme se alastrar como fogo em seu coração. Tinha vontade de estrangular !! Só de imaginar que Orlando beijaria depois que desligassem o telefone, quis morrer!
acharia que estava fazendo isso de propósito, se ela soubesse do que acontecera entre e Orlando antes de tudo isso. Então tratou de por a cabeça no lugar.
- Eu preciso desligar, . Estão me chamando! - falava eufórica. - Tchau!
- Tchau... - falou, mas já tinha desligado.
Ela não se agüentava de nervoso. Até desistiu do jantar. Levou o prato pra cozinha e jogou o resto da comida fora. Lavou o prato com gestos agressivos, quase que pondo a existência do prato em perigo!
saiu do pequeno apartamento pra respirar um pouco. Na verdade, pra se livrar do território de . Aquele apartamento era da colega de quarto... só estava ali de favor, aliás, nem tanto de favor! ajudava nas despesas desde que chegara.
No corredor, ouvia o som que vinha do fim do corredor. Era uma musica indiana. Conhecia a Aidah, a mulher era marroquina, e sempre se podia ouvir essas musicas vindo do apartamento dela. sempre teve curiosidade de saber se Aidah sabia fazer a dança do ventre. Achava lindo o costume das mulheres do oriente marroquino, que dançavam assim pra conquistar seus amados maridos, durante a primeira noite da lua-de-mel.
tinha vontade de aprender, mas não tinha tempo. E nem dinheiro pra pagar aulas de dança do ventre.
*******************
Na manhã seguinte, só esperou sua aula terminar pra ir atrás de Leonardo e saber se ele falara com a senhora Bartton. Encontraram-se por acaso na escadaria da escola.
- Bom dia! - disseram os dois ao mesmo tempo. Mas foi quem continuou a falar: - E então? Falou com a sra. Bartton?
- Falei. Acabei de sair da biblioteca. - Leonardo manteve o sorriso simpático durante a pausa misteriosa, e de propósito.
- Diga logo! - riu nervosa.
- Ela quer falar com você.
acentiu e rapidamente correu pra biblioteca. Quando chegou em frente à porta dupla de madeira grossa e já aberta pra funcionamento diário, se acalmou. Ajeitou-se e entrou na imensa biblioteca enquanto sua respiração voltava ao normal. Não encontrou mais ninguém alem dos estudantes que saiam das aulas do mesmo horário que ela.
Foi deixar suas coisas no armário e vestiu seu avental pra começar a trabalhar. Quando saiu, deu de cara com a senhora Bartton.
- Ah, você está ai!- a sra. Bartton falou sorrindo.
achou estranho ela sorrir. Era muito raro vê-la sorrindo!
- Sim senhora, acabei de chegar! O professor Leonardo me falou que a senhora queria falar comigo. - tremia nas bases, apreensiva novamente.
- Sim, é verdade. Ele me falou que você estava querendo ficar em Londres, mesmo depois de terminar o curso. E que você precisaria estar trabalhando!
- É verdade. Eu quero tentar viver aqui por mais tempo.
- Leonardo sugeriu que eu continuasse admitindo você aqui na biblioteca, e eu achei uma boa idéia, já que você foi a única que se interessou em se enfurnar aqui, ao invés de optar pelas noites de balburdia com os colegas de classe.
sorriu feliz, omitindo para a senhora Bartton que às vezes também saia pras balburdias com seus colegas.
- A senhora está concordando, então? Quer que eu continue aqui?
- Claro! Eu já estava ficando preocupada, pois sei que seu curso está quase terminando. Onde eu acharia alguém pra ficar no seu lugar? Além do mais, você me é de grande ajuda! Faz tarefas extras pra me ajudar, como as limpezas mais pesadas. Quando eu era mais jovem podia subir nessas escadas e limpar as estantes com a maior facilidade. Mas agora... - sra. Bartton encolheu os ombros
- Obrigada, senhora Bartton!- disse feliz e mais aliviada.
Tinha agora a chance de ficar na Inglaterra por mais tempo do que pensara, quando saiu do Brasil só na expectativa de ficar ali por 6 meses e depois voltar.
estava louca pra contar a notícia ao Orlando
Capítulo 7
Era sábado...
estava esperando que voltasse também, afinal ela afirmara que voltaria no dia de folga. Mas logo de manhã ela ligara avisando que não ia voltar, porque queria conhecer a cidade de Tilbory com alguns amigos do elenco do filme. não conseguiu tirar mais informações dela, estava com pressa.
ficou a pensar se Orlando estaria nesse grupo de amigos com . Deu uma vontade louca de ligar pro celular dele!
ficou o dia de sábado todo tentando se decidir se ligava, mas por não ter recebido até agora noticia alguma dele, era sinal de que Orlando não voltaria pra Londres neste final de semana.
saiu do apartamento. Parou ao ver Aidah chegando com algumas sacolas do supermercado.
- Olá, ! - Aidah falou em inglês com seu sotaque forte de Marrocos, sorrindo pra julie.
- Oi Aidah! Tudo bem?
- Tudo! E ? Não a vi a semana toda! Ela viajou?
- Sim, foi pra Tilbory à trabalho. Ela conseguiu passar num teste e esta gravando um filme.
- Oh! Que maravilha! Ela leva muito jeito pra atriz! Lembro quando ela me deu uns ingressos de uma peça que estava fazendo. Achei muito boa!
- É, ela é boa mesmo...- não estava nem um pouco empolgada por , infelizmente. E não conseguia esconder.
- O que você tem? Está tudo bem? Precisa de alguma coisa?
- Não... Estou só um pouco entediada... - mentia.
- Quer vir até meu apartamento me ajudar? Estou precisando de alguns conselhos.
- Sobre o quê? - quis saber, curiosa.
- Eu estou querendo fazer uma surpresa para o meu noivo. - Aidah confidenciou com voz baixa. - Comprei tudo isso pra hoje a noite. Mas estou nervosa! Nem sei se vai dar certo!
Aidah estava mesmo nervosa, e achou que se ajudasse ela, talvez a sua preocupação e pensamentos constantes em Orlando, sumissem.
- Eu te ajudo sim! - se apressou pra pegar algumas sacolas dela. - Me conta seu plano.
Enquanto entravam na cozinha e guardavam as coisas, Aidah contava os planos da noite romântica com o noivo. achava tudo o máximo enquanto ouvia.
- E vou dançar pra ele. - Aidah contou por fim.
- Dançar?
- Sim! - Aidah correu para o aparelho de som e ligou numa musica indiana. riu vendo ela se animar e extravasar o nervosismo na dança que estava fazendo. - Vem!
- Não! Eu não sei dançar assim... Tenho vontade, mas não tenho como aprender.
Aidah parou de dançar e baixou o volume do som.
- Por que não tem como aprender?
- Não tenho muito tempo. Estou estudando e trabalhando. E não sobra dinheiro pra pagar aulas de dança do ventre... Devem ser caras!
- Quer que eu te ensine? - Aidah falou animada.
- Você? - riu de ansiedade. - Não sei... Talvez!
- É só você arrumar um espaço de tempo livre.
- É!- disse pensativa adorando a idéia.
- Você quer aprender a dançar pra quem? - Aidah perguntou curiosa.
- Eu? Pra ninguém! - falou sem graça.
- Você não tem namorado?
- Não!
- Achei que tivesse! Dias atrás vi você saindo do carro com um homem bastante distinto!
sentiu um fogo de saudade atiçar-se em seu interior. Aidah estava falando dela e Orlando. Provavelmente ela não reconhecera que era Orlando Bloom.
- Aquele homem era... Um amigo...
- Amigo? - Aidah disse maliciosa.
- Sim... Por quê?
- Porque eu estava no carro do meu noivo, só que do outro lado da rua. Mas deu pra ver que vocês não eram só amigos. Vi quando ele te beijou. - Aidah falou sem nenhuma maldade, e sim com confidencia amigável. - E você não hesitou em nenhum instante!
- É... Mas... Ele é um caso estranho que aconteceu... Nem sei se vai vingar. - falou baixando os olhos e mexendo no pacote de pétalas vermelhas que Aidah comprara para a noite romântica.
- Ora! Não desista dele não, hein!
- Não sei... Estão acontecendo coisas... - sentiu o coração acelerar quando sentiu seu celular vibrar no bolso da sua calça jeans.
Rapidamente atendeu sem nem olhar de quem era a chamada.
- ? - falou orlando.
- Oi! - olhou espantada pra Aidah, que não entendeu nada. Então tapou o celular e sussurrou - É ele!
- Eu acabei de chegar em Londres... Liguei pra saber se você... Não quer sair comigo... pra jantar, talvez?
- Jantar? - falou olhando pra Aidah e pedindo ajuda. A amiga, eufórica, fazia sinal positivo pra . - Sim, eu quero.
Orlando não acreditou na resposta positiva, mas não perdeu tempo em combinar a hora de ir busca-la...
Capítulo 8
desligou o celular ainda em choque. Aidah sorria feliz da vida e ainda mais ansiosa do que antes. perdeu o controle...
- Aidah, eu disse que sim! Mas nem sei que roupa eu vou usar! E se ele me levar pra jantar num daqueles restaurantes chiques? Eu tô perdida! Não vou poder usar jeans!!
- Calma! Eu tenho alguns vestidos que posso te emprestar. Acho que usamos o mesmo manequim. Vem comigo.
Aidah levou para o quarto. Abriu o closet e tirou alguns cabides com vestidos tão bonitos, femininos, e que não tinha nenhum. Seu estilo era jeans básico e acessórios práticos, o que atrapalhava nessas horas.
- São vestidos lindos, Aidah!
- Meu noivo me deu a maioria deles! - ela falou orgulhosa.
- Ah, não posso usa-los! São presentes do seu noivo!
- O que é que tem demais? Pode usar, não terá problema nenhum! - Aidah falou dando confiança. - De qual você está gostando mais?
olhava para todos os vestidos que Aidah colocava estendidos sobre a cama de casal, e seus olhos prenderam-se em um especialmente. Era um preto de tecido leve, alças finas e decotado discretamente. Aidah logo percebeu que era aquele em que estava de olho. Pegou-o e estendeu pra .
- Anda, experimenta esse.
aceitou sorrindo.
- Oh Aidah, você está sendo tão legal...- reconhecia que sentia-se mais a vontade com ela do que com , que por fim estava fazendo coisas que não deixavam nada feliz.
foi ao banheiro e provou o vestido. Lhe caiu como uma luva! Se olhava no espelho grande e via como estava bonita com ele.
Quando saiu do banheiro pra mostrar como ficara, Aidah soltou um sussurro, maravilhada.
- Nossa! Ficou melhor em você do que em mim! - Aidah brincou rindo. - Está linda! E você ainda vai se maquiar, dar um trato no seu cabelo...
- Obrigada, Aidah!
**************
ajudou Aidah com os preparativos na noite romântica. Depois foi logo para casa se arrumar. Orlando ficara de ir lhe buscar às oito da noite.
sentia um forte friozinho na barriga quando via que estava chegando o horário dele chegar. fez escova nos cabelos longos depois do banho, fez a maquiagem leve e colocou o vestido. Procurou seu sapato de salto fino e preto também. Quando estava calçando-os, o interfone tocou. gelou!
- Ai meu deus... É ele... É ele!! - falava sozinha indo até o interfone embutido na parede da cozinha. Apertou o botão pra falar. - Sim?
- Sou eu. - Orlando falou. Estava tão ansioso para revê-la!
- Só mais um minuto e já vou descer. Você espera?
- Com certeza!
riu e saiu em disparada pra pegar sua bolsa e seu casaco longo e preto. Pegou a chave e saiu do apartamento depois de dar uma ultima olhada no espelho, mas sabia que o verdadeiro espelho ia ser Orlando. Se ele não gostasse, ia saber logo. Mas estava se sentindo muito linda!
Orlando esperava na frente da porta do prédio. Usava um terno preto italiano, mas a camisa era branca, e não estava usando gravata. Tanto que os primeiros botões da camisa estavam abertos. Ajeitou o cabelo, que estava um pouco grande, e a porta se abriu. surgiu, linda, fantástica, lhe deixando com medo de seus próprios sentimentos agora.
saiu e fechou a porta sorrindo pra ele. Agora sabia que estava bonita, pelo jeito que ele estava lhe olhando...
- Você está maravilhosa. - ele murmurou pegando na mão dela num gesto cavalheiro.
Ele beijando-lhe no dorso da mão. Depois selou um beijo nos lábios de . Não se conteve em esperar mais para fazer isso!
E segurou o rosto dele enquanto Orlando tentava se conter e parar de beija-la alí na calçada. Alguem poderia ver, principalmente fotógrafos e paparazzis.Separaram-se finalmente depois de uma luta interior contra seus desejos.
- É melhor nós irmos. - ele falou com a voz mais grave encarando nos olhos intensamente.
concordou balançando a cabeça. Orlando lhe guiou até a porta do carro e abriu a porta pra ela.
entrou no carro achando que era um sonho. Só podia ser.
Capítulo 9
tentava se situar. Estava entrando num restaurante lindo e francês, onde até os funcionários eram totalmente bem vestidos! Orlando lhe guiou com a mão em sua cintura até a recepção do restaurante. se surpreendia com os lustres imensos de cristais enquanto Orlando só acenou com um gesto discreto com a cabeça para o rapaz que deveria cuidar das reservas. Logo depois se aproximou de e de Orlando todo prestativo e educado.
- Boa noite, sr.Bloom, boa noite senhorita.
- Boa noite. - respondeu com Orlando.
- Por favor, queiram me acompanhar. - disse o rapaz levando-os até a mesa reservada.
gostou do lugar, nem tão discreto, nem tão a vista. O rapaz ofereceu a cadeira pra que sentasse, e Orlando sentou-se de frente pra ela logo depois.
- O senhor vai querer algo para beber antes de escolher o menu? - o rapaz dizia "menu" forçando o sotaque francês, ficando engraçado.
segurou seu riso, vendo que Orlando também segurava o dele enquanto respondia educadamente.
- Sim! Pode ser... - e ele olhou pra . - O que vai querer para beber?
- Ah... Água. - foi a única bebida que conhecia e que era impossível não terem.
- A senhorita prefere com gás ou sem? - falou o rapaz, detalhista demais.
estava se irritando com ele!
- Sem gás, por favor. - ela falou sorrindo.
- Para mim o mesmo. - Orlando falou fazendo um gesto com a cabeça discretamente, fazendo o rapaz entender que era hora dele se retirar.
riu pra ele se inclinando pra frente.
- Esse rapaz é muito hilário.
- Sim...
Orlando não fazia força alguma para disfarçar o que estava sentindo. Por isso a olhava tão profundamente atento, não querendo perder nenhum movimento que ela fizesse, ou som que emitisse daquela boca tão divina! Meu Deus... Orlando não sabia mais o que ia fazer. estava fazendo coisas acontecerem.
- Está gostando daqui?
- Oh, claro! É lindo! - ela falou olhando rapidamente a sua volta. - Posso confessar uma coisa? - ela falou um pouco tímida.
- Por favor. - ele pediu abrindo um sorriso maravilhado por estar com ela.
- Eu nunca me imaginei freqüentando um restaurante como este! É igual a aqueles que eu vejo nos filmes.
- Mas isto não é um filme. Somos somente eu e você.
Orlando lhe olhava com um jeito meio que malicioso, carinhoso, esperançoso! sentiu que era tudo isso. E talvez fosse isso mesmo. Durante o prato de entrada, salada de aspargos, correu tudo muito bem. se lembrou das lições de etiqueta que viu nos filmes "Titanic" e "Uma Linda Mulher". Começar dos talheres de fora pra dentro. não entendia pra que tanto garfo e faca pra comer! Podia ser ignorância sua, mas gostava de simplicidade e praticidade... Sem frescuras... No entanto, durante o resto do jantar, se saiu bem! Conversavam sobre a noticia que contara sobre a admissão na biblioteca pela senhora Bartton, adorando ver a satisfação brilhar nos olhos de Orlando!
- O jantar estava muito bom! - ele falou. Eles agora tomavam de suas taças as ultimas doses da garrafa de um vinho branco e levemente doce.
- Estava mesmo... - tomou mais do seu vinho, como se fosse suco. Estava sentindo afogueada pelo efeito da bebida. Não era acostumada a beber. - Adorei esse vinho! Delicioso.
- Sim, é. Mas acho que você não deve ser acostumada a beber... Está corada... - ele ria. - Está tudo bem?
- Sim, estou! Não estou bêbada, estou? - ela confidenciou em voz baixa e com medo. Mas ela sabia que não estava!
Orlando riu dela.
- Não, você está incrivelmente normal.
Orlando puxou a cadeira mais para o lado dela, pra ficar mais perto. Mais intimo... Era tudo o que ele queria.
- Tive medo que você pedisse escargot, sabia? - ela falou fazendo ele rir mais e então ele pegou sua mão direita por sobre a mesa. - É serio! Aquilo é nojento demais. Se você me fizesse comer aquilo, te mataria!
Ainda ficaram falando sobre teorias estranhas do porque de as pessoas comerem coisas tão nojentas como o escargot.
- Va
mos parar de falar do escargot. Tem muita coisa melhor pra se por numa conversa, não? - Orlando disse mantendo a mão dela entre as suas sobre a mesa, e olhando nos olhos de intensamente.
- Sobre o que quer conversar?
Ela falou num sussurro, que sem querer saiu um tanto sedutor. estava adorando o carinho das mãos dele segurando a sua. E com sua mão esquerda livre, acariciou o maxilar dele.
Orlando fechou devagar os olhos, viajando naquela caricia tão doce. Respirou fundo voltando a encara-la, desejando beijar-lhe a boca. sorriu largamente coçando os curtos fios do cavanhaque no queixo dele. Orlando sorriu e enfiou a mão entre os cabelos na nuca dela. se arrepiou todinha e sentiu outras coisas a mais. E quando Orlando abafou um suspiro arfante ao beijar-lhe a boca, sorriu beijando-o ao mesmo tempo!
sentiu a língua quente dele passar em seu lábio inferior e depois sugá-lo lentamente. Orlando olhou para ela e entendeu que esperava a mesma atitude no beijo mais ousado. Esqueceu que estava num lugar publico. beijou Orlando de novo e teve a impressão de sentir a boca dele mais quente do que antes. repetiu o que ele lhe fez no lábio, com a mesma lentidão e viu ele franzindo o cenho de olhos fechados. Realmente, Orlando não sabia de onde tirar forças pra suportar o que estava sentindo. Era muito intenso! Como ia resistir?! Não tinha como... E nem queria saber de fazer isso! Os beijos de eram mais do que Orlando imaginara um dia provar!
Quando ele abriu os olhos, já estava mais sã e resolveu falar sério.
- Orlando, vamos embora?
- Não gosta de ficar aqui? O restaurante não está tão cheio... E estamos em um lugar discreto! Podemos...
- Eu prefiro ir para outro lugar. Por favor?
Ah... O que pedia que Orlando não o faria?! Por isso levou-a embora dali.
Passava da meia-noite quando chegaram em frente ao prédio que morava. Ela resolveu convidá-lo pra entrar.
Capítulo 10
destrancou a porta e entraram os dois. trancou a porta de novo e quando olhou pra ele, ele riu.
- Eu sei que não é certo eu tirar proveito do seu convite... - ele falou num murmuro baixo e grave, puxando-a pela cintura e beijando-a com paixão intensa. - Mas não posso evitar! - ele sussurrou entre os lábios dela.
puxou-o pela nuca e se beijaram ainda mais envolvidos do que nunca!
- Você não está se aproveitando de mim... - falava num intervalo do beijo e voltou a beijá-lo.
Encontraram o sofá grande quase caindo nele por conta do beijo perdidamente apaixonado. Sentados, quase deitando, sentiu que se não parasse por alí, talvez cometesse uma loucura naquela noite!
De repente, o juízo de voltou e ela saiu de perto dele, se pondo de pé. Logo ele a seguiu, encarando-a como um leão caçando uma presa. não resistia! Se entregou aos braços dele num beijo mais ardente e provocante do que antes. Orlando arfava levando-a as cegas até achar uma parede e prensar contra ela e seu corpo, passando a beijar-lhe o pescoço.
se agarrou aos cabelos dele sentindo o maior desejo que sentira na vida.
- Orlando... Para. - suplicava quase não agüentando mais!
E orlando parou, olhando aturdido nos olhos dela, que também mostravam claramente que sentia o mesmo desejo que ele sentia por ela.
- Você quer mesmo que eu pare?
Olhando bem para aquele homem, não precisou pensar muito... Nem estava em condições de pensar!
- Não... Não quero que pare.
Orlando beijou mais uma vez o pescoço de . Queria tocar o corpo todo dela com urgência. Pressionava-a contra seu próprio corpo com ardência. Sentia pela força do abraço dela que era correspondido com o mesmo desejo e paixão. mordiscava sua orelha e sugava-a varias vezes começando a excitá-lo.
- ... - ele tentava voltar a si afastando sua orelha do alcance da boca dela. Ía se afastar em geral, mas não conseguiu.
Se beijaram de novo, mas lentamente, com mais sedução. estava à caminho da perdição se não tomasse juízo! Se esforçou demais... Mesmo... Pra separar-se dele.
- Já chega. - ela falou saindo de perto dele e indo até a porta. Antes mesmo de abri-la, viu o quanto deixou-o sem rumo ao abandona-lo - É melhor você ir.
- Ok!
Ele falou com aquela voz grave e forte, tão lindo, tão irresistível, andando em sua direção enquanto abria a porta pra ele. Mas não podia cair em tentação assim, tão cedo! Orlando passou pela porta aberta e levou-o até o térreo pra abrir a porta do prédio pra ele.
- Boa noite! - ela falou sorrindo quando se olharam parados à porta do prédio.
Orlando, que até então tinha descido as escadas calado e com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, enfim puxou e beijou-a vorazmente. Diminuindo a pressão contra os lábios dela, sugou-os com carinho tirando um longo suspiro dela ao larga-la.
- Boa noite, .
Quando voltou pra dentro do apartamento, sentiu suas pernas vacilarem de vez e enfim pode cair no sofá mais sossegada com sua consciência, por não ter se precipitado. Tudo bem! reconhecia agora, estava completamente perdida de amor, paixão e desejo por Orlando. Mas tinha que ir com calma. Afinal não era um homem qualquer!
Era Orlando Bloom!
Naquela manhã de domingo, acordava com o barulho do interfone. Morrendo de preguiça de levantar, olhou meio enfurecida para o relógio. Eram nove e dez da manhã. Frustrada por já perder possíveis duas horas de sono do seu domingo, se levantou e foi atender o interfone que continuava tocando. Andou de olhos fechados coçando a cabeça e se espreguiçou. Apertou o botão...
- Sim? - disse ela com sono.
- Bom dia!
ouviu a voz gostosa do Orlando e despertou da preguiça. Ainda assim, não acreditou muito que fosse ele.
- quem é?
- Sou eu! - ele riu. - Já esqueceu de mim? Não acredito. - ele falou gracejando.
- Orlando, o que faz aqui? Quero dizer... Não que eu não esteja gostando... Mas...
- Eu vim te convidar pra passar um domingo comigo. - ele disse meio inseguro com a resposta.
até que gostava da idéia! Mas não queria deixar ele subir no seu apartamento, com medo de sua fraqueza carnal.
- E o que você tem em mente? - ela perguntou.
- Quero que conheça um lugar.
- Eu vou descer em 15 minutos.
**********
desceu cinco minutos mais tarde. Estava tão elétrica porque ele estava alí! Saiu do prédio e avistou Orlando segurando a correia da coleira de um cachorro negro e lindo sentado ao lado de seu dono.
- Que lindo! - falou chegando perto , e querendo passar a mão no cachorro. - Ele é manso?
- È sim. - Orlando sentiu um certo ciúme bem besta por ver se agachar e dar tanto carinho em Sidi. E enquanto isso ele mesmo não ganhava nenhum beijo.
- Esse é o Sidi, não é?- o conhecia bem! O famoso cachorro de estimação de Orlando Bloom.
- Sim. Agora é Sidi, o cão sortudo. - Orlando insinuou.
riu se levantando com o impulso de puxá-lo num beijo, mas olhou para os lados disfarçando. Afinal estavam à luz do dia... E alguém, assim como um paparazzi, poderia estar fuçando na vida do Orlando. Como sempre!
-Que lugar é esse que você quer que eu conheça? - falou curiosa. Reparou que o carro dele não estava ali. - Você veio a pé até aqui?
- Sim, andar faz bem! E Sidi queria passear. - Orlando omitia que o verdadeiro motivo era sua inútil tentativa de ficar longe dela. - O lugar é um projeto que esteve em meus planos... E está quase virando realidade. Mas se eu contar, vai estragar a surpresa! Quero que você veja.
- Tá certo!
- Vamos andando. Não fica longe.
Orlando e andaram por vários quarteirões, mas conversando sobre diversos assuntos, fazendo o tempo passar despercebido. estava adorando Sidi. Que cachorro dócil! E charmoso. percebeu que o animal fazia de tudo pra ter a atenção dela, latindo ou brincando, saltando ao seu lado pra se mostrar... ria a cada travessura dele.
- Ele é sempre assim?
- Claro que não! Sidi é um preguiçoso, nunca salta! Está assim porque gostou de você e está se exibindo... - os dois riram.
***********
Orlando e chegaram em frente ao portão de um casarão lindo e de estrutura antiga. Era muito bonito! Todo branco e tinha um belo jardim de entrada. Logo que o segurança avistou Orlando, ele se apressou pra abrir o portão. entrou acompanhando Orlando e Sidi, percebendo o olhar curioso do segurança sobre ela. Orlando também percebeu e franziu o cenho, intrigado, olhando dela para o segurança. Disfarçando, o segurança saiu de perto e Orlando sentiu a eletricidade do ciúme se desfazer. Levou ao longo do caminho de pedregulhos no jardim.
- Que lugar é esse afinal? - estava tão curiosa que não teve tempo de tentar entender as trocas de olhares lá no portão.
Orlando parou com ela antes de entrarem na varanda. estava achando o lugar maravilhoso!
-Esse lugar é um dos meus objetivos sendo realizado... Na verdade, está pronta a reforma que andei fazendo aqui. Mas a inauguração mesmo só poderá ser feita a partir da semana que vem. - por fim, Orlando olhou pra ela com os olhos brilhando. - É um lar pra crianças e idosos.
não tinha como não amar esse homem!
- Que lindo Orlando! - sussurrou com olhos enchendo de lagrimas.
E Orlando mais que adorou ver ela assim. Uma mistura de arrepio e batidas rápidas do coração, calor avassalador e falta de ar momentânea.
- Vem, quero que conheça o lugar todo!
Capítulo 11
Depois de deixar Sidi solto na varanda aos cuidados de um amigo, Orlando levou por todo canto da casa de estilo vitoriano do século XVII, com os equipamentos e móveis certos para uma instituição para crianças e idosos carentes.
Estavam no imenso quarto onde estava tudo pronto pra ser um berçário, quando Orlando contava:
- Eu vou receber todos os funcionários e médicos no fim de semana que vem. Contratei uma equipe toda de médicos e especialistas nisso, tanto na área médica quanto na área de educação.
- As crianças vão estudar aqui então?
- Sim, e os idosos também, se forem de suas vontades. Leitura, artes, tudo o que cada um se sentir melhor em fazer.
- Isso é ótimo! - chegou perto dele sentindo orgulho. - Você está colocando juntas duas gerações! É como se o fim e o começo da vida precisassem um do outro... Sempre. Entende o que quero dizer? - ela disse sem saber se expressar bem.
- Sim, entendo. - Orlando sorria. - Eu também pensei nisso algumas vezes. Minha mãe falou muito nisso também quando eu dei a idéia de ser um lar pra idosos. Os mais novos aprendem com os mais velhos, e vice-versa!
acentiu com um gesto de cabeça. E quando sentiu as mãos dele tocar sua silhueta, não pode mais evitar em demonstrar sua ansiedade em ficar nos braços dele de novo.
- O que está fazendo comigo? - falou num murmúrio enquanto se envolviam em nuvens de feromônio e sedução.
- Tentando beijar você. - ele falou fazendo rir. Achava-a tão maravilhosa!
sabia que não adiantava negar, que era pior. Ficaria louca se negasse pra si mesma um beijo dele! Por isso segurou o rosto dele e se beijaram com carinho. Orlando logo suspirou longamente apertando os olhos fechados por sentir tanta intensa paixão e desejo ao mesmo tempo... E estava adorando sentir o perigoso calor que vinha dele, botando fogo em seus sentidos.
De repente, ouviram o ranger da porta se abrir e se separam rapidamente. viu uma senhora baixa e magra. Meu Deus, ela tinha traços que denunciavam claramente quem ela era.
- Oi mãe! - Orlando se adiantou para ela com um abraço carinhoso.
- Oi querido!! Pensei que não viesse aqui! - ela olhou sorrindo pra ele e depois olhou pra .
- Eu resolvi vir! Estou mostrando o lugar para . - Orlando contou.
presenciou a troca de olhares confidente entre mãe e filho.
- Oh! Sim... - a mãe de Orlando falou compreendendo alguma coisa.
estava achando tudo muito estranho, mas tentou agir naturalmente enquanto Orlando apresentava uma para a outra.
- , minha mãe, Sonia.
sorriu e foi cumprimenta-la com um abraço e dois beijos no rosto. Reparou na feição de leve surpresa na face de Sonia. Talvez ela não conhecesse o jeito caloroso dos brasileiros ao cumprimentar alguém.
- Prazer te conhecer, ! - Sonia falou sorrindo enquanto a olhava inteira.
se sentia sendo avaliada. Mas pelo menos Sonia parecia ter ído com a cara de .
- O prazer é meu, Sonia!
Orlando reparou que chamava sua mãe pelo nome logo de cara. Sentiu que aquilo foi sem querer, por isso logo depois ficou um pouco rosada. É que na Inglaterra, as pessoas não se dirigiam a outra pelo primeiro nome logo de cara. Tinha um costume e tal de chamar pelo sobrenome... Mas agora já era tarde, pensou dando de ombros pra situação.
- Orlando me falou que você é brasileira... - Sonia contou de propósito vendo a cara de advertência do filho.
sorriu ao dar conta de que Orlando andara falando dela pra sua mãe.
- Hm... Andou falando de mim? - gracejou encarando-o
- Só um pouco. - ele confessou com um sorriso tímido.
estava ficando cada vez mais apaixonada por ele... Era inevitável!
Capítulo 12
Durante o passeio pela casa, Sonia fazia questão de explicar cada detalhe do que seria feito, ajudando Orlando a mostrar o lugar. estava admirada pela união dos dois, de como se davam bem. Estavam no corredor entre o hall de entrada e a cozinha, quando o amigo de Orlando, um tal de Ryan, apareceu segurando Sidi pela coleira.
- Orlando, Sidi está muito inquieto! Não quer parar um minuto lá fora! - Ryan falou estranhando.
- Deixa ele comigo, vou dar uma volta com ele pelo jardim. - Orlando falou pegando a coleira.
- , pode me ajudar aqui na cozinha enquanto isso? - Sonia falou toda simpática.
afirmou com o seu sorriso enquanto Orlando saia pelo hall com Sidi e Ryan. Entraram na cozinha, e adorou! Era bonita e espaçosa, bem equipada.
- Nossa, que cozinha maravilhosa vocês têm aqui! - falou rindo.
- É verdade... - Sonia ria também. - Vai ser mais divertido quando as cozinheiras chegarem semana que vem. Adoro um ambiente sendo trabalhado, com movimento... Principalmente se eu puder ajudar!
começou a ajudar Sonia a tirar umas compras de dentro de sacolas sobre a mesa grande e retangular de mármore grosso e branco. Sem se dar conta, já tinha engatado uma conversa sobre o que e como ajudaria Sonia a fazer um almoço pratico pra todos.
Samantha, irmã mais velha do Orlando, também iria até lá para encontrar-se com a mãe e o irmão. estava nervosa porque estava conhecendo a mãe do Orlando e também ia conhecer a irmã agora. Que coisa mais sem noção!
Sim! Pois para quem a menos de dois meses ainda sentia uma pequena deprê por causa do ex, por estar em um pais estranho e muito menos imaginava encontrar seu ídolo astro de cinema, lindo e charmoso e se apaixonar facilmente por ele... Que aliás, era uma coisa perigosa demais de se acontecer..
**************
- , por que não vai chamar o Orli enquanto eu termino de ajeitar a mesa? - Sonia sugeriu tirando o avental.
- Ok! Já volto!
saiu da casa e da varanda avistou Ryan voltando do jardim dos fundos. Ryan era um homem mais ou menos da idade do Orlando, era dez centímetros mais baixo, loiro e muito sério!
- Ryan, sabe onde está Orlando?
- Ele está no jardim fazendo o Sidi se cansar um pouco. - respondeu Ryan apontando na direção dos fundos da casa.
agradeceu e se apressou pra lá. Logo avistou Orlando jogando um graveto e Sidi correndo pra busca-lo. estava se aproximando quando Sidi lhe viu, e ao invés de levar o graveto pro Orlando, foi direto pra ela! Juie ria... Se abaixou e Sidi abriu a boca deixando o graveto cair na grama. Ele latiu pra ela e sentou quando obedeceu ao pedido dele.
- Você quer que eu brinque com você, lindão? - disse abraçando-o e esfregando o pescoço e as orelhas moles dele.
- Não o deixe mal acostumado. - Orlando falou de repente já perto dela. - Sidi está se apaixonando por você!
riu, atiçou Sidi e jogou o graveto. Sidi correu em disparada pra longe.
- Sua mãe e eu fizemos o almoço. Está com fome?
Orlando estava com fome, mas era de outra coisa. Não era de sua natureza ir direto ao ponto com as mulheres, mas parecia... Parecia estar provocando-o... Não sabia como... Não era por meio de palavras... Era pelo jeito que ela olhava direto em seus olhos, fazendo-o sentir-se fraco e forte ao mesmo tempo... Meio desesperado e ao mesmo tempo calmo...
percebeu que Orlando estava se segurando. Mais do que deveria! E isso estava lhe frustrando! Por quê? Ele não queria mais? Aliás, querer o que? Afinal, o que estavam querendo?! não gostava de nada indefinido em sua vida. Ou era oito, ou oitenta!!
Orlando desfez em dois segundos a distancia entre eles com um abraço, depois um beijo sedento e mortalmente devastador, assaltando com o fogo ardente de uma paixão, até então desconhecida. começou a beija-lo também, se pondo toda ao corpo forte dele. Sentiu ele abafar um gemido e lhe apertar mais pra ele. Mas Orlando a beijava com lentidão, porém com caricias intensas. Ah, como queria aquela mulher toda pra ele! Orlando a conhecia há pouco tempo, mas era assim que se sentia, totalmente louco...
sentia que se não fosse seu juízo perfeito, faria amor com ele alí mesmo! Mas segurou o rosto dele e afastou-o contra a vontade dele, que ainda tentou lhe beijar de novo.
- Não, Orlando! - queria explicar porque estava fazendo aquilo, mas sem saber o motivo, sentiu um nó na garganta!
- O quê...? - Orlando se calou com a volta de Sidi, que se enfiava entre as pernas dele e de pra pedir atenção. E saiu de seus braços.
deu atenção para o Sidi para fugir do Orlando. Se arriscasse falar, explicar o repentino 'não!', poderia deixar seu choro engasgado sair! E isso não seria bom. Não na frente dele! sabia que estava se perdendo de paixão por Orlando, mas não sabia se ele sentia algo perto disso por ela! Se chorasse na frente dele, seria ridículo. entregou o graveto para Orlando, bem séria.
- Eu vou almoçar com a sua mãe. É melhor você ir também ou ela vem te buscar! - ela falou tentando parecer natural, mas ela mesma percebeu que sua voz saiu meio embargada.
Orlando observava ela se afastar... Sidi começando a segui-la lado a lado. E ele alí, segurando um graveto um tanto babado, e um incêndio que ascendera, agora sem nada pra apagar.
**************
estava disposta a se despedir de Sonia e ir embora. Entrou na cozinha e encontrou Sonia conversando com uma mulher mais nova, mas um pouco parecida com ela. Era Samantha.
- Olha ela aí! - falou Sonia, dando a impressão de estar falando de antes dela chegar.
- Oi! O que tem eu? - falou ao receber o olhar curioso de Samantha.
- Oi. Eu sou Samantha. - ela se adiantou num meio sorriso pra . - Minha mãe estava me explicando quem era a moça que eu vi sendo beijada pelo meu irmão lá fora no jardim!
estava muito envergonhada! Não sabia onde enfiar a cara! Sonia cutucou Samantha numa cotovelada discreta, e Samantha riu pra com gestos calorosos.
- Ora! Não fique assustada... Afinal, isso é normal! - Samantha tentava concertar. - Quer dizer, não que meu irmão seja acostumado a agarrar muitas moças... Não é isso.
- É normal... - murmurou como se para si mesma, tentando entender o que Samantha estava querendo dizer. Será que ela estava querendo dizer alguma coisa realmente sobre Orlando 'agarrar muitas moças'?
- Ah , por favor... Venha! Vamos almoçar?! - Sonia convidava-a puxando uma das cadeiras na mesa posta.
quase ia aceitando pela gentileza de Sonia, mas Orlando entrou pela porta, pondo-lhe a sensação de que a cozinha ficava menor. Sonia e Samantha viram os dois trocarem olhares demorando mais que o normal.
- Sinto muito Sonia, mas eu tenho que ir embora.
- Embora?! - Orlando disse surpreso sem entender nada porque ela estava assim. Teria feito alguma coisa que não devia?
não respondeu a ele. Só se aproximou de Sonia com um abraço carinhoso.
- Mas ... - Sonia tentou protestar.
- Me desculpe... Eu tenho muitas coisas para fazer em casa e trabalhos do meu curso pra entregar durante a semana. Preciso adiantar, já que não tenho tempo vago no emprego. - se dirigiu pra Samantha. - Samantha, foi um prazer conhece-la!
- Oh... O prazer foi meu! - falou Samantha ainda sem jeito pelo que tinha dito.
passou por Orlando e saiu pelo hall. Ele logo olhou pra sua mãe e irmã, que fizeram sinal pra ele sair atrás dela.
estava quase chegando no portão quando o segurança que havia lhe olhado demais saiu da cabine de segurança para servi-la. Mas ele parou ao ver Orlando seguindo-a apressado para alcança-la.
-! - Orlando chamou.
olhou pra trás surpresa em ver orlando lhe seguindo.
- Por que está assim? - Orlando quis saber.
- Eu realmente tenho coisas pra fazer... - ela queria insistir nessa desculpa.
- Não. Você ficou diferente depois que eu te beijei. - Orlando estava sendo direto agora. - Me fala, o que foi? Fiz alguma coisa que você não gostou? O beijo não estava bom?!
Orlando se desesperava por dentro! Ainda tentava se conter... Não queria que ela fosse embora assim sem saber o motivo! lhe olhava tão doce e umedecendo os lábios avermelhados, deixando-o tentado novamente. Se não fosse a presença do segurança da portaria...
- Orlando, vou ser sincera com você...- respirou fundo e tomou coragem. - O problema é que eu gostei... E muito, muito mesmo!
Orlando enfiou as mãos entre os cabelos dela pela nuca e a fez lhe encarar, depois tentou beija-la, mas o deteve.
- ... Você quer me enlouquecer?! - Orlando já estava tendo quase certeza que estava louco.
- Eu sei o que eu quero! Só não sei se você quer o mesmo. - ela revelou saindo de perto dele e falando com o segurança. - Por favor, abra o portão pra mim?
O homem obedeceu rapidamente tirando do bolso o pequeno controle remoto para abrir o portão elétrico, mas Orlando se aproximou dos dois com o cenho franzido como se estivesse furioso.
- você não abre o portão agora. - Orlando ordenou olhando serio para o segurança. E depois olhou bem para . - E você espera aqui que eu vou pegar meu carro e vou te levar pra casa.
************
Durante todo o trajeto, manteve-se calada. E Orlando também, mas se olhavam alternadamente e às vezes os olhares se encontravam, mas desviava os olhos pra qualquer ponto que via pela janela do carro aberta. Orlando estava ficando nervoso com aquilo... Confuso, maluco!
Quando parou e desligou o carro, tirou logo o sinto. também.
- , é melhor você explicar direito aquilo tudo.
- Explicar? - ficou abismada. - Não entendeu ainda? Eu quis dizer que... Não posso fazer mais isso. O que estamos fazendo afinal?! - ela falou novamente com a voz embargada. - Droga... - destravou a porta, mas ele segurou seu braço.
- Não sai assim! - Orlando pediu nervoso. - Droga, ... Eu tenho tentado não pensar em você. Tentei, mas não consegui... E quanto mais eu tento colocar essa idéia na minha cabeça mais eu enlouqueço querendo te ver mais uma vez... - ele chegou mais perto, acarinhando a face dela. - E beijar você mais uma vez, !
sentiu as pernas amolecerem e estremecerem ao mesmo tempo, mas deteve-o antes que ele a beijasse.
- Sim, mas talvez isso seja normal para você!
-Normal pra mim? - ele disse confuso.
- Sim. Você é um artista famoso! Com certeza deve ter todas as mulheres que quiser...
- Eu não sou assim! - ele disse serio largando-a e ficando irritado. - Você nem me conhece direito.
sentiu aquilo como uma acusação, e não uma simples observação. Chateada, ela falou:
- Você também não me conhece. Então talvez seja melhor isso tudo terminar por aqui?! - esperou a resposta por menos de dez segundos..
- Sim! Talvez seja. - Orlando disse com uma fúria trancafiada em seu peito por estar falando assim com ela. Mas o irritou muito ao duvidar de seu caráter.
não tinha mais o que esperar dele depois daquela resposta. Com o coração estraçalhado, saiu do carro.
Capítulo 13
***passaram-se dois dias***
já estava sentindo falta daqueles beijos, braços fortes lhe envolvendo dando o calor perigoso e gostoso que ela adorava. Agora tinha mais era que se conformar. Se Orlando mesmo concordara com que se afastassem e parassem de se encontrar, era sinal de que alguma coisa nas suspeitas de tinha uma pontinha de verdade.
não parava de pensar naquilo o dia inteiro tentando trabalhar. Estava catalogando um empréstimo de cinco livros para uma estudante. Sim, agora a senhora Bartton deixava mais atender os alunos e professores na função de bibliotecária Junior. estava adorando! Pelo menos alguma coisa na sua vida estava indo bem...
Mais alguns dias se passaram e o fim de semana da inauguração do lar institucional do Orlando já seria no dia seguinte, sábado.
saiu da aula e, enquanto descia a escadaria do prédio da escola, ouviu alguém a chamando...
- ! - Samantha subia escadaria acima ao encontro dela.
parou estagnada com a presença de Samantha alí!
- Samantha?
- Como vai? - Samantha a cumprimentou com dois beijinhos no rosto, bem simpática.
- Bem! - omitia a verdade de seus sentimentos. - E você?
- Não muito bem.
- Não?! - se preocupou ao ver que Samantha falava sério agora. - O que houve?
- É que eu falei daquele jeito estranho com você no domingo. Acho que eu fui confusa demais com você e acabei te deixando insegura à respeito do meu irmão. - Samantha olhou bem pra e acabou por sorrir pra ela. - Me desculpe por isso. O Orlando é maravilhoso! Não tem porque você se afastar agora...
- Como você sabe que eu fiquei confusa? - desconfiou.
- O Orlando conversou comigo ontem por telefone. Eu perguntei se estava tudo bem entre vocês e ele me contou o que aconteceu quando ele te levou para casa naquele dia. Me senti tão envergonhada! E contei pra ele a minha confusão. Eu não quis dizer que era normal meu irmão beijar outras mulheres com freqüência, ! Por favor... Me desculpe.
julie sorriu pra ela. Sentia simpatia por ela e por Sonia com afeição.
- É claro que você está desculpada! - riu.
- Então... - Samantha tentava não falar o que não devia. Prometera ao Orlando que não contaria. - Você vai amanhã na inauguração do lar institucional?
- Não. - falou rapidamente, mas se arrependendo logo. Era uma causa tão importante! E que dava muito valor! Queria poder ajudar naquele projeto de alguma forma... Mas... Não sabia como. - Eu queria ir, mas...
- O quê? - Samantha sorria maliciosa. - Está com medo de ver meu irmão lá? Não seria ótimo você ir e ver que ele é maravilhoso como eu disse?
- Eu já sei que ele é maravilhoso! - confessou com timidez, fazendo Samantha rir. - O problema é que... Eu tenho medo disso ser mentira.
- Mentira? Ora! - Samantha gargalhou. - Você seria a ultima pessoa que eu gostaria de iludir!
- Por quê? - falou surpresa.
- Porque você é boa. Eu fui com a sua pessoa! - Samantha gracejava. - E outra, eu falei que não ía falar, mas vou! Quando eu contei como falei com você naquele dia, eu perguntei pra ele o que ele achava se eu viesse te procurar pra explicar o desentendido.
- E o que ele disse? - perguntou curiosa e com o coração apertado.
- Ele me abençoou por me ter como irmã! Ele mal está agüentando de saudade de você. Mas não fale pra ele que eu te contei isso! Se não ele me mata.
riu feliz junto com ela. Afinal, aquilo era muito bom sinal!
- Por que ele te mataria?
- Orlando tem um pouco de dificuldade de mostrar seus sentimentos no inicio. Por isso estou ajudando com um empurrãozinho...
- Ok! - sentia vontade de abraçar Samantha e gritar!
- Então você vai amanhã?
- Acho que sim.
- Vai ser às cinco da tarde. Vai ter um buffe, e o traje vai ser social esportivo. - Samantha tirou um convite branco de dentro da bolsa e entregou pra . - Não deixe de ir, por favor.
- O Orlando sabe que você está me convidando?
- Ele sabe que eu vinha falar com você e tentar te convidar caso você me entendesse. Mas ele deve estar pensando na possibilidade de você não me perdoar, ainda querer que ele se mantenha longe de você e continue morrendo de saudade.
- Saudade? Não nos vemos só há cinco dias! - não continha sua mania de duvidar quando acontecia coisas boas demais com ela.
- Você falando assim parece até que não sente saudade dele...
- Eu sinto. - ela confessou rindo.
Capítulo 14
havia recebido seu salário, e com ele resolveu sair pela manhã de sábado para comprar um vestido. Assim não precisaria ter que pedir outro emprestado pra Aidah.
também aproveitou para depositar o aluguel do ap, pagar as contas de água e luz. De telefone ficou pra pagar no mês seguinte... E provavelmente o telefone seria cortado.
Agora que tinha mudado de vida, acabou por mudar a vida de também, de certa forma.
A situação financeira estava mais difícil, porque estava com todas as responsabilidades e era muito provável que depois do filme, Emanelly não voltasse mais. se tornaria uma atriz reconhecida e o resto todo mundo ia saber...
não se importava de ficar sozinha, mas sentia um pouco de insegurança por isso.
**************************************
Orlando estava recebendo os convidados junto com sua mãe e Samantha, mas não tirava da cabeça que de repente poderia desistir de ir a comemoração de inauguração do lar institucional.
- Sam, você tem certeza que a disse que viria? - ele falou ao ouvido de Samantha.
- É claro! Eu dei o convite pra ela!
- Sim... Mas ela pode muito bem mudar de idéia. Estou começando a perceber que é toda cheia de inseguranças a meu respeito.
- Por que será?! - Samantha disse com cinismo e sorriu depois pra ele.
Orlando sabia bem porquê. Entendia o lado de . Ela era uma mulher jovem, sonhadora, mas que também gostava de ir atrás de seus objetivos. Mas se tratando dele, se esquivava com medo. Pois Orlando era quem ele era e isso poderia trazer mudanças na vida dela. Orlando tentava ainda se decidir se podia, se tinha o direito, de fazer isso com ela. Tentar colocar no seu mundo seria muito difícil pra alguém como ela, que era simples. Até que ela se adaptasse com aquilo tudo...
*******************************
saiu do táxi depois de pagar pela corrida. Ajeitou o vestido e começou a andar pela calçada. Estava virando a esquina que logo dava de frente para o portão do lar institucional apinhado de gente! Fotógrafos, repórteres, e convidados entrando com seus carros de luxo do tipo que só tinha visto em comerciais de tv e revistas. Os flashs e o caos daquela gente deixou paralisada por alguns instantes.
Olhou para o seu próprio vestido branco e bem ajeitado por sinal, mesmo sendo comprado numa loja popular e que estava em liquidação, junto com a bolsinha branca de mão que segurava. estava muito bem vestida sim! Estava podendo enganar os luxuosos convidados de que também era como eles. Sua maquiagem era pouca, mas deixou-a com o olhar bem em destaque. Estava tudo ótimo!
andou na direção de todos e chamou atenção por chegar a pé e não de carro como todos estavam chegando até agora. tentou ignorar a seqüência de flashs deixando suas vistas toda bagunçada! Entregou o convite ao segurança e ele lhe deixou entrar.
*******************************
entrou pelo hall maravilhada pela quantidade de gente que estava alí para prestigiar o projeto do Orlando! Estava tão orgulhosa dele! Precisava achá-lo logo... Seu estomago estava tendo ondas de ansiedade enquanto andava entre as pessoas. Todos os homens lhe olhando com admiração, e as mulheres com curiosidade. Claro, com muita curiosidade de saber quem era essa estranha, que nunca tinham visto em nenhum veículo da mídia?!
Orlando estava rindo com um grupo de amigos e Samantha lhe tocou no braço. Orlando seguiu o olhar dela até a entrada da grande sala cheia de convidados e viu no meio daquela gente toda, se destacando com um vestido branco e seus cabelos compridos e ondulados."Nossa!", foi o que ele pensou e logo sentiu o impulso de ir lá falar com ela! A saudade eufórica o fez se agitar interiormente lutando contra a resistência da razão.
- O que foi Orlando? Não vai lá falar com ela? - Samantha estranhava-o. Com o silencio de indecisão dele, Samantha se irritou. - Orlando?! Você me pediu pra falar com ela, convida-la pra vir! E você vai ficar assim agora? Pelo amor de Deus...
procurava Orlando entre os rostos de tantas pessoas. Avistou Samantha sair do lado do Orlando, que desviava o olhar e vinha em sua direção. achou ele sério demais, mas mesmo assim esperou ele se aproximar. Não conteve sorrir para ele.
Orlando enfim sentiu que estar perto dela de novo e ver aquele sorriso era a glória do seu dia!
- Oi! - falou radiante de alegria em vê-lo. Enfim Orlando sorriu e ficou mais aliviada. - Não está bravo comigo?
- Não! - ele murmurou rindo. - Está tudo resolvido.
- Samantha me procurou para esclarecer tudo e me convidou pra vir hoje. - contou fingindo não saber que fora ele quem pedira para Samantha ir procura-la, assim evitava que Orlando matasse a irmã, como tinha dito Samantha.
- Sim! Ela me contou tudo também.
- Fiz errado em ter vindo? - ela disse seria, analisando o brilho os olhos dele.
- Não.
estava achando ele muito frio! Talvez ainda estivesse nervoso pelo jeito com que ela desconfiou dele.
- Orlando, me perdoa se... Se eu desconfiei do seu caráter naquele dia. Interpretei errado as coisas que a sua irmã falou e...
- Eu sei, não precisa se explicar. - Orlando manteve as mãos dentro dos bolsos da calça preta.
estava começando a entender porque ele estava assim! Estavam no meio de muita gente! Orlando era uma pessoa muito famosa e estava se reservando. sorriu preferindo crer nessa idéia.
- E cadê a Samantha? E a Sonia? - disse mais animada.
- Estão por aí, recebendo os convidados também. - Orlando tinha que se soltar mais com ela, mas tinha receio do quanto iria se soltar caso começasse. - Algum dos garçons já te serviu uma bebida?
- Não.
Orlando logo procurou um garçom com os olhos e acenou pra ele. O rapaz uniformizado de branco e preto se aproximou sorrindo e ofereceu a bandeja de prata que mais parecia espelho. Orlando pegou duas taças e deu uma delas para abrindo um sorriso, o que fez queimar por dentro de tanta paixão por ele! Meu Deus, como ela o queria... Ele estava lindo demais! E aquele sorriso com aquelas covinhas...
- ! Você veio, querida! - Sonia falava se aproximando deles.
cumprimentou Sonia com beijo no rosto e um abraço, que dessa vez Sonia já esperava e não ficou surpresa.
- Tudo bem? - disse para ela.
- Sim! Está tudo ótimo agora. - Sonia olhou de rabo de olho para Orlando, sorrindo e confirmando que estava tudo bem mesmo. Voltou-se para , olhando-a por inteira. - Minha querida, você está linda!
riu tímida, sentindo seu rosto queimar um pouquinho. Principalmente quando encontrou o olhar intenso de Orlando sobre a borda da taça enquanto bebia o champanhe.
Sonia acabou engatando uma conversa com e um casal chamou a atenção de Orlando. Por fim, percebeu que ele nem estava mais ali com ela... Sonia lhe apresentou para as pessoas que ela conhecia. A maioria muito simpática e nem tanto conhecida pela mídia. gostou muito disso. Assim não se sentiu uma estranha no ninho. Logo Samantha se juntou a elas.
- Puxa vida! Finalmente os convidados me deram um sossego! - Samantha brincou, abraçando com beijinhos no rosto. - Tudo bem? Nossa! Você caprichou!
- Obrigada! - falou vendo que a uma grande distancia, Orlando estava lhe observando enquanto conversava com Adam Sandler, um ator muito famoso também, mais conhecido em filmes de comédia.
Samantha olhou para onde olhava e riu.
- Vai ser difícil no começo, mas você se acostuma. - falou Samantha com um sorriso amigável.
- Começo? Talvez não tenha começo... Orlando falou friamente comigo quando cheguei. Acho que ele ainda não engoliu o jeito como falei com ele domingo passado.
- Não! Ele esta perfeitamente são do que houve! Já conversei muito com ele sobre isso. - Samantha assegurava à . Olhou bem para os olhos dela. Aquele brilho de quem está amando... Deixou Samantha derretida. - O meu irmão gosta de você, . - ela confidenciou deixando com os olhos levemente arregalados e cheios de lágrimas. - E o "gostar" que estou querendo dizer é bem mais do que um simples "gostar"! Está me entendendo?!