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Capítulo 1

e eram amigas desde pequenas. Tinham estudado na mesma escola desde que se entendiam por gente e sempre tinham se dado bem, mas não tanto como quando entraram no colégio de , e . Era um colégio privado, o melhor de Stafford. Praticamente todo mundo sonhava em poder estudar lá, ou colocar os seus filhos para estudarem no mesmo. Ao mesmo tempo, exigia bastante dos alunos. O estudo era algo muito importante e era muito fácil repetir na Weston Road High School, como aconteceu com na quarta série. Mas mesmo com toda a exigência que era imposta nos alunos, todo mundo arrumava tempo para fazer festas e sair todo fim de semana. 

Todos tinham esperado ansiosamente pela festa da Lola. Era a primeira grande festa depois das férias de Natal; as provas tinham terminado na sexta de manhã e todo mundo queria se divertir um pouco pra esquecer das notas baixas que estavam prestes a sair.
- Que porcaria de festa. - reclamou, se largando na cadeira mais próxima.
- Eu juro que se eu dirigisse eu saia daqui. - deu uma indireta pra ver se , a única com carro, a levava pra casa.
- Nem vem, eu tô gostando. - disse .
- Ei gente, cadê a ? Ela não foi dançar de novo não, né? - perguntou Emma, procurando a amiga com os olhos.
- Não, acho que ela foi pegar algo pra beber. - falou. - , vem cá. Se anima. - disse, puxando a amiga pela mão pra longe da mesa, perto da pista de dança.

Enquanto isso, do outro lado do salão, Danny, Harry e Tom riam de um Dougie desesperado fugindo da dona da festa, uma menina obcecada por ele desde o primeiro ano. "Ótimo, vou ter que passar o resto da festa me escondendo dessa doida. Eita, aquela ali não é a ?" Dougie avistou a sua vizinha conversando com alguém que estava de costas. 
- Dougie... - o garoto reconheceu aquela voz esganiçada chamando pelo seu nome. 
Sem pensar, foi em direção à e colocou o braço esquerdo em volta dos ombros da garota com quem ela conversava. olhou com uma cara de "Hã? Alguém me explica o que tá acontecendo?"
- Dougie? - perguntou meio receosa.
- Shhhh. - Dougie olhou com uma cara de desespero para as duas.
- Tá... - falou baixinho.
- Dougie! - a voz chamou novamente, agora se aproximando. - Venha dançar comigo. Você não vai fazer essa desfeita com a dona da festa, né?
- Vou, Lola. - ele respondeu baixinho com receio. Se virou e falou alto, agora para que Lola ouvisse. - Er... Na verdade agora eu to meio ocupado conversando com a e a... 
- . - falou baixinho, atrás dele.
- . - Dougie repetiu pra Lola.
- Ah, tudo bem. Mais tarde a gente se fala, né? - Lola falou esperançosa, dando uma piscadela exagerada para ele e se afastando.
Dougie ia começar a se explicar, quando Tom chegou.
- Oi gatinho. - Tom falou imitando a voz "sutil" de Lola.
- Haha, muito engraçado. - Dougie falou, sem conseguir deixar de rir junto com outros. Enquanto isso, Harry chega com um Danny rindo escandalosamente, atraindo a atenção das outras garotas e de outras pessoas que olhavam desconfiadas para o grupo que ia se formando.
- Alguém pode me informar o que tá acontecendo aqui? - Emma, abusada, chegou junto de e .
- Não faço nem idéia. - falou, meio confusa, olhando de lado para Dougie que ainda estava com o braço envolta dela. Dougie nota e, envorganhado, tira o braço o mais rápido possível.
- Desculpa, é que a Lola é meio...
- Obcecada por ele. - Harry completou.
- Hm, tudo bem. - falou, achando graça naquilo tudo.
- Ei Dougie, aquela não é a sua vizinha? - Danny apontou nada discretamente para , fazendo com que a menina levantasse uma sobrencelha como se dissesse "Sim, eu estou bem na sua frente". Harry notou a atitude da garota e riu para si mesmo. 
- É, eu me mudei há um mês pra frente da casa do Dougie...
- Mas a gente ainda não se conhece muito bem. - completou o garoto. - Bom, esses são Danny, Tom e Harry.
- Essas são a , , e Emma. - falou apontando para as amigas. 
- Alguém mais tá achando essa festa um saco ou só eu? - disse Emma, entediada.
Os nove passaram o resto da festa em volta das duas mesas que eles juntaram conversando e rindo bastante. Definitivamente a festa ficou mais divertida. Por duas ou três vezes Dougie colocou o seu braço em volta da cadeira de , que ficava meio envergonhada, quando notava que Lola estava se aproximando. 

Já eram 08h40 da segunda-feira e ainda estava saindo de casa, enquanto sua primeira aula do dia já tinha começado a dez minutos. Ela e suas amigas tinham o costume de se encontrar perto da entrada do colégio todas as manhãs, já que não assistiam quase nenhuma aula todas juntas. O problema é que nem nem eram muito pontuais e muitas vezes acabavam só encontrando com todas no intervalo do almoço.
- , dá pra chegar cedo um dia na sua vida? - reclamou enquanto praticamente engolia o seu almoço.
- Olha quem fala, dona. - respondeu.
- Hoje eu cheguei cedo, tá? A gente tinha combinado. - falou , fingindo estar muito ofendida.
- Nem tanto, você chegou em cima da hora. - falou baixinho.
- Pelo menos eu cheguei na hora. - disse, orgulhosa de si mesma.
- É, pelo menos hoje. - fez, recebendo um olhar irritado de .
Emma chegou e se juntou as outras quatro na mesa do refeitório para terminar de combinar a pequena festa que dariam para quando ela voltasse do intercâmbio do Brasil. era a irmã gêmea de Emma. 
- ... E ai vocês vão lá para casa para a comemoração com a família...
- Ok, Em, a gente já entendeu! – às vezes se irritava com essa mania de Emma de ter tudo perfeitamente acertado todas as vezes.
- Mesmo? Não venham me falar depois que não dá pra ir porque tem compromisso, viu? – Emma falou pras meninas.
- AHAM! – e responderam.
- Não esqueçam, sexta a noite! Agora quem vem comigo falar com Arlete sobre a matrícula da ? - Emma pediu praticamente implorando para que uma delas quisesse ir com ela.
- Tá, eu vou. - disse , se levantando.

- Com licença Sra. Hudson, a gente pode entrar?
- Claro Srta. . O que desejam?
- Bom, não sei se você sabe, mas a minha irmã, a , vai chegar sexta de tarde do intercâmbio do Brasil e minha mãe pediu para eu conferir se tava tudo certo com a matrícula dela, para ela poder já começar na segunda. Ela já perdeu duas semanas desde as férias de Natal e minha mãe não quer que ela perca mais aulas. – disse Emma, tentando explicar tudo direitinho. Tinha sérias dúvidas sobre a capacidade de Arlete de absorver informações.
- Sim Srta. , eu vou providenciar todos os documentos e falo com você na quarta. É, acho que dois dias serão suficientes.
- Obrigada Sra. Hudson. – Emma deu um sorriso esperando que a coordenadora não percebesse que era altamente falso.

- Odeio François! Você viu que ele não queria receber o meu trabalho? – reclamava do professor para enquanto andavam até o portão do colégio no final do dia. – Eu passei uma tarde fazendo aquela porcaria. Se eu não gostasse tanto de francês eu juro que saia da aula dele. 
- Ele é mesmo um idiota – falou Tom, que havia chegado sem ser percebido pelas duas amigas.
- E você já teve alguma aula com ele? - perguntou se virando rapidamente, sabendo que ele nunca tinha tido uma aula de francês; ela fazia francês desde que entrara no colégio.
- Eu ouvi falar. - Tom respondeu com cara de esperto.
- Ah, tá bom. - falou, rindo.
Harry, Danny e Dougie chegaram depois, conversando sobre o novo filme dos Simpsons. 
- Tá gente, eu tenho que ir. Minha mãe tá me esperando para irmos resolver uns detalhes lá de casa. - falou , se despedindo dos outros. 
- Ah, eu vou contigo. - Dougie falou, se apressando para alcançar a garota que já estava indo em direção a saída do colégio.

- Então, você tá gostando de morar aqui? - Dougie perguntou, tentando puxar assunto.
- Dougie, eu já morava aqui... Só mudei de rua.- falou, meio que rindo da tentativa do garoto.
- Er... Lugar bacana Stafford, né?
- É...
Os dois ficaram alguns segundos em silêncio, se entreolharam e começaram a rir da situação.
- Quanto assunto a gente tem, não? - pergunta, ainda rindo.
- Pois é, muito. - Disse Dougie rindo.
- Mas sério, me explica essa história da Lola direito. Ela parece ser meio, er, estranha...
e Dougie conversaram até chegarem em casa, o que pareceu acontecer rapidamente de tão interessante que a conversa se tornou.


Capítulo 2

Já era quarta-feira à tarde e estava em casa. Finalmente, só mais dois dias e sua melhor amiga estaria ali com ela. e Emma eram suas vizinhas desde que nasceram e sempre foi mil vezes mais ligada à do que à sua irmã, principalmente depois que repetiu e ficou na mesma sala que ... Não que fizesse diferença com relação a idade, já que hoje em dia Emma é um ano adiantada no colégio para a idade dela; os pais das duas colocaram-nas mais novas na escola. havia se interessado pela língua portuguesa por conta de , cujos avós eram portugueses, de forma que ela falava o idioma fluentemente e gostava de ensinar as palavras para . Um dos melhores passatempos das duas era andar pelas ruas de Stafford falando das pessoas em português com um grande sorriso estampado na cara! Ela ia se lembrando de tudo isso rindo sozinha em seu quarto, olhando as milhares de fotos que tinha com aquela garota. Ela estava tão longe! Quantas saudades que sentia da sua amiga. Tinha tanta coisa pra contar. Seis meses não é pouca coisa, queria contar tudo sobre o seu novo namorado e os últimos acontecimentos da cidade. Todas as festas que tinham ido, o que tinha acontecido em cada uma delas. Claro que já sabia de grande parte, afinal MSN existia pra isso. Mas já fazia quase três semanas desde que as aulas haviam começado e ela não falava com a menina. Pensando nisso, ela se lembrou dos garotos que tinham conhecido no sábado.
- Harry, Danny, Dougie e o Tom. – ela ia contando nos dedos enquanto tentava se lembrar do nome de todos. Mas não achava que faria grande diferença, já que mal havia falado com os garotos desde então. Só dois ou três acenos de cabeça no corredor e em alguma aula em comum. Ela achou uma pena. Aquele tal de Danny parecia ser bem legal e fofo com aquela risada engraçada.
- ! Em que você está pensando? Você tem namorado! – se repreendeu. – E gosta muito dele. – complementou dando um beijo, com um sorrisinho nos lábios, na foto que tinha com Guilherme no porta-retrato em cima do criado-mudo.

Na casa vizinha, a mãe de falava com a outra filha sobre o que tinha pedido para que ela resolvesse. A Emma não podia ajudar em só uma coisinha? Ela já estava cheia de coisas para fazer com a volta de .
- Emma, eu não lhe pedi pra falar com a coordenação sobre a matrícula da sua irmã? Como até agora você não me deu nenhuma resposta?
- Mãe, eu já falei com Arlete, mas até agora ela não me respondeu nada! – se defendeu. – Eu vou tentar de novo amanhã! É o jeito.
O telefone tocou.
- Emma, telefone pra você!
- Brigada Magali! Alô?
- Emma? aqui.
- Oi !
- Só pra marcar como a gente vai fazer pra pegar a depois de amanhã. A e a tão aqui querendo saber também! – disse, do outro lado da linha.
- Ah sim. O vôo tá marcado pra chegar 15h30. Tudo bem pra vocês? – Emma perguntou. Ouviu passar o recado para as outras duas, um comentário de e o que parecia ser uma reclamação, vinda da parte de .
- Tudo certo. Vou falar com a pra ir com a gente no meu carro, acho que não vai caber todo mundo no teu. Beijos, Em! Até amanhã no colégio!

O dia seguinte seria como qualquer outra quinta-feira, se e não acabassem encontrando com Danny, Harry e Dougie quando foram fazer as inscrições pra Educação Física.
- Eu acho um saco isso de ter que vir um dia depois do horário pro colégio pra fazer essa inscrição! – comentou , irritada.
- Ah, mas pelo menos a gente pode escolher o esporte que vai fazer! – tentou conformar a amiga.
- Nem vem, eu vou ter que ficar naquela porcaria de ginástica localizada, porque é o único horário que eu posso. Como eu quero que comecem logo as audições pro grupo de dança contemporânea... Só assim eu me livro desse castigo. – não tinha jeito. Ela realmente odiava aquilo.
- Não sabia que você dançava. – disse Danny, demonstrando interesse por .
- Ah, oi Jones. Danço sim. - respondeu sorrindo. - E a faz patinação no gelo com a . Já a treina tênis desde de pequena.
- Mas mesmo assim elas duas vão ter que escolher um esporte pra fazer pelo colégio. Eu vou ficar na aula de futebol mesmo. – corrigiu a amiga. - E vocês, vão fazer o quê?
- Não sabemos, talvez só dizer que não podemos fazer esportes e inventar uma desculpa qualquer pro diretor. - Dougie deu de ombros.
- Que bom saber que vocês não são nada sedentários! – brincou .
- Ei, eu gosto de praticar esportes sim! – Harry defendeu-se. – Acho que vou acabar parando na aula de futebol também, .
- Bom, pelo menos eu vou conhecer alguém, mesmo que a gente não vá jogar juntos nunca, né Harry?
- Por que não? - perguntou Harry levantando a sobrancelha e sorrindo para umas garotas do primeiro ano que estavam passando por eles, fazendo-as ficarem vermelhas.
- Ah, uma dica, Judd: eu vou jogar com as garotas!
- E quem disse que eu não sou uma? – Harry falou, fazendo todos rirem.

Na sexta, eles acabaram se encontrando na hora do almoço, como tinha acontecido "coincidentemente" a semana toda; ou os meninos davam um jeito de encontrar com elas ou as garotas ficavam procurando-os discretamente, mesmo que não assumissem isso entre si. O fato era que eles gostavam muito da companhia uns dos outros durante a semana toda, inclusive nas suas aulas em comum. Eles apenas conversavam coisas sem sentido e engraçadas. Riam bastante também. Finalmente, tinha chegado o final das aulas da sexta e todos tinham se encontrado na saída, com a exceção da Em que já havia ido para casa. Harry, Dougie, Tom e James (um amigo dos garotos que tinha sido apresentado a elas no dia anterior) estavam concentrados debatendo se Danny caberia no lixeiro do pátio fazendo com que e rissem da discussão inútil que estavam presenciando. Enquanto e estavam sentadas do outro lado do pátio, conversando, até que notou que a amiga parecia não estar mais prestando atenção no que ela dizia.
- , tudo bem? – perguntou.
- Hã? Oi, tudo sim, . Sem problemas. – respondeu, dando um sorriso.
Mas, na verdade, não estava bem. Tudo em que ela pensava era na sua amiga que chegaria em algumas horas. Será que ela estaria muito diferente? Quem sabia como estava? Todos diziam que, quando se faz intercâmbio a pessoa amadurece, a Emma mesmo, que tinha ido pro Chile no ano anterior, era a prova viva disso. Além do que, fora obrigada a ficar em uma turma com pessoas mais velhas no Brasil. E se ela tivesse gostado de andar com elas? E se quando voltasse ela ficasse que nem a Emma? Apesar de ter as mesma idade das outras, as gêmeas tinham entrado mais cedo no colégio e deveriam estar juntas no terceiro ano, se não tivesse perdido a quarta série. Será que iria perder sua melhor amiga? fez menção de falar algo, mas foi interrompida por James que tinha se aproximado das duas depois de concluirem que, infelizmente, Danny não caberia no lixeiro.
- Hoje é sexta-feira, vamos fazer alguma coisa de tarde? – James perguntou para e .
- Na verdade, nós e as garotas já temos um compromisso... – respondeu logo. Não sabia o que poderia sair da boca da amiga se esta achasse que James estava chamando com segundas intenções. Afinal, namorava com Guilherme e não gostava quando as pessoas, mesmo sem saber disso, a chamavam para sair. – A gente pode combinar para outro dia, ok, Bourne?


Capítulo 3

, , e estavam esperando o avião de já fazia quase uma hora. Emma não tinha ido com elas; iria com a sua família depois. As quatro já tinham perdido a paciência e já não estavam nem aí para as pessoas que passavam e olhavam estranho para elas sentadas no chão do aeroporto, fazendo listas, lendo revistas e selecionando na câmera as fotos que tinham ficado boas das várias que elas já tinham tirado nesse meio tempo.
- O vôo estava previsto para as 15h30 mesmo? Já são mais de 16h. - perguntou, impaciente. Elas tinham ido para lá assim que largaram do colégio, as 15h00 .
- Acho que é isso mesmo. Pelo menos foi o que a Emma disse. Aliás, cadê a Em?
- Pera , vou ligar pra ela... - falou, pegando o celular na bolsa que estava do seu lado, no chão.

- Alô, Em? Cadê você? A gente tá aqui há uma hora e meia...
- Uma hora, . - falou baixinho. fez um sinal de "silêncio" pra ela e continuou. - O avião atrasou muito pelo visto, mas já deve estar chegando.
- Hã? Por que vocês chegaram tão cedo? O avião só chega daqui há uns 20 minutos. Nós já estamos a caminho. - Emma falou, do outro lado da linha.
- 20 minutos? - saiu andando em busca de um das telas com os horários dos vôos e notou que o vôo chegando de "São Paulo, Brasil" estava previsto para as 16h30 - Ah, legal. - falou irônica ainda encarando a tela - Você nos falou 15h30, Emma.
- Não, eu falei 16h30. Vocês devem ter entendido errado...
, que tinha seguido até onde ela estava, puxa o telefone do ouvido da amiga.
- Não, você falou 15h30, eu tenho CER-TE-ZA. - enfatizou a última palavra. - A gente veio aqui direto do colégio pra não perder a hora e você vem me dizer que a gente entendeu errado?
puxou o celular da mão de e voltou a falar com a amiga.
- Esquece isso Em, a tá só ansiosa pela volta de . Vê se chega logo, a gente tá junto daquela banca de revistas que a vem toda semana.
- É o único local que vende os posters gigantes de Backstreet Boys. Já visse aquele em cima da minha cama, que lindo? - gritou para que a amiga escutasse do outro lado da linha.
- Beijos, Em. - falou, sem dar importância ao comentário de .
- O que foi? – as outras perguntaram quando voltou para o amontoado das garotas sentadas no chão.
- Acontece que a senhorita Emma falou o horário errado pra gente! O vôo da só chega daqui a 20 minutos. Mais o tempo de desembarque, e pegar as bagagens... Ou seja, umas 16h45, 17h00 ela aparece por aqui!
- Ou seja, a gente veio de farda pra nada! – estava indignada. – Eu mereço! Matei um hoje!
- Ah , pára de reclamar. Pelo menos a gente num teve que ficar três horas na frente do espelho se arrumando e escolhendo uma roupa! Muito mais prático só vir de farda.
- , nem vem. Quem não consegue escolher roupa aqui é você. Eu odeio ficar de farda! E odeio mais ainda quando tem gente com a mesma roupa que eu.
- Ah , você é muito fresca! – brincou .
- Gente, hoje é dia de alegria! A tá chegaaando! - disse , tentando melhorar a situação.
- ONDE? ONDE? - perguntou virando a cabeça de um lado para o outro, aflita.
Todas as outras riram da cara da amiga.
- lesona, respira! - deu um pedala na amiga.

Como previsto, Emma e o resto da família de (mãe, pai e alguns primos mais chegados) chegaram 20 minutos depois e todos ficaram juntos esperando a volta de . A mãe das gêmeas estava uma emoção só; isso a lembrava um ano antes, quando Emma estava voltando do seu intercâmbio do Chile. O pai das duas era mais fechado e podia não estar demonstrando, mas o conhecia bem para notar que ele esperava aquele momento há um bom tempo.
- !!! - as quatro amigas e a irmã gritaram ao mesmo tempo quando viram uma de bermuda, uma camiseta de alça e Havaianas com três malas imensas no carrinho, mal conseguindo empurrá-lo. 
, , e saíram correndo e pularam em cima da amiga, sendo seguidas por uma Emma emocionada pra completar o montinho. 
- Eu mal chego e já querem me matar... Como vocês me amam! - falou pra amigas que a abraçavam.
- , querida! - a mãe de foi falar a filha com lágrimas nos olhos.
Depois de muita festa no aeroporto, todos se empilham nos três carros e foram rumo a casa dela, onde teria uma pequena comemoração para a família e as amigas mais próximas. Com relação a , ela continuava igual a Emma (não para as quatro; essas sabiam diferenciar as duas de costas, de cima, maquiadas de palhaço e com um lençol no rosto), só que loira! Sim, ela tinha descolorido o cabelo no Brasil. No começo foi um choque, ela tinha feito questão de não contar para ninguém nem enviar as fotos do Brasil desde que ela tinha pintado o cabelo, só pra poder ver a cara das amigas quando chegasse em casa.
- , você vai congelar! No Brasil pode ser verão, mas a gente tá em pleno Janeiro aqui! - comentou no meio das milhões de conversas sobre o Brasil e como tinha sido toda a experiência. Apesar de se falarem praticamente toda semana, ainda tinha que atualizar as amigas de muitas histórias.
- Se eu vou congelar? Eu já to congelando! Lá no Brasil eu não pegava menos do que 20ºC.
- Nossa, que lugar quente! Neve então, nem pensar? - comentou.
- Não... Tô sentindo falta disso.
- Por enquanto você não perdeu nada. Só tem frio, mas neve que é bom... - comentou . Ela adorava neve, gelo e coisas do tipo. Stafford podia não ter muitas coisas, mas uma coisa que ela tinha era um rinque de patinação no gelo, todos os dias do ano. e agradeciam por isso, afinal, desde pequenas gostavam de patinar e hoje em dia treinavam junto com uma equipe e estavam caminhando para o profissional. Apesar de não ser isso que elas queriam fazer para viver, adoravam demais patinar e pretendiam continuar até quando desse.

- Vô, vóó! – chegou correndo em casa e encontrou os avós, tios, tias e o resto dos primos. – Que saudades!
- Dia desse ela comentou que tava amando lá e não queria voltar. – comentou com baixinho enquanto falava com todo mundo.

As garotas acabaram indo tomar banho na casa dos , já que a casa de estava tão tumultuada, e voltaram para o jantar. Quando todos os parentes foram embora já eram mais de 22h00 e as garotas mal haviam conversado, afinal, sabiam que teriam muito tempo para isso quando fossem "dormir".
- Diz ai : o que foi que você mais sentiu falta, fora essas suas amigas MA-RA-VI-LHO-SAS aqui? - perguntou , já de pijama e sentada no seu colchão. 
- Que amigas são essas? - fez rindo, o que lhe rendeu um belo travesseiro na cara jogado por . - Tá. Eu senti falta de... Aah! Poder sair andando sem me preocupar com hora, ou se alguém ia me assaltar, ou me sequestrar ou sei lá o que! Sério, minha família do Brasil só deixava eu ficar fora até as 18h00, que é a hora que escurece lá. Eu só ficava até mais tarde quando ia pra alguma festa com as minhas irmãs, ou pro cinema.
- E o que você mais vai sentir falta de lá? - saiu do banheiro perguntando.
- Ah, essa é fácil. BRIGADEIRO! - falou com os olhos brilhando, já se sentando na sua cama que dividiria com aquela noite. Que saudades que sentia da sua cama!
- Brigaoquê?- perguntou, sem entender. - O que diabos é isso?
- BRI-GA-DEI-RO. É um doce de chocolate MUITO bom que eles tem lá! E é bem fácil de fazer! - já estava se empolgando com a ideia.
- AH! Faz pra gente comer? - não queria nem saber se era brasileiro, italiano ou grego, falou em chocolate era com ela mesma.
- Não. Chocolate me enjoa. - era exatamente o oposto da amiga. Qualquer coisa que tivesse um pouco mais de chocolate que o seu leite da manhã ela não conseguia terminar.
- Para sorte de vocês eu consegui trazer algumas latinhas de leite condensado comigo. - ela já previa a cara de desentendida das amigas. - Leite condensado é o que você usa pra fazer o brigadeiro. Não tem aqui.
Todas logo foram pra cozinha e ficaram olhando preparar o tal do Brigadeiro. Tentando fazer o mínimo de barulho possível (o que era muito difícil para e , que batiam na quina da mesa e derrubavam talheres o tempo todo), elas comeram o doce e gostaram muito. Até , que foi praticamente obrigada a comer pelo menos uma colher, teve que admitir que era bom. Depois voltaram para o quarto onde ficaram falando sobre a viagem de e a vida em Stafford enquanto ela estava no Brasil até cairem no sono, o que só aconteceu de 4h00 da manhã, quando uma sonolenta (e abusada) falou que ia dormir porque o sol já ia nascer.

Ainda era 10h30 quando o telefone da casa de começou a tocar acordando , que tinha o sono mais leve de todas. Tentou voltar a dormir, mas não conseguia. Foi até a janela e abriu as cortinas, mal acreditando no que via. Pulou em cima da amiga com um sorriso maior que o rosto, batendo em .
- , sua boca grande! Olha o que você fez!
- Hã?! O que foi ? O que eu fiz? - a amiga perguntou, sonolenta.
- Gente olha. NEVE! - , que foi acordada por um acidental soco no braço de , praticamente gritou olhando pela janela.
A bagunça logo acordou e , de mal-humor, é claro. Não pensaram duas vezes e recolheram todos os casacos, luvas, gorros e cachecóis que tinham na casa e correram pro lado de fora. Pareciam cinco crianças brincando de fazer anjos e bonecos na neve. foi a primeira a jogar uma bola de neve em , que não gostou nem um pouco e tentou revidar (ela ficava um abuso quando acordava "cedo"). Só que com a sua ótima mira acertou em , que saiu correndo atrás da outra, atropelando o boneco que e tinham construido e começou a confusão. Elas passaram mais de uma hora naquela brincadeira, rindo mais do que tudo. No final, se jogou no chão morta de cansada, sendo alvo de um belo montinho das outras quatro.
- Na moral, vocês me odeiam. Querem me matar com todos esses montinhos. - Maria Eduarda falou, se levantando.
- Crianças - Emma saiu de casa - Bora, já são 2h da tarde! Tá na hora do almoço.
- Não tiiiiia, deixa a gente ficar aqui mais um pouco. - , a mais nova, fez voz de criança.
- Haha, comédia - falou Em olhando feio; odiava ser chamada de tia pelas amigas da irmã por ser um ano adiantada.
- É, vamos que eu tô com fome. - ia se levantando. Não tinha como levar montinhos na mesa.
- É a nossa , sempre com fome. Não mudou nada. - brincou, e ao ver dar as costas olhou para as amigas.
- . - a chamou de volta, e no mesmo instante em que ela virou, gritou "AGORA" e todas fizeram um novo montinho em .
- Saaaaco, gente! - ela tentou se fazer de irritada mas não conseguia. Começou a rir com todas as outras. Na verdade, achava impossível não rir quando estava com elas. Como tinha sentido saudades das amigas.

Como os últimos seis meses de tinham sido em um país tropical com muita cor, praia e sol, as garotas resolveram apresentá-la novamente a cidade agora coberta de neve, o que a deixava ainda mais bonita. Quando eram oito da noite, estava mais que um caco, de forma que todas voltaram para suas respectivas casas para descansar já que o dia seguinte seria passado dentro do shopping para as compras de "início de semestre", o que era tradição fazerem juntas, escolhendo muitas roupas, bolsas e sapatos.

estava andando pela sua rua quando ouviu seu celular tocar dentro da bolsa. "Ótimo, tá acabando a bateria" pensou alto, olhando para o visor e vendo que tinha algumas chamadas não atendidas. Identificou o número da sua mãe, de uma amiga do colégio chamada Claire e o número de Dougie. Decidiu passar na casa dele para ver o que queria, afinal, moravam um de frente para o outro. Chegou e viu pelas janelas que tinham muitas luzes acesas, apesar de os aposentos estarem vazios. "Ele é um menino bem preocupado com o meio ambiente e a conta de energia" pensou, irônica. Tocou a campainha três vezes mas ninguem atendeu. Desistiu e foi para casa. Estava morta e o dia seguinte seria longo.

Capítulo 4

O Domingo foi divertido para as cinco amigas. Pra falar a verdade, passear no shopping sempre era, mas elas nunca sabiam se o melhor era experimentar várias roupas ouvindo as vendedoras dizerem como elas ficavam bonitas em todas elas, ouvir reclamar e dizer que se recusa a experimentar um bilhão de roupas, os vendedores gatíssimos ou os garotos que passeavam, que eram ainda mais bonitos que os vendedores.
- Vamos embora agora! - não parava de reclamar. - Eu não entro em mais uma loja com vocês.
Ela realmente odiava shoppings e compras. Só saia com as amigas porque elas insistiam muito e seu guarda-roupa precisava ser renovado. Mas eram sempre elas quem escolhiam as roupas de de qualquer maneira. 
- Chata. - estirou língua para a amiga. - Vamos para o cinema então? Eu sei que você não recusa assistir um filme, principalmente com caras bonitos.
- Você tá me tentando pra eu ficar mais tempo no shopping? - perguntou, com um sorriso.
- Eu? Imagiiiiina. Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer isso? - perguntou, virando os olhos e já puxando a amiga na direção do cinema.

Harry Potter 5 foi a escolha unânime. A sessão de cinema já tinha começado há uns cinco minutos, mas elas tinham que ver o filme uma segunda vez. era a única que não tinha assistido ainda, mas ela nem era tão fã assim.
- Corre, vem logo , ô lerdeza. - não podia perder um segundo do seu filme favorito.
- Eu vou comprar a pipoca com a . Vai entrando, . - falou meio irritada com as reclamações constantes da garota de como a fila da bilheteria estava grande e elas não iam conseguir chegar a tempo de ver o começo do filme.

, e entraram na sala de cinema lotada. Afinal, era domingo a tarde e em Stafford ninguém tinha nada melhor para fazer mesmo. Só conseguiram lugares na segunda fileira, na frente de um grupo de crianças supervisionadas apenas por uma adolescente um pouco mais nova que as garotas, que devia ser parente de algum deles e foi a vítima escolhida para levá-los ao cinema. e chegaram com pipoca, refrigerantes e bombons, mal conseguindo carregar tudo que tinham comprado.
- Tá com fome, hein? - comentou, zombando da quantidade de coisa que as duas tinham comprado.
- Se a gente comprar menos que isso não sobra nada para o resto de nós, . - respondeu, com um sorriso vitorioso.
As duas sentaram nas duas cadeiras da ponta e distribuiram os refrigerantes para as amigas. 
- Vocês compraram aquela jujuba do ursinho? - perguntou.
- Se a gente não comprasse você ia fazer a gente voltar lá que eu sei. - falou, passando um saco cheio de ursinhos coloridos para .
- Ai! - falou baixinho, olhando para trás e vendo uma das crianças de trás se apoiando muito forte com a mão na cadeira dela e segurando um pedaço do seu cabelo junto. - Como esses pirralhos entraram aqui? O filme não tem censura não? - comentou com , lançando um olhar feio para a garota que estava cuidando das crianças, esperando que ela ouvisse o seu comentário.
- Ah , deixa de chatice e assiste o filme. - falou, sem tirar os olhos da tela.
- Porque não foi no seu cabelo...
- Shhh! - elas ouviram uma voz da fileira de trás. se virou para trás novamente e viu a "garota que cuida das crianças" olhando para elas com um olhar de reprovação por conta da conversa de com .
- E ainda vem reclamar... - bufou e sentou na cadeira direito para assistir o filme.
Lá para o meio do filme, já estava muito irritada com o garotinho da cadeira de trás. Era óbvio que ele não estava interessado no filme e ficava colocando os pés na cadeira dela, empurrando, se apoiando, colocando papéis nos buracos da cadeira da frente e todo tipo de pentelhice possível. Quando o garoto derramou um pouco da sua Coca em , foi a gota d'água.
- DÁ PRA CONTROLAR ESSAS PESTES, POR FAVOR? - se levantou da cadeira e se virou para a adolescente. - OBRIGADA! - E se jogou de volta na cadeira, com os braços cruzados.
O lanterninha que, da mesma forma que toda a sala de cinema, viu a cena, foi para junto das garotas e falou baixinho:
- Vocês poderiam fazer silêncio? O pessoal quer ver o filme. Ou eu vou ter que pedir para vocês se retirarem da sala?
- Não, a gente vai fazer silêncio. - respondeu , envergonhada.
Quando o lanterninha saiu, se virou para , que estava olhando fixamente para a tela com uma cara feia e obviamente não estava assistindo o filme realmente.
- Não é culpa minha, esses pestes ficam me chutando aqui. - falou emburrada, ainda olhando para a tela.
- Eu sei, eles ficam fazendo isso também em mim. - falou, compreensiva. Na verdade, ela achava que não precisava ter feito aquele ataque, mas era melhor não falar nada; ela já estava irritada demais.

Logo depois do filme, as cinco ainda estavam com fome, incrivelmente. Foram para a praça de alimentação e compraram um lanche.
- E aquele idiota ainda reclama comigo. Vocês viram que aqueles pentelhos não queriam ver o filme, porque gastaram dinheiro com o ingresso? E ele ficou me chutando o filme INTEIRO. Não custava nada aquela garota controlá-los... - reclamava para , que apenas ouvia e concordava com a cabeça, na verdade achando a situação toda muito engraçada.
e conversavam algo sobre o filme e apenas ouvia a comparação das duas entre os livros e os filmes de Harry Potter.
- Quem quer ir para o boliche? - perguntou empolgada, para ver se parava de reclamar um pouco do incidente do cinema.
- Ótima idéia! - respondeu igualmente empolgada. É, pelo visto tinha dado certo.

Chegaram no boliche e também estava lotado. Já esperavam há 15 minutos uma pista ficar livre quando avistou um grupo de adolescentes com um grupo ainda maior de crianças.
- Olha aquele pessoal naquelas duas pistas. Que egoísmo, metade deles não está nem jogando mesmo, podiam deixar uma pista livre.
olhou para onde apontava com a cabeça e viu as crianças que estavam sentadas atrás delas no cinema. 
- Foram esses infelizes ai que tiraram a minha paciência no filme. - falou, irritada novamente. se arrependeu de não ter ficado com a boca calada, mas não tinha como ela reconhecer que eram as mesmas pessoas; quando assistia Harry Potter, o resto do mundo não existia pra ela. Além disso, era um grupo maior do que o do cinema. Pelo visto a "babá" tinha conseguido convencer uns amigos a irem para o boliche com ela cuidar das crianças. Quando, finalmente, uma pista ficou livre, as cinco foram pegar os sapatos do jogo e um dos garotinhos veio em direção ao grupo.
- Er... Me pediram para entregar isso pra essa moça. - o garotinho que não tinha mais do que cinco anos entregou um pedaço de papel mal cortado para com um número de celular. - Foi ele que mandou. - e apontou para um dos adolescentes da mesa com as crianças. lançou um olhar muito irritado para o garotinho, que voltou assustado para a mesa.
- Ai que coisa ridícula. E ainda manda o recado pelo garotinho. - olhou com desprezo o papel e o deixou em cima do balcão dos sapatos. , , e se dirigiram à pista indicada enquanto , que ficou um pouco para trás, olhou para o papel com um sorriso malicioso e o pegou rapidamente.

Com meia hora de jogo, estava ganhando, seguida no placar por e , que estavam praticamente empatadas, depois e, por último, . Era a vez de jogar e a garota se dirigiu a pista, enquanto e escolhiam, concentradas, os sucos que decidiram pedir. 
- Eu achei que a não ia responder ao menino... - comentou com quando viu o papelzinho dobrado no canto da mesa.
- Na verdade... - começou, mas quando viu voltando para a mesa, escondeu o papel na mão. - Strike! - falou para a amiga, com um sorriso forçado. não notou e se juntou a na escolha dos sucos enquanto se dirigia a pista e falava num sussuro com . - Eu peguei o papel da ... Eu acho que a gente pode se divertir um pouco. - falou com uma cara de sapeca.
- O que você vai fazer, ? - perguntou num tom de desaprovação.
- Você vai ver. - respondeu enquanto digitava algo no celular. se inclinou e viu escrever "Oi, meu nome é . Eu tô na pista 14" e digitar o número escrito no papel. 
- Não acredito que você vai fazer isso...
- Já fiz. - falou , com um sorriso idiota, depois de ter apertado "enviar".
- Que coisa de criança, . - comentou se levantando em direção a pista.

Alguns minutos depois, viu o garoto que tinha mandado o papel para se levantar e ir em direção à pista delas.
- , você respondeu àquele garoto que te mandou o telefone? - ela falou, olhando por trás do ombro da amiga.
- Não, por quê? - perguntou, confusa.
- Porque ele tá vindo pra cá agora.
- Mentira! Ah , vai ver ele tá indo para o banheiro... - se virou para olhar. - Não, ele tá vindo pra cá. Meu Deus, o que eu faço? - se virou de volta para a amiga.
- Não faz nada. Quando ele falar com você, você responde qualquer coisa pra dispensar ele.
- Oi . - o garoto, que estava acompanhado de um amigo, falou, olhando para as costas de .
- Diga. - falou sem paciência, enquanto se lenvantava, virando para os dois garotos. , que estava do outro lado da mesa, de frente para os garotos, apenas observou a cena.
- Eita, calma ai. Você quem mandou a mensagem! - ele disse, na defensiva.
- Eu não mandei mensagem nenhuma. - falou sem entender, olhando para , que apenas deu de ombros.
- ... - falou em tom de acusação, se virando para a amiga que estava incrivelmente interessada no guardanapo do prato de batatas fritas.
- Eu o quê? - perguntou com um sorrisinho. - Que eu saiba a daqui é você. - disse, olhando para .
- Eu não acredito que você fez isso, . Que coisa infantil. - falou. O garoto e seu amigo apenas olhavam para as três enquanto , já sem graça, se dirigia à pista de boliche. 
- Hm, mas já que eu já estou aqui, a gente podia se conhecer.
- Er... É que, hm, eu... - começou.
- Ah, vamos, você não tem o que perder. - o garoto soltou uma piscadela exagerada. Podia ser bonitinho, mas depois dessa, perdeu todas as chances.
- Eu... Ei, peraí! - o garoto se aproximava de .
- NÃO DÁ PRA NOTAR QUE ELA NÃO TÁ INTERESSADA? - falou um pouco alto, já sem paciência com o garoto que insistia em conversar com . O garoto apenas olhou com uma cara de tacho para que agora estava na sua frente e se virou em direção a sua mesa.
- HAHAHAHA, boa . - ria da cena toda. - E você, hein , precisava disso?
- Um pouco de emoção num domingo não faz mal a ninguém. - falou, recebendo uma batata frita na testa, arremessada por que ainda sorria nervoso.

era quem estava de carro e já tinha deixado as amigas em suas respectivas casas. Infelizmente, no dia seguinte tinha aula. Chegou na frente da casa de , a última antes do seu destino final. se despediu da amiga e saiu do carro. Depois que o carro já tinha virado a esquina, a garota mexeu na bolsa em busca da chave de casa. Não estava achando. Procurou novamente, se sentando nos degraus da varanda e tirando tudo de dentro da bolsa. Não estavam lá. Lembrou, com raiva, que tinha deixado as chaves com o chaveiro do Bisonho em cima da sua mesa de estudos antes de sair e tinha esquecido completamente de pegá-las quando passou buzinando na sua casa e ela desceu apressada. Pegou, então, o celular e viu que ele continuava descarregado desde o dia anterior. "Nossa , tá esquecendo de tudo hoje!", pensou consigo mesma. Lembrou então do dia anterior e que Dougie tinha ligado para ela e ela ainda não sabia o que o garoto queria. Para falar a verdade, era a primeira vez que Dougie a ligava desde que todos trocaram telefones no colégio. Resolveu ir na casa da frente; de qualquer forma teria que esperar alguém chegar para entrar em casa. Os pais de não gostavam da idéia de deixar uma chave escondida em algum local na frente de casa. Segundo eles, já era muito comum fazer isso, então a chave não está escondida de verdade. Por isso e seu irmão mais velho, Matthew, sempre tinham que levar a chave de casa para onde fossem e, normalmente, Matthew eram que tinha que ligar pedindo-a para , não o contrário. Chegou na porta da casa da frente e tocou a campainha. Ninguém atendeu. Tocou novamente e Dougie apareceu na porta, de toalha.
- Er, desculpa Dougie. - falou envergonhada. - Não sabia que você não tava podendo atender a porta. Eu volto mais tarde. - a garota deu um pequeno aceno e ia se distanciando.
- Que nada , entra. Eu me troco num segundo.
- Ah, ok então. - entrou e se sentou no sofá da sala. Dougie voltou vestido com uma bermuda e uma camisa preta de Star Wars. 
- Que eu saiba, o fã de Star Wars é o Tom. - a garota falou quando viu Dougie entrando na sala.
- Ei, eu também gosto muito, tá? - Dougie se fingiu de ofendido com o fato de a garota não saber que ele gostava dos filmes.
- Ah, tá bom então. - respondeu com um sorrisinho.
- Mas você não falou, porque você veio aqui?
- E agora a gente precisa de motivos para visitar os amigos?
Dougie a olhou com cara de quem não acreditava.
- Eu fiquei presa fora de casa. - a garota admitiu. - Mas ai eu lembrei do meu querido amigo Dougie e de como ontem ele tinha tentado entrar em contato comigo.
- É, eu e os garotos ligamos para vocês para ver se vocês queriam vir aqui para casa assistir o nosso ensaio. - Dougie começou.
- Ensaio de quê?
- Da peça que a gente vai fazer. Romeu e Julieta.
- Ah... - entrou na brincadeira. - E quem vai ser a Julieta?
- Queriam me empurrar para o papel, mas o Tom tem o dom. - Dougie falou, rindo.
- Eu sabia que ele era talentoso. - riu junto com o garoto. - Mas sério, ensaio de quê? - ela insistiu, curiosa.
- A gente tem uma banda, vocês não sabiam?
- Não, ninguém nos informou, sabe? - a garota comentou, irônica. - Eu sempre tive vontade de aprender a tocar alguma coisa. Você toca que instrumento?
- Baixo. O Harry toca bateria e o Tom e o Danny, guitarra. Eles são os dois vocalistas também, mas eu faço os vocais às vezes. - o garoto falava orgulhoso. - A gente faz muitos covers, mas também temos músicas só nossas já...
- Que legal! - falou empolgada. - Depois eu quero ouvir, tá?
- Um dia a gente te mostra. Ontem foi o nosso primeiro ensaio desde a volta as aulas.
- Ontem a noite eu passei aqui mas você não estava em casa. - a garota interrompeu.
- Tava sim... Eu acho que a gente não te ouviu. A gente costuma ensaiar aqui em casa, lá atrás. Tem um estúdio isolado acusticamente, para não incomodar esses vizinhos chatos que viviam reclamando... 
olhou feio para o garoto.
- Os vizinhos que não são vocês, lógico. - Dougie falou, vendo estirar a língua. - Agora a gente sempre ensaia aqui mesmo, porque os vizinhos dos outros reclamam quando a gente vai pra lá também. Esses pessoal não sabe reconhecer pessoas com talento. - Dougie falou, fingindo indignação.
- É, também acho. - comentou, rindo. - E a sua mãe, não reclama dos ensaios?
- Ela viaja muito por conta do trabalho, ai isso acabou ajudando a escolher aqui em casa como o estúdio da gente.
e Dougie ficaram conversando por mais uma hora sobre bandas, filmes, professores do colégio e como Paris Hilton era ridícula até que ouviu um barulho de carro chegando na casa da frente.
- Acho que alguém chegou em casa. - ela falou, afastando a cortina da janela e vendo o carro do seu irmão estacionar na casa da frente. - Eu tenho que ir, Dougie... Não vá esquecer da promessa não, viu? - a garota falou se despedindo de Dougie e indo em direção a porta.
- Certo. Se vocês quiserem podem vir aqui quarta-feira, a gente vai ensaiar novamente.

chegou na frente de casa enquanto Matthew se dirigia a porta com, graças a Deus, uma chave na mão.
- Que demora foi essa, Matt? - falou para Matthew, que se virou e notou a presença da irmã mais nova pela primeira vez.
- Que demora, mãe? Eu falei que ia chegar agora. - o garoto falou, irônico. - O que você tá fazendo aqui fora, ?
- Eu, er, esquecidepegarachave... - falou rápido; odiava ter que admitir para o irmão que tinha feito alguma coisa de errado. Ela era sempre tão responsável.
- Olha, senhorita perfeição esqueceu a chave, foi? - Matthew debochou da irmã.
- Haha, abre logo essa porta. - lançou um olhar feio para Matthew.

Capítulo 5

chegou vitoriosa no colégio no dia seguinte. Ainda faltavam 10 minutos para começar a aula, praticamente um recorde, levando em conta que ela sempre entrava na sala no último minuto. Logo avistou e com um grande casaco e um gorro que escondia seu novo cabelo loiro. Ela realmente devia estar morrendo de frio, mesmo que não nevasse desde sábado. Tom se aproximou pelas costas das três amigas e abraçou por trás.
- Tá com tanto frio assim, é?
se virou e encarou o menino. Que história era essa de chegar dando abraço? Eles se conheciam? Melhor, quem era ele?
- Ahn... Foi mal, mas... Quem é você mesmo? - a garota perguntou com um ar confuso.
- Quê? Ficou doida? Alô. Eu sou o Tom. - ele não entendia porque ela estava agindo daquela maneira, como se nunca o tivesse visto na vida. entendeu logo o que tava passando e não aguentou, começando a rir. percebeu e fez coro a amiga. e Tom não entendiam mais nada.
- , você quer parar de rir e me explicar o que tá acontecendo? - pediu, falando em português com a amiga. já estava acostumada com essa mania das duas, mas isso só fez Tom ficar ainda mais confuso com tudo aquilo.
- Desculpa . - tentava se controlar, ainda falando em português. - Esse é o Tom, um dos garotos que a gente conheceu na festa da Lola. A gente já falou deles pra você. Ele deve estar achando que você é a Emma, e por isso que veio assim cheio de intimidade. - ria ainda mais.
Enquanto isso, era quem explicava para Tom o que tava acontecendo.
- Tom, essa é a , ela é a irmã gêmea da Emma.
Essa informação fez com que Tom ficasse muito vermelho. voltou a falar em inglês:
- Bom... Acho que... Prazer né? . - a garota disse, dando dois beijinhos em Tom.
- An.. Thomas Fletcher, mas me chama de Tom. - ele ainda estava todo errado e continuava muito vermelho. sorriu ao perceber como o garoto estava nervoso.
- Se você é amigo das meninas, pode me chamar de , ok?
- Tudo bem, . - Tom falou sorrindo para a menina que notou a sua covinha do lado esquerdo do rosto.
- Sim, algum de vocês sabem se a já chegou? - perguntou, se lembrando de algo.
- Acho que ela tá com uma garota da aula de Álgebra lá na lanchonete. Por quê?
- É porque eu tenho aula de História no terceiro horário e preciso pegar as anotações com ela. Vou indo gente. - foi em direção a lanchonete na hora que tocou para que todos entrassem nas salas de aula. Seria a primeira aula de no semestre e era Álgebra, a sua pior matéria.
- Eu juro que não consigo entender como você gosta dessas coisas, . - conversava com a caminho da sala.
- Ah , não tem coisa melhor. E esse ano então vai ficar ainda mais complexo... - falou, com uma cara de sonhadora. As duas avistaram conversando com um garoto bem alto e de cabelos pretos, Richard. Ele tinha aula de Álgebra com as três e já o conhecia porque estudaram juntos antes de ela ir para o Brasil.
- Não Richard, o meu resultado deu esse, ó. - apontava para o caderno com o lápis. - É, igual ao seu... - ela explicava para o menino, que parecia confuso.
- Oi Richard! - falou, animada.
- !! - Richard pareceu surpreso e abraçou a menina, levantando-a. - Que saudades! E ai, como foi no Brasil? - Richard e sempre acabavam pegando aulas juntas em todos os anos, então acabaram se tornando bons colegas de classe.
- Foi ótimo, você não tem nem idéia... E como anda Bizu? - perguntou, interessada. Bizu era o cachorro de Richard. Ele era muito famoso nas classes do dono, já que ele sempre mostrava fotos e contava histórias dos oito anos de vida do cachorrinho.
- Ah, ele estava meio mal. Teve que fazer uma operação semana passada, mas agora ele já tá melhor... - Richard falava enquando o ouvia atentamente. Os dois foram andando em direção às suas bancas deixando e discutindo a segunda questão do livro.

- Rodrigo... - falou baixinho, atrás do menino.
- Hm. - Rodrigo falou com má vontade. Odiava quando ficavam tentando conversar com ele no meio da aula. Principalmente de História.
- Você sabe dizer quando começam as aulas de tênis lá no clube?
- Quem dá as aulas é o meu irmão, ele que sabe.
- Ah, ok. Eu tentei ligar para ele semana passada, mas deu número inexistente. Você pode me passar o telefone dele, por favor? - insistiu.
- , você sabe que eu não gosto de me distrair nas aulas... No final você me pede, tá? - Rodrigo falou pacientemente, se virando um pouco.
- Tá... - respondeu, chateada. Odiava essa má vontade de Rodrigo. Ela era muito divertido fora da sala, mas quando estava assistindo aula, nada além do professor, o quadro e o seu caderno existia para ele. Rodrigo era o melhor aluno de várias salas. Provavelmente, o melhor dos segundos anos.
- ? - falou, do lado da menina, jogando um papel para , que pegou e leu "Tem reunião do grupo social depois dessa aula, na hora do almoço. Não esquece!". escreveu um "Obrigada" e jogou o papel de volta para a amiga.

, , e estavam chegando na mesa do refeitório na hora do almoço quando viram Tom acenando para as quatro, as chamando para sentar com eles nas duas mesas que eles tinham juntado.
- Cadê a ? - Harry perguntou, enquando melava uma batata frita no ketchup.
- Ela ficou com Rodrigo comparando umas anotações de História. - comentou sem interesse, enquanto sentava numa cadeira do lado de Danny, que juntava vários canudos fazendo um canudo gigante.
- Qual é a utilidade disso, hein, Danny? - olhava estranhamente para a "escultura" do garoto, enquanto sentava na frente de .
- Isso, ó. - o garoto colocou o canudo na boca e tentou alcançar o suco de , que estava sentada na frente. - Ah, droga, o líquido não passa... - Danny falou decepcionado, depois de tentar tomar o suco da menina, sem sucesso.
- Hm... - ainda estava de pé com a bandeja na mão. - Ninguém vai me apresentar não? - fingia indgnação.
- Gente, essa é a . - tomou a frente das apresentações. - Ela chegou na Sexta-Feira, fomos pegá-la no aeroporto.
- Vo-cê fa-la in-glês? - Danny falou devagar, como se tivesse alguma dificuldade em entendê-lo.
- Danny, ela é daqui, seu leso. - deu um pedala em Danny. - Ela é nossa amiga há muito tempo e tava fazendo intercâmbio no Brasil.
- Ai, isso doeu, . - Danny falou, esfregando a mão na cabeça.
- Oi , tudo bom? - Harry falou, se levantando.
- Vocês podem me chamar de , eu prefiro. - ela falou, sorrindo.
- Eu sou o Harry. Danny, Dougie, James e Tom. - Harry falou, apontando para os amigos que acenavam.
- A gente já se conhece, né ? - Tom falou, piscando para a garota.
- Sério? Eu não lembro. - fingiu um esforço para se lembrar do garoto. Tom fez cara de surpresa e, logo em seguida, decepção.
- É mentira, Tom. - falou rindo, vendo como garoto tinha ficado.
- Oi gente. - chegou ofegante, com vários cadernos e livros na mão, junto com uma bandeja com o almoço. Jogou tudo em cima da mesa que eles estavam, praticamente derramando metade do refrigerante em James.
- Poxa, ! Logo hoje que eu tinha tomado o meu banho da semana... - James falou, fingindo chateação, enquanto todos riam.
- Desculpa James, desculpa mesmo. - a garota falava, rindo também. Olhou direito para as pessoas da mesa e notou alguém que não deveria estar lá. - , o que você tá fazendo aqui? Eu não te lembrei da reunião do grupo social?! - falou e deu um pulo.
- EITA, É MESMO! Tenho que ir, tchau. - ela falou apressada e saiu correndo em direção ao auditório.
- É sério, eu lembro a ela uma aula antes e ela ainda esquece... - comentou com os outros. - E ainda esquece o caderno pra anotar as coisas! É sério, ela não tem mais jeito. Dougie, entrega lá pra ela, por favor? - praticamete jogou o caderno pra Dougie enquanto ajudava James a secar o refigerante.
- Por que eu? - Dougie falou, com má vontade.
- Não custa nada, corre lá.
- Tá, tá. - Dougie saiu correndo atrás da garota. - E quem disse que eu sei onde é a reunião? - Dougie comentou consigo mesmo quando já estava longe dos amigos. Avistou na frente da porta do auditório.
- , me pediram pra te entregar isso. - Dougie chegou ofegante, entregando o caderno para .
- Ah, obrigada... - pegou o caderno da mão do garoto e apenas ficou olhando-o.
- Você não vai entrar? - Dougie perguntou.
- Eu tô uns 10 minutos atrasada para a primeira reunião do grupo no semestre, com que cara eu vou entrar lá?
- É melhor chegar atrasada do que perder a reunião. A gente inventa uma desculpa, vem. - Dougie pegou a mão dela e a puxou em direção da porta. Bateu e entrou na sala.
- Er, licença. Desculpem o nosso atraso, tivemos um imprevisto na aula. - Dougie falou para as outras pessoas que tinham várias cadeiras num círculo.
- Tudo bem, entrem, e...
- Dougie Poynter. Eu vou começar esse ano. - Dougie explicou para o coordenador do projeto.
- Seja bem vindo, Poynter.
e Dougie pegaram duas cadeiras e se juntaram ao outros no círculo. Todos discutiam os projetos de ajuda aos orfanatos e hospitais, quando falou baixinho no ouvido de Dougie: - Agora não tem mais volta.
- Vai ser divertido. - Dougie comentou baixo, sorrindo para a garota.

- Rodrigo, Rodrigo, PERA! - saiu correndo atrás de Rodrigo enquanto ele saia apressado do colégio.
- Diz, . - ele falou, se virando para a garota ofegante.
- O... telefone... do... Nate. - falou, se apoiando nos joelhos.
- Ah sim, pera. - ele anotou o telefone do irmão num pedaço de papel e entregou para .
- Obrigada, amor. - deu um beijo na bochecha de Rodrigo e voltou andando em direção a que conversava com Harry e Dougie num banco no canto do pátio. olhava o pedaço de papel muito feliz. Embora não admitisse para ninguém, ela tinha uma quedinha pelo irmão mais velho de Rodrigo, Nate, que também era o seu treinador de tênis. Ela gostava dele desde que começou a treinar tênis naquele clube (bom, talvez ela tenha começado lá por conta dele), mas nunca demonstrou. Além disso, Nate tinha uma namorada que estava na faculdade, como ele.
- Vamos , a gente vai se atrasar para aula de caminhada. - falou a medida que se aproximava dos três.
- Caminhada? - Harry perguntou sorrindo e olhando para com cara de surpresa.
- Nem vem, a gente faz esportes sim, Judd. - respondeu. - Esse era o único horário bom para a gente. - se justificou.
- Sei, sei. Vocês têm é preguiça. - Dougie falou, rindo da cara das garotas.
- É Poynter, exatamente isso. - falou sem paciência, puxando rapidamente. - A gente tem que ir, beijo. - As duas se despediram dos garotos com um aceno e foram em direção ao vestiário.

- Por que a felicidade, ? - perguntou, enquanto as duas calçavam os sapatos.
- Eu? Nada. - falou, sorrindo para a amiga. - Primeiro dia de caminhada, estou empolgada.
- Ah, tá bom. - falou com cara de quem não acreditava nem um pouco. As duas saíram do vestiário e se depararam com uma chuva muito forte. Não estava frio o suficiente para nevar, mas a chuva de agora estava fazendo as duas congelarem nas roupas de Educação Física.
- Olha, que pena , tá chovendo... - comentou, rindo. - Acho que a Educação Física vai ser adiada hoje.
- Pessoal de caminhada, sala 15, agora. - o treinador passou pelas meninas e outras pessoas embaixo do toldo do lado de fora do vestiário que encaravam a chuva e o vento forte.
- Droga. Eu já tava com esperanças... - foi indo em direção a sala, enquanto ria.
O treinador explicou como funcionaria a Educação Física dos que escolheram caminhada esse semestre. Apesar de enrolar bastante, uma hora antes de acabar o horário da aula deles, o treinador comentou:
- E agora eu não tenho mais o que falar para vocês, e pelo visto não vai dar para fazermos nenhuma atividade hoje. Eu não imaginava que iria chover e não preparei nada para caso isso acontecesse...
- Lógico, chove em quatro de setes dias da semana passada e ele não podia imaginar que ia chover hoje. - comentou baixinho com .
- ...então eu vou liberá-los mais cedo. Até segunda que vem.
e iam saindo da sala quando notaram que a chuva não passara e, pelo visto, não ia passar nem tão cedo.
- Você tá de carro? - olhou, esperançosa, para a amiga.
- Que carro, ? Eu pego o do Matthew, esqueceu? De qualquer forma, hoje eu peguei carona com Dougie. Mas olha o que eu trouxe. - puxou uma coisinha fina com dois fios enrolados da bolsa e colocou na frente do rosto de .
- O quê? - perguntou, idiotamente animada.
- Uma tomada! - respondeu, ironizando estar igualmente animada.
- E qual é a utilidade disso? - perguntou, confusa.
- Às vezes eu sinto pena de você, é sério. - falou, andando em direção a uma das mesas do refeitório agora vazio e se sentando. Colocou o iPod no ouvido, enquanto , com uma cara indignada, sentava do seu lado e escolhia uma música. Passaram meia hora ouvindo música e conversando quando resolveu ir lá fora.
- É, ainda tá chovendo muito. - disse, entrando novamente no refeitório.
- Eu acho melhor a gente ir logo, . Pelo visto a chuva não vai passar nem tão cedo. - falou, desligando o iPod, enrolando-o com uma blusa e colocando-o dentro da bolsa enquanto as duas andavam até a porta do colégio. - E aí, a gente vai como?
- Se a gente for correndo? A casa da minha avó é perto daqui, a gente pode ficar por lá até alguém poder nos pegar. Pelo menos tem TV. - falou, dando de ombros.
- Mas , se você for correndo... - saiu correndo na chuva. - ...você vai se molhar mais. - terminou de falar para o nada. - Peraí, ! - e saiu correndo atrás da amiga.
e corriam rápido no meio da chuva, rindo e olhando para baixo para não tropeçarem em nada.
- A gente deve estar parecendo duas doidas, . - gritou para a amiga escutar.
- Você realmente acha que tem alguém na rua com essa chuva? - gritou em meio a risos, vendo a amiga quase cair.

- Olha aquele pessoal doido correndo no meio da chuva. Eles não sabem que molha mais do que se elas fossem andando? - Harry comentou com Dougie e Danny dentro do carro que Danny dirigia.
- Eu quero fazer isso! - Dougie comentou, com um olhar de criança, ignorando a segunda parte do comentário de Harry.
- Na verdade, se você correr contra a chuva molha mais o seu tronco... - Danny falou, olhando para as duas pessoas que corriam na chuva. - Mas se é chuva grossa como essa é melhor correr porque fica menos tempo.
Harry e Dougie olhavam surpresos para o amigo.
- Que é? Eu assisto Discovery Channel às vezes. - Danny falou, se virando para os dois. - E ia passar um documentário sobre macacos depois. - falou, sorrindo.
- Ei, essa é a ! E a ! Opa, a quase cai agora. - Dougie falou, rindo. Danny parou o carro e chamou as duas.
- ! !
- É, não tem ninguém na rua, né, ? - comentou irônica com outra, que ainda ria.
Os três agora acompanhavam com o carro as meninas que continuaram andando.
- O que vocês estão fazendo aqui no meio da rua nesse temporal? - Harry praticamente gritava, por conta do barulho da chuva.
- Longa história. Agora a gente precisa de um local seco, por favor.
- Entra aqui. - Dougie abriu a porta e as duas entraram rapidamente no carro deles.
- Danny, vai molhar o seu carro... - falou, preocupada.
- Ele tá acostumado já. - Danny falou, pouco se preocupando.
As duas garotas estavam encharcadas e morrendo de frio. Dougie abraçou de lado, tentando aquecer a garota. Danny entregou uma toalha para as duas se enxugarem.
- Quem anda com uma toalha dentro do carro? - perguntou.
- Eu ando. Sou precavido, fofa. - Danny brincou.

Resolveram parar na lanchonete perto da casa de Dougie e , depois de convencerem Danny que tomar sorvete não era uma boa idéia. Harry e Dougie voltavam do balcão com chocolate-quente e sanduíches.
- Vocês vão ver o ensaio da gente na quarta, né, ? - Dougie perguntou, entregando um chocolate-quente para .
- Que ensaio? - perguntou interessada.
- Da nossa banda. A não falou? - Dougie agora estava sentado do lado de e colocou o seu braço em volta da garota.
- Não, ela não falou pra nenhuma de nós. - agora olhou para a amiga.
- Eu esqueci completamente, desculpa. O meu dia hoje foi uma loucura. Resumindo, os meninos têm uma banda e a gente vai ver o ensaio deles quarta-feira. - falou simplesmente, mordendo um dos sanduíches entregues por Harry.
- UMA BANDA, SÉRIO? - falou muito empolgada. - Eu tenho amigos músicos, que lindo!
Vocês já tem um nome? - ela perguntou com os olhos brilhando.
- Na verdade não, a gente ainda tá pra decidir... - Danny falou, em seguida dando uma mordida enorme no sanduíche.
- Danny, cuidado pra não levar a mão junto. - brincou.
- Qu-ê? - Danny falou com a boca cheia de pão, fazendo as duas garotas entoarem em coro um "ECA!".
- Se comporta Jones. Tem garotas na mesa agora. - Harry fingiu cara de nojo.
- Se bem que sempre tem, já que a gente anda com o Tom... - Dougie falou, fingindo estar pensativo.
- E quais são as opções? - perguntou, com a cabeça encostada no ombro de Dougie.
- De quê? - Dougie olhou para a garota, sem entender a pergunta.
- De nomes para a banda.
- Dead Lizards ou The Rain. Eu, particularmente, gosto mais da segunda. - Harry comentou.
- Eu, particularmente, não gosto de nenhuma das duas. - falou, com uma careta. - Ei, eu que sugeri Dead Lizards. - Dougie falou, indignado.
- Dougie, você definitivamente não leva jeito pra coisa. - comentou, vendo o garoto lançar um olhar decepcionado para a garota.
- Own, é não. Seu nome é ótimo! - falou e Dougie abriu um sorriso. - Ou quase isso... - e todos começaram a rir da cara que Dougie fez.

Capítulo 6

- , !!! - praticamente gritava no telefone.
- Diga, . - falou de má vontade.
- Nossa, que simpatia... - disse, chateada.
- Fale, querida amiga ! - fingiu empolgação.
- Melhor. - riu. - Sabe quem tem uma banda?
- Hm... Bono Vox? - ironizou.
- Não, .
- Ele tem uma banda sim... - falou, pensativa.
- , concentra. É alguém que a gente conhece.
- Não tenho nem idéia, fala logo.
- Dougie, Harry, Danny e Tom! - respondeu, empolgadíssima.
- Ah, que legal. - comentou, indiferente.
- Legal? Isso é mais que legal! É MUITO legal!
- O que é muito legal? - ouviu a voz baixa de do outro lado da linha.
- Os meninos têm uma banda. - respondeu para a garota, que agora estava do seu lado. pôde ouvir a empolgação de .
- Será que eu sou a única que acha que isso não tem nada demais? - falou mais para si mesma do que para as amigas.
- Bom, se você quiser, eles vão ensaiar quarta-feira e chamaram a gente para ir assistir. Avisa a ai, ela vai querer ir. Vou ligar pra . Tchau , beijo. Manda um beijo para . - disse rápido, desligando o telefone e discando o número de .

- Alô. - atendeu o telefone com voz de sono.
- ? Tava dormindo a essa hora? - perguntou, rindo.
- Tô com sono, não faz pergunta difícil.
- Tá... Mas adivinha quem tem uma banda?
- Danny, Harry, Dougie e Tom? - respondeu com uma pergunta.
- Até dormindo você raciocina melhor que . - comentou, impressionada.
- Hã? - resmungou a pergunta.
- Nada. São eles mesmos! Não é o máximo? - perguntou, novamente empolgada!
- Muuuito! - falou, um pouco mais acordada.
- Eles nos chamaram para ver um ensaio deles, depois de amanhã.
- Eu vou com certeza. - falou, sorrindo.

A terça-feira no colégio passou rapidamente, com treinos da patinação no gelo a tarde para e por conta do campeonato que estava chegando. Elas
estavam treinando vários dias na semana desde antes do feriado de Natal e em breve viajariam para o campeonato fora da cidade. e chegaram no final do treino e foram falar com e .
- Vocês querem fazer alguma coisa hoje? - chegou perguntando para e , que saiam da pista.
- É, a gente pode ir no parque, comer cachorro-quente... - sugeriu, enquanto colocava um monte de pipocas na boca.
- Você não se cansa de comer não, é? - perguntou, rindo. - E ainda é magra desse jeito.
- Vocês é que comem pouco. - falou com desdém.
- Vaamos, vai? - insistiu para as duas outras amigas.
- Não dá, eu combinei de sair com o Guilherme. - falou com um sorrisinho.
- É, ela tem namorado, sabe? - brincou.
- Eu vou sim, mas rápido antes que escureça... - falou, tirando os patins e indo se trocar rapidamente. - E a ?
- Ela teve treino de tênis hoje. A gente passa na casa dela.

- , desce ai! - gritava para a garota que colocou a cabeça para fora da janela do quarto no primeiro andar.
- Vocês estão indo para onde?
- A gente vai para o parque. Quer ir com a gente? - gritou enquanto pegava as últimas pipocas de .
- Tô descendo, pera.
colocou o All Star e arrumou o cabelo antes de descer correndo para encontrar as amigas sentadas no banco da varanda.
- Por que não entraram? - falou quando viu as amigas do lado de fora.
- Porque a porta tava trancada, gênio. - falou, zonando com a amiga. - Bora, daqui a pouco escurece e a tem medo de ficar sozinha na rua com a gente a noite.
- Se eu fosse seqüestrada com vocês eu tava ferrada. - comentou vendo a cara de indignada de .
- Ah é? Se você for seqüestrada eu não vou te ajudar.
- Ela vai ser seqüestrada em Stafford? Haha, até parece. - estirou a língua. As quarto agora andavam em direção a praça, que não ficava muito longe.
- , aquele não é o Andrew? - apontou descaradamente para um garoto que, para a sorte de , estava de costas.
- É. Agora grita que ele ainda não ouviu, . - falou irritada para ela.
- Tá, calma. - olhou pra , ofendida.
Andrew tinha sido um antigo namorado de . Eles se conheceram no colégio e começaram a namorar logo. realmente gostava dele e ele também gostava dela, o problema tinha sido que tinha descoberto uma uma traição de Andrew. Para , não tinha nada pior do que ser traída. Aliás, tinha. Descobrir por outra pessoa. E foi o que aconteceu; quem falou para foi uma colega de classe, Claire. Quando foi tirar satisfações com Andrew, já de cabeça quente, ele ficou muito ofendido e negou tudo, mas dias depois viu tudo com seus próprios olhos e eles terminaram de uma forma nada agradável, algumas semanas antes de viajar para o Brasil.
- Não olha agora, mas ele tá vindo. - comentou, olhando para algo atrás de . sentiu alguém segurando-a pela cintura e abraçando-a por trás. Com raiva, se virou e encarou Andrew.
- Voltou do Brasil, ? Como ninguém me avisou? - ele falava enquanto passava os dedos na bochecha da garota.
- Desde quando alguém tem que avisar algo sobre mim? - falou, fazendo a menção de se virar.
- Ei, vem cá. Vamos conversar. - Andrew segurou o braço de .
- Na verdade, a gente... - começou.
- Vamos, vamos conversar sim. Volto já, garotas. - acompanhou Andrew até a beira do lago principal.

- , eu senti tanto a sua falta esses meses. Como foi no Brasil? Sentiu a minha falta?
- Muita. - falou irônica para o menino que não entendeu e deu um sorriso.
- Eu sabia que iria... - Andrew agora se aproximava de , colocando uma mão na sua nuca. Por instinto, colocou as suas duas mãos no peito do garoto e o empurrou para o mais longe que conseguiu, o que, no caso, foi para dentro do lago.
- MEU DEUS!! Desculpa Andrew! - olhava para o garoto completamente molhado na água verde do lago principal, coberto de plantas e praticamente congelando.
- "Desculpa" nada, ! Bem feeeito! - falou entre risadas. As outras três tinham vindo correndo quando viram a cena e agora estavam junto de , rindo tanto a ponto de cairem no chão.
- Er... Bem feito mesmo. - falou, um pouco convencida. Sabia que não estava errada. Mas não precisava derrubar o menino para congelar na água fria e nojenta. Ou precisava? Andrew fora um ridículo desde que ela havia descoberto tudo.
- Eu sei que foi sem querer, né, amor? - Andrew falava dentro d'água, enquanto tirava uma planta que estava presa no seu cabelo. Ele sabia que não tinha sido, mas não pretendia ficar com raiva de . Iria voltar com ela de qualquer jeito.
- Ele não se toca MESMO. - comentou quando as quatro deram as costas para o garoto, ignorando-o, e andavam em direção ao outro lado do parque.

- MENTIRA QUE EU PERDI ISSO, NÉ? GUILHERME ME PAGA. - gritou rindo no telefone, quando lhe contou a história.
- Você precisava ver a cara dele! E ele ainda está convencido de que vai ter alguma chance com . Traição pra ela é imperdoável.
- E eu não sei? Nossa, já guarda mágoa, viu? - comentou, ainda rindo da história do lago.
- Mas e ai, como foi seu resto de dia? - perguntou.
- Nada demais. A gente assistiu um filme, foi bem legal. Semana que vem o Guilherme viaja com o colégio, vai passar uma semana fora. - falou com um pouco de tristeza na voz.
- Isso significa...?
- Semana das garotas. - completou, um pouco mais animada.
Mal sabiam elas o quanto de garotos que teriam na semana que vem.

- Anda . - falou sem paciência para que arrumava o cabelo enquanto todas elas saiam da casa de em direção a casa de Dougie, na quarta-feira.
- Tô indo, pera. - falou com uma voz enjoada. Tocaram a campainha e Harry atendeu.
- Eu achava que o Dougie morava aqui. - comentou em tom de brincadeira.
- Na verdade moramos os quatro. - Harry falou da mesma forma. - Entra, a gente já começou o ensaio.
Todos se dirigiram ao quintal atrás da casa, onde havia uma entrada para a antiga garagem, agora transformada num estúdio bem arrumado.
- Eu nunca tinha entrado num estúdio antes. - falou, olhando para todos os equipamentos, deslumbrada.
- Você nunca viu um instrumento de perto, . - zombou da amiga.
- Haha. - respondeu, fechando a cara.
- E o James faz parte da banda desde quando? - perguntou cumprimentando Dougie, quando viu o Bourne sentado num canto, conversando com Danny.
- Cara, eu sou o empresário deles. - James respondeu, brincando. - 60% do lucro vem pra mim, o resto eles dividem. Se bem que até agora não teve lucro nenhum. - James comentou pensativo, fazendo os outros rirem.
As meninas se acomodaram em algum lugar do estúdio enquanto os garotos ensaiavam algumas músicas, com James aperriando-os entre uma música e outra e fazendo comentários altos com .
- Tooom, posso tocar? - perguntou com cara de criança depois do cover de "She Loves You".
- Haha, tá fácil o Tom deixar você tocar na guitarra dele. - Danny falou, rindo.
- Então você me deixa tocar, Jones? - virou pro Danny com a mesma cara, vendo o garoto abraçar a guitarra contra o corpo com uma cara de assustado e fazendo todos rirem.
- Vaai, que besteira. - falou pegando um microfone e quase derrumbando-o. Todos a encaravam enquanto ela botava o microfone no lugar delicadamente.
- Er, outro dia... - Dougie falou, olhando para a garota que agora tinha tropeçado num dos fios quase derrubando um amplificador. 

- Vaai Tom, deixa de ser chato.
- Jogar Imagem e Ação? Não , obrigado, eu tenho mais de 11 anos.
- Vamos, é legal. - insistiu, puxando o braço do garoto. - Mas se você não quiser a gente joga sem você...
- Tá, eu vou. - Tom respondeu, rindo. Sentaram-se num círculo no meio da sala em volta de uma mesa de centro com o jogo de já espalhado em cima.
- A gente tem que definir os pares. - começou.
- Tem que ser quem está na sua frente. Fica: e , Dougie e , e Danny, Tom e James, e Harry.
- Já perdi. - James falou, fingindo desapontamento enquanto todos riam.
- Haha. Bora começar. Agora eu vou ganhar só por causa disso...
- Ui, cuidado crianças.

- Uma cebola! Um peixe! Eita, agora parece com um porco... - Harry falava enquanto apontava freneticamente pra o desenho no papel. Ela se levantou e agora praticamente esfregava o papel no rosto de Harry.
- Ai, perai. É um relógio? - ele perguntou, confuso.
- PORRA, HARRY! - gritou.
- Não pode falar, ! Perdeu a vez! - falou, rindo junto com os outros.
- A gente não ia acertar mesmo. - fuzilou Harry com o olhar.
- E qual era o objeto?
- Uma panela de pressão.
- Aonde que isso é uma panela de pressão? - Harry apontou pra o desenho amassado no chão.
- Não culpe o desenho. - falou, ofendida.
- Eu acho que a gente ganhou. - comentou com superioridade, comemorando com .
- Não vale, a sabe as cartelas de cor.
- É, só porque vocês são ruins de mímica, Poynter. - falou, dando a língua para Dougie e .
- E nós precisamos de comida. - James saiu da cozinha com o último pedaço de bolo.
- Tudo a ver com o assunto. - comentou.
- Eu tô com fome, então, tem a ver. - James falou, passando por todo mundo pela sala e pegando seu casaco. - Vamos na pizzaria?
- Continua sem ter a ver com o assunto. - se virou e comentou só com .
- Bora. - pegou o casaco também e se dirigiu a porta, sendo acompanhada pelos outros.
- Tudo bem que é mais fácil pedir por telefone. - falou, sendo ignorada por todos. - Legal, agora me ignoram. - comentou consigo mesma, fingindo empolgação.

Todos costumavam ir sempre àquela pizzaria, a mais famosa da cidade. Não que ela tivesse muita concorrência, mas as pizzas eram deliciosas e o lugar acabou virando ponto de encontro de muita gente. Mesmo numa quarta a noite estava cheia. Foi dificil arrumarem uma mesa pra aquele monte de gente, mas com umas conversas que as garotas jogaram para cima do garçom, conseguiram duas mesas juntas.
- É impressionante como a gente ainda consegue essas mesas facilmente... - comentou enquanto todos se sentavam na mesa.
- É, eu nem imagino o porquê. - Tom falou de cara feia.
Pediram as pizzas e as bebidas e conversavam besteira quando um garoto que estava passando se aproximou e jogou um pedaço de papel no colo de . Ninguém, a não ser , notou, já que conversavam empolgados sobre Star Wars e Tom tentava meter Katie Holmes no meio da história.
- Essas cantadas com o papelzinho estão na moda, hein? - comentou enquanto olhava o que tinha escrito no papel junto com .
- Ei, é particular isso aqui.
- Até parece que você não ia me mostrar... - falou com desdém.
- Ia mesmo. - respondeu em tom de brincadeira e mostrou para a amiga o que tinha escrito. Um nome e um telefone. - Se ele pensa que eu vou ligar tá muito enganado. - falou e amassou o papel, jogando-o no lixeiro mais próximo.

Capítulo 7

A quinta-feira passou rapidamente, com alguns trabalhos de Redação e Inglês e aulas monótonas. Como todos os dias, na sexta-feira eles se encontraram no horário do almoço e se juntaram na mesa de sempre.
- Chorou sim Dougie, nem vem. - Tom e Harry tiravam onda de Danny e Dougie que, segundo os dois, tinham assistido The Notebook na noite passada e se emocionado com a cena final.
- Ah, é lindo o filme, tá? - defendia os dois.
- Ei, que tal a gente fazer um piquenique amanhã? - , que estava destraída com os próprios pensamentos, falou de repente.
- Boa idéia! Eu sempre quis fazer um piquenique! - falou ridicularmente empolgada.
- Sério que você nunca fez um piquenique, ? - Dougie perguntou, surpreso.
- Sério.
- Nossa, que vida incompleta. - Danny comentou, levando um pedala de Tom. - Ai! É sério, vou parar de andar contigo... - o garoto falou e revidou em Tom.
- Amanhã cedo, então? Porque eu e a temos treino a tarde. - disse.
- De novo? Vocês não tem hoje a tarde? - perguntou, enquanto dava uma mordida no sanduíche.
- É todo dia agora. Eu realmente não sei como eu vou ter tempo de fazer aquele monte de trabalhos que estão passando. - comentou, ficando um pouco preocupada de repente. Os garotos olharam com desperezo para ela.
- Que é?
- Até parece que você não vai conseguir fazer os trabalhos. Quando isso acontecer, eu apareço só de boxers no colégio. - Harry falou.
- Opa! Nada de fazer trabalhos semana que vem, viu ? - comentou rindo, fazendo Harry ficar ligeramente vermelho e os outros rirem também.

foi passar a noite na casa de . Se encontraram depois do treino de e e as três acabaram jantando fora, na sua creperia favorita, que ficava junto da praça. Já passava das dez quando e chegaram em casa.
- Demoraram por quê? - Matthew gritou da sala, onde, pelo barulho, estava jogando video game.
- Vê se me esquece. - gritou de volta, enquanto elas tiravam os casacos.
- Nossa, que simpatia. - Matthew respondeu de volta, quando as duas ouviram outras vozes. Eram os amigos de Matthew. Pelo visto ele tinha tido a mesma idéia de chamar amigos para lá enquanto os pais viajavam. "Ele podia ter avisando antes" pensava enquanto chegava na sala e cumprimentava a todos.
- Vocês já jantaram? A gente pediu uma pizza. - Matthew passou a vez para Steve e agora tinha se virado para e que estavam sentadas no sofá, conversando sobre qualquer coisa.
- Já sim, a gente vai dormir... Amanhã vamos acordar cedo pra um piquenique. - respondeu, animada.
- Vocês acordando cedo? Que milagre.
As duas se despediram rapidamente e subiram pra tentar dormir. Não tiveram sucesso. Depois que se arrumaram, as duas ligaram o computador e ficaram ouvido música e vendo vídeos enquanto conversavam sobre várias coisas.
- E como andam os treinamentos? - perguntou enquanto esperavam um clipe carregar.
- Vão bem. O campeonato tá cada vez mais perto e isso realmente tá me preocupando. As nossas coreografias poderiam estar bem melhores...
- Pára com isso, , você e a são ótimas e a gente sabe disso. Que mania de querer tudo perfeito.
- Não é isso... Ah, sei lá.
- A gente vai assistir vocês, sabia?
- Sério? - pareceu surpresa.
- Lógico. Você acha mesmo que a gente não ia assistir a apresentação das duas? Vocês estão se dedicando ao máximo, isso significa muito para vocês. Espero que vocês não se importem. Já até comentamos com os garotos e eles falaram que adorariam ir.
Quando e desligaram o computador já era mais de três da manhã. Acordaram às seis, com o despetador que tinha colocado gritando alto.
- PORCARIA DE CELULAR. - pegou e ameaçou jogá-lo no chão. Pensou duas vezes no quanto ele tinha custado e mudou de idéia. Jogou-o com força no colchão de .
- AI, QUE FOI? - acordou no susto. ficou surpresa que a garota não tinha se acordado antes com todo aquele barulho.
- Já são seis da manhã. Vamos, a gente combinou de passar na casa do Dougie às seis e meia pra irmos no supermercado.
- Só pra eu me lembrar: por que tão cedo?
- Não foi minha idéia. - deu de ombros. - Vaamos, agora já são seis e dois.
- Tá, to indo. - respondeu com sono enquanto a outra entrava no banheiro. Quando fechou a porta, se deitou e dormiu novamente.

- AI, AI, AI, AI, AI! - gritava no quarto, caída com as mãos no dedo do pé. - MERDA DE PORTA! - acordou novamente assustada, agora com o escândalo da amiga.
- Que foi? - olhou sonolenta para a amiga.
- Eu chutei a quina da porta do banheiro! Aaai que dor. - a garota ainda segurava o dedo do pé como se isso aliviasse de alguma forma.
- Pera, eu vou pegar um pouco de gelo.
saiu do quarto e em um minuto voltou com gelo.
- Obrigada, . Agora vai se arrumar que já era pra a gente ter saído. - falou com um tom de dor na voz.

Saíram as sete da manhã rumo a casa de Dougie. Teriam saído um pouco antes, se todos os sapatos de não apertassem o seu dedo de uma forma insuportável quando ela os calçava.
- Eu acho que você deveria ir para o médico.
- Que nada, , aposto que foi só a pancada mesmo. - olhava para o dedo do pé. Calçava as Havaianas que havia trazido do Brasil.
- Mas tá ficando roxo, . - parecia preocupada enquanto via a garota andar quase mancando. - Vai ver quebrou.
- Nem fale isso, . Eu não vou ao médico, tá na cara que não precisa. Além do que, se eu tiver que enfaixar, significa pelo menos duas semanas sem treinar, e eu não posso me dar a esse luxo.
As duas discutiam enquanto atravessavam a rua. A casa de Dougie ainda estava totalmente fechada e quando as duas chegaram tiveram que tocar a campainha no mínimo quatro vezes até que um Danny praticamente dormindo em pé abrisse a porta e aparecesse só de boxers na porta da casa de Dougie.
- Mentira que vocês ainda estão assim! Danny, a gente combinou com o Dougie às seis e meia. Aliás, cadê o Dougie? - falou rapidamente, enquanto apenas encarava Danny sem reação.
- Hã? - Danny não parecia ter entendido metade do que acabara de falar. - Er, o Dougie tá lá em cima...
entrou na casa de Dougie e a seguiu, um pouco receosa.
- Eu não sabia que o Danny ia pra o supermercado também. - comentou baixinho com enquanto as duas subiam as escadas.
- Eu acho que o Dougie comentou algo sobre o Danny dormir aqui hoje também, mas eu realmente não me toquei. Ah, desde quando você se importa, ? - se virou curiosa para a amiga e as duas pararam no meio da escada.
- Desde nunca. - respondeu na defensiva, enquanto Danny subia ainda sonolento as escadas atrás delas.

- ACOOOORDA, CINDERELA! - abriu a porta do quarto de Dougie gritando. Dougie acordou e lançou um olhar de "eu vou te matar" para .
- Hã? - olhou confusa para a amiga. - Bela Adormecida, não?
- Isso, essa mesma! - se sentou na ponta da cama de Dougie. - Bora Dougie, vocês tinham prometido que iam com a gente no supermercado comprar as coisas do pequenique, esqueceu?
- Nesse exato momento não lembro muito bem nem porque eu sou teu amigo. - Dougie olhava ainda com raiva para , que balançava a sua cama para o garoto acordar.
- Vai logo se arrumar. Eu a vamos estar lá embaixo. Não demora, Branca de Neve. - olhou para como se pedisse aprovação.
- Continua tentando, ... - falou debochada e viu estirar língua enquanto saiam do quarto do garoto. Assim que a porta se fechou, Dougie se levantou e foi se arrumar, com Danny se arrumando no quarto ao lado. Quando os dois finalmente desceram, e estavam jogando FIFA no X-Box do garoto.
- HAHA, TRÊS A ZERO. uhuul - comemorava com o terceiro gol das duas contra o computador. - Eu acho que a gente devia participar daqueles campeonatos mundiais de video game que nem naquele filme...
- The Wizard? - Dougie falou, entrando na sala.
- ISSO! Aposto que a gente ganhava milhões. - comentou enquanto os outros riam.

Chegaram no supermercado 24 horas às oito. Já tinham arrumado uma parte da cesta com bolos e frutas e foram terminar de comprar as coisas no supermercado.
- Doougie! - Dougie, e ouviram uma voz gritar do outro lado do corredor.
- Diz que não é a Lola, diz que não é a Lola... - Dougie implorou desesperado para , que estava na sua frente. Se virou e deu de cara com Anne, uma garota que fazia aula de Geografia com ele e com Danny.
- Ah. Oi Anne! - Dougie cumprimentou a garota com uma certa empolgação porque ela não era a Lola.
- Oi, tudo bom? - ela falou com as outras duas garotas que estavam escolhendo o suco, destraídas.
- Tudo. - respondeu com um sorriso.
- Dougie, você viu o Danny? Eu tava querendo falar com ele. - Anne falou com uma voz meiga. ergueu os olhos do carrinho e encarou a garota com uma expressão nada a agradável. Anne não notou e continuou a esperar uma resposta de Dougie.
- Na verdade, não. Ele tava com a gente agorinha, mas deve ter ido pegar alguma coisa.
"Não fala que a gente vai para um piquenique, não fala que a gente vai para um piquenique" desejava em pensamento.
- A gente tá... - Dougie começou quando levou um pequeno soco nas costas dado por . - Fazendo as compras da semana. Mas você quer que eu dê algum recado para o Danny se você não encontrá-lo?
- Não, deixa. Depois eu ligo para ele. Obrigada. - a garota se despediu com o sorriso e foi ao encontro das amigas na sessão de cosméticos.
- Posso saber por que eu não podia falar, ? - Dougie encarava a amiga sem entender.
- Por nada, eu só não vou com a cara dela. E se eu a conheço bem, ela ia se oferecer pra ir junto.
- Ela parece ser legal. - comentou destraída com alguma coisa quando notou o olhar de sobre ela. - Er, nem tanto na verdade. - falou séria, tentando arrumar a situação.
Quando já estavam pagando, Danny apareceu com um monte de coisas doces num carrinho separado que ele tinha pego no caminho.
- E as formigas vão fazer a festa hoje. - falou enquanto os três viam Danny colocar no caixa montes de geléias e doces.
Terminaram de pagar e já estavam saindo do supermercado quando lembrou de pegar algo e voltou lá pra dentro.
- Sabe quem a gente encontrou agora, Danny? - Dougie perguntou, enquanto os três se sentavam num banco com as compras.
- Quem? - Danny perguntou, curioso.
- Anne.
- Sério? Cara, ela é muito linda. O que ela queria? - Danny perguntou, interessado. Enquanto isso, apenas escutava a conversa, "concentrada" no saco de jujubas que haviam comprado.
- Ah, sei lá. Ela disse que depois te ligava. Eu acho que ela tá interessada em alguém... - Dougie ia falando quando ouviram um barulho de algo se rasgando de repente e viram um monte de jujubas caídas no chão.
- Descontando alguma coisa no saco de jujubas, é ? - Danny brincou com a garota.
- Posso fazer nada se fabricam esses sacos pra ninguém conseguir abrir. - a garota respondeu com raiva.
- Tá, desculpa. - Danny respondeu na defensiva, erguendo os braços.

No caminho, passaram para pegar em casa e foram para o parque, no local combinado. Harry, , Tom e James e já estavam em volta de uma toalha com comida conversando.
- Chegaram cedo, hã? - comentou irônica quando viu os outros cinco chegando com duas cestas.
- A senhorita aqui que demora duas horas pra descer. - falou.
- Teria sido mais rápido se vocês não tivessem chegado com uma hora de atraso.
- Ei, o que foi isso no teu pé, ? - perguntou, preocupada. A garota havia chegado mancando.
- Nada demais, eu chutei a porta do banheiro. Tá doendo um pouco, mas tenho certeza que depois vai passar.
Espalharam tudo que haviam comprado e preparado em casa e a maioria deles já estava no terceiro pedaço de bolo quando Dougie teve uma idéia.
- Ei, vocês querem jogar Verdade ou Consequência?
- A gente tá em que ano, Dougie, na segunda série? - comentou, impaciente.
- Ai, vai estilar, é ? - Tom aperriou a garota.
- Não, por mim eu jogo. - falou, pegando uma das Havaianas de e colocando no centro do círculo. - Quem começa?
- Eu começo. - se dirigiu ao centro do círculo e girou a sandália. Quando a sandália parou, apontava pra . - Verdade ou conseqüencia, ?
- Verdade.
- Que pessoal sem graça. - Danny comentou.
- Shh, Danny. , como você se sente uma semana sem o Guilherme?
- De verdade? - perguntou enquanto pensava numa resposta. - Normal. Não que ele não faça falta, - ela acrescentou rapidamente - mas ele tava meio grude, sei lá. Um tempo separados vai fazer bem para a gente. E não é um ano, é só uma semana.
Institivamente, James sorriu um pouco quando ouviu a resposta da garota, mas ninguém notou.
- Ok. , tua vez.
A garota girou a sandália e dessa vez ela apontou para Dougie.
- Dougie, verdade ou conseqüencia?
- Verdade.
- Qual foi a melhor coisa que aconteceu pra você nas últimas semanas?
- Que fácil. Conhecer e ficar mais amigo de vocês cinco. - e apontou para as garotas. Ela soltaram um "oooown" coletivo e abraçaram o garoto, praticamente derrubando-o para trás.
- Nossa, que pessoal dramático. - Tom comentou, vendo Dougie cair do seu lado. Dougie se levantou e girou a sandália.
- , verdade ou conseqüencia?
- Verdade.
- Qual dos integrantes da banda é o mais lindo? - Dougie falou, fingindo estar convencido de que era ele mesmo.
- O empresário conta? - perguntou, rindo. James fez a menção de falar algo, mas interrompeu. - Você é um grande concorrente, James, mas depois da visão do Jones só de boxers hoje eu acho que voto nele. - , um pouco vermelha, respondeu rindo, fazendo com que todos fizessem o mesmo.
- É a vida... - Danny se dirigiu com um ar de "eu sou superior e não posso fazer nada" para os outros quatro.
- É, vai sonhando, Jones.
- , verdade ou conseqüencia? - perguntou depois de ter girado a sandália.
- Conseqüencia.
- Hm... Sabe aquele grupo ali? - e apontou para um grupo de garotos conversando sobre algum esporte. - Vai lá e consegue o telefone de algum deles.
- Quê?
- Você ouviu muito bem. O desafio é conseguir o telefone de um deles.
- Tá certo. - a garota falou e se levantou sem pensar duas vezes. Se dirigiu ao grupo de garotos tentando andar sem mancar e conversava algo com o mais atraente deles.
- Eu achava que ela não ia querer fazer... - comentou, impressionada.
- Depois desse chute dela na porta eu não duvido nada. - Danny falou, cheio de certeza.
- Hã? Qual é a lógica disso, Jones?
- Isso deixou ela mais confiante.
- É, tudo a ver... - falou irônica e Danny sorriu, sem entender a ironia. Harry, que observava de longe a conversa de com um dos garotos, viu um deles colocar uma mecha do cabelo dela para trás da sua orelha e sentiu uma pontada de ciúmes, involuntariamente. Tentou se concentrar de volta na conversa idiota de Danny e . Alguns minutos depois, voltou e jogou o papel com o número de telefone no colo de .
- Satisfeita? Minha vez de perguntar agora.
Jogaram quase uma hora de Verdade ou Conseqüencia, com tendo que colocar a mão no lixeiro e Harry e Dougie entrando de roupa e na fonte central.
- Saaaaai daqui, Poynter! Pára, vai me molhar! - "corria" de Dougie que tentava abraçá-la com a intenção de molhá-la. Na verdade, tudo que ela conseguia fazer era mancar rapidamente.
- Ah , me poupe. - Harry, impaciente, pegou a garota nos braços e a levou para o banco mais próximo, sentando-se junto dela.
- Ótimo, fugindo de Dougie e você me molha, Harry. - a garota falou, enxugando os braços.
- Tá, desculpa. - Harry falou baixo.
- Ah, é não. - a garota sorriu olhando para ele - Obrigada por ter me salvado do Poynter, Harry. - falou brincando e abraçou o garoto, o que ela se arrependeu de ter feito quando lembrou como o garoto estava ensopado.
- Por nada. - o garoto falou rindo de que tinha o soltado rapidamente e agora tentava se enxugar novamente. - Mas sério, isso no seu pé deve ser algo pior do que você imagina.
- Já falei que não é, quantas vezes mais vocês vão ficar repetindo isso?
- Até você dar um jeito de fazer isso parar de doer.
- E quem disse que tá doendo?
- Você estaria mancando se não estivesse?
- Tá, tá doendo um pouquinho só.
- Se amanhã ainda estiver assim, promete que vai no médico?
- Harry, não vai estar assim.
- Promete?
- Tá, prometo. - a garota respondeu, notando que não ia convencê-lo nem tão cedo.

Capítulo 8

acabou voltando mais cedo pra casa do treino de patinação, já que não estava saindo nada que prestasse por conta do seu pé. Ela, com muito esforço, conseguiu colocar os patins, mas a dor era incrivelmente grande e ela acabou indo mais cedo pra casa, falando que não tinha dormido bem noite passada e que estava desconcentrada demais. A desculpa não agradou a treinadora, mas foi a melhor que ela conseguiu inventar na hora. Domingo foi o dia dedicado aos trabalhos, por parte das garotas. Por mais que algumas não se importassem tanto nem precisassem de tanto de nota, elas preferiam fazer todos os deveres e depois, ficando de recuperação no final do ano, pelo menos tinham a sensação de que tinham feito o que podiam. E era uma forma de fazer com que os pais não enchessem tanto o saco delas com relação aos estudos. e se reuniram na casa de para fazerem o trabalho de Redação; uma reportagem sobre qualquer coisa que as interessasse. Na segunda feira, chegou no colégio ainda mancando e as amigas praticamente a arrastaram do colégio direto para o médico, para saber o que tinha acontecido. No final das contas, não tinha sido nada demais (o que fez falar "o que eu foi que eu disse?" para todo mundo), mas a garota iria ter que tomar anti-inflamatório e ficar colocando gelo no pé por uns cinco dias.

- Vamos pra o pier hoje?
- Danny, que idéia. A gente tá no meio do inverno, qual é a graça de ir pra o pier da praia?
- Vaaamos, vai. Eu gostei da idéia, . - falou empolgada, se virando para a amiga.
- Tá, por mim, tudo bem. Mas a gente vai congelar lá, vai estar com muito vento e...
- Pára de estragar a idéia, vamos logo. - falou por fim, puxando e para a saída da escola. Encontraram com Tom e Harry no meio do caminho e acabaram indo todos os nove para o pier, levando de quebra o violão de Tom e o de Danny. James estava na Educação Física, também conhecida como "a tortura", uma vez que ele tinha resolvido aparecer na aula, pra variar. Tocaram e cantaram músicas de todos os anos, mas deram prioridade aos Beatles, ídolos da maioria deles, mas principalmente de e .
- , você canta muito! - Tom falou impressionado no final de uma das músicas dos Beatles que sabia de cor.
- Canto nada. - falou, olhando pra baixo.
- Nem vem, canta sim. A gente vive dizendo isso pra ela, mas ela não acredita. - falou. - Vocês precisam ver a imitação dela de Christina Aguilera. - completou e todos riram.
- E vocês têm escrito alguma coisa para a banda, Tom? - perguntou, praticamente congelando de frio. Apesar de não estar nevando esses dias em Stafford, a ventania no pier era muito forte e eles tinham a sensação de que estava mais frio ainda.
- Na verdade não. Bom, a gente tem umas músicas sim, mas temos que ensaiar e arrumar umas coisas ainda... A gente vai se apresentar naquele festival que vai ter no colégio.
- SÉRIO? E POR QUE VOCÊS NÃO TINHAM FALADO AINDA? - perguntou, empolgada.
- A gente ainda não tinha certeza. Mas tá quase certo que a gente vai tocar sim.
- A gente pode escolher as músicas? - pediu, com os olhos brilhando.
- Se você e a escolherem, só vai sair Beatles. - Harry brincou com as duas. e , na mesma hora, estiraram língua para o garoto.
- Não impliquem com as fanáticas. - terminou.
Enquanto isso, Danny e Dougie conversavam alguma coisa na ponte do pier, longe dos amigos que agora discutiam sobre os Beatles e outras influências dos anos 60.
- E a Anne, falasse com ela? - Dougie perguntou, enquanto os dois encaravam o mar violento daquele fim de tarde.
- Ela me ligou há uns dois dias. Aliás, como ela conseguiu meu telefone?
- Nem olha pra mim, ela deve ter suas fontes. - Dougie brincou. - E o que ela queria?
- Ah, nada demais, sabe? Eu acho que ela tá dando em cima de mim. - Danny falou, pensativo.
- Acha? Danny, tá na cara que ela tá dando em cima de você.
- Hm, sei lá... Ela é muito gata e tudo mais, mas na verdade eu meio que to em outra.