e eram amigas desde pequenas. Tinham estudado na mesma escola desde que se entendiam por gente e sempre tinham se dado bem, mas não tanto como quando entraram no colégio de , e . Era um colégio privado, o melhor de Stafford. Praticamente todo mundo sonhava em poder estudar lá, ou colocar os seus filhos para estudarem no mesmo. Ao mesmo tempo, exigia bastante dos alunos. O estudo era algo muito importante e era muito fácil repetir na Weston Road High School, como aconteceu com na quarta série. Mas mesmo com toda a exigência que era imposta nos alunos, todo mundo arrumava tempo para fazer festas e sair todo fim de semana.
Todos tinham esperado ansiosamente pela festa da Lola. Era a primeira grande festa depois das férias de Natal; as provas tinham terminado na sexta de manhã e todo mundo queria se divertir um pouco pra esquecer das notas baixas que estavam prestes a sair.
- Que porcaria de festa. - reclamou, se largando na cadeira mais próxima.
- Eu juro que se eu dirigisse eu saia daqui. - deu uma indireta pra ver se , a única com carro, a levava pra casa.
- Nem vem, eu tô gostando. - disse .
- Ei gente, cadê a ? Ela não foi dançar de novo não, né? - perguntou Emma, procurando a amiga com os olhos.
- Não, acho que ela foi pegar algo pra beber. - falou. - , vem cá. Se anima. - disse, puxando a amiga pela mão pra longe da mesa, perto da pista de dança.
Enquanto isso, do outro lado do salão, Danny, Harry e Tom riam de um Dougie desesperado fugindo da dona da festa, uma menina obcecada por ele desde o primeiro ano. "Ótimo, vou ter que passar o resto da festa me escondendo dessa doida. Eita, aquela ali não é a ?" Dougie avistou a sua vizinha conversando com alguém que estava de costas.
- Dougie... - o garoto reconheceu aquela voz esganiçada chamando pelo seu nome.
Sem pensar, foi em direção à e colocou o braço esquerdo em volta dos ombros da garota com quem ela conversava. olhou com uma cara de "Hã? Alguém me explica o que tá acontecendo?"
- Dougie? - perguntou meio receosa.
- Shhhh. - Dougie olhou com uma cara de desespero para as duas.
- Tá... - falou baixinho.
- Dougie! - a voz chamou novamente, agora se aproximando. - Venha dançar comigo. Você não vai fazer essa desfeita com a dona da festa, né?
- Vou, Lola. - ele respondeu baixinho com receio. Se virou e falou alto, agora para que Lola ouvisse. - Er... Na verdade agora eu to meio ocupado conversando com a e a...
- . - falou baixinho, atrás dele.
- . - Dougie repetiu pra Lola.
- Ah, tudo bem. Mais tarde a gente se fala, né? - Lola falou esperançosa, dando uma piscadela exagerada para ele e se afastando.
Dougie ia começar a se explicar, quando Tom chegou.
- Oi gatinho. - Tom falou imitando a voz "sutil" de Lola.
- Haha, muito engraçado. - Dougie falou, sem conseguir deixar de rir junto com outros. Enquanto isso, Harry chega com um Danny rindo escandalosamente, atraindo a atenção das outras garotas e de outras pessoas que olhavam desconfiadas para o grupo que ia se formando.
- Alguém pode me informar o que tá acontecendo aqui? - Emma, abusada, chegou junto de e .
- Não faço nem idéia. - falou, meio confusa, olhando de lado para Dougie que ainda estava com o braço envolta dela. Dougie nota e, envorganhado, tira o braço o mais rápido possível.
- Desculpa, é que a Lola é meio...
- Obcecada por ele. - Harry completou.
- Hm, tudo bem. - falou, achando graça naquilo tudo.
- Ei Dougie, aquela não é a sua vizinha? - Danny apontou nada discretamente para , fazendo com que a menina levantasse uma sobrencelha como se dissesse "Sim, eu estou bem na sua frente". Harry notou a atitude da garota e riu para si mesmo.
- É, eu me mudei há um mês pra frente da casa do Dougie...
- Mas a gente ainda não se conhece muito bem. - completou o garoto. - Bom, esses são Danny, Tom e Harry.
- Essas são a , , e Emma. - falou apontando para as amigas.
- Alguém mais tá achando essa festa um saco ou só eu? - disse Emma, entediada.
Os nove passaram o resto da festa em volta das duas mesas que eles juntaram conversando e rindo bastante. Definitivamente a festa ficou mais divertida. Por duas ou três vezes Dougie colocou o seu braço em volta da cadeira de , que ficava meio envergonhada, quando notava que Lola estava se aproximando.
Já eram 08h40 da segunda-feira e ainda estava saindo de casa, enquanto sua primeira aula do dia já tinha começado a dez minutos. Ela e suas amigas tinham o costume de se encontrar perto da entrada do colégio todas as manhãs, já que não assistiam quase nenhuma aula todas juntas. O problema é que nem nem eram muito pontuais e muitas vezes acabavam só encontrando com todas no intervalo do almoço.
- , dá pra chegar cedo um dia na sua vida? - reclamou enquanto praticamente engolia o seu almoço.
- Olha quem fala, dona. - respondeu.
- Hoje eu cheguei cedo, tá? A gente tinha combinado. - falou , fingindo estar muito ofendida.
- Nem tanto, você chegou em cima da hora. - falou baixinho.
- Pelo menos eu cheguei na hora. - disse, orgulhosa de si mesma.
- É, pelo menos hoje. - fez, recebendo um olhar irritado de .
Emma chegou e se juntou as outras quatro na mesa do refeitório para terminar de combinar a pequena festa que dariam para quando ela voltasse do intercâmbio do Brasil. era a irmã gêmea de Emma.
- ... E ai vocês vão lá para casa para a comemoração com a família...
- Ok, Em, a gente já entendeu! – às vezes se irritava com essa mania de Emma de ter tudo perfeitamente acertado todas as vezes.
- Mesmo? Não venham me falar depois que não dá pra ir porque tem compromisso, viu? – Emma falou pras meninas.
- AHAM! – e responderam.
- Não esqueçam, sexta a noite! Agora quem vem comigo falar com Arlete sobre a matrícula da ? - Emma pediu praticamente implorando para que uma delas quisesse ir com ela.
- Tá, eu vou. - disse , se levantando.
- Com licença Sra. Hudson, a gente pode entrar?
- Claro Srta. . O que desejam?
- Bom, não sei se você sabe, mas a minha irmã, a , vai chegar sexta de tarde do intercâmbio do Brasil e minha mãe pediu para eu conferir se tava tudo certo com a matrícula dela, para ela poder já começar na segunda. Ela já perdeu duas semanas desde as férias de Natal e minha mãe não quer que ela perca mais aulas. – disse Emma, tentando explicar tudo direitinho. Tinha sérias dúvidas sobre a capacidade de Arlete de absorver informações.
- Sim Srta. , eu vou providenciar todos os documentos e falo com você na quarta. É, acho que dois dias serão suficientes.
- Obrigada Sra. Hudson. – Emma deu um sorriso esperando que a coordenadora não percebesse que era altamente falso.
- Odeio François! Você viu que ele não queria receber o meu trabalho? – reclamava do professor para enquanto andavam até o portão do colégio no final do dia. – Eu passei uma tarde fazendo aquela porcaria. Se eu não gostasse tanto de francês eu juro que saia da aula dele.
- Ele é mesmo um idiota – falou Tom, que havia chegado sem ser percebido pelas duas amigas.
- E você já teve alguma aula com ele? - perguntou se virando rapidamente, sabendo que ele nunca tinha tido uma aula de francês; ela fazia francês desde que entrara no colégio.
- Eu ouvi falar. - Tom respondeu com cara de esperto.
- Ah, tá bom. - falou, rindo.
Harry, Danny e Dougie chegaram depois, conversando sobre o novo filme dos Simpsons.
- Tá gente, eu tenho que ir. Minha mãe tá me esperando para irmos resolver uns detalhes lá de casa. - falou , se despedindo dos outros.
- Ah, eu vou contigo. - Dougie falou, se apressando para alcançar a garota que já estava indo em direção a saída do colégio.
- Então, você tá gostando de morar aqui? - Dougie perguntou, tentando puxar assunto.
- Dougie, eu já morava aqui... Só mudei de rua.- falou, meio que rindo da tentativa do garoto.
- Er... Lugar bacana Stafford, né?
- É...
Os dois ficaram alguns segundos em silêncio, se entreolharam e começaram a rir da situação.
- Quanto assunto a gente tem, não? - pergunta, ainda rindo.
- Pois é, muito. - Disse Dougie rindo.
- Mas sério, me explica essa história da Lola direito. Ela parece ser meio, er, estranha...
e Dougie conversaram até chegarem em casa, o que pareceu acontecer rapidamente de tão interessante que a conversa se tornou.
Capítulo 2
Já era quarta-feira à tarde e estava em casa. Finalmente, só mais dois dias e sua melhor amiga estaria ali com ela. e Emma eram suas vizinhas desde que nasceram e sempre foi mil vezes mais ligada à do que à sua irmã, principalmente depois que repetiu e ficou na mesma sala que ... Não que fizesse diferença com relação a idade, já que hoje em dia Emma é um ano adiantada no colégio para a idade dela; os pais das duas colocaram-nas mais novas na escola. havia se interessado pela língua portuguesa por conta de , cujos avós eram portugueses, de forma que ela falava o idioma fluentemente e gostava de ensinar as palavras para . Um dos melhores passatempos das duas era andar pelas ruas de Stafford falando das pessoas em português com um grande sorriso estampado na cara! Ela ia se lembrando de tudo isso rindo sozinha em seu quarto, olhando as milhares de fotos que tinha com aquela garota. Ela estava tão longe! Quantas saudades que sentia da sua amiga. Tinha tanta coisa pra contar. Seis meses não é pouca coisa, queria contar tudo sobre o seu novo namorado e os últimos acontecimentos da cidade. Todas as festas que tinham ido, o que tinha acontecido em cada uma delas. Claro que já sabia de grande parte, afinal MSN existia pra isso. Mas já fazia quase três semanas desde que as aulas haviam começado e ela não falava com a menina. Pensando nisso, ela se lembrou dos garotos que tinham conhecido no sábado.
- Harry, Danny, Dougie e o Tom. – ela ia contando nos dedos enquanto tentava se lembrar do nome de todos. Mas não achava que faria grande diferença, já que mal havia falado com os garotos desde então. Só dois ou três acenos de cabeça no corredor e em alguma aula em comum. Ela achou uma pena. Aquele tal de Danny parecia ser bem legal e fofo com aquela risada engraçada.
- ! Em que você está pensando? Você tem namorado! – se repreendeu. – E gosta muito dele. – complementou dando um beijo, com um sorrisinho nos lábios, na foto que tinha com Guilherme no porta-retrato em cima do criado-mudo.
Na casa vizinha, a mãe de falava com a outra filha sobre o que tinha pedido para que ela resolvesse. A Emma não podia ajudar em só uma coisinha? Ela já estava cheia de coisas para fazer com a volta de .
- Emma, eu não lhe pedi pra falar com a coordenação sobre a matrícula da sua irmã? Como até agora você não me deu nenhuma resposta?
- Mãe, eu já falei com Arlete, mas até agora ela não me respondeu nada! – se defendeu. – Eu vou tentar de novo amanhã! É o jeito.
O telefone tocou.
- Emma, telefone pra você!
- Brigada Magali! Alô?
- Emma? aqui.
- Oi !
- Só pra marcar como a gente vai fazer pra pegar a depois de amanhã. A e a tão aqui querendo saber também! – disse, do outro lado da linha.
- Ah sim. O vôo tá marcado pra chegar 15h30. Tudo bem pra vocês? – Emma perguntou. Ouviu passar o recado para as outras duas, um comentário de e o que parecia ser uma reclamação, vinda da parte de .
- Tudo certo. Vou falar com a pra ir com a gente no meu carro, acho que não vai caber todo mundo no teu. Beijos, Em! Até amanhã no colégio!
O dia seguinte seria como qualquer outra quinta-feira, se e não acabassem encontrando com Danny, Harry e Dougie quando foram fazer as inscrições pra Educação Física.
- Eu acho um saco isso de ter que vir um dia depois do horário pro colégio pra fazer essa inscrição! – comentou , irritada.
- Ah, mas pelo menos a gente pode escolher o esporte que vai fazer! – tentou conformar a amiga.
- Nem vem, eu vou ter que ficar naquela porcaria de ginástica localizada, porque é o único horário que eu posso. Como eu quero que comecem logo as audições pro grupo de dança contemporânea... Só assim eu me livro desse castigo. – não tinha jeito. Ela realmente odiava aquilo.
- Não sabia que você dançava. – disse Danny, demonstrando interesse por .
- Ah, oi Jones. Danço sim. - respondeu sorrindo. - E a faz patinação no gelo com a . Já a treina tênis desde de pequena.
- Mas mesmo assim elas duas vão ter que escolher um esporte pra fazer pelo colégio. Eu vou ficar na aula de futebol mesmo. – corrigiu a amiga. - E vocês, vão fazer o quê?
- Não sabemos, talvez só dizer que não podemos fazer esportes e inventar uma desculpa qualquer pro diretor. - Dougie deu de ombros.
- Que bom saber que vocês não são nada sedentários! – brincou .
- Ei, eu gosto de praticar esportes sim! – Harry defendeu-se. – Acho que vou acabar parando na aula de futebol também, .
- Bom, pelo menos eu vou conhecer alguém, mesmo que a gente não vá jogar juntos nunca, né Harry?
- Por que não? - perguntou Harry levantando a sobrancelha e sorrindo para umas garotas do primeiro ano que estavam passando por eles, fazendo-as ficarem vermelhas.
- Ah, uma dica, Judd: eu vou jogar com as garotas!
- E quem disse que eu não sou uma? – Harry falou, fazendo todos rirem.
Na sexta, eles acabaram se encontrando na hora do almoço, como tinha acontecido "coincidentemente" a semana toda; ou os meninos davam um jeito de encontrar com elas ou as garotas ficavam procurando-os discretamente, mesmo que não assumissem isso entre si. O fato era que eles gostavam muito da companhia uns dos outros durante a semana toda, inclusive nas suas aulas em comum. Eles apenas conversavam coisas sem sentido e engraçadas. Riam bastante também. Finalmente, tinha chegado o final das aulas da sexta e todos tinham se encontrado na saída, com a exceção da Em que já havia ido para casa. Harry, Dougie, Tom e James (um amigo dos garotos que tinha sido apresentado a elas no dia anterior) estavam concentrados debatendo se Danny caberia no lixeiro do pátio fazendo com que e rissem da discussão inútil que estavam presenciando. Enquanto e estavam sentadas do outro lado do pátio, conversando, até que notou que a amiga parecia não estar mais prestando atenção no que ela dizia.
- , tudo bem? – perguntou.
- Hã? Oi, tudo sim, . Sem problemas. – respondeu, dando um sorriso.
Mas, na verdade, não estava bem. Tudo em que ela pensava era na sua amiga que chegaria em algumas horas. Será que ela estaria muito diferente? Quem sabia como estava? Todos diziam que, quando se faz intercâmbio a pessoa amadurece, a Emma mesmo, que tinha ido pro Chile no ano anterior, era a prova viva disso. Além do que, fora obrigada a ficar em uma turma com pessoas mais velhas no Brasil. E se ela tivesse gostado de andar com elas? E se quando voltasse ela ficasse que nem a Emma? Apesar de ter as mesma idade das outras, as gêmeas tinham entrado mais cedo no colégio e deveriam estar juntas no terceiro ano, se não tivesse perdido a quarta série. Será que iria perder sua melhor amiga? fez menção de falar algo, mas foi interrompida por James que tinha se aproximado das duas depois de concluirem que, infelizmente, Danny não caberia no lixeiro.
- Hoje é sexta-feira, vamos fazer alguma coisa de tarde? – James perguntou para e .
- Na verdade, nós e as garotas já temos um compromisso... – respondeu logo. Não sabia o que poderia sair da boca da amiga se esta achasse que James estava chamando com segundas intenções. Afinal, namorava com Guilherme e não gostava quando as pessoas, mesmo sem saber disso, a chamavam para sair. – A gente pode combinar para outro dia, ok, Bourne?
Capítulo 3
, , e estavam esperando o avião de já fazia quase uma hora. Emma não tinha ido com elas; iria com a sua família depois. As quatro já tinham perdido a paciência e já não estavam nem aí para as pessoas que passavam e olhavam estranho para elas sentadas no chão do aeroporto, fazendo listas, lendo revistas e selecionando na câmera as fotos que tinham ficado boas das várias que elas já tinham tirado nesse meio tempo.
- O vôo estava previsto para as 15h30 mesmo? Já são mais de 16h. - perguntou, impaciente. Elas tinham ido para lá assim que largaram do colégio, as 15h00 .
- Acho que é isso mesmo. Pelo menos foi o que a Emma disse. Aliás, cadê a Em?
- Pera , vou ligar pra ela... - falou, pegando o celular na bolsa que estava do seu lado, no chão.
- Alô, Em? Cadê você? A gente tá aqui há uma hora e meia...
- Uma hora, . - falou baixinho. fez um sinal de "silêncio" pra ela e continuou. - O avião atrasou muito pelo visto, mas já deve estar chegando.
- Hã? Por que vocês chegaram tão cedo? O avião só chega daqui há uns 20 minutos. Nós já estamos a caminho. - Emma falou, do outro lado da linha.
- 20 minutos? - saiu andando em busca de um das telas com os horários dos vôos e notou que o vôo chegando de "São Paulo, Brasil" estava previsto para as 16h30 - Ah, legal. - falou irônica ainda encarando a tela - Você nos falou 15h30, Emma.
- Não, eu falei 16h30. Vocês devem ter entendido errado...
, que tinha seguido até onde ela estava, puxa o telefone do ouvido da amiga.
- Não, você falou 15h30, eu tenho CER-TE-ZA. - enfatizou a última palavra. - A gente veio aqui direto do colégio pra não perder a hora e você vem me dizer que a gente entendeu errado?
puxou o celular da mão de e voltou a falar com a amiga.
- Esquece isso Em, a tá só ansiosa pela volta de . Vê se chega logo, a gente tá junto daquela banca de revistas que a vem toda semana.
- É o único local que vende os posters gigantes de Backstreet Boys. Já visse aquele em cima da minha cama, que lindo? - gritou para que a amiga escutasse do outro lado da linha.
- Beijos, Em. - falou, sem dar importância ao comentário de .
- O que foi? – as outras perguntaram quando voltou para o amontoado das garotas sentadas no chão.
- Acontece que a senhorita Emma falou o horário errado pra gente! O vôo da só chega daqui a 20 minutos. Mais o tempo de desembarque, e pegar as bagagens... Ou seja, umas 16h45, 17h00 ela aparece por aqui!
- Ou seja, a gente veio de farda pra nada! – estava indignada. – Eu mereço! Matei um hoje!
- Ah , pára de reclamar. Pelo menos a gente num teve que ficar três horas na frente do espelho se arrumando e escolhendo uma roupa! Muito mais prático só vir de farda.
- , nem vem. Quem não consegue escolher roupa aqui é você. Eu odeio ficar de farda! E odeio mais ainda quando tem gente com a mesma roupa que eu.
- Ah , você é muito fresca! – brincou .
- Gente, hoje é dia de alegria! A tá chegaaando! - disse , tentando melhorar a situação.
- ONDE? ONDE? - perguntou virando a cabeça de um lado para o outro, aflita.
Todas as outras riram da cara da amiga.
- lesona, respira! - deu um pedala na amiga.
Como previsto, Emma e o resto da família de (mãe, pai e alguns primos mais chegados) chegaram 20 minutos depois e todos ficaram juntos esperando a volta de . A mãe das gêmeas estava uma emoção só; isso a lembrava um ano antes, quando Emma estava voltando do seu intercâmbio do Chile. O pai das duas era mais fechado e podia não estar demonstrando, mas o conhecia bem para notar que ele esperava aquele momento há um bom tempo.
- !!! - as quatro amigas e a irmã gritaram ao mesmo tempo quando viram uma de bermuda, uma camiseta de alça e Havaianas com três malas imensas no carrinho, mal conseguindo empurrá-lo.
, , e saíram correndo e pularam em cima da amiga, sendo seguidas por uma Emma emocionada pra completar o montinho.
- Eu mal chego e já querem me matar... Como vocês me amam! - falou pra amigas que a abraçavam.
- , querida! - a mãe de foi falar a filha com lágrimas nos olhos.
Depois de muita festa no aeroporto, todos se empilham nos três carros e foram rumo a casa dela, onde teria uma pequena comemoração para a família e as amigas mais próximas. Com relação a , ela continuava igual a Emma (não para as quatro; essas sabiam diferenciar as duas de costas, de cima, maquiadas de palhaço e com um lençol no rosto), só que loira! Sim, ela tinha descolorido o cabelo no Brasil. No começo foi um choque, ela tinha feito questão de não contar para ninguém nem enviar as fotos do Brasil desde que ela tinha pintado o cabelo, só pra poder ver a cara das amigas quando chegasse em casa.
- , você vai congelar! No Brasil pode ser verão, mas a gente tá em pleno Janeiro aqui! - comentou no meio das milhões de conversas sobre o Brasil e como tinha sido toda a experiência. Apesar de se falarem praticamente toda semana, ainda tinha que atualizar as amigas de muitas histórias.
- Se eu vou congelar? Eu já to congelando! Lá no Brasil eu não pegava menos do que 20ºC.
- Nossa, que lugar quente! Neve então, nem pensar? - comentou.
- Não... Tô sentindo falta disso.
- Por enquanto você não perdeu nada. Só tem frio, mas neve que é bom... - comentou . Ela adorava neve, gelo e coisas do tipo. Stafford podia não ter muitas coisas, mas uma coisa que ela tinha era um rinque de patinação no gelo, todos os dias do ano. e agradeciam por isso, afinal, desde pequenas gostavam de patinar e hoje em dia treinavam junto com uma equipe e estavam caminhando para o profissional. Apesar de não ser isso que elas queriam fazer para viver, adoravam demais patinar e pretendiam continuar até quando desse.
- Vô, vóó! – chegou correndo em casa e encontrou os avós, tios, tias e o resto dos primos. – Que saudades!
- Dia desse ela comentou que tava amando lá e não queria voltar. – comentou com baixinho enquanto falava com todo mundo.
As garotas acabaram indo tomar banho na casa dos , já que a casa de estava tão tumultuada, e voltaram para o jantar. Quando todos os parentes foram embora já eram mais de 22h00 e as garotas mal haviam conversado, afinal, sabiam que teriam muito tempo para isso quando fossem "dormir".
- Diz ai : o que foi que você mais sentiu falta, fora essas suas amigas MA-RA-VI-LHO-SAS aqui? - perguntou , já de pijama e sentada no seu colchão.
- Que amigas são essas? - fez rindo, o que lhe rendeu um belo travesseiro na cara jogado por . - Tá. Eu senti falta de... Aah! Poder sair andando sem me preocupar com hora, ou se alguém ia me assaltar, ou me sequestrar ou sei lá o que! Sério, minha família do Brasil só deixava eu ficar fora até as 18h00, que é a hora que escurece lá. Eu só ficava até mais tarde quando ia pra alguma festa com as minhas irmãs, ou pro cinema.
- E o que você mais vai sentir falta de lá? - saiu do banheiro perguntando.
- Ah, essa é fácil. BRIGADEIRO! - falou com os olhos brilhando, já se sentando na sua cama que dividiria com aquela noite. Que saudades que sentia da sua cama!
- Brigaoquê?- perguntou, sem entender. - O que diabos é isso?
- BRI-GA-DEI-RO. É um doce de chocolate MUITO bom que eles tem lá! E é bem fácil de fazer! - já estava se empolgando com a ideia.
- AH! Faz pra gente comer? - não queria nem saber se era brasileiro, italiano ou grego, falou em chocolate era com ela mesma.
- Não. Chocolate me enjoa. - era exatamente o oposto da amiga. Qualquer coisa que tivesse um pouco mais de chocolate que o seu leite da manhã ela não conseguia terminar.
- Para sorte de vocês eu consegui trazer algumas latinhas de leite condensado comigo. - ela já previa a cara de desentendida das amigas. - Leite condensado é o que você usa pra fazer o brigadeiro. Não tem aqui.
Todas logo foram pra cozinha e ficaram olhando preparar o tal do Brigadeiro. Tentando fazer o mínimo de barulho possível (o que era muito difícil para e , que batiam na quina da mesa e derrubavam talheres o tempo todo), elas comeram o doce e gostaram muito. Até , que foi praticamente obrigada a comer pelo menos uma colher, teve que admitir que era bom. Depois voltaram para o quarto onde ficaram falando sobre a viagem de e a vida em Stafford enquanto ela estava no Brasil até cairem no sono, o que só aconteceu de 4h00 da manhã, quando uma sonolenta (e abusada) falou que ia dormir porque o sol já ia nascer.
Ainda era 10h30 quando o telefone da casa de começou a tocar acordando , que tinha o sono mais leve de todas. Tentou voltar a dormir, mas não conseguia. Foi até a janela e abriu as cortinas, mal acreditando no que via. Pulou em cima da amiga com um sorriso maior que o rosto, batendo em .
- , sua boca grande! Olha o que você fez!
- Hã?! O que foi ? O que eu fiz? - a amiga perguntou, sonolenta.
- Gente olha. NEVE! - , que foi acordada por um acidental soco no braço de , praticamente gritou olhando pela janela.
A bagunça logo acordou e , de mal-humor, é claro. Não pensaram duas vezes e recolheram todos os casacos, luvas, gorros e cachecóis que tinham na casa e correram pro lado de fora. Pareciam cinco crianças brincando de fazer anjos e bonecos na neve. foi a primeira a jogar uma bola de neve em , que não gostou nem um pouco e tentou revidar (ela ficava um abuso quando acordava "cedo"). Só que com a sua ótima mira acertou em , que saiu correndo atrás da outra, atropelando o boneco que e tinham construido e começou a confusão. Elas passaram mais de uma hora naquela brincadeira, rindo mais do que tudo. No final, se jogou no chão morta de cansada, sendo alvo de um belo montinho das outras quatro.
- Na moral, vocês me odeiam. Querem me matar com todos esses montinhos. - Maria Eduarda falou, se levantando.
- Crianças - Emma saiu de casa - Bora, já são 2h da tarde! Tá na hora do almoço.
- Não tiiiiia, deixa a gente ficar aqui mais um pouco. - , a mais nova, fez voz de criança.
- Haha, comédia - falou Em olhando feio; odiava ser chamada de tia pelas amigas da irmã por ser um ano adiantada.
- É, vamos que eu tô com fome. - ia se levantando. Não tinha como levar montinhos na mesa.
- É a nossa , sempre com fome. Não mudou nada. - brincou, e ao ver dar as costas olhou para as amigas.
- . - a chamou de volta, e no mesmo instante em que ela virou, gritou "AGORA" e todas fizeram um novo montinho em .
- Saaaaco, gente! - ela tentou se fazer de irritada mas não conseguia. Começou a rir com todas as outras. Na verdade, achava impossível não rir quando estava com elas. Como tinha sentido saudades das amigas.
Como os últimos seis meses de tinham sido em um país tropical com muita cor, praia e sol, as garotas resolveram apresentá-la novamente a cidade agora coberta de neve, o que a deixava ainda mais bonita. Quando eram oito da noite, estava mais que um caco, de forma que todas voltaram para suas respectivas casas para descansar já que o dia seguinte seria passado dentro do shopping para as compras de "início de semestre", o que era tradição fazerem juntas, escolhendo muitas roupas, bolsas e sapatos.
estava andando pela sua rua quando ouviu seu celular tocar dentro da bolsa. "Ótimo, tá acabando a bateria" pensou alto, olhando para o visor e vendo que tinha algumas chamadas não atendidas. Identificou o número da sua mãe, de uma amiga do colégio chamada Claire e o número de Dougie. Decidiu passar na casa dele para ver o que queria, afinal, moravam um de frente para o outro. Chegou e viu pelas janelas que tinham muitas luzes acesas, apesar de os aposentos estarem vazios. "Ele é um menino bem preocupado com o meio ambiente e a conta de energia" pensou, irônica. Tocou a campainha três vezes mas ninguem atendeu. Desistiu e foi para casa. Estava morta e o dia seguinte seria longo.
Capítulo 4
O Domingo foi divertido para as cinco amigas. Pra falar a verdade, passear no shopping sempre era, mas elas nunca sabiam se o melhor era experimentar várias roupas ouvindo as vendedoras dizerem como elas ficavam bonitas em todas elas, ouvir reclamar e dizer que se recusa a experimentar um bilhão de roupas, os vendedores gatíssimos ou os garotos que passeavam, que eram ainda mais bonitos que os vendedores.
- Vamos embora agora! - não parava de reclamar. - Eu não entro em mais uma loja com vocês.
Ela realmente odiava shoppings e compras. Só saia com as amigas porque elas insistiam muito e seu guarda-roupa precisava ser renovado. Mas eram sempre elas quem escolhiam as roupas de de qualquer maneira.
- Chata. - estirou língua para a amiga. - Vamos para o cinema então? Eu sei que você não recusa assistir um filme, principalmente com caras bonitos.
- Você tá me tentando pra eu ficar mais tempo no shopping? - perguntou, com um sorriso.
- Eu? Imagiiiiina. Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer isso? - perguntou, virando os olhos e já puxando a amiga na direção do cinema.
Harry Potter 5 foi a escolha unânime. A sessão de cinema já tinha começado há uns cinco minutos, mas elas tinham que ver o filme uma segunda vez. era a única que não tinha assistido ainda, mas ela nem era tão fã assim.
- Corre, vem logo , ô lerdeza. - não podia perder um segundo do seu filme favorito.
- Eu vou comprar a pipoca com a . Vai entrando, . - falou meio irritada com as reclamações constantes da garota de como a fila da bilheteria estava grande e elas não iam conseguir chegar a tempo de ver o começo do filme.
, e entraram na sala de cinema lotada. Afinal, era domingo a tarde e em Stafford ninguém tinha nada melhor para fazer mesmo. Só conseguiram lugares na segunda fileira, na frente de um grupo de crianças supervisionadas apenas por uma adolescente um pouco mais nova que as garotas, que devia ser parente de algum deles e foi a vítima escolhida para levá-los ao cinema. e chegaram com pipoca, refrigerantes e bombons, mal conseguindo carregar tudo que tinham comprado.
- Tá com fome, hein? - comentou, zombando da quantidade de coisa que as duas tinham comprado.
- Se a gente comprar menos que isso não sobra nada para o resto de nós, . - respondeu, com um sorriso vitorioso.
As duas sentaram nas duas cadeiras da ponta e distribuiram os refrigerantes para as amigas.
- Vocês compraram aquela jujuba do ursinho? - perguntou.
- Se a gente não comprasse você ia fazer a gente voltar lá que eu sei. - falou, passando um saco cheio de ursinhos coloridos para .
- Ai! - falou baixinho, olhando para trás e vendo uma das crianças de trás se apoiando muito forte com a mão na cadeira dela e segurando um pedaço do seu cabelo junto. - Como esses pirralhos entraram aqui? O filme não tem censura não? - comentou com , lançando um olhar feio para a garota que estava cuidando das crianças, esperando que ela ouvisse o seu comentário.
- Ah , deixa de chatice e assiste o filme. - falou, sem tirar os olhos da tela.
- Porque não foi no seu cabelo...
- Shhh! - elas ouviram uma voz da fileira de trás. se virou para trás novamente e viu a "garota que cuida das crianças" olhando para elas com um olhar de reprovação por conta da conversa de com .
- E ainda vem reclamar... - bufou e sentou na cadeira direito para assistir o filme.
Lá para o meio do filme, já estava muito irritada com o garotinho da cadeira de trás. Era óbvio que ele não estava interessado no filme e ficava colocando os pés na cadeira dela, empurrando, se apoiando, colocando papéis nos buracos da cadeira da frente e todo tipo de pentelhice possível. Quando o garoto derramou um pouco da sua Coca em , foi a gota d'água.
- DÁ PRA CONTROLAR ESSAS PESTES, POR FAVOR? - se levantou da cadeira e se virou para a adolescente. - OBRIGADA! - E se jogou de volta na cadeira, com os braços cruzados.
O lanterninha que, da mesma forma que toda a sala de cinema, viu a cena, foi para junto das garotas e falou baixinho:
- Vocês poderiam fazer silêncio? O pessoal quer ver o filme. Ou eu vou ter que pedir para vocês se retirarem da sala?
- Não, a gente vai fazer silêncio. - respondeu , envergonhada.
Quando o lanterninha saiu, se virou para , que estava olhando fixamente para a tela com uma cara feia e obviamente não estava assistindo o filme realmente.
- Não é culpa minha, esses pestes ficam me chutando aqui. - falou emburrada, ainda olhando para a tela.
- Eu sei, eles ficam fazendo isso também em mim. - falou, compreensiva. Na verdade, ela achava que não precisava ter feito aquele ataque, mas era melhor não falar nada; ela já estava irritada demais.
Logo depois do filme, as cinco ainda estavam com fome, incrivelmente. Foram para a praça de alimentação e compraram um lanche.
- E aquele idiota ainda reclama comigo. Vocês viram que aqueles pentelhos não queriam ver o filme, porque gastaram dinheiro com o ingresso? E ele ficou me chutando o filme INTEIRO. Não custava nada aquela garota controlá-los... - reclamava para , que apenas ouvia e concordava com a cabeça, na verdade achando a situação toda muito engraçada.
e conversavam algo sobre o filme e apenas ouvia a comparação das duas entre os livros e os filmes de Harry Potter.
- Quem quer ir para o boliche? - perguntou empolgada, para ver se parava de reclamar um pouco do incidente do cinema.
- Ótima idéia! - respondeu igualmente empolgada. É, pelo visto tinha dado certo.
Chegaram no boliche e também estava lotado. Já esperavam há 15 minutos uma pista ficar livre quando avistou um grupo de adolescentes com um grupo ainda maior de crianças.
- Olha aquele pessoal naquelas duas pistas. Que egoísmo, metade deles não está nem jogando mesmo, podiam deixar uma pista livre.
olhou para onde apontava com a cabeça e viu as crianças que estavam sentadas atrás delas no cinema.
- Foram esses infelizes ai que tiraram a minha paciência no filme. - falou, irritada novamente. se arrependeu de não ter ficado com a boca calada, mas não tinha como ela reconhecer que eram as mesmas pessoas; quando assistia Harry Potter, o resto do mundo não existia pra ela. Além disso, era um grupo maior do que o do cinema. Pelo visto a "babá" tinha conseguido convencer uns amigos a irem para o boliche com ela cuidar das crianças. Quando, finalmente, uma pista ficou livre, as cinco foram pegar os sapatos do jogo e um dos garotinhos veio em direção ao grupo.
- Er... Me pediram para entregar isso pra essa moça. - o garotinho que não tinha mais do que cinco anos entregou um pedaço de papel mal cortado para com um número de celular. - Foi ele que mandou. - e apontou para um dos adolescentes da mesa com as crianças. lançou um olhar muito irritado para o garotinho, que voltou assustado para a mesa.
- Ai que coisa ridícula. E ainda manda o recado pelo garotinho. - olhou com desprezo o papel e o deixou em cima do balcão dos sapatos. , , e se dirigiram à pista indicada enquanto , que ficou um pouco para trás, olhou para o papel com um sorriso malicioso e o pegou rapidamente.
Com meia hora de jogo, estava ganhando, seguida no placar por e , que estavam praticamente empatadas, depois e, por último, . Era a vez de jogar e a garota se dirigiu a pista, enquanto e escolhiam, concentradas, os sucos que decidiram pedir.
- Eu achei que a não ia responder ao menino... - comentou com quando viu o papelzinho dobrado no canto da mesa.
- Na verdade... - começou, mas quando viu voltando para a mesa, escondeu o papel na mão. - Strike! - falou para a amiga, com um sorriso forçado. não notou e se juntou a na escolha dos sucos enquanto se dirigia a pista e falava num sussuro com . - Eu peguei o papel da ... Eu acho que a gente pode se divertir um pouco. - falou com uma cara de sapeca.
- O que você vai fazer, ? - perguntou num tom de desaprovação.
- Você vai ver. - respondeu enquanto digitava algo no celular. se inclinou e viu escrever "Oi, meu nome é . Eu tô na pista 14" e digitar o número escrito no papel.
- Não acredito que você vai fazer isso...
- Já fiz. - falou , com um sorriso idiota, depois de ter apertado "enviar".
- Que coisa de criança, . - comentou se levantando em direção a pista.
Alguns minutos depois, viu o garoto que tinha mandado o papel para se levantar e ir em direção à pista delas.
- , você respondeu àquele garoto que te mandou o telefone? - ela falou, olhando por trás do ombro da amiga.
- Não, por quê? - perguntou, confusa.
- Porque ele tá vindo pra cá agora.
- Mentira! Ah , vai ver ele tá indo para o banheiro... - se virou para olhar. - Não, ele tá vindo pra cá. Meu Deus, o que eu faço? - se virou de volta para a amiga.
- Não faz nada. Quando ele falar com você, você responde qualquer coisa pra dispensar ele.
- Oi . - o garoto, que estava acompanhado de um amigo, falou, olhando para as costas de .
- Diga. - falou sem paciência, enquanto se lenvantava, virando para os dois garotos. , que estava do outro lado da mesa, de frente para os garotos, apenas observou a cena.
- Eita, calma ai. Você quem mandou a mensagem! - ele disse, na defensiva.
- Eu não mandei mensagem nenhuma. - falou sem entender, olhando para , que apenas deu de ombros.
- ... - falou em tom de acusação, se virando para a amiga que estava incrivelmente interessada no guardanapo do prato de batatas fritas.
- Eu o quê? - perguntou com um sorrisinho. - Que eu saiba a daqui é você. - disse, olhando para .
- Eu não acredito que você fez isso, . Que coisa infantil. - falou. O garoto e seu amigo apenas olhavam para as três enquanto , já sem graça, se dirigia à pista de boliche.
- Hm, mas já que eu já estou aqui, a gente podia se conhecer.
- Er... É que, hm, eu... - começou.
- Ah, vamos, você não tem o que perder. - o garoto soltou uma piscadela exagerada. Podia ser bonitinho, mas depois dessa, perdeu todas as chances.
- Eu... Ei, peraí! - o garoto se aproximava de .
- NÃO DÁ PRA NOTAR QUE ELA NÃO TÁ INTERESSADA? - falou um pouco alto, já sem paciência com o garoto que insistia em conversar com . O garoto apenas olhou com uma cara de tacho para que agora estava na sua frente e se virou em direção a sua mesa.
- HAHAHAHA, boa . - ria da cena toda. - E você, hein , precisava disso?
- Um pouco de emoção num domingo não faz mal a ninguém. - falou, recebendo uma batata frita na testa, arremessada por que ainda sorria nervoso.
era quem estava de carro e já tinha deixado as amigas em suas respectivas casas. Infelizmente, no dia seguinte tinha aula. Chegou na frente da casa de , a última antes do seu destino final. se despediu da amiga e saiu do carro. Depois que o carro já tinha virado a esquina, a garota mexeu na bolsa em busca da chave de casa. Não estava achando. Procurou novamente, se sentando nos degraus da varanda e tirando tudo de dentro da bolsa. Não estavam lá. Lembrou, com raiva, que tinha deixado as chaves com o chaveiro do Bisonho em cima da sua mesa de estudos antes de sair e tinha esquecido completamente de pegá-las quando passou buzinando na sua casa e ela desceu apressada. Pegou, então, o celular e viu que ele continuava descarregado desde o dia anterior. "Nossa , tá esquecendo de tudo hoje!", pensou consigo mesma. Lembrou então do dia anterior e que Dougie tinha ligado para ela e ela ainda não sabia o que o garoto queria. Para falar a verdade, era a primeira vez que Dougie a ligava desde que todos trocaram telefones no colégio. Resolveu ir na casa da frente; de qualquer forma teria que esperar alguém chegar para entrar em casa. Os pais de não gostavam da idéia de deixar uma chave escondida em algum local na frente de casa. Segundo eles, já era muito comum fazer isso, então a chave não está escondida de verdade. Por isso e seu irmão mais velho, Matthew, sempre tinham que levar a chave de casa para onde fossem e, normalmente, Matthew eram que tinha que ligar pedindo-a para , não o contrário. Chegou na porta da casa da frente e tocou a campainha. Ninguém atendeu. Tocou novamente e Dougie apareceu na porta, de toalha.
- Er, desculpa Dougie. - falou envergonhada. - Não sabia que você não tava podendo atender a porta. Eu volto mais tarde. - a garota deu um pequeno aceno e ia se distanciando.
- Que nada , entra. Eu me troco num segundo.
- Ah, ok então. - entrou e se sentou no sofá da sala. Dougie voltou vestido com uma bermuda e uma camisa preta de Star Wars.
- Que eu saiba, o fã de Star Wars é o Tom. - a garota falou quando viu Dougie entrando na sala.
- Ei, eu também gosto muito, tá? - Dougie se fingiu de ofendido com o fato de a garota não saber que ele gostava dos filmes.
- Ah, tá bom então. - respondeu com um sorrisinho.
- Mas você não falou, porque você veio aqui?
- E agora a gente precisa de motivos para visitar os amigos?
Dougie a olhou com cara de quem não acreditava.
- Eu fiquei presa fora de casa. - a garota admitiu. - Mas ai eu lembrei do meu querido amigo Dougie e de como ontem ele tinha tentado entrar em contato comigo.
- É, eu e os garotos ligamos para vocês para ver se vocês queriam vir aqui para casa assistir o nosso ensaio. - Dougie começou.
- Ensaio de quê?
- Da peça que a gente vai fazer. Romeu e Julieta.
- Ah... - entrou na brincadeira. - E quem vai ser a Julieta?
- Queriam me empurrar para o papel, mas o Tom tem o dom. - Dougie falou, rindo.
- Eu sabia que ele era talentoso. - riu junto com o garoto. - Mas sério, ensaio de quê? - ela insistiu, curiosa.
- A gente tem uma banda, vocês não sabiam?
- Não, ninguém nos informou, sabe? - a garota comentou, irônica. - Eu sempre tive vontade de aprender a tocar alguma coisa. Você toca que instrumento?
- Baixo. O Harry toca bateria e o Tom e o Danny, guitarra. Eles são os dois vocalistas também, mas eu faço os vocais às vezes. - o garoto falava orgulhoso. - A gente faz muitos covers, mas também temos músicas só nossas já...
- Que legal! - falou empolgada. - Depois eu quero ouvir, tá?
- Um dia a gente te mostra. Ontem foi o nosso primeiro ensaio desde a volta as aulas.
- Ontem a noite eu passei aqui mas você não estava em casa. - a garota interrompeu.
- Tava sim... Eu acho que a gente não te ouviu. A gente costuma ensaiar aqui em casa, lá atrás. Tem um estúdio isolado acusticamente, para não incomodar esses vizinhos chatos que viviam reclamando...
olhou feio para o garoto.
- Os vizinhos que não são vocês, lógico. - Dougie falou, vendo estirar a língua. - Agora a gente sempre ensaia aqui mesmo, porque os vizinhos dos outros reclamam quando a gente vai pra lá também. Esses pessoal não sabe reconhecer pessoas com talento. - Dougie falou, fingindo indignação.
- É, também acho. - comentou, rindo. - E a sua mãe, não reclama dos ensaios?
- Ela viaja muito por conta do trabalho, ai isso acabou ajudando a escolher aqui em casa como o estúdio da gente.
e Dougie ficaram conversando por mais uma hora sobre bandas, filmes, professores do colégio e como Paris Hilton era ridícula até que ouviu um barulho de carro chegando na casa da frente.
- Acho que alguém chegou em casa. - ela falou, afastando a cortina da janela e vendo o carro do seu irmão estacionar na casa da frente. - Eu tenho que ir, Dougie... Não vá esquecer da promessa não, viu? - a garota falou se despedindo de Dougie e indo em direção a porta.
- Certo. Se vocês quiserem podem vir aqui quarta-feira, a gente vai ensaiar novamente.
chegou na frente de casa enquanto Matthew se dirigia a porta com, graças a Deus, uma chave na mão.
- Que demora foi essa, Matt? - falou para Matthew, que se virou e notou a presença da irmã mais nova pela primeira vez.
- Que demora, mãe? Eu falei que ia chegar agora. - o garoto falou, irônico. - O que você tá fazendo aqui fora, ?
- Eu, er, esquecidepegarachave... - falou rápido; odiava ter que admitir para o irmão que tinha feito alguma coisa de errado. Ela era sempre tão responsável.
- Olha, senhorita perfeição esqueceu a chave, foi? - Matthew debochou da irmã.
- Haha, abre logo essa porta. - lançou um olhar feio para Matthew.
Capítulo 5
chegou vitoriosa no colégio no dia seguinte. Ainda faltavam 10 minutos para começar a aula, praticamente um recorde, levando em conta que ela sempre entrava na sala no último minuto. Logo avistou e com um grande casaco e um gorro que escondia seu novo cabelo loiro. Ela realmente devia estar morrendo de frio, mesmo que não nevasse desde sábado. Tom se aproximou pelas costas das três amigas e abraçou por trás.
- Tá com tanto frio assim, é?
se virou e encarou o menino. Que história era essa de chegar dando abraço? Eles se conheciam? Melhor, quem era ele?
- Ahn... Foi mal, mas... Quem é você mesmo? - a garota perguntou com um ar confuso.
- Quê? Ficou doida? Alô. Eu sou o Tom. - ele não entendia porque ela estava agindo daquela maneira, como se nunca o tivesse visto na vida. entendeu logo o que tava passando e não aguentou, começando a rir. percebeu e fez coro a amiga. e Tom não entendiam mais nada.
- , você quer parar de rir e me explicar o que tá acontecendo? - pediu, falando em português com a amiga. já estava acostumada com essa mania das duas, mas isso só fez Tom ficar ainda mais confuso com tudo aquilo.
- Desculpa . - tentava se controlar, ainda falando em português. - Esse é o Tom, um dos garotos que a gente conheceu na festa da Lola. A gente já falou deles pra você. Ele deve estar achando que você é a Emma, e por isso que veio assim cheio de intimidade. - ria ainda mais.
Enquanto isso, era quem explicava para Tom o que tava acontecendo.
- Tom, essa é a , ela é a irmã gêmea da Emma.
Essa informação fez com que Tom ficasse muito vermelho. voltou a falar em inglês:
- Bom... Acho que... Prazer né? . - a garota disse, dando dois beijinhos em Tom.
- An.. Thomas Fletcher, mas me chama de Tom. - ele ainda estava todo errado e continuava muito vermelho. sorriu ao perceber como o garoto estava nervoso.
- Se você é amigo das meninas, pode me chamar de , ok?
- Tudo bem, . - Tom falou sorrindo para a menina que notou a sua covinha do lado esquerdo do rosto.
- Sim, algum de vocês sabem se a já chegou? - perguntou, se lembrando de algo.
- Acho que ela tá com uma garota da aula de Álgebra lá na lanchonete. Por quê?
- É porque eu tenho aula de História no terceiro horário e preciso pegar as anotações com ela. Vou indo gente. - foi em direção a lanchonete na hora que tocou para que todos entrassem nas salas de aula. Seria a primeira aula de no semestre e era Álgebra, a sua pior matéria.
- Eu juro que não consigo entender como você gosta dessas coisas, . - conversava com a caminho da sala.
- Ah , não tem coisa melhor. E esse ano então vai ficar ainda mais complexo... - falou, com uma cara de sonhadora. As duas avistaram conversando com um garoto bem alto e de cabelos pretos, Richard. Ele tinha aula de Álgebra com as três e já o conhecia porque estudaram juntos antes de ela ir para o Brasil.
- Não Richard, o meu resultado deu esse, ó. - apontava para o caderno com o lápis. - É, igual ao seu... - ela explicava para o menino, que parecia confuso.
- Oi Richard! - falou, animada.
- !! - Richard pareceu surpreso e abraçou a menina, levantando-a. - Que saudades! E ai, como foi no Brasil? - Richard e sempre acabavam pegando aulas juntas em todos os anos, então acabaram se tornando bons colegas de classe.
- Foi ótimo, você não tem nem idéia... E como anda Bizu? - perguntou, interessada. Bizu era o cachorro de Richard. Ele era muito famoso nas classes do dono, já que ele sempre mostrava fotos e contava histórias dos oito anos de vida do cachorrinho.
- Ah, ele estava meio mal. Teve que fazer uma operação semana passada, mas agora ele já tá melhor... - Richard falava enquando o ouvia atentamente. Os dois foram andando em direção às suas bancas deixando e discutindo a segunda questão do livro.
- Rodrigo... - falou baixinho, atrás do menino.
- Hm. - Rodrigo falou com má vontade. Odiava quando ficavam tentando conversar com ele no meio da aula. Principalmente de História.
- Você sabe dizer quando começam as aulas de tênis lá no clube?
- Quem dá as aulas é o meu irmão, ele que sabe.
- Ah, ok. Eu tentei ligar para ele semana passada, mas deu número inexistente. Você pode me passar o telefone dele, por favor? - insistiu.
- , você sabe que eu não gosto de me distrair nas aulas... No final você me pede, tá? - Rodrigo falou pacientemente, se virando um pouco.
- Tá... - respondeu, chateada. Odiava essa má vontade de Rodrigo. Ela era muito divertido fora da sala, mas quando estava assistindo aula, nada além do professor, o quadro e o seu caderno existia para ele. Rodrigo era o melhor aluno de várias salas. Provavelmente, o melhor dos segundos anos.
- ? - falou, do lado da menina, jogando um papel para , que pegou e leu "Tem reunião do grupo social depois dessa aula, na hora do almoço. Não esquece!". escreveu um "Obrigada" e jogou o papel de volta para a amiga.
, , e estavam chegando na mesa do refeitório na hora do almoço quando viram Tom acenando para as quatro, as chamando para sentar com eles nas duas mesas que eles tinham juntado.
- Cadê a ? - Harry perguntou, enquando melava uma batata frita no ketchup.
- Ela ficou com Rodrigo comparando umas anotações de História. - comentou sem interesse, enquanto sentava numa cadeira do lado de Danny, que juntava vários canudos fazendo um canudo gigante.
- Qual é a utilidade disso, hein, Danny? - olhava estranhamente para a "escultura" do garoto, enquanto sentava na frente de .
- Isso, ó. - o garoto colocou o canudo na boca e tentou alcançar o suco de , que estava sentada na frente. - Ah, droga, o líquido não passa... - Danny falou decepcionado, depois de tentar tomar o suco da menina, sem sucesso.
- Hm... - ainda estava de pé com a bandeja na mão. - Ninguém vai me apresentar não? - fingia indgnação.
- Gente, essa é a . - tomou a frente das apresentações. - Ela chegou na Sexta-Feira, fomos pegá-la no aeroporto.
- Vo-cê fa-la in-glês? - Danny falou devagar, como se tivesse alguma dificuldade em entendê-lo.
- Danny, ela é daqui, seu leso. - deu um pedala em Danny. - Ela é nossa amiga há muito tempo e tava fazendo intercâmbio no Brasil.
- Ai, isso doeu, . - Danny falou, esfregando a mão na cabeça.
- Oi , tudo bom? - Harry falou, se levantando.
- Vocês podem me chamar de , eu prefiro. - ela falou, sorrindo.
- Eu sou o Harry. Danny, Dougie, James e Tom. - Harry falou, apontando para os amigos que acenavam.
- A gente já se conhece, né ? - Tom falou, piscando para a garota.
- Sério? Eu não lembro. - fingiu um esforço para se lembrar do garoto. Tom fez cara de surpresa e, logo em seguida, decepção.
- É mentira, Tom. - falou rindo, vendo como garoto tinha ficado.
- Oi gente. - chegou ofegante, com vários cadernos e livros na mão, junto com uma bandeja com o almoço. Jogou tudo em cima da mesa que eles estavam, praticamente derramando metade do refrigerante em James.
- Poxa, ! Logo hoje que eu tinha tomado o meu banho da semana... - James falou, fingindo chateação, enquanto todos riam.
- Desculpa James, desculpa mesmo. - a garota falava, rindo também. Olhou direito para as pessoas da mesa e notou alguém que não deveria estar lá. - , o que você tá fazendo aqui? Eu não te lembrei da reunião do grupo social?! - falou e deu um pulo.
- EITA, É MESMO! Tenho que ir, tchau. - ela falou apressada e saiu correndo em direção ao auditório.
- É sério, eu lembro a ela uma aula antes e ela ainda esquece... - comentou com os outros. - E ainda esquece o caderno pra anotar as coisas! É sério, ela não tem mais jeito. Dougie, entrega lá pra ela, por favor? - praticamete jogou o caderno pra Dougie enquanto ajudava James a secar o refigerante.
- Por que eu? - Dougie falou, com má vontade.
- Não custa nada, corre lá.
- Tá, tá. - Dougie saiu correndo atrás da garota. - E quem disse que eu sei onde é a reunião? - Dougie comentou consigo mesmo quando já estava longe dos amigos. Avistou na frente da porta do auditório.
- , me pediram pra te entregar isso. - Dougie chegou ofegante, entregando o caderno para .
- Ah, obrigada... - pegou o caderno da mão do garoto e apenas ficou olhando-o.
- Você não vai entrar? - Dougie perguntou.
- Eu tô uns 10 minutos atrasada para a primeira reunião do grupo no semestre, com que cara eu vou entrar lá?
- É melhor chegar atrasada do que perder a reunião. A gente inventa uma desculpa, vem. - Dougie pegou a mão dela e a puxou em direção da porta. Bateu e entrou na sala.
- Er, licença. Desculpem o nosso atraso, tivemos um imprevisto na aula. - Dougie falou para as outras pessoas que tinham várias cadeiras num círculo.
- Tudo bem, entrem, e...
- Dougie Poynter. Eu vou começar esse ano. - Dougie explicou para o coordenador do projeto.
- Seja bem vindo, Poynter.
e Dougie pegaram duas cadeiras e se juntaram ao outros no círculo. Todos discutiam os projetos de ajuda aos orfanatos e hospitais, quando falou baixinho no ouvido de Dougie:
- Agora não tem mais volta.
- Vai ser divertido. - Dougie comentou baixo, sorrindo para a garota.
- Rodrigo, Rodrigo, PERA! - saiu correndo atrás de Rodrigo enquanto ele saia apressado do colégio.
- Diz, . - ele falou, se virando para a garota ofegante.
- O... telefone... do... Nate. - falou, se apoiando nos joelhos.
- Ah sim, pera. - ele anotou o telefone do irmão num pedaço de papel e entregou para .
- Obrigada, amor. - deu um beijo na bochecha de Rodrigo e voltou andando em direção a que conversava com Harry e Dougie num banco no canto do pátio. olhava o pedaço de papel muito feliz. Embora não admitisse para ninguém, ela tinha uma quedinha pelo irmão mais velho de Rodrigo, Nate, que também era o seu treinador de tênis. Ela gostava dele desde que começou a treinar tênis naquele clube (bom, talvez ela tenha começado lá por conta dele), mas nunca demonstrou. Além disso, Nate tinha uma namorada que estava na faculdade, como ele.
- Vamos , a gente vai se atrasar para aula de caminhada. - falou a medida que se aproximava dos três.
- Caminhada? - Harry perguntou sorrindo e olhando para com cara de surpresa.
- Nem vem, a gente faz esportes sim, Judd. - respondeu. - Esse era o único horário bom para a gente. - se justificou.
- Sei, sei. Vocês têm é preguiça. - Dougie falou, rindo da cara das garotas.
- É Poynter, exatamente isso. - falou sem paciência, puxando rapidamente. - A gente tem que ir, beijo. - As duas se despediram dos garotos com um aceno e foram em direção ao vestiário.
- Por que a felicidade, ? - perguntou, enquanto as duas calçavam os sapatos.
- Eu? Nada. - falou, sorrindo para a amiga. - Primeiro dia de caminhada, estou empolgada.
- Ah, tá bom. - falou com cara de quem não acreditava nem um pouco. As duas saíram do vestiário e se depararam com uma chuva muito forte. Não estava frio o suficiente para nevar, mas a chuva de agora estava fazendo as duas congelarem nas roupas de Educação Física.
- Olha, que pena , tá chovendo... - comentou, rindo. - Acho que a Educação Física vai ser adiada hoje.
- Pessoal de caminhada, sala 15, agora. - o treinador passou pelas meninas e outras pessoas embaixo do toldo do lado de fora do vestiário que encaravam a chuva e o vento forte.
- Droga. Eu já tava com esperanças... - foi indo em direção a sala, enquanto ria.
O treinador explicou como funcionaria a Educação Física dos que escolheram caminhada esse semestre. Apesar de enrolar bastante, uma hora antes de acabar o horário da aula deles, o treinador comentou:
- E agora eu não tenho mais o que falar para vocês, e pelo visto não vai dar para fazermos nenhuma atividade hoje. Eu não imaginava que iria chover e não preparei nada para caso isso acontecesse...
- Lógico, chove em quatro de setes dias da semana passada e ele não podia imaginar que ia chover hoje. - comentou baixinho com .
- ...então eu vou liberá-los mais cedo. Até segunda que vem.
e iam saindo da sala quando notaram que a chuva não passara e, pelo visto, não ia passar nem tão cedo.
- Você tá de carro? - olhou, esperançosa, para a amiga.
- Que carro, ? Eu pego o do Matthew, esqueceu? De qualquer forma, hoje eu peguei carona com Dougie. Mas olha o que eu trouxe. - puxou uma coisinha fina com dois fios enrolados da bolsa e colocou na frente do rosto de .
- O quê? - perguntou, idiotamente animada.
- Uma tomada! - respondeu, ironizando estar igualmente animada.
- E qual é a utilidade disso? - perguntou, confusa.
- Às vezes eu sinto pena de você, é sério. - falou, andando em direção a uma das mesas do refeitório agora vazio e se sentando. Colocou o iPod no ouvido, enquanto , com uma cara indignada, sentava do seu lado e escolhia uma música. Passaram meia hora ouvindo música e conversando quando resolveu ir lá fora.
- É, ainda tá chovendo muito. - disse, entrando novamente no refeitório.
- Eu acho melhor a gente ir logo, . Pelo visto a chuva não vai passar nem tão cedo. - falou, desligando o iPod, enrolando-o com uma blusa e colocando-o dentro da bolsa enquanto as duas andavam até a porta do colégio. - E aí, a gente vai como?
- Se a gente for correndo? A casa da minha avó é perto daqui, a gente pode ficar por lá até alguém poder nos pegar. Pelo menos tem TV. - falou, dando de ombros.
- Mas , se você for correndo... - saiu correndo na chuva. - ...você vai se molhar mais. - terminou de falar para o nada. - Peraí, ! - e saiu correndo atrás da amiga.
e corriam rápido no meio da chuva, rindo e olhando para baixo para não tropeçarem em nada.
- A gente deve estar parecendo duas doidas, . - gritou para a amiga escutar.
- Você realmente acha que tem alguém na rua com essa chuva? - gritou em meio a risos, vendo a amiga quase cair.
- Olha aquele pessoal doido correndo no meio da chuva. Eles não sabem que molha mais do que se elas fossem andando? - Harry comentou com Dougie e Danny dentro do carro que Danny dirigia.
- Eu quero fazer isso! - Dougie comentou, com um olhar de criança, ignorando a segunda parte do comentário de Harry.
- Na verdade, se você correr contra a chuva molha mais o seu tronco... - Danny falou, olhando para as duas pessoas que corriam na chuva. - Mas se é chuva grossa como essa é melhor correr porque fica menos tempo.
Harry e Dougie olhavam surpresos para o amigo.
- Que é? Eu assisto Discovery Channel às vezes. - Danny falou, se virando para os dois. - E ia passar um documentário sobre macacos depois. - falou, sorrindo.
- Ei, essa é a ! E a ! Opa, a quase cai agora. - Dougie falou, rindo. Danny parou o carro e chamou as duas.
- ! !
- É, não tem ninguém na rua, né, ? - comentou irônica com outra, que ainda ria.
Os três agora acompanhavam com o carro as meninas que continuaram andando.
- O que vocês estão fazendo aqui no meio da rua nesse temporal? - Harry praticamente gritava, por conta do barulho da chuva.
- Longa história. Agora a gente precisa de um local seco, por favor.
- Entra aqui. - Dougie abriu a porta e as duas entraram rapidamente no carro deles.
- Danny, vai molhar o seu carro... - falou, preocupada.
- Ele tá acostumado já. - Danny falou, pouco se preocupando.
As duas garotas estavam encharcadas e morrendo de frio. Dougie abraçou de lado, tentando aquecer a garota. Danny entregou uma toalha para as duas se enxugarem.
- Quem anda com uma toalha dentro do carro? - perguntou.
- Eu ando. Sou precavido, fofa. - Danny brincou.
Resolveram parar na lanchonete perto da casa de Dougie e , depois de convencerem Danny que tomar sorvete não era uma boa idéia. Harry e Dougie voltavam do balcão com chocolate-quente e sanduíches.
- Vocês vão ver o ensaio da gente na quarta, né, ? - Dougie perguntou, entregando um chocolate-quente para .
- Que ensaio? - perguntou interessada.
- Da nossa banda. A não falou? - Dougie agora estava sentado do lado de e colocou o seu braço em volta da garota.
- Não, ela não falou pra nenhuma de nós. - agora olhou para a amiga.
- Eu esqueci completamente, desculpa. O meu dia hoje foi uma loucura. Resumindo, os meninos têm uma banda e a gente vai ver o ensaio deles quarta-feira. - falou simplesmente, mordendo um dos sanduíches entregues por Harry.
- UMA BANDA, SÉRIO? - falou muito empolgada. - Eu tenho amigos músicos, que lindo! Vocês já tem um nome? - ela perguntou com os olhos brilhando.
- Na verdade não, a gente ainda tá pra decidir... - Danny falou, em seguida dando uma mordida enorme no sanduíche.
- Danny, cuidado pra não levar a mão junto. - brincou.
- Qu-ê? - Danny falou com a boca cheia de pão, fazendo as duas garotas entoarem em coro um "ECA!".
- Se comporta Jones. Tem garotas na mesa agora. - Harry fingiu cara de nojo.
- Se bem que sempre tem, já que a gente anda com o Tom... - Dougie falou, fingindo estar pensativo.
- E quais são as opções? - perguntou, com a cabeça encostada no ombro de Dougie.
- De quê? - Dougie olhou para a garota, sem entender a pergunta.
- De nomes para a banda.
- Dead Lizards ou The Rain. Eu, particularmente, gosto mais da segunda. - Harry comentou.
- Eu, particularmente, não gosto de nenhuma das duas. - falou, com uma careta.
- Ei, eu que sugeri Dead Lizards. - Dougie falou, indignado.
- Dougie, você definitivamente não leva jeito pra coisa. - comentou, vendo o garoto lançar um olhar decepcionado para a garota.
- Own, é não. Seu nome é ótimo! - falou e Dougie abriu um sorriso. - Ou quase isso... - e todos começaram a rir da cara que Dougie fez.
Capítulo 6
- , !!! - praticamente gritava no telefone.
- Diga, . - falou de má vontade.
- Nossa, que simpatia... - disse, chateada.
- Fale, querida amiga ! - fingiu empolgação.
- Melhor. - riu. - Sabe quem tem uma banda?
- Hm... Bono Vox? - ironizou.
- Não, .
- Ele tem uma banda sim... - falou, pensativa.
- , concentra. É alguém que a gente conhece.
- Não tenho nem idéia, fala logo.
- Dougie, Harry, Danny e Tom! - respondeu, empolgadíssima.
- Ah, que legal. - comentou, indiferente.
- Legal? Isso é mais que legal! É MUITO legal!
- O que é muito legal? - ouviu a voz baixa de do outro lado da linha.
- Os meninos têm uma banda. - respondeu para a garota, que agora estava do seu lado. pôde ouvir a empolgação de .
- Será que eu sou a única que acha que isso não tem nada demais? - falou mais para si mesma do que para as amigas.
- Bom, se você quiser, eles vão ensaiar quarta-feira e chamaram a gente para ir assistir. Avisa a ai, ela vai querer ir. Vou ligar pra . Tchau , beijo. Manda um beijo para . - disse rápido, desligando o telefone e discando o número de .
- Alô. - atendeu o telefone com voz de sono.
- ? Tava dormindo a essa hora? - perguntou, rindo.
- Tô com sono, não faz pergunta difícil.
- Tá... Mas adivinha quem tem uma banda?
- Danny, Harry, Dougie e Tom? - respondeu com uma pergunta.
- Até dormindo você raciocina melhor que . - comentou, impressionada.
- Hã? - resmungou a pergunta.
- Nada. São eles mesmos! Não é o máximo? - perguntou, novamente empolgada!
- Muuuito! - falou, um pouco mais acordada.
- Eles nos chamaram para ver um ensaio deles, depois de amanhã.
- Eu vou com certeza. - falou, sorrindo.
A terça-feira no colégio passou rapidamente, com treinos da patinação no gelo a tarde para e por conta do campeonato que estava chegando. Elas
estavam treinando vários dias na semana desde antes do feriado de Natal e em breve viajariam para o campeonato fora da cidade. e chegaram no final do treino e foram falar com e .
- Vocês querem fazer alguma coisa hoje? - chegou perguntando para e , que saiam da pista.
- É, a gente pode ir no parque, comer cachorro-quente... - sugeriu, enquanto colocava um monte de pipocas na boca.
- Você não se cansa de comer não, é? - perguntou, rindo. - E ainda é magra desse jeito.
- Vocês é que comem pouco. - falou com desdém.
- Vaamos, vai? - insistiu para as duas outras amigas.
- Não dá, eu combinei de sair com o Guilherme. - falou com um sorrisinho.
- É, ela tem namorado, sabe? - brincou.
- Eu vou sim, mas rápido antes que escureça... - falou, tirando os patins e indo se trocar rapidamente. - E a ?
- Ela teve treino de tênis hoje. A gente passa na casa dela.
- , desce ai! - gritava para a garota que colocou a cabeça para fora da janela do quarto no primeiro andar.
- Vocês estão indo para onde?
- A gente vai para o parque. Quer ir com a gente? - gritou enquanto pegava as últimas pipocas de .
- Tô descendo, pera.
colocou o All Star e arrumou o cabelo antes de descer correndo para encontrar as amigas sentadas no banco da varanda.
- Por que não entraram? - falou quando viu as amigas do lado de fora.
- Porque a porta tava trancada, gênio. - falou, zonando com a amiga. - Bora, daqui a pouco escurece e a tem medo de ficar sozinha na rua com a gente a noite.
- Se eu fosse seqüestrada com vocês eu tava ferrada. - comentou vendo a cara de indignada de .
- Ah é? Se você for seqüestrada eu não vou te ajudar.
- Ela vai ser seqüestrada em Stafford? Haha, até parece. - estirou a língua. As quarto agora andavam em direção a praça, que não ficava muito longe.
- , aquele não é o Andrew? - apontou descaradamente para um garoto que, para a sorte de , estava de costas.
- É. Agora grita que ele ainda não ouviu, . - falou irritada para ela.
- Tá, calma. - olhou pra , ofendida.
Andrew tinha sido um antigo namorado de . Eles se conheceram no colégio e começaram a namorar logo. realmente gostava dele e ele também gostava dela, o problema tinha sido que tinha descoberto uma uma traição de Andrew. Para , não tinha nada pior do que ser traída. Aliás, tinha. Descobrir por outra pessoa. E foi o que aconteceu; quem falou para foi uma colega de classe, Claire. Quando foi tirar satisfações com Andrew, já de cabeça quente, ele ficou muito ofendido e negou tudo, mas dias depois viu tudo com seus próprios olhos e eles terminaram de uma forma nada agradável, algumas semanas antes de viajar para o Brasil.
- Não olha agora, mas ele tá vindo. - comentou, olhando para algo atrás de . sentiu alguém segurando-a pela cintura e abraçando-a por trás. Com raiva, se virou e encarou Andrew.
- Voltou do Brasil, ? Como ninguém me avisou? - ele falava enquanto passava os dedos na bochecha da garota.
- Desde quando alguém tem que avisar algo sobre mim? - falou, fazendo a menção de se virar.
- Ei, vem cá. Vamos conversar. - Andrew segurou o braço de .
- Na verdade, a gente... - começou.
- Vamos, vamos conversar sim. Volto já, garotas. - acompanhou Andrew até a beira do lago principal.
- , eu senti tanto a sua falta esses meses. Como foi no Brasil? Sentiu a minha falta?
- Muita. - falou irônica para o menino que não entendeu e deu um sorriso.
- Eu sabia que iria... - Andrew agora se aproximava de , colocando uma mão na sua nuca. Por instinto, colocou as suas duas mãos no peito do garoto e o empurrou para o mais longe que conseguiu, o que, no caso, foi para dentro do lago.
- MEU DEUS!! Desculpa Andrew! - olhava para o garoto completamente molhado na água verde do lago principal, coberto de plantas e praticamente congelando.
- "Desculpa" nada, ! Bem feeeito! - falou entre risadas. As outras três tinham vindo correndo quando viram a cena e agora estavam junto de , rindo tanto a ponto de cairem no chão.
- Er... Bem feito mesmo. - falou, um pouco convencida. Sabia que não estava errada. Mas não precisava derrubar o menino para congelar na água fria e nojenta. Ou precisava? Andrew fora um ridículo desde que ela havia descoberto tudo.
- Eu sei que foi sem querer, né, amor? - Andrew falava dentro d'água, enquanto tirava uma planta que estava presa no seu cabelo. Ele sabia que não tinha sido, mas não pretendia ficar com raiva de . Iria voltar com ela de qualquer jeito.
- Ele não se toca MESMO. - comentou quando as quatro deram as costas para o garoto, ignorando-o, e andavam em direção ao outro lado do parque.
- MENTIRA QUE EU PERDI ISSO, NÉ? GUILHERME ME PAGA. - gritou rindo no telefone, quando lhe contou a história.
- Você precisava ver a cara dele! E ele ainda está convencido de que vai ter alguma chance com . Traição pra ela é imperdoável.
- E eu não sei? Nossa, já guarda mágoa, viu? - comentou, ainda rindo da história do lago.
- Mas e ai, como foi seu resto de dia? - perguntou.
- Nada demais. A gente assistiu um filme, foi bem legal. Semana que vem o Guilherme viaja com o colégio, vai passar uma semana fora. - falou com um pouco de tristeza na voz.
- Isso significa...?
- Semana das garotas. - completou, um pouco mais animada.
Mal sabiam elas o quanto de garotos que teriam na semana que vem.
- Anda . - falou sem paciência para que arrumava o cabelo enquanto todas elas saiam da casa de em direção a casa de Dougie, na quarta-feira.
- Tô indo, pera. - falou com uma voz enjoada. Tocaram a campainha e Harry atendeu.
- Eu achava que o Dougie morava aqui. - comentou em tom de brincadeira.
- Na verdade moramos os quatro. - Harry falou da mesma forma. - Entra, a gente já começou o ensaio.
Todos se dirigiram ao quintal atrás da casa, onde havia uma entrada para a antiga garagem, agora transformada num estúdio bem arrumado.
- Eu nunca tinha entrado num estúdio antes. - falou, olhando para todos os equipamentos, deslumbrada.
- Você nunca viu um instrumento de perto, . - zombou da amiga.
- Haha. - respondeu, fechando a cara.
- E o James faz parte da banda desde quando? - perguntou cumprimentando Dougie, quando viu o Bourne sentado num canto, conversando com Danny.
- Cara, eu sou o empresário deles. - James respondeu, brincando. - 60% do lucro vem pra mim, o resto eles dividem. Se bem que até agora não teve lucro nenhum. - James comentou pensativo, fazendo os outros rirem.
As meninas se acomodaram em algum lugar do estúdio enquanto os garotos ensaiavam algumas músicas, com James aperriando-os entre uma música e outra e fazendo comentários altos com .
- Tooom, posso tocar? - perguntou com cara de criança depois do cover de "She Loves You".
- Haha, tá fácil o Tom deixar você tocar na guitarra dele. - Danny falou, rindo.
- Então você me deixa tocar, Jones? - virou pro Danny com a mesma cara, vendo o garoto abraçar a guitarra contra o corpo com uma cara de assustado e fazendo todos rirem.
- Vaai, que besteira. - falou pegando um microfone e quase derrumbando-o. Todos a encaravam enquanto ela botava o microfone no lugar delicadamente.
- Er, outro dia... - Dougie falou, olhando para a garota que agora tinha tropeçado num dos fios quase derrubando um amplificador.
- Vaai Tom, deixa de ser chato.
- Jogar Imagem e Ação? Não , obrigado, eu tenho mais de 11 anos.
- Vamos, é legal. - insistiu, puxando o braço do garoto. - Mas se você não quiser a gente joga sem você...
- Tá, eu vou. - Tom respondeu, rindo. Sentaram-se num círculo no meio da sala em volta de uma mesa de centro com o jogo de já espalhado em cima.
- A gente tem que definir os pares. - começou.
- Tem que ser quem está na sua frente. Fica: e , Dougie e , e Danny, Tom e James, e Harry.
- Já perdi. - James falou, fingindo desapontamento enquanto todos riam.
- Haha. Bora começar. Agora eu vou ganhar só por causa disso...
- Ui, cuidado crianças.
- Uma cebola! Um peixe! Eita, agora parece com um porco... - Harry falava enquanto apontava freneticamente pra o desenho no papel. Ela se levantou e agora praticamente esfregava o papel no rosto de Harry.
- Ai, perai. É um relógio? - ele perguntou, confuso.
- PORRA, HARRY! - gritou.
- Não pode falar, ! Perdeu a vez! - falou, rindo junto com os outros.
- A gente não ia acertar mesmo. - fuzilou Harry com o olhar.
- E qual era o objeto?
- Uma panela de pressão.
- Aonde que isso é uma panela de pressão? - Harry apontou pra o desenho amassado no chão.
- Não culpe o desenho. - falou, ofendida.
- Eu acho que a gente ganhou. - comentou com superioridade, comemorando com .
- Não vale, a sabe as cartelas de cor.
- É, só porque vocês são ruins de mímica, Poynter. - falou, dando a língua para Dougie e .
- E nós precisamos de comida. - James saiu da cozinha com o último pedaço de bolo.
- Tudo a ver com o assunto. - comentou.
- Eu tô com fome, então, tem a ver. - James falou, passando por todo mundo pela sala e pegando seu casaco. - Vamos na pizzaria?
- Continua sem ter a ver com o assunto. - se virou e comentou só com .
- Bora. - pegou o casaco também e se dirigiu a porta, sendo acompanhada pelos outros.
- Tudo bem que é mais fácil pedir por telefone. - falou, sendo ignorada por todos. - Legal, agora me ignoram. - comentou consigo mesma, fingindo empolgação.
Todos costumavam ir sempre àquela pizzaria, a mais famosa da cidade. Não que ela tivesse muita concorrência, mas as pizzas eram deliciosas e o lugar acabou virando ponto de encontro de muita gente. Mesmo numa quarta a noite estava cheia. Foi dificil arrumarem uma mesa pra aquele monte de gente, mas com umas conversas que as garotas jogaram para cima do garçom, conseguiram duas mesas juntas.
- É impressionante como a gente ainda consegue essas mesas facilmente... - comentou enquanto todos se sentavam na mesa.
- É, eu nem imagino o porquê. - Tom falou de cara feia.
Pediram as pizzas e as bebidas e conversavam besteira quando um garoto que estava passando se aproximou e jogou um pedaço de papel no colo de . Ninguém, a não ser , notou, já que conversavam empolgados sobre Star Wars e Tom tentava meter Katie Holmes no meio da história.
- Essas cantadas com o papelzinho estão na moda, hein? - comentou enquanto olhava o que tinha escrito no papel junto com .
- Ei, é particular isso aqui.
- Até parece que você não ia me mostrar... - falou com desdém.
- Ia mesmo. - respondeu em tom de brincadeira e mostrou para a amiga o que tinha escrito. Um nome e um telefone. - Se ele pensa que eu vou ligar tá muito enganado. - falou e amassou o papel, jogando-o no lixeiro mais próximo.
Capítulo 7
A quinta-feira passou rapidamente, com alguns trabalhos de Redação e Inglês e aulas monótonas. Como todos os dias, na sexta-feira eles se encontraram no horário do almoço e se juntaram na mesa de sempre.
- Chorou sim Dougie, nem vem. - Tom e Harry tiravam onda de Danny e Dougie que, segundo os dois, tinham assistido The Notebook na noite passada e se emocionado com a cena final.
- Ah, é lindo o filme, tá? - defendia os dois.
- Ei, que tal a gente fazer um piquenique amanhã? - , que estava destraída com os próprios pensamentos, falou de repente.
- Boa idéia! Eu sempre quis fazer um piquenique! - falou ridicularmente empolgada.
- Sério que você nunca fez um piquenique, ? - Dougie perguntou, surpreso.
- Sério.
- Nossa, que vida incompleta. - Danny comentou, levando um pedala de Tom. - Ai! É sério, vou parar de andar contigo... - o garoto falou e revidou em Tom.
- Amanhã cedo, então? Porque eu e a temos treino a tarde. - disse.
- De novo? Vocês não tem hoje a tarde? - perguntou, enquanto dava uma mordida no sanduíche.
- É todo dia agora. Eu realmente não sei como eu vou ter tempo de fazer aquele monte de trabalhos que estão passando. - comentou, ficando um pouco preocupada de repente. Os garotos olharam com desperezo para ela.
- Que é?
- Até parece que você não vai conseguir fazer os trabalhos. Quando isso acontecer, eu apareço só de boxers no colégio. - Harry falou.
- Opa! Nada de fazer trabalhos semana que vem, viu ? - comentou rindo, fazendo Harry ficar ligeramente vermelho e os outros rirem também.
foi passar a noite na casa de . Se encontraram depois do treino de e e as três acabaram jantando fora, na sua creperia favorita, que ficava junto da praça. Já passava das dez quando e chegaram em casa.
- Demoraram por quê? - Matthew gritou da sala, onde, pelo barulho, estava jogando video game.
- Vê se me esquece. - gritou de volta, enquanto elas tiravam os casacos.
- Nossa, que simpatia. - Matthew respondeu de volta, quando as duas ouviram outras vozes. Eram os amigos de Matthew. Pelo visto ele tinha tido a mesma idéia de chamar amigos para lá enquanto os pais viajavam. "Ele podia ter avisando antes" pensava enquanto chegava na sala e cumprimentava a todos.
- Vocês já jantaram? A gente pediu uma pizza. - Matthew passou a vez para Steve e agora tinha se virado para e que estavam sentadas no sofá, conversando sobre qualquer coisa.
- Já sim, a gente vai dormir... Amanhã vamos acordar cedo pra um piquenique. - respondeu, animada.
- Vocês acordando cedo? Que milagre.
As duas se despediram rapidamente e subiram pra tentar dormir. Não tiveram sucesso. Depois que se arrumaram, as duas ligaram o computador e ficaram ouvido música e vendo vídeos enquanto conversavam sobre várias coisas.
- E como andam os treinamentos? - perguntou enquanto esperavam um clipe carregar.
- Vão bem. O campeonato tá cada vez mais perto e isso realmente tá me preocupando. As nossas coreografias poderiam estar bem melhores...
- Pára com isso, , você e a são ótimas e a gente sabe disso. Que mania de querer tudo perfeito.
- Não é isso... Ah, sei lá.
- A gente vai assistir vocês, sabia?
- Sério? - pareceu surpresa.
- Lógico. Você acha mesmo que a gente não ia assistir a apresentação das duas? Vocês estão se dedicando ao máximo, isso significa muito para vocês. Espero que vocês não se importem. Já até comentamos com os garotos e eles falaram que adorariam ir.
Quando e desligaram o computador já era mais de três da manhã. Acordaram às seis, com o despetador que tinha colocado gritando alto.
- PORCARIA DE CELULAR. - pegou e ameaçou jogá-lo no chão. Pensou duas vezes no quanto ele tinha custado e mudou de idéia. Jogou-o com força no colchão de .
- AI, QUE FOI? - acordou no susto. ficou surpresa que a garota não tinha se acordado antes com todo aquele barulho.
- Já são seis da manhã. Vamos, a gente combinou de passar na casa do Dougie às seis e meia pra irmos no supermercado.
- Só pra eu me lembrar: por que tão cedo?
- Não foi minha idéia. - deu de ombros. - Vaamos, agora já são seis e dois.
- Tá, to indo. - respondeu com sono enquanto a outra entrava no banheiro. Quando fechou a porta, se deitou e dormiu novamente.
- AI, AI, AI, AI, AI! - gritava no quarto, caída com as mãos no dedo do pé. - MERDA DE PORTA! - acordou novamente assustada, agora com o escândalo da amiga.
- Que foi? - olhou sonolenta para a amiga.
- Eu chutei a quina da porta do banheiro! Aaai que dor. - a garota ainda segurava o dedo do pé como se isso aliviasse de alguma forma.
- Pera, eu vou pegar um pouco de gelo.
saiu do quarto e em um minuto voltou com gelo.
- Obrigada, . Agora vai se arrumar que já era pra a gente ter saído. - falou com um tom de dor na voz.
Saíram as sete da manhã rumo a casa de Dougie. Teriam saído um pouco antes, se todos os sapatos de não apertassem o seu dedo de uma forma insuportável quando ela os calçava.
- Eu acho que você deveria ir para o médico.
- Que nada, , aposto que foi só a pancada mesmo. - olhava para o dedo do pé. Calçava as Havaianas que havia trazido do Brasil.
- Mas tá ficando roxo, . - parecia preocupada enquanto via a garota andar quase mancando. - Vai ver quebrou.
- Nem fale isso, . Eu não vou ao médico, tá na cara que não precisa. Além do que, se eu tiver que enfaixar, significa pelo menos duas semanas sem treinar, e eu não posso me dar a esse luxo.
As duas discutiam enquanto atravessavam a rua. A casa de Dougie ainda estava totalmente fechada e quando as duas chegaram tiveram que tocar a campainha no mínimo quatro vezes até que um Danny praticamente dormindo em pé abrisse a porta e aparecesse só de boxers na porta da casa de Dougie.
- Mentira que vocês ainda estão assim! Danny, a gente combinou com o Dougie às seis e meia. Aliás, cadê o Dougie? - falou rapidamente, enquanto apenas encarava Danny sem reação.
- Hã? - Danny não parecia ter entendido metade do que acabara de falar. - Er, o Dougie tá lá em cima...
entrou na casa de Dougie e a seguiu, um pouco receosa.
- Eu não sabia que o Danny ia pra o supermercado também. - comentou baixinho com enquanto as duas subiam as escadas.
- Eu acho que o Dougie comentou algo sobre o Danny dormir aqui hoje também, mas eu realmente não me toquei. Ah, desde quando você se importa, ? - se virou curiosa para a amiga e as duas pararam no meio da escada.
- Desde nunca. - respondeu na defensiva, enquanto Danny subia ainda sonolento as escadas atrás delas.
- ACOOOORDA, CINDERELA! - abriu a porta do quarto de Dougie gritando. Dougie acordou e lançou um olhar de "eu vou te matar" para .
- Hã? - olhou confusa para a amiga. - Bela Adormecida, não?
- Isso, essa mesma! - se sentou na ponta da cama de Dougie. - Bora Dougie, vocês tinham prometido que iam com a gente no supermercado comprar as coisas do pequenique, esqueceu?
- Nesse exato momento não lembro muito bem nem porque eu sou teu amigo. - Dougie olhava ainda com raiva para , que balançava a sua cama para o garoto acordar.
- Vai logo se arrumar. Eu a vamos estar lá embaixo. Não demora, Branca de Neve. - olhou para como se pedisse aprovação.
- Continua tentando, ... - falou debochada e viu estirar língua enquanto saiam do quarto do garoto. Assim que a porta se fechou, Dougie se levantou e foi se arrumar, com Danny se arrumando no quarto ao lado. Quando os dois finalmente desceram, e estavam jogando FIFA no X-Box do garoto.
- HAHA, TRÊS A ZERO. uhuul - comemorava com o terceiro gol das duas contra o computador. - Eu acho que a gente devia participar daqueles campeonatos mundiais de video game que nem naquele filme...
- The Wizard? - Dougie falou, entrando na sala.
- ISSO! Aposto que a gente ganhava milhões. - comentou enquanto os outros riam.
Chegaram no supermercado 24 horas às oito. Já tinham arrumado uma parte da cesta com bolos e frutas e foram terminar de comprar as coisas no supermercado.
- Doougie! - Dougie, e ouviram uma voz gritar do outro lado do corredor.
- Diz que não é a Lola, diz que não é a Lola... - Dougie implorou desesperado para , que estava na sua frente. Se virou e deu de cara com Anne, uma garota que fazia aula de Geografia com ele e com Danny.
- Ah. Oi Anne! - Dougie cumprimentou a garota com uma certa empolgação porque ela não era a Lola.
- Oi, tudo bom? - ela falou com as outras duas garotas que estavam escolhendo o suco, destraídas.
- Tudo. - respondeu com um sorriso.
- Dougie, você viu o Danny? Eu tava querendo falar com ele. - Anne falou com uma voz meiga. ergueu os olhos do carrinho e encarou a garota com uma expressão nada a agradável. Anne não notou e continuou a esperar uma resposta de Dougie.
- Na verdade, não. Ele tava com a gente agorinha, mas deve ter ido pegar alguma coisa.
"Não fala que a gente vai para um piquenique, não fala que a gente vai para um piquenique" desejava em pensamento.
- A gente tá... - Dougie começou quando levou um pequeno soco nas costas dado por . - Fazendo as compras da semana. Mas você quer que eu dê algum recado para o Danny se você não encontrá-lo?
- Não, deixa. Depois eu ligo para ele. Obrigada. - a garota se despediu com o sorriso e foi ao encontro das amigas na sessão de cosméticos.
- Posso saber por que eu não podia falar, ? - Dougie encarava a amiga sem entender.
- Por nada, eu só não vou com a cara dela. E se eu a conheço bem, ela ia se oferecer pra ir junto.
- Ela parece ser legal. - comentou destraída com alguma coisa quando notou o olhar de sobre ela. - Er, nem tanto na verdade. - falou séria, tentando arrumar a situação.
Quando já estavam pagando, Danny apareceu com um monte de coisas doces num carrinho separado que ele tinha pego no caminho.
- E as formigas vão fazer a festa hoje. - falou enquanto os três viam Danny colocar no caixa montes de geléias e doces.
Terminaram de pagar e já estavam saindo do supermercado quando lembrou de pegar algo e voltou lá pra dentro.
- Sabe quem a gente encontrou agora, Danny? - Dougie perguntou, enquanto os três se sentavam num banco com as compras.
- Quem? - Danny perguntou, curioso.
- Anne.
- Sério? Cara, ela é muito linda. O que ela queria? - Danny perguntou, interessado. Enquanto isso, apenas escutava a conversa, "concentrada" no saco de jujubas que haviam comprado.
- Ah, sei lá. Ela disse que depois te ligava. Eu acho que ela tá interessada em alguém... - Dougie ia falando quando ouviram um barulho de algo se rasgando de repente e viram um monte de jujubas caídas no chão.
- Descontando alguma coisa no saco de jujubas, é ? - Danny brincou com a garota.
- Posso fazer nada se fabricam esses sacos pra ninguém conseguir abrir. - a garota respondeu com raiva.
- Tá, desculpa. - Danny respondeu na defensiva, erguendo os braços.
No caminho, passaram para pegar em casa e foram para o parque, no local combinado. Harry, , Tom e James e já estavam em volta de uma toalha com comida conversando.
- Chegaram cedo, hã? - comentou irônica quando viu os outros cinco chegando com duas cestas.
- A senhorita aqui que demora duas horas pra descer. - falou.
- Teria sido mais rápido se vocês não tivessem chegado com uma hora de atraso.
- Ei, o que foi isso no teu pé, ? - perguntou, preocupada. A garota havia chegado mancando.
- Nada demais, eu chutei a porta do banheiro. Tá doendo um pouco, mas tenho certeza que depois vai passar.
Espalharam tudo que haviam comprado e preparado em casa e a maioria deles já estava no terceiro pedaço de bolo quando Dougie teve uma idéia.
- Ei, vocês querem jogar Verdade ou Consequência?
- A gente tá em que ano, Dougie, na segunda série? - comentou, impaciente.
- Ai, vai estilar, é ? - Tom aperriou a garota.
- Não, por mim eu jogo. - falou, pegando uma das Havaianas de e colocando no centro do círculo. - Quem começa?
- Eu começo. - se dirigiu ao centro do círculo e girou a sandália. Quando a sandália parou, apontava pra . - Verdade ou conseqüencia, ?
- Verdade.
- Que pessoal sem graça. - Danny comentou.
- Shh, Danny. , como você se sente uma semana sem o Guilherme?
- De verdade? - perguntou enquanto pensava numa resposta. - Normal. Não que ele não faça falta, - ela acrescentou rapidamente - mas ele tava meio grude, sei lá. Um tempo separados vai fazer bem para a gente. E não é um ano, é só uma semana.
Institivamente, James sorriu um pouco quando ouviu a resposta da garota, mas ninguém notou.
- Ok. , tua vez.
A garota girou a sandália e dessa vez ela apontou para Dougie.
- Dougie, verdade ou conseqüencia?
- Verdade.
- Qual foi a melhor coisa que aconteceu pra você nas últimas semanas?
- Que fácil. Conhecer e ficar mais amigo de vocês cinco. - e apontou para as garotas. Ela soltaram um "oooown" coletivo e abraçaram o garoto, praticamente derrubando-o para trás.
- Nossa, que pessoal dramático. - Tom comentou, vendo Dougie cair do seu lado. Dougie se levantou e girou a sandália.
- , verdade ou conseqüencia?
- Verdade.
- Qual dos integrantes da banda é o mais lindo? - Dougie falou, fingindo estar convencido de que era ele mesmo.
- O empresário conta? - perguntou, rindo. James fez a menção de falar algo, mas interrompeu. - Você é um grande concorrente, James, mas depois da visão do Jones só de boxers hoje eu acho que voto nele. - , um pouco vermelha, respondeu rindo, fazendo com que todos fizessem o mesmo.
- É a vida... - Danny se dirigiu com um ar de "eu sou superior e não posso fazer nada" para os outros quatro.
- É, vai sonhando, Jones.
- , verdade ou conseqüencia? - perguntou depois de ter girado a sandália.
- Conseqüencia.
- Hm... Sabe aquele grupo ali? - e apontou para um grupo de garotos conversando sobre algum esporte. - Vai lá e consegue o telefone de algum deles.
- Quê?
- Você ouviu muito bem. O desafio é conseguir o telefone de um deles.
- Tá certo. - a garota falou e se levantou sem pensar duas vezes. Se dirigiu ao grupo de garotos tentando andar sem mancar e conversava algo com o mais atraente deles.
- Eu achava que ela não ia querer fazer... - comentou, impressionada.
- Depois desse chute dela na porta eu não duvido nada. - Danny falou, cheio de certeza.
- Hã? Qual é a lógica disso, Jones?
- Isso deixou ela mais confiante.
- É, tudo a ver... - falou irônica e Danny sorriu, sem entender a ironia. Harry, que observava de longe a conversa de com um dos garotos, viu um deles colocar uma mecha do cabelo dela para trás da sua orelha e sentiu uma pontada de ciúmes, involuntariamente. Tentou se concentrar de volta na conversa idiota de Danny e . Alguns minutos depois, voltou e jogou o papel com o número de telefone no colo de .
- Satisfeita? Minha vez de perguntar agora.
Jogaram quase uma hora de Verdade ou Conseqüencia, com tendo que colocar a mão no lixeiro e Harry e Dougie entrando de roupa e na fonte central.
- Saaaaai daqui, Poynter! Pára, vai me molhar! - "corria" de Dougie que tentava abraçá-la com a intenção de molhá-la. Na verdade, tudo que ela conseguia fazer era mancar rapidamente.
- Ah , me poupe. - Harry, impaciente, pegou a garota nos braços e a levou para o banco mais próximo, sentando-se junto dela.
- Ótimo, fugindo de Dougie e você me molha, Harry. - a garota falou, enxugando os braços.
- Tá, desculpa. - Harry falou baixo.
- Ah, é não. - a garota sorriu olhando para ele - Obrigada por ter me salvado do Poynter, Harry. - falou brincando e abraçou o garoto, o que ela se arrependeu de ter feito quando lembrou como o garoto estava ensopado.
- Por nada. - o garoto falou rindo de que tinha o soltado rapidamente e agora tentava se enxugar novamente. - Mas sério, isso no seu pé deve ser algo pior do que você imagina.
- Já falei que não é, quantas vezes mais vocês vão ficar repetindo isso?
- Até você dar um jeito de fazer isso parar de doer.
- E quem disse que tá doendo?
- Você estaria mancando se não estivesse?
- Tá, tá doendo um pouquinho só.
- Se amanhã ainda estiver assim, promete que vai no médico?
- Harry, não vai estar assim.
- Promete?
- Tá, prometo. - a garota respondeu, notando que não ia convencê-lo nem tão cedo.
Capítulo 8
acabou voltando mais cedo pra casa do treino de patinação, já que não estava saindo nada que prestasse por conta do seu pé. Ela, com muito esforço, conseguiu colocar os patins, mas a dor era incrivelmente grande e ela acabou indo mais cedo pra casa, falando que não tinha dormido bem noite passada e que estava desconcentrada demais. A desculpa não agradou a treinadora, mas foi a melhor que ela conseguiu inventar na hora. Domingo foi o dia dedicado aos trabalhos, por parte das garotas. Por mais que algumas não se importassem tanto nem precisassem de tanto de nota, elas preferiam fazer todos os deveres e depois, ficando de recuperação no final do ano, pelo menos tinham a sensação de que tinham feito o que podiam. E era uma forma de fazer com que os pais não enchessem tanto o saco delas com relação aos estudos. e se reuniram na casa de para fazerem o trabalho de Redação; uma reportagem sobre qualquer coisa que as interessasse. Na segunda feira,
chegou no colégio ainda mancando e as amigas praticamente a arrastaram do colégio direto para o médico, para saber o que tinha acontecido. No final das contas, não tinha sido nada demais (o que fez falar "o que eu foi que eu disse?" para todo mundo), mas a garota iria ter que tomar anti-inflamatório e ficar colocando gelo no pé por uns cinco dias.
- Vamos pra o pier hoje?
- Danny, que idéia. A gente tá no meio do inverno, qual é a graça de ir pra o pier da praia?
- Vaaamos, vai. Eu gostei da idéia, . - falou empolgada, se virando para a amiga.
- Tá, por mim, tudo bem. Mas a gente vai congelar lá, vai estar com muito vento e...
- Pára de estragar a idéia, vamos logo. - falou por fim, puxando e para a saída da escola. Encontraram com Tom e Harry no meio do caminho e acabaram indo todos os nove para o pier, levando de quebra o violão de Tom e o de Danny. James estava na Educação Física, também conhecida como "a tortura", uma vez que ele tinha resolvido aparecer na aula, pra variar. Tocaram e cantaram músicas de todos os anos, mas deram prioridade aos Beatles, ídolos da maioria deles, mas principalmente de e .
- , você canta muito! - Tom falou impressionado no final de uma das músicas dos Beatles que sabia de cor.
- Canto nada. - falou, olhando pra baixo.
- Nem vem, canta sim. A gente vive dizendo isso pra ela, mas ela não acredita. - falou. - Vocês precisam ver a imitação dela de Christina Aguilera. - completou e todos riram.
- E vocês têm escrito alguma coisa para a banda, Tom? - perguntou, praticamente congelando de frio. Apesar de não estar nevando esses dias em Stafford, a ventania no pier era muito forte e eles tinham a sensação de que estava mais frio ainda.
- Na verdade não. Bom, a gente tem umas músicas sim, mas temos que ensaiar e arrumar umas coisas ainda... A gente vai se apresentar naquele festival que vai ter no colégio.
- SÉRIO? E POR QUE VOCÊS NÃO TINHAM FALADO AINDA? - perguntou, empolgada.
- A gente ainda não tinha certeza. Mas tá quase certo que a gente vai tocar sim.
- A gente pode escolher as músicas? - pediu, com os olhos brilhando.
- Se você e a escolherem, só vai sair Beatles. - Harry brincou com as duas. e , na mesma hora, estiraram língua para o garoto.
- Não impliquem com as fanáticas. - terminou.
Enquanto isso, Danny e Dougie conversavam alguma coisa na ponte do pier, longe dos amigos que agora discutiam sobre os Beatles e outras influências dos anos 60.
- E a Anne, falasse com ela? - Dougie perguntou, enquanto os dois encaravam o mar violento daquele fim de tarde.
- Ela me ligou há uns dois dias. Aliás, como ela conseguiu meu telefone?
- Nem olha pra mim, ela deve ter suas fontes. - Dougie brincou. - E o que ela queria?
- Ah, nada demais, sabe? Eu acho que ela tá dando em cima de mim. - Danny falou, pensativo.
- Acha? Danny, tá na cara que ela tá dando em cima de você.
- Hm, sei lá... Ela é muito gata e tudo mais, mas na verdade eu meio que to em outra. - Danny falou.
- Sério? - Dougie falou, se virando para o amigo. - Dessa eu não sabia. Quem é?
- Ah Dougie, não sei. Ela não tem a mínima idéia de que eu to a fim dela. Não sei se daria certo.
- Hm, sei. - Dougie falou, quando viu que Danny estava observando outra coisa e seguiu o olhar do amigo, notando que ele estava observando brincar com . agora fugia de que tentava acertá-la com alguma coisa. Por um momento, sentiu uma pontada de ciúmes. Danny estava gostando de ?
, , e haviam marcado de se encontrar numa sorveteria logo na frente do colégio. Ficava meio difícil conseguir lugar na lanchonete durante a semana, já que os alunos freqüentavam o lugar sempre. Mas era sábado e, surpreendentemente, a sorveteria estava mais vazia.
- Duas bolas de chocolate para , mais duas para , duas de tangerina para mim e duas de delícia de abacaxi para a , certo?
As três concordaram e se dirigiu ao balcão.
- Sim ! Quer dizer então que a senhora anda com a idéia do Danny de boxers na cabeça, né? - comentou .
- Eu não tenho culpa se ele apareceu assim na minha frente...
- !
- Verdade , lá na casa do Dougie. - a amiga se defendeu, rindo. - Sim, vocês escaparam sábado passado, mas cá entre nós: Qual dos meninos as duas acham mais bonito? - se virou para que havia acabado de chegar com os sorvetes numa bandeja. - E você , o que acha?
- Tom. - respondeu rapidamente, com naturalidade. As três se viraram para ela. - Que é? Eu acho ele bem fofo. Aquela convinha é fofa demais, vai gente. E vocês?
- Hm... Harry, acho. Ele é muito lindo - falou . - ?
- É, o Harry é lindo, mas o Dougie também. Fico entre os dois.
- Verdade , o Dougie é... Sei lá. - calou-se rapidamente.
notou que ia falar algo que não pretendia. Quando terminaram os sorvetes, marcaram de se encontrar no fim da tarde na casa de para passar a noite lá. e foram juntas, já que as suas casas eram para a mesma direção.
- , você tá interessada no Dougie? - perguntou, no meio da conversa.
- Não . Que idéia! Tirasse isso de onde? - respondeu com naturalidade, enquanto chutava uma pedrinha na calçada.
- Ah, não sei. Achava que podia ser. Me enganei então. - olhou para a amiga sorrindo. Ela não a convencera.
- ! Até que enfim! - disse uma sorridente aparecendo atrás da portada casa de .
- Tá dando uma dos meninos agora e abrindo a porta da casa dos outros?
- Há! - fez dando espaço para a amiga entrar. - Dessa vez eu não fui a última a chegar.
- Não fique tão orgulhosa , você chegou não fazem nem dois minutos. - juntou-se as duas, sendo fuzilada por .
- Por que você sempre tem que estragar?
- Porque é legal fazer você ficar assim, xuxu.
Depois de terem feito uma verdadeira bagunça na cozinha na tentativa de preparar uns lanches para a sessão de cinema, finalmente elas estavam prontas para começar a ver os filmes.
- Então, Os Esquecidos ou O Amor Não Tira Férias? - falou tirando dois DVDs de dentro de uma sacola.
- Os Esquecidos! - gritou empolgada.
- Não, por favor! - responderam e juntas.
- Muito ruim, acredite. - completou.
- Além disso, o outro tem Jude Laaw. - falou feliz.
- Ok, ok. - tirava o filme da caixa. - Todas de acordo?
As meninas concordaram e já estavam no meio do filme quando a campainha tocou.
- Deve ser ! Ela só pôde vir agora porque tava com o Guilherme, vocês sabem... - disse se levantando. - Pode deixar que eu atendo, !
- Eu mesma não reclamo. - falou a menina colocando os pés na mesa de centro.
- Folgada nada. - comentou, fazendo rir, levando uma almofadada em cheio de .
Mas antes que a menina pudesse revidar, apareceu na sala mais uma vez e sem sinal de .
- ? Er, onde fica a chave?
- Deixa que eu abro, .
Foi a vez de então se jogar no sofá.
- Cá entre nós, - comentou a garota baixinho, fazendo com que as outras duas se aproximassem - vocês não tão achando que a tá a fim do Dougie? Assim, eu acredito em amizade entre meninos e meninas, claro, mas que ela parece estar parece...
- Hm. Talvez - respondeu - Eu não pensei nisso direito, mas eles têm feito um monte de coisas juntos mesmo e ela fala bastante dele.
e se voltaram para , esperando o comentário sobre o possível casal.
- O que é? Eu não tô sabendo de nada não. - disse a menina fechando a cara - E mesmo que soubesse...
- Meniiiiiiiiinas! - chegou gritando , com logo atrás dela.
Depois de terem falado com a amiga, continuaram a ver o filme como antes, mas ainda parecia perturbada.
- , passa a pipoca? - pediu a amiga.
- Claro, xuxu. - respondeu enfatizando ironicamente a ultima palavra. - Leva a pipoca, o refrigerante... Fica com tudo logo.
- Nossa , o que deu em você, hein? - perguntou , surpresa.
- Ela tá assim desde a hora que a gente falou em Dougie. Sabe , to começando a achar que a caidinha pelo Poynter aqui é outra, não a . - falou em tom de brincadeira.
- AH É? QUE CRIANCISSE, ! VAI VER SE EU SAIO POR AI TENDO ATAQUES POR UMA COVINHA! - gritou , levantando-se. - Vou dormir! Saco, hein?!
Ela subiu as escadas em direção ao quarto de . Entrou e escolheu uma das camas arrumadas no chão. agora se sentia envergonhada pela cena que havia feito. No fundo ela sabia que não estava gostando de Dougie, mas os comentários de e haviam colocado dúvidas momentâneas na sua cabeça. Ela sabia também que as duas não tinham falado por mal e criança tinha sido ela. Que culpa elas tinham? Só tinha desconfiado que ela estava começando a sentir algo por Dougie e ela mesma tinha negado, mesmo sabendo que a amiga não ia acreditar. Mas a verdade é que ela mesma não estava certa pelo que sentia sobre o garoto. Ela o achava muito bonito, sim, sem dúvidas, mas nunca havia pensado que se interessaria por ele. procurou por sua camisola na bolsa que tinha arrumado para a casa de "Merda, eu esqueço de tudo mesmo", pensou consigo e então pegou um livro jogado na sua bolsa e começou a ler. Lá em baixo, estava começando a entender as coisas.
- Mas você não precisava ter falado isso, né? Sabe como a pode ser infantil com essas coisas.
- Ah , era pra você estar irritada com ela, não comigo. E outra, eu nem acho que ela seja a fim do Dougie mesmo. Não sei porque ela deu esse chilique todo.
- É, eu sei. Eu não tô defendendo ela, longe disso. E também não acho que ela esteja a fim do Dougie. - tentou consertar, pensando que precisava medir as palavras melhor da próxima vez - Quer dizer, a tá chateada comigo por outro motivo, só isso. - sabia que o comportamento da amiga tinha algo a ver com o Dougie, com certeza. Ela havia percebido por conta do comentário de e do que havia acontecido mais cedo, no caminho para casa. Será que tava com ciúmes? Ela sabia que eles eram só amigos, não? A garota sorriu consigo mesma. Sua teoria estava certa, realmente estava gostando de Dougie. só não entendia porque a amiga não havia falado nada para ela e para as outras. A não escondia essas coisas. Não era tão expontânea e despreocupada como , mas era como , menos tímida do que . De repente, a campainha tocou. já tinha até se esquecido que tinha chamado os meninos para assistirem os filmes com ela quando Danny ligou mais cedo perguntando o que fariam a noite. Checando o relógio, viu que ainda eram 20h00. Não estava tão tarde quanto ela pensava. Deviam ser eles mesmo.
- Seu pais, ? - perguntou. - Ou quem sabe Matheus! - terminou, abrindo um sorriso enorme.
- , pára de tarar meu irmão! - disse, fingindo seriedade e levantando uma sobrancelha. - E não, não é ele nem meus pais. Eu esqueci de falar que os meninos vinham...
- QUÊ? - gritou.
- Ah, legal, e eu descabelada. - reclamou, arrumando o cabelo.
- Deixa de frescura, . - falou, indo abrir a porta.
Pouco tempo depois, todos estavam espalhados pela sala da casa dos . , Danny, Tom e dividiam um sofá. James, Harry e outro, enquanto Dougie e estavam no chão, em cima do tapete.
- Faz muito tempo que o filme começou?
- Aham, daqui a pouco acaba e a gente põe o outro dos que eu trouxe. Já visse Os Esquecidos, Poynter?
- Nope.
- Ele tem medo. - explicou Tom, que estava no sofá mais próximo.
- Aww Dougie! - falou, apertando as bochechas do menino enquanto Danny, que observava a cena, se levantou e jogou-se entre Dougie e no chão.
- Uau, Cameron Diaz é muito gata! - Danny comentou naturalmente.
- Sou muito mais a Kate Winslet. Cameron Diaz não merece o Jude Law. - comentou.
- Onde tá a ? - Danny perguntou, olhando para .
Dougie tinha percebido a ausência da garota, mas resolvera não perguntar. "Pelo visto o Danny também notou", o garoto pensou.
- Ela tá lá em cima. Ficou abusada por causa de uma besteira e resolver subir - respondeu.
- Hm. Mas ela tá bem? - continuou Danny.
- Acho que sim, foi só uma besteira. - respondeu , do sofá. - Daqui a pouco ela aparece por aqui. Alguém quer mais refrigerante?
- Deixa que eu pego, . - falou Dougie, se levantando e subindo as escadas rapidamente.
- Você sabe que a cozinha é aqui embaixo e que as pessoas costumam guardar os refrigerantes lá, certo Poynter?
- Aham, . É que eu vou no banheiro também. - ele respondeu, desaparecendo no corredor do primeiro andar. - Na volta eu pego!
- Ele sabe que tem um banheiro aqui embaixo. - falou baixinho pra Harry, que estava do seu lado. O menino deu de ombros e logo depois piscou para ela em resposta, dando um sorriso, o que a fez corar e, então, sorrir de volta.
"Realmente. Até parece que eles iam cair nessa histporia de banheiro. Quem sabe se eu não for logo..." Dougie pensava enquanto se dirigia ao quarto de . Ele sabia qual deles era; já tinha estado ali. Chegando ao quarto da amiga, bateu na porta.
- Já disse que eu ia dormir! - gritou lá de dentro do quarto antes que Dougie entrasse totalmente.
- Ah, desculpa. - o garoto falou, batendo a porta.
- Dougie?! - perguntou, receosa e com vergonha de ter gritado. - Desculpa, pode entrar... - completou, agradecendo mentalmente por ter esquecido de trazer o pijama. Se sentou na cama tentando inutilmente arrumar o cabelo.
- Você não precisa se arrumar para mim, . - disse Dougie, recebendo em troca uma cara de indgnada da menina. Ele não conseguiu evitar e sorriu para , que fez o mesmo.
- Então, as meninas te mandaram aqui como castigo pela minha cena?
- Hã? Como é? - perguntou o menino, fazendo cara de ofendido e se sentando perto dela no colchão - Você não sabe o que é castigo, !
Num movimento rápido Dougie segurou a menina pela cintura, começando a fazer cócegas nela, que ria sem parar. Enquanto tentava se soltar, notou como era bom ter Dougie perto assim dela. O garoto também estava gostando. Não sabia de onde tinha vindo essa iniciativa, mas era sempre bom ter uma desculpa para ter momentos assim, sozinho com ela. Desde a festa de Lola que chamara sua atenção.
- DOUGIE! Quer parar? - pediu séria, parando de rir de repente, o que fez o menino a soltar. - HA-HA, agora você vai ver!
se jogou em cima do garoto, começando a fazer cócegas nele, que estava quase ficando vermelho, até conseguir segurar os seus punhos:
- Trégua, então?
- Molenga... - retrucou , mas vendo que Dougie fizera mensão de recomeçar tudo de novo abriu um sorriso - Trégua! Trégua!
voltou a se deitar no colchão e, notando isso, Dougie fez o mesmo, deitando a cabeça nos braços.
- Então, pode me contar o motivo da briga?
- Hm. Não era nada. De verdade...
- Ok. Mas tá tudo bem, certo? - o garoto perguntou, receoso.
- Tá sim, "Castigo" - falou, sorrindo.
Os dois ficaram um tempo calados, encarando o teto, deitados de barriga para cima.
- Dougie?
- Sim?
- Obrigada.
O menino se virou para ela, que ainda tinha os olhos presos em algum detalhe do teto do quarto, e deu um sorriso em resposta.
Capítulo 9
A semana seguinte passou rapidamente, com os treinos de e ficando ainda mais frequentes e com uma duração maior. O dedo de tinha melhorado com as recomendações do médico, mas ela teve que se afastar por alguns dias na semana anterior e agora ela tinha que treinar mais do que nunca. Enquanto isso, todos eles se encontravam durante o almoço no colégio e nas aulas que tinham em comum. Na segunda-feira a noite, Steve passou no treino de .
- Oi , tudo bom? - ele falou quando encontrou com a garota na saída do rinque de patinação.
- Oi Steve. - respondeu, surpresa. Tudo ótimo. Você tava passando por aqui? - a garota começou.
- Na verdade eu vim aqui mesmo. Queria saber se você queria ir jantar em algum lugar hoje a noite. Eu sei como vocês têm treinado como doidas esses dias e mal tem se divertido.
Em parte era verdade. Sim, todo mundo da equipe estava treinando um bocado, mas a parte de que ela não estava se divertindo não era verdade. Entre os treinos os amigos vinham visitá-la e trazer algum lanche especial ou tentar patinar no gelo com ela, sem sucesso. Era realmente divertido ver Tom e Dougie caírem diversas vezes por tentarem fazer uma coreografia juntos. Enfim, Steve é um grande amigo de Matheus e também. Na verdade, durante um tempo, quando era menor, os três viviam praticamente grudados. Com o tempo eles foram se afastando, mas não perderam contato totalmente porque Matheus ainda era muito amigo de Steve então eles se viam sempre. Às vezes eles gostavam de voltar para os locais onde eles costumavam ir quando menores e ficam conversando e brincando como se ainda tivessem aquela idade.
- Tudo bem então. - deu de ombros e os dois seguiram para a pizzaria.
e Steve se viram praticamente todos os dias da semana, quando não estava treinando nem no colégio. Estavam quase que como quando era menor, se vendo o tempo todo. Na sexta na hora do almoço, , , , , Tom, Dougie, , Harry, Danny e James tinham combinado de ir no McDia Feliz, que iria acontecer no dia seguinte. tinha a maior antipatia pela McDonald's, mas até ela iria, já que se tratava de algo para ajudar outras pessoas; toda a renda arrecadada iria para o Hospital de Câncer de Stafford.
- Ok, depois de atravessar a guerra ali de trás e de desviar de umas quatro cotoveladas de senhores providos de gordura frontal, aqui estão os sanduíches. - falou enquanto entregava os sanduíches e refrigerantes para os outros que ocupavam duas mesas juntas. Tom vinha um pouco mais atrás com outra bandeja que praticamente derrubou quando duas crianças passaram correndo pela sua frente.
- Eu realmente não sei como elas acharam espaço para correr aqui dentro. - Tom falou enquanto colocava a bandeja na mesa e olhava por cima do ombro, vendo a grande quantidade de pessoas dentro daquele pequeno espaço.
- Cadê a e a ? - perguntou .
- Elas estão vindo, tiveram que treinar hoje também. - Dougie respondeu, pegando uma batata-frita incrivelmente grande e colocando na boca. - Vocês viram o tamanho dessa batata? - Dougie perguntou, mastigando ao mesmo tempo.
- Eu vi ela na tua boca. Eca! - respondeu, com nojo, levantando o olhar do celular, onde ela jogava algum tipo de jogo enquanto esperava pelos sanduíches. Depois de meia hora e quando o local já tinha esvaziado um pouco mais, e chegaram. As duas tinham a aparência de cansadas, mas conversavam sobre algo animadamente. Cumprimentaram os amigos e foram comprar os sanduíches. Quando as duas voltaram e se sentaram na mesa, James comentou:
- Eu conheço esse cara de algum lugar. - ele falou, olhando para um garoto com mais três amigos entrarem na lanchonete.
- Não é muito difícil você ter a sensação de que você já viu alguém aqui em Stafford... - disse, concentrada no suco que estava tomando.
- É o cara que a conseguiu o telefone no parque. - falou, reconhecendo-o.
- Hã? - perguntou, destraída, levantando os olhos do sanduíche que comia. Viu o garoto se aproximar da mesa e lançou um olhar feio para .
- Que é? - perguntou. - Isso ainda é culpa minha?
- Eu acho que é, . - Dougie comentou enquanto via o garoto falar com . Ele chamou a garota para conversar lá fora e ela, sem escolha, foi. Mas não antes de dar um pequeno tapa em .
- Você pediu o meu telefone, eu fiquei achando que você ia ligar. - o garoto falou quando os dois já estavam sentados numa mesa ao ar livre, lá fora. Ele se chamava Brian.
- Ah não, desculpa. Na verdade foi uma brincadeira que as minhas amigas me obrigaram a fazer... - começou.
- Hm. E você pode sair com o alvo da brincadeira? - o garoto perguntou, sorrindo gentilmente. Tinha cabelos loiros e olhos azuis, que, nessa hora, brilharam mais do que nunca.
- Er, na verdade eu não sei...
- Ah vai, não custa nada. Se for chato eu juro que não te dou o meu telefone de novo. - o garoto falou e riu.
- Tudo bem.
- Ei, , já te disse que eu te amo? - deu um beijo na bochecha da amiga quando voltou para a mesa.
- Agora ela me ama. O que foi que ele disse?
- Ele me chamou para sair. - falou para e . Os outros estavam entretidos em conversas paralelas. Danny ouviu a conversa das três e se meteu.
- Eu não fui com a cara dele. - ele falou, sério.
- Deixa de ser implicante, Jones. Você não vai com a cara de nenhum desses garotos. - falou.
- Eu vou com a cara de Harry. - Danny falou, abraçando o amigo que estava conversando com Tom e e não entendeu nada.
- Voltando. Ele tem cara de ser muito legal.
- Além de ser lindo... - falou.
- O nome dele é Brian. - disse, rindo das amigas.
- Eu sei. - falou, com cara de quem sabia muito.
- Como você sabe? - perguntou, surpresa. Nesse ponto Danny já tinha se metido na conversa de James e .
- Eu li no papel que você jogou em mim naquele dia. - a garota respondeu, com naturalidade.
- Olha , ela já tava de olho... - brincou com e recebeu um pedala da amiga.
No Domingo, e passaram o dia treinando, como sempre. Os outros foram visitá-las na hora do almoço e resolveram sair a tarde. Foram a sorveteria e lá encontraram com Rodrigo e Jéssica. e Jéssica discutiam empolgadas sobre alguma coisa que havia passado na TV na noite anterior enquanto esperavam os sorvetes de todos no balcão, quando viu Andrew entrar pela porta principal. Ela segurou Jéssica pelos ombros e a colocou na sua frente, impedindo que Andrew a visse.
- Que é, ? Tá se escondendo de mim? - Andrew falou, chegando jundo de . - Eu já sabia que você ia estar aqui.
- Agora você me persegue? - perguntou ao garoto, com raiva aparente.
- Pode-se dizer que eu sempre sei o que você faz. Stafford não é uma cidade grande.
- Psyco... - Jéssica comentou para si mesma, em voz alta.
- Quê? - Andrew se virou pra Jéssica, notando a sua presença.
- Nada não. - Jéssica falou e foi em direção à mesa onde todos estavam.
- Ela é meio estranha, né ? - Andrew falou, se sentando no banco antes ocupado por Jéssica.
"Olha quem fala", pensou.
- Olha, hoje eu realmente não tô a fim de conversar... - a garota começou.
- E vem para uma sorveteria. Ótima estratégia, aqui realmente não tem ninguém com quem se conversar...
- Cadê os sorvetes, Jessi? Nem pra isso você serve. - Tom brincou quando a garota chegou na mesa de mãos vazias.
- O cara ainda tava servindo, ai aquele idiota do Andrew chegou pra conversar com . Eu realmente não sei como ela suporta ele.
- Olha, mais alguém que não gosta dele. - comentou.
- Ninguém gosta dele, . Você vê como ele trata todo mundo? Se achando superior.
- Hm... - Tom agora olhava pra conversando com Andrew e se perguntava a mesma coisa que Jéssica. Andrew parecia ser insuportável, como , logo ela, tinha namorado com alguém assim?
- Olha, eu vou ter que ir... Os sorvetes vão derreter.
- Ah , deixa pra lá. - Andrew falou, se aproximando da garota e colocando uma mão na sua cintura.
- Precisa de ajuda, amor? - Tom apareceu do nada, com o rosto entre o de e de Andrew.
- Hã? - pareceu confusa e levemente irritada.
- Com os sorvetes. São muitos. Você precisa de ajuda? - Tom falou para a garota, ficando praticamente de costas pra Andrew. Andrew tocou o ombro de Tom, que virou e parecia ter notado a presença do garoto pela primeira vez.
- A gente tava no meio de uma conversa aqui. - Andrew falou para Tom.
- Ah, desculpa, mas a gente tem que ir. Os sorvetes vão derreter. - Tom puxou , que estava perplexa e não teve reação. Agora a garota estava visivelmente irritada. No meio do caminho, puxou o Tom pela mão para fora da sorveteria.
- O QUE FOI ISSO, THOMAS? - gritou quando chegaram do lado de fora.
- O que, ? Fui oferecer ajuda. - Tom falou, com um pouco de receio.
- "AMOR"? - a garota perguntou, irônica.
- Tá, desculpa...
- Tom, isso foi realmente chato. - falou séria. - Eu não preciso da sua ajuda com o Andrew! Pára de tentar bancar o herói, eu sei me virar. - terminou e se virou, entrando na sorveteria. Tom ficou lá fora, pensando o que havia feito de tão errado. Estava claro que estava decepcionada com ele. Depois de alguns minutos, notou que os sorvetes estavam praticamente derretidos e entrou novamente na sorveteria.
- Ele não fez isso! - falou incrédula, quando lhe contou sobre a cena de mais cedo. As duas estavam agora no quarto de , assistindo um de seus DVDs de The O.C. - Tom agora virou teu protetor, foi? - a menina brincou e recebeu um olhar com raiva de . - Tá, desculpa... Mas por quê ele fez isso? Como se você não soubesse lidar com o Andrew. - comentou, lembrando do incidente do lago.
- Ah, não sei. Mas foi realmente chato. Bom, eu falei com ele depois e acho que ele se tocou.
- E ela ficou chateada? - Harry perguntou a Tom logo depois que ele terminou de falar o que havia acontecido para Harry e Dougie. Os dois jogavam video-game concentrados e Harry nem tirou os olhos da tela.
- Muito, cara. Eu não sei o que eu fiz de errado.
- Que tal: chamar ela de amor? - Dougie falou da mesma forma que Harry; sem deixar de olhar para o jogo.
- Só isso, mas nem é tão grave.
- Agora o cara doido lá vai achar que vocês estão juntos. Merda, Dougie! - Harry agora reclamava com Dougie que havia feito o passe errado.
- DÁ PRA VOCÊS SE CONCENTRAREM NO MEU PROBLEMA? - Tom falou, se jogando no sofá.
Capítulo 10
Março começou e no segundo fim de semana seria o campeonato internacional de e . Tom e deixaram de lado o acontecido, já que a garota havia resolvido esquecer o fato e na segunda-feira os dois tinham se falado normalmente. e Brian foram para o cinema na terça a noite, como o combinado, mas nada demais tinha acontecido. No sábado, as garotas saíram para terminar de fazer as "compras da viagem".
- Sabe, isso era pra ser uma viagem só da competição, não uma excursão turística... - comentou, enquanto esperavam provar, contra a sua vontade, algumas roupas que as amigas tinham escolhido.
- A gente vai ver vocês competirem... - falou.
- E aproveitar pra dar um passeio por Londres... Sem os nossos pais! - falou, empolgada. Todas elas já haviam ido para Londres, mais de uma vez, mas nunca tinham ido para ficar hospedadas sozinhas. e iriam ficar com o grupo de competição, mas as outras iriam se hospedar num hotel com os garotos, que haviam praticamente se convidado pra ir. Foi um esforço convencer o Sr. e a Sra. a deixar ir sozinha com os amigos, mas depois de promessas de que se comportariam, os dois permitiram que fosse. Os outros pais também fizeram milhões de recomendações, mas já tinham dito que iriam permitir que as garotas fossem ver a competição das amigas.
Depois de passar na que parecia ser, para , a 948ª loja, as garotas terminaram as compras e saíram com as várias sacolas para a praça de alimentação, para jantar. e estavam na fila do japonês conversando quando alguém esbarrou em , que estava de costas, e derrubou algumas sacolas. Escutaram alguns risos escandalosos bem familiares e se virou para quem havia batido nela, enquanto esticava o pescoço atrás da amiga pra olhar quem estava fazendo aquele barulho todo.
- Eita, desculpa. - James falou, olhando pra baixo e pegando o que havia derrubado. - , você por aqui? - falou debochado, quando olhou para cima e reconheceu em quem tinha esbarrado.
- James, você por aqui? - a garota falou, em tom de brincadeira. - Olha, eles fazem compras. - comentou brincando, quando viu os outros quatro amigos com sacolas nas mãos.
- As crianças precisam de roupas... - Tom falou, fazendo com que Danny risse ainda mais alto.
- Às vezes eu tenho vergonha de andar com ele. - Dougie comentou, olhando para o garoto.
- Olha só quem apareceu por aqui... - falou quando as duas chegaram acompanhadas dos cincos garotos, que juntaram mais uma mesa e se sentaram com as garotas.
- Então, tudo certo pra Londres? - Harry falou, pegando uma batata-frita de e levando um tapa de leve na mão.
- Eles vão também? - perguntou, confusa.
- Informada como sempre. - brincou com a garota, que estirou língua pra ela.
- Tá sim, - respondeu a pergunta de Harry. - o hotel já está reservado, tudo certo.
- Como é bom viajar com alguém organizado... - disse Dougie.
- Como é bom viajar com alguém que organiza tudo pra você, né, Poynter? Quer ajuda com a mala também? - falou, em tom de brincadeira.
- Seria uma boa, obrigado. - Dougie respondeu, também brincando.
- Agora a gente só falta organizar o que a gente vai fazer cada dia e... - começou.
- Vaai, "Emma". Deixa disso, lá a gente vê o que dá vontade de fazer.
- Tá, chata. Mas eu vou olhar direitinho o que a gente pode fazer lá esses dias. - falou pra , que virou os olhos.
No domingo, depois do treino, e foram pra um pub para o qual elas sempre iam com o pessoal da patinação no gelo. Só que dessa vez, todos estavam ocupados ou nervosos demais com a sua "primeira grande competição" para terem tempo de sair com as garotas, então foram apenas as duas. não estava tão preocupada, mas demonstrava um pouco de nervosísmo. Nada, porém, que a impedisse de sair com a amiga. As duas pediram dois sucos e foi para casa terminar de preparar o dever de Biologia, para o dia seguinte. chegou em casa e encontrou Guilherme conversando com a sua mãe.
- Oi mãe. Oi Guilherme. Você está fazendo o que aqui? - a garota perguntou, se dirigindo a Guilherme.
- Eu vim te visitar na hora combinada, lembra?
- Ai, desculpa! Esqueci totalmente.
- Sem problemas. - Guilherme riu. Sabia que a namorada estava cheia de coisas na cabeça esses dias.
- Vou deixar vocês dois a sós. Tchau Guilherme. - a Sra. sorriu e deu dois beijinhos em Guilherme.
- Ela realmente gosta de você. - falou, abraçada no namorado e lhe dando um selinho depois que a mãe subiu as escadas. - Olha, já tem com quem ficar caso eu te deixe...
- Por quê? Você tá considerando a possibilidade? - Guilherme brincou.
- Não. Mas é bom ter uma garantia, em todo caso. - falou e os dois riram. - Mas você ainda quer sair? Já tá tarde... A gente pode só ver um filme, sei lá.
- Não, deixa. Você parece estar cansada. - o garoto falou sorrindo, quando a garota deu um bocejo. - Eu só queria te avisar que tá confirmado que eu não vou poder ir pra Londres mesmo...
- Sério, mesmo? Poxa. Que saco, eu queria que você estivesse lá. - a garota falou, triste.
- Eu queria estar também, mas tem esse casamento da minha irmã e eu realmente não posso faltar.
- Não, tudo bem. Eu entendo. - falou, dando um sorriso cansado.
Quinta-feita no almoço, , Dougie, e Danny engoliam qualquer coisa antes do toque. Haviam se atrasado porque e ficaram resolvendo algo com o professor (Danny e Dougie preferiam esperar lá fora). Os outros já haviam almoçado e cada um foi resolver alguma coisa diferente.
- Boa sorte pra Harry e resolverem os problemas com o boletim... - comentou enquanto comia rápido seu sanduíche natural. A dieta mais leve possível nos dias perto do campeonato; recomendação da treinadora. - Se depender da velocidade com que Arlete entende as coisas, esse boletim sai certo no final do ano.
- Nem fala que da última vez eu tive que ir quinze vezes contadas na sala dela. - comentou. - Mas e ai Dougie, como vai a mala?
- Nem comecei ainda. Aliás, você disse que ia me ajudar, não foi? Que tal hoje às 19h00, lá em casa?
- Er, por mim tudo bem... - a garota falou, sem jeito. Sabia que ia se sentir um pouco desconfortável sozinha com Dougie na casa dele, por mais amigos que fossem. sorriu para si mesma; era como se soubesse o que a amiga estava pensando. Ela ainda sorria sozinha quando alguém chegou por trás dela e lhe deu um beijo na bochecha.
- Tom, quantas vezes... - começou, mas parou de falar quando notou quem tinha feito aquilo. - Oi Brian. - a garota sorriu, meio sem jeito.
- Oi , tudo bom? - Brian cumprimentou a garota e os outros da mesa e se sentou na cadeira vaga do lado de . Danny apenas observava a cena. - Eu queria saber se você gostaria de fazer alguma coisa hoje a noite.
- Na verdade, eu tenho treino até as 19h00.
- A gente pode fazer algo depois. - o garoto sugeriu de uma forma fofa.
- Tá, tudo bem. - respondeu com um sorriso. Brian lhe deu outro beijo e foi em direção a sala de aula.
- Brian da McDonald's, né ? - perguntou com uma cara de esperta.
- Nossa, assim faz parecer o "doido da praça". - comentou e as duas riram. Dougie e Danny apenas se olharam e depois olharam feio para as costas de Brian, agora entrando na sala de aula.
- O que vocês têm contra ele, hein? A parece gostar do garoto. - Tom comentou com Dougie e Danny quando os dois falaram sobre o acontecido mais cedo. Eles estavam na cozinha da casa de Danny preparando algum lanche perto das 18h00. Harry entrou no cômodo e se dirigiu à geladeira sem nem olhar para os amigos direito.
- Quem gosta de quem? - perguntou enquanto pegava a geléia e passava na torrada.
- A gosta do cara da McDonald's. Brian.
- Aquele idiota? - Harry falou, levantando os olhos da torrada.
- Há! Não é só a gente, Tom! - Danny falou, apontando pra Harry.
- Ele não tem nada demais, vocês que implicam com todo mundo.
- Mas o que tem a e o Brian? - Harry pareceu realmente interessado.
- Nada, só que eles vão sair hoje mais tarde e esses dois ai não gostaram. Deixa a garota viver a vida dela. - Tom falou dando um ponto final na conversa.
passou na casa de antes de ir para a casa de Dougie. As duas ficaram vendo alguma série de TV enquanto comiam um pouco de brigadeiro que havia levado pra o colégio mais cedo. O assunto de Dougie surgiu e não pôde deixar de perguntar:
- , você gosta do Dougie, né?
- Er... É. - a garota respondeu honestamente. Tinha certeza que a amiga já sabia de qualquer jeito.
- AHÁ, sabia. - fez cara de esperta. - E quando você pretende contar pra ele?
- Ah , eu não sei... A gente é amigo, eu não queria estragar isso. - lançou um olhar de "deixa de ser idiota" para , que retibuiu com as sobrancelhas levantadas.
- Que é?
- Tá na cara que ele gosta de você também, . Deixa de ser besta, fala pra ele.
- Hm, não sei. Eu acho melhor deixar como tá, pelo menos por enquanto. - falou. No fundo ela não queria deixar como tava, mas alguma coisa a fazia desistir da idéia no momento que ela pensava em contar pra Dougie.
Capítulo 11
Ela se despediu da amiga e foi atravessando a rua. Decidiu afastar essa idéia, afinal não estava preparada ainda e este pensamento se confirmou quando Dougie abriu a porta, com uma toalha jogada em cima do ombro - ele devia ter acabado de sair do banho.
- ! Que bom que você chegou. Entra.
- Oi Dougie. - ela entrou passando pelo garoto, sem poder deixar de reparar em como ele estava cheiroso.
- Então... Você quer alguma coisa? Água, refrigerante, suco?
- Não, obrigada.
- Você falou que ia me ajudar com as malas... Vamos lá pro meu quarto então? - ele não conseguiu deixar de rir ao reparar como ela ficou sem jeito. - Ah, droga, esqueci de dar uma geral no quarto. - foi a vez dele de ficar sem jeito.
- Certo, eu espero aqui então.
- Beleza, senta ai no sofá, fica a vontade. - Dougie subiu correndo as escadas.
Ela sentou-se então tirando o casaco. Aquele tempo estava realmente louco e era muito mais quente dentro de casa do que fora. achou bom, já que estava precisando de alguns segundos pra organizar os pensamentos que tinham ficado meio embaralhados com aquele cheiro gostoso que misturava sabonete, shampoo e colônia masculina. Ela sabia que não agüentaria muito mais tempo sem contar as coisas pra ninguém. Não gostava muito de segredos, mas agora tudo prometia melhorar já que teria para ser sua confidente e lhe dar alguns conselhos. Os pensamentos ainda estavam longe, mas foram trazidos de volta a sala quando ouviu Dougie chamar seu nome da escada.
Ela foi até as escadas e de lá para o quarto. Logo que entrou, olhou bem em volta - a cama era encostada na parede oposta ao guarda-roupa, a mesa do computador ao lado de uma janela que ela notou ser diretamente em frente à do quarto da amiga logo do outro lado da rua. Havia também uma gaiola em uma mesa ao lado do computador e, em cima dela, um lagarto. Ela não conseguiu refrear uma pequena repulsa e se encolheu ligeiramente ao notar o réptil ali;
- Aaanh... Dougie... O que é aquilo?
- Ah, é o Zukie, deixa eu pegar ele pra vocês se conhecerem.
- NÃO! - ela falou no susto - Quero dizer, não precisa.
- Ta bom, já que você insiste. - ele ria.
- Desculpa, é que eu não gosto muito de iguanas, sabe?
- O Zukie é um lagarto, . Parece até que nunca teve aula de biologia. - ele continuava a rir. Parecia impossível parar.
Ela ficou ligeiramente vermelha - aquele menino a deixava nervosa.
- Então, vamos logo arrumar a sua mala? - queria mudar de assunto a todo custo.
A arrumação se estendeu por mais de uma hora. Não teria demorado tanto se eles não ficassem parando para contar histórias, pegando comida na cozinha (ok, isso foi Dougie) e aproveitando para tirar fotos, e olhar coisas na internet. No final, Dougie se jogou na cama ao lado de , que estava sentada.
- Estou morto! Quero comida.
- Claro, você é um esfomeado! - brincou. Era incrível como do nada todo aquele nervosismo do começo havia passado apenas com algumas risadas.
- Sou, é? Olha, cuidado com o que você fala. Eu posso ser vingativo.
- É? Vingativo como?
- Assim! - o garoto começou a fazer cócegas em , que começou a se contorcer tanto que quando ele finalmente parou, ela estava deitada na cama. Quando olhou para o lado, deu de cara com aqueles olhos azuis a encarando.
- Sabe, , você é uma garota legal.
- Você também, Poynter. Sabe, eu gosto de você.
- Verdade? Eu também. Você é legal, inteligente... E bonita também. - essa ultima parte saiu quase que inaudível - É diferente das garotas que eu costumo sair, quer dizer, andar, sabe?
- Ah, obrigada, acho. - ele tinha mesmo dito aquilo? E por que diabos ela não conseguia parar de ficar cada vez mais nervosa? - E como são as meninas que você costuma andar?
- Ou são legais, ou bonitas, ou inteligentes. Não costumo, aan, namorar com garotas que consigam ser os três. - a verdade é que as garotas que eram os três já tinham namorado ou não queriam nada com ele.
- Ah, sério? Não sabia desse seu passado. - será que ele estava dizendo que nunca namoraria com ela? Esse pensamento não parava de lhe rodar na cabeça. Ela olhou novamente nos olhos dele, mas eles não a olhavam de volta. Pra falar a verdade, olhavam um pouco mais para baixo, e a garota logo percebeu que olhavam diretamente para seus lábios. Isso a incomodava um pouco, mas estranhamente, de uma forma positiva. Ele se aproximava devagar, a deixando a cada fração de segundo mais nervosa. O pensamento voltou: Ele nunca namoraria comigo. Ela virou o rosto rápido e se levantou, assustando-o.
- Dougie, você falou que estava com fome, e bom, já está bem tarde. Acho melhor eu ir para casa pra você poder jantar.
Eles desceram para a sala e o menino foi abrir a porta para ela, que lhe deu um beijo rápido na bochecha receando que ele virasse o rosto. Ou talvez ela quisesse que ele virasse. Estava confusa. Desejou-lhe um adeus e saiu rápido, ainda muito nervosa.
Ela andava pelas ruas pensativa, com milhões de coisas na cabeça, e seus pensamentos viajavam de um para outro estupidamente rápido, seguindo uma seqüência não muito lógica. Eram quase 20h30 e ela estava muito cansada. O dia tinha sido longo, e ainda por cima estava com frio "Droga, esqueci do meu casaco!"
olhou para o relógio que não vivia sem: eram 20h30, poderia passar mais uma meia hora e teria que ir para casa, já que não podia dormir tarde tão perto do campeonato. Olhou em seguida para a pessoa sentada ao seu lado: Brian havia sido um fofo durante todo o tempo. Haviam ido a uma lanchonete muito boa, nada muito formal. Ele contava histórias muito engraçadas sobre o colégio, alguns amigos e até de uma vez em que deu uma escapada com os primos para outra cidade para assistir a um show enquanto os pais dormiam. Porém de modo algum era intediante e não parava de perguntar coisas sobre , como o que gostava de fazer e as matérias que cursava no colégio, e demonstrava grande interesse em tudo. Já era a segunda vez em que saíam, mas como a primeira havia sido para um cinema e ambos eram grandes amantes de filmes, não conversaram muito. Depois de comerem, decidiram dar uma volta no parque e se sentaram naquele banco, e pela primeira vez na noite, se calaram por alguns minutos sem conseguir pensar em um novo assunto para puxar. Bárbara decidiu, por fim, acabar com aquele silêncio.
- Brian, você acredita que antes eu achava que você era um chato?
- Como assim, ?
- Tipo, quando você veio na Mc falar comigo no outro dia, eu achei que você era um daqueles caras beeeem metidos e chatos que só fala em si próprio e acha que consegue todas e tals. Mas ai a gente conversou e eu comecei a mudar meu conceito, e depois de hoje pode ter certeza: eu te acho uma pessoa muito legal! Nada daquilo que eu achava antes, sabe?
- Que bom que você mudou de idéia, , eu também tenho gostado muito de conversar com você. Pra falar a verdade, eu gosto muito de você.
encarou aqueles olhos castanhos. Não eram exatamente bonitos como alguns azuis que ela estava acostumada a ver, porém eram diferentes, o que lhe chamava atenção. Brian de um modo todo era bonito: pele levemente bronzeada de praia, que dava aquele ar saudável, cabelos escuros e lisos ligeiramente compridos, mas que não chegavam ao seu ombro. Ele era forte sem ser exagerado, apenas o suficiente para os músculos se destacarem levemente sob a blusa, além daqueles olhos que pareciam ter um brilho especial, ainda por cima à luz da lua e das estrelas. E ainda era legal, divertido e inteligente. É, parecia que o seu novo amigo tinha bastantes qualidades.
O silêncio tomou conta novamente do banco e olhou para cima - a lua estava cheia e enorme, simplesmente linda.
- Eu não sei se eu já comentei, - ela falou se levantando. - mas uma das coisas que eu mais gosto aqui de Stafford é que o céu é lindo e cheio de estrelas o ano todo.
- É mesmo. - Brian se levantou e ficou de frente para a menina, também olhando para o céu - Eu adoro ficar olhando a lua e essas coisas.
Eles ficaram de frente um para o outro, olhando para cima, conversando sobre o céu, a lua, as estrelas, as nuvens. Sem nem perceber, deram as mãos e continuaram a conversar, mas então Brian simplesmente puxou as mãos da para trás, fazendo a menina se aproximar dele e sem pedir nem dar aviso prévio, lhe beijou. Ela não fez nada para interromper aquele beijo e, no começo, ela achou que era por susto, já que ele a pegara desprevenida, mas logo percebeu que era porque estava gostando. Afinal, ele era um menino bonito e simpático e ela parecia que estava meio que aguardando que aquele momento acontecesse desde que ele sugerira que fossem para o parque.
Eles ficaram nisso, entre beijos e conversas, simplesmente acontecendo e vivendo aquele momento, mas logo deram 21h00 e precisava voltar para casa. Brian a acompanhou e quando chegaram em frente à casa, ele lhe perguntou:
- Então, a gente se vê amanhã no colégio? - ele parecia ansioso, porém ainda não havia pensado naquilo e levou alguns segundos para responder.
- Claro. Mas olha, é que eu sou meio tímida no colégio e tal, então, meio que tudo bem se a gente não ficar juntos o tempo todo? - ela o olhou apreensiva - Assim, claro que eu quero ficar contigo e tudo, mas não sou muito de demonstrações afetivas no colégio. Você entende?
- Claro que entendo, linda, - ele lhe deu um selinho - não quero apressar nada.
- Bom, então acho que é até amanhã.
- É.
Deram um último beijo e entrou em casa, indo direto para o seu quarto arrumar as últimas coisas para a viagem no dia seguinte.
e mal viram os amigos na sexta-feira de manhã. O máximo que todos juntos se encontraram foi no almoço, quando as meninas passaram na mesa para avisar que estavam indo para Londres naquela hora com todo mundo da patinação (não que os amigos já não soubessem) e que, no momento que eles chegassem em Londres, ligassem para elas que elas provavelmente já teriam terminado o treino na pista de lá.
- E a gente tá com o celular, para qualquer coisa, ok? - terminou, dando um beijo na bochecha de James e se afastando dos amigos que ainda almoçavam.
e já tinham saído do refeitório com o material escolar do dia. No corredor, encontrou com Brian, que a parou rapidamente e lhe deu um selinho, desejando boa sorte.
- e Brian, é? - brincou com a amiga, enquanto o garoto se afastava.
- Ah, no caminho eu te conto tudo. - falou com um sorriso, enquanto as duas se dirigiam aos armários para guardar as coisas.
Quando o sinal bateu às 15h00, , , , Dougie, Harry, Danny, Tom e James se dirigiram para o estacionamento do colégio onde tinham combinado de se encontrar para a viagem. A meninas iriam no carro de e os meninos com Harry.
- Pera, vocês vão no conforto de apenas três pessoas no carro e a gente vai no aperto de cinco?
- Ui Harry, o James ta dizendo que teu carro é pequeno e não cabem cinco pessoas! - brincou.
- Nada disso, um de nós devia ir com elas. - James continuou
- Ele tem razão, garotas. - Harry agora olhava para as três.
- Eu vou com elas. - Danny se adiantou com um sorriso no rosto. Dougie sabia bem que era por conta de que o amigo havia se oferecido e não gostou daquela idéia.
- Nem vem Danny, eu vou com as garotas! Não vou ficar três horas ouvindo você e o Dougie falarem besteira. - Tom se pronunciou.
- Não mesmo Tom, eu vou com elas. - Danny já se preparava para começar a discussão.
- Eu sei que todos querem ir conosco, - falou fazendo voz de quem se acha. - mas tirem logo par-ou-ímpar que a gente tá com pressa.
Finalmente acabou que Tom foi com no banco de trás do carro de , enquanto os outros quatro se organizavam no carro de Harry.
Eles já viajavam há quase uma hora conversando, ouvindo música e ficando calados de vez em quando. Foi numa dessas vezes que Tom puxou assunto com :
- , o que é que você tem com o André?
- Nada. A gente namorava antes de eu ir pro Brasil.
- Mas por que vocês acabaram? Eu digo, você parece que odeia tanto ele.
- Porque sim. Não é da sua conta, Fletcher. - não queria ser grossa, mas aquele assunto ainda a machucava e as únicas com quem falava sobre ele eram suas amigas.
- Desculpe, , não quis ser intrometido.
- Ok. - falou virando o rosto para a janela.
Capítulo 12
A viagem seguiu para Londres tranqüila, até que, por volta das 17h00, o carro dos garotos encostou em uma lanchonete de beira de estrada, sendo seguido pelo carro das meninas (e Tom).
- O que foi? - perguntou depois que todos haviam saído dos carros.
- As crianças estavam com fome. - James parecia decepcionado.
- Pai, me compra um cheeseburguer duplo? - Danny pediu com voz de criança.
James lançou um olhar maligno ao Danny, como quem diz "morra", enquanto todos os outros a sua volta riam.
Todos acabaram lanchando, com fome ou não, e foi completamente incrível a rapidez com que os meninos conseguiram ingerir uma quantidade absurda de comida. Mas, afinal, eles eram assim. Com meia hora já estavam de volta aos carros. , que estava desde o dia anterior evitando conversar com Dougie, entrou rapidamente no seu carro ao perceber que ele se aproximava.
- Tom, você já foi um pedaço do caminho, eu quero ir a agora com as meninas. - Danny protestava.
- Nem pensar!
- Vaai! O Poynter já ta alimentado, vai ficar de boca calada agora.
Tom já abria a boca para argumentar quando viu entrar rapidamente no banco ao lado do motorista, fechar a porta e colocar o cinto de segurança. Desistiu e deixou um Danny feliz entrar no banco de trás. Dougie ficou aliviado que, pelo menos, o Danny não fosse na frente ao lado de . Mas mesmo assim era proximidade demais, dava para puxar muita conversa ainda na quase uma hora que faltava para chegar à cidade.
De volta a estrada, e Danny conversavam sobre vários assuntos e algumas teorias estranhas, mas comer tanto havia dado sono ao garoto e ele acabou por deitar nas pernas cruzadas da garota em cima do assento.
- Jones, tu é folgado, hein, menino?
- Deixa eu ser mais folgado ainda?
- O que é?
- Mexe no meu cabelo?
- Tu é muito folgado mesmo. - ela deu ênfase a ultima palavra, mas começou a mexer nos cabelos meio lisos meio cacheados do garoto e a conversa continuou, assim como a viagem.
Chegaram na cidade por volta das 19h00 e foram direto para o hotel. Chegaram nos quartos, ligaram para e irem encontrá-los e foram tomar seus respectivos banhos. Quando as meninas já haviam chegado, foram todos para o quarto dos meninos. Não que fosse maior, já que ambos os quartos tinham duas camas de casal e no quarto dos meninos tinham enfiado uma cama de armar, porém as garotas não gostavam da idéia de um bando de garotos em seu quarto com todas as suas coisas por lá. Quem ia saber qual mala eles iriam atacar quando o Harry decidisse se vestir de menina e James segurasse Tom para que Danny e Dougie fizessem serviço de cabeleireiro e maquiagem?
A conversa foi rolando entre risadas e o tempo passou mais rápido do que deveria.
- ! Olha a hora, já são quase 21h00. - , a única com relógio, comentou. - Já já a Hannah vai passar por aqui pra pegar a gente.
- Eita, é! Se a gente dormir tarde a treinadora mata a gente. - começou a se levantar e procurar sua bolsa. - E se a gente demorar muito pra descer, a Hannah também.
- , eu tenho que falar um negócio contigo! - falou meio preocupada. Não sabia quando poderia conversar com a amiga depois que as competições começassem, e ela precisava contar o que tinha acontecido no dia anterior. - É meio urgente.
- , tem que ser agora? - ela olhou pro rosto da amiga que claramente mostrava que precisava ser naquele momento. - Ok então, , vai descendo que já já eu chego lá embaixo. , vem logo que eu não tenho muito tempo.
As duas saíram do quarto e foram até o das meninas, que era apenas duas portas depois. Chegando lá dentro, contou para a amiga exatamente o que havia acontecido na casa de Dougie no dia anterior e que agora não sabia como agir perto dele, por isso estava evitando conversar com o garoto.
- , até eu já percebi que você tá evitando conversar com o Poynter. Ele, com toda a certeza, percebeu também. - a amiga a encarava sentada na casa. - E, admita: essa atitude é meio infantil e eu não duvido nada que ele logo se chateie com isso.
- Você acha mesmo?
- Com toda certeza.
- E agora? O que eu faço?
- Poxa , deixa rolar. Você quer ficar com ele, e tá na cara que ele quer também. Se ele não quiser namorar com você, paciência, pelo menos vocês ficaram juntos por um tempo. - tentava convencer a amiga. E acrescentou, para animar a outra. - E acho muito difícil ele não querer namorar depois de passar um tempo contigo.
- Sério? Juro como se for verdade eu vou ser a menina mais feliz... Desse hotel, no mínimo.
- Claro que sim! Ele próprio já admitiu que você é legal, inteligente, bonita e a coisa toda!
- Ooooh ! Você tem razão! - disse sorrindo ao se lembrar das palavras de Dougie. Pulou em cima da amiga e lhe deu um abraço de alegria.
- Ai, ! Eu sei que você tá feliz, mas meu relógio tá me machucando! - ela olhou as horas. - Merda! 21h20 já! Eu tô mais que atrasada!
Ela saiu praticamente correndo do quarto e desceu na mesma velocidade. Porém, quando chegou lá, não viu em canto nenhum e, ao perguntar ao porteiro, descobriu que a amiga havia ido embora fazia mais de 10 minutos. "Ótimo, agora eu não tenho como voltar e a treinadora vai me matar". Subiu de volta para o quarto dos meninos onde encontrou todo o resto.
- O que é que você ainda tá fazendo aqui? - perguntou Harry.
- "Esqueceram de Mim 342617". Tá, foi mas pra "me abandonaram aqui", mas a gente supera.
- E agora? - franziu a testa.
- Agora ela dorme aqui com a gente! - pulou na amiga quase fazendo com que as duas caíssem na mesinha de cabeceira.
- Opa, as garotas vão dormir aqui? - perguntou um Danny, malicioso. - Gostei disso.
- Nada disso, senhor Jones. - estirou língua para ele. - Ela vai dormir com a gente no nosso quarto. Tem uma cama sobrando mesmo.
conseguiu se arrastar para uma das camas. Péssima idéia: foi vítima de um montinho iniciado por .
- Vocês realmente tão tentando me matar hoje, não é? - disse com a voz abafada, depois que , Tom, Harry e James haviam pulado, seguindo .
No dia seguinte, estava um pouco mais cansada do que deveria. Inevitavelmente, tinha ido dormir mais tarde, já que ficara conversando com as meninas no quarto. Tinha que acordar cedo para voltar pro hotel onde estava hospedada com o resto das equipes da competição, de modo que teria que sair antes mesmo do café-da-manhã. levantou-se às 6h30 e foi para o banheiro. Se olhou no espelho e viu que estava com uma cara péssima; tinha dormido muito pouco e mal, já que ocupava mais da metade da cama e gostava muito de se mexer enquanto dormia. estava vestida com uma camiseta que Dougie havia lhe emprestado e o short de , já que não tinha trazido praticamente nada para o hotel. Se trocou com a roupa da noite anterior e escovou os dentes com o dedo. Terminou arrumando o cabelo de uma forma que não ficasse muito bagunçado e pegou a sua bolsa, tentando fazer o mínimo de barulho possível para não acordar as outras três. Deixou um pequeno bilhete que dizia "Já fui para o local da competição.
Não se preocupem, estou bem. Vejo vocês mais tarde, beijos." para as garotas. Nem chegou a assinar; as amigas conheciam a sua letra. chamou o elevador no 12º andar e o esperava quando sentiu uma mão no seu ombro.
- AI HARRY, QUE SUSTO! - a garota falou depois de ter se virado rapidamente e olhado quem era.
- Desculpa, não queria te assustar. - Harry falou, rindo da reação da garota. - O que você tá fazendo aqui a essa hora?
- Eu tenho que ir agora. A treinadora já vai me matar por ter dormido fora... Eu estou ferrada. - a garota falou, tentando arrumar melhor o cabelo, agora achando que não tinha feito um bom trabalho alguns minutos mais cedo.
- Se quiser eu posso te levar de carro. - Harry se ofereceu.
- É uma boa idéia. - pensou duas vezes; realmente não tinha considerado como chegaria no local. Na verdade, nem sabia direito onde era nem como fazia pra chegar lá. - Mas por que você se acordou tão cedo?
- Eu tenho o sono leve e o Tom ronca alto. - o garoto falou, dando de ombros e abrindo a porta do elevador para ele e passarem.
- Harry, admita, a gente tá perdido. - falava, olhando pela janela as placas das ruas. - Essa é a terceira vez que a gente passa por aqui.
- Ok, a gente tá perdido. - ele se deu por vencido. - E agora? Você não tem nem idéia de onde é?
- Não. Eu não prestei atenção quando a gente tava chegando. Pera, eu vou ligar pra ... - a garota falou, tirando o celular da bolsa.
- Alô, ?
- ? Onde você tá? - falou, com voz de sono.
- Eu to perdida no meio de Londres! A senhorita me esqueceu ontem lá no hotel e agora eu e o Harry estamos perdidos tentando achar como chegar ai! - falou, com raiva.
- AH, DESCULPA! A Hannah chegou, ela tava me estressando... - tentou se explicar, mas se complicou toda com as palavras por causa do sono. - Ah, esquece. Pra chegar aqui você faz assim...
- Acho que eu sei como fazer pra chegar lá. - falou pra Harry quando desligou o telefone.
- Acha que sabe? - Harry perguntou, perplexo. O carro estava parado junto da calçada e praticamente não havia movimento na rua àquela hora.
- Tá, eu sei como chegar lá. Entra nessa rua aqui...
- Hm... ?
- Oi. - a garota respondeu, enquanto conferia a placa da rua que estavam.
- Você e o Brian... Vocês têm alguma coisa?
- Por que a pergunta, Harry? - perguntou, impressionada. Achava que ninguém sabia de nada ainda, só .
- Nada. É que eu vi você e ele no corredor do colégio ontem.
- Tá, a gente tá junto. - falou, um pouco envergonhada. Na verdade, não sabia porque, mas não se sentia muito à vontade falando aquilo com Harry. Com qualquer um dos outros quatro ela não teria problema, mas com ele não foi algo muito agradável. - Só não fala muito porque a gente não tá namorando nem nada, eu nem sei se vai dar certo mesmo. - Harry comemorou involuntariamente por dentro quando ouviu aquilo.
- Não, tudo bem... - ele falou, com um pequeno sorriso.
Harry a deixou na frente de onde estava hospedada e agradeceu, dando um beijo na sua bochecha e descendo do carro. Assim que ela saiu do carro, encontrou com ainda de pijamas e com um casaco por cima.
- Obrigada por ter me esquecido, .
- Ainda essa história? Desculpa...
- Tá, ok. Mas a Janice ficou muito irritada? - perguntou com cara de preocupação.
- Porque uma das atletas dela estava faltando? Nem um pouco... - falou, em tom de brincadeira, fazendo com que risse também, enquanto as duas entravam novamente.
Enquanto isso, no hotel, as garotas acordaram um pouco depois de sair, com um despertador que ela havia colocado e esquecido de desligar. Como na noite anterior, , sabendo o vizinho que tinha, deu uma de mão leve pra cima de uma das chaves do quarto dos garotos, , e conseguiram entrar no quarto logo cedo enquanto eles ainda dormiam. Por sorte todos eles tinham o bom senso de dormir com alguma roupa.
- O que a gente faz? - uma sapeca perguntou - Pula em cima, grita, joga água...?
- Eu tive uma idéia melhor. Sigam-me. - falou, se dirigindo ao banheiro.
Logo acharam o que procuravam e cada uma se "armou" de uma coisa. passava espuma de barbear no rosto de Dougie, agora sozinho na cama, melecava Danny e Tom de shampoo enquanto pintava James com a pasta de dente.
- , dá só uma olhada - chamou .
se dirigiu até onde a amiga se encontrava. Ela havia tirado o lençol de cima de Danny e melado todo o tronco do garoto de shampoo, já que ele dormia só de boxers, de novo. olhou para o garoto e congelou. "Puts! O Jones fica gato sem camisa!" Virou-se rapidamente, foi até o banheiro e voltou com o secador de cabelos. A primeira vítima foi o Dougie, que estavam mais próximo. Não obteve sucesso. O vento apenas fez com que a espuma saísse voando e ele enfiasse a cara no travesseiro.
Reclamando baixo, foi até James, que logo sentiu a pasta em seu rosto arder com o vento. Em seguida, ela ligou o secador bem na cara de Danny. O menino acordou assustado e deu de cara com rindo. Colocou a mão na barriga sentindo o shampoo pegajoso...
- OPA! - largou o secador e saiu correndo, ainda rindo.
- Você me paga, ! - ele gritou, começando a correr atrás da garota.
Ela entrou correndo no próprio quarto assim que conseguiu destrancar a porta, porém Danny conseguiu entrar antes que ela batesse a porta. Ele abraçou a garota e a derrubou na cama. começou a se debater, mas não conseguiu fazer muita coisa.
- Jones, não fui eu quem te melei!
- Não?
- Não, foi a ! - ela não conseguia para de rir.
- Ah, saco. - ele enfiou a cara no ombro da menina e lhe deu um pequeno beijo.
- Nem venha! Agora eu tô toda melecada!
O garoto começou a lhe dar beijos na bochecha, como uma criança que pede desculpas à mãe pela bagunça que fez. não achava ruim, mas não pode deixar de perceber como eles estavam próximos e como Danny chegava cada vez mais próximo de sua boca. Decidiu agir:
- Danny! Você tá sem blusa e todo sujo de shampoo! Quer, por favor, sair de cima de mim? - a menina tentou fazer uma voz brava.
- Tá bom, tá bom - ele se levantou meio a contra gosto.
- Agora volta pro seu quarto que eu vou ter que tomar outro banho!
- Opa, então eu fico aqui. - disse com um sorriso de orelha a orelha.
- Há-há, engraçadinho! - ela lhe lançou um olhar irritado. - Fora! Rua!
Ele saiu e voltou pro seu quarto, onde todos os outros já tinham sido acordado. Se por conta das outras garotas ou pelos gritos que deu, ele não sabia dizer. Danny parou um momento para ver as caretas que James fazia, e em seguida se virou para e Tom que tinham a cama entre eles, e ela aparentemente fugia dele, já que segurava um travesseiro.
- Você é a próxima, ! - Danny falou apontando para , que se virou para lhe encarar.
Tom olhou para Danny e dele para , e, aproveitando o momento de distração da garota, pulou na cama e a puxou também. Quando conseguiu derrubá-la, começou a esfregar sua bochecha ainda suja de shampoo na da garota, fazendo-a gritar e rir ao mesmo tempo!
- PÁÁRA TOOM!
- Peça desculpas!
- Nãão!
- Ah, é? - Tom já limpara toda a bochecha em , de modo que começou a fazer cócegas na garota.
- Tá bo-hsaus-om! Descul-hsuahs-pa Tom... - a garota falou, entre risadas.
Danny pegou uma roupa qualquer na mala e entrou no banheiro pra tomar banho. Deu de cara com Dougie lavando o rosto, enquanto preocupada pedia desculpas.
- Oh! Desculpa! Sério mesmo! Eu não sabia que ia cair no teu olho, e na tua boca... E no teu ouvido... E no teu nariz...
Quando Dougie levantou a cabeça, viu o amigo pelo reflexo do espelho olhando os dois. Ele se arrumou rapidamente, murmurou um "não foi nada não, " e saiu apressado do banheiro, sendo seguido por .
- Alguém me diz o que aconteceu aqui? - Harry falou da porta na hora que chegou e viu a bagunça no quarto.
Quando todos já estavam limpos, bonitos, cheirosos e alimentados já eram quase 10h e eles decidiram andar um pouco pela cidade antes de se encontrarem com e na hora do almoço.
Capítulo 13
Decidiram fazer um tour por Londres. Afinal, fazia tempo que não ia pra lá e nenhum deles tinha realmente parado algum dia para visitar todos os locais turísticos.
- ESSAS COISAS NÃO SÃO O MÁXIMO? - Danny falou empolgado, com um chapéu de estampa da bandeira do Reino Unido e algumas bandeiras na mão. Tom estava sentado num banco enquanto os outros tiravam fotos na praça.
- Primeira visita a Londres? - Tom perguntou irônico, olhando para como Danny estava vestido.
- Não, mas eu nunca tinha visto como essas coisas pra turistas são legais. - Danny falou, se mexendo exageradamente e praticamente batendo o seu chapéu extremamente grande em , que se aproximava dos dois por trás de Danny e teve que desviar.
- O que é isso, Jones? - o olhou de cima a baixo e aceitou uma bandeira oferecida por Danny, com cara de quem não estava entendendo muito. - Ei, a gente quer ir no London Eye! - ela falou pra Danny e Tom. - Vamos?
- Já já dá a hora de começar a competição das meninas, e a gente ainda tem que almoçar. - Tom olhou para o relógio no pulso de , que tinha se aproximado dos três junto com Dougie.
- Oush, dá tempo, Tom! Olha que horas são ainda. - James olhou pra o relógio de também.
Chegaram no London Eye um pouco depois das 11h30 e esperaram na fila, que não estava muito grande. Entraram todos numa cabine e se encostou num canto, observando a paisagem mais atentamente que qualquer um dos outros, que estavam brincando e tirando onda do Danny e suas compras. Tom se aproximou da garota.
- A vista é realmente linda daqui, não é?
- É mesmo. Tava com saudades daqui.
- Como assim?
- Tipo, no Brasil tem coisas realmente bonitas e tudo, mas é diferente.
- Hm, entendo. Eu acho. - ele não tirava da cabeça a sensação de que ela estava mais fria com ele. Decidiu perguntar. - , eu fiz alguma coisa que te chateou? - vendo que a menina não respondia, decidiu arriscar novamente. - Sabe, se foi aquilo do Andrew, realmente me desculpa. Eu não sabia que você ia ficar chateada.
- Foi mal Tom, mas é que eu realmente não gosto de falar disso, ok?
- Ele fez alguma coisa que te chateou profundamente e você meio que foi obrigada a acabar com ele, não foi?
- De onde você tirou isso? - se preocupou. Como ele poderia saber? Será que alguma das meninas tinha comentado alguma coisa?
- Apenas um pensamento. Quero dizer, aconteceu a mesma coisa comigo, sabe? - Tom não gostava, mas achava que com podia conversar. Ela parecia ser uma amiga realmente compreensiva. - Minha ex-namorada, a Jamie, ela fez umas coisas ai que eu realmente não gostei e acabei com ela. Pura idiotice, já que, no meu caso, eu ainda gosto dela. Mas já você, parece que odeia o Andrew.
- É, foi por ai... - sentiu ainda mais afeição pelo garoto. Sempre tinham se dado bem, desde o incidente em que ele a confundiu com Emma, no primeiro dia que se conheceram. Passaram o resto da volta no London Eye conversando sobre a vista, um pouco mais à vontade um com o outro, até que ouviram uma voz chamando-os.
- , Flethcer, vem logo! - James chamava da saída. O passeio acabara.
- E a gente vai almoçar onde? - Harry perguntou a , que olhava atentamente um catálogo com dicas de Londres para turistas quando eles já estavam na calçada.
- Que tal chinês? - sugeriu com um sorriso.
- Por mim tá ótimo! - James falou num tom de "qualquer coisa serve, vamos logo, por favor".
Chegaram no restaurante e se sentaram em duas mesas. Após insistir muito, Danny tirou o chapéu "discreto" que estava usando. Quando estavam almoçando, alguém entrou no restaurante e praticamente gritou o nome de Danny.
- DANNY! - Anne se aproximava da mesa onde todos conversavam. A garota puxou uma cadeira a se sentou junto de Danny, que estava na ponta. As duas amigas de Anne foram praticamente ignoradas por ela e se sentaram numa mesa livre não muito perto da mesa deles.
- Tudo bom? - a garota falou, se dirigindo apenas a Danny. - Oi! - ela se virou e acenou para os outros da mesa, com um sorriso. Todos retribuiram o aceno e voltara para as suas conversas. falava com algo sobre o preço dos CDs numa loja que eles tinham ido mais cedo. Anne começou a puxar assunto com Danny.
- Então, por que vocês vieram pra Londres? - ela perguntou interessada, apoiando o cotovelo na mesa e virando de frente para o garoto.
- A e a estão naquele campeonato internacional de patinação no gelo e a gente veio assistir. - Danny falou, meio aéreo. Ele, às vezes, olhava de relance para , que conversava normalmente com e ria ocasionalmente com os comentários da amiga.
- Sério? Eu tenho uma amiga que tá competindo também. A Giselle. - Anne falou empolgada. - Vocês vão pra lá hoje?
- Vamos sim. Às 16h00, né? - Danny respondeu, agora prestando total atenção na conversa.
- É! A gente se vê mais tarde, então! Tchau Danny. - a garota falou, lhe dando um beijo na bochecha, se levantando e colocando a cadeira no lugar. - Tchau. - ela se despediu de todos e foi para a mesa das amigas.
Após o almoço, eles resolveram ir ao zoológico, depois de Dougie ter insistido bastante.
- Não sei qual é a graça de ver esse monte de animais presos em jaulas. - comentou quando eles já estavam dentro do zoológico, perto dos macacos. Danny agora brincava com eles e apontava algumas de suas bandeiras. Quando chegaram na porta da casa dos répteis, disse:
- Ok, nesse abafado eu não entro. - e se sentou num banco perto da porta. Danny falou alguma coisa e se sentou do lado da garota.
- Vocês vão perder. - Dougie falou e entrou pela porta, sendo seguido pelos outros.
Os dois estavam sentados no banco e Danny se deitou, descansando a cabeça no colo da garota.
- Tá virando mania, é?
- Ah, deixa vai.
- Ok, ok, mas só porque você ficou aqui comigo. - disse a garota começando a mexer nos cabelos de Danny. Ele, por sua vez, pegou a mão livre da garota e começou a brincar com ela, apertando, alisando e girando os dedos.
Eles estavam sem assunto para conversar, de modo que apenas ficaram olhando em direções diferentes. Ela estava olhando distraída para as pessoas que passavam, quando sentiu um pequeno beijo em sua mão. Olhando para baixo, percebeu que Danny lhe dava pequenos beijos na palma da mão. Ela riu e ele se levantou, abraçando-a de lado e começando a lhe dar beijos na bochecha dessa vez, chegando cada vez mais perto dos lábios de . Ela virou o rosto antes que ele chegasse lá. Essa cena se repetiu mais três vezes, mas ela não iria ceder. Ele era bonito, simpático e tudo o mais, mas ela não iria simplesmente ficar com ele daquele jeito. Eram amigos, droga! Ela decidiu agir.
- Danny, quer parar?
- Por quê?
- Porque sim! - disse a menina, se abusando.
- Não, por que você não quer ficar comigo? - ele decidira ser mais direto.
- Porque não! A gente é amigo! Ficar pra quê? Pra depois não querer mais olhar um na cara do outro? Não, obrigada.
- Tá bom, então. - o menino voltou a se deitar. - Desculpa, não precisa ficar com raiva.
Ela não estava com raiva, mas não sabia como dizer isso, de modo que simplesmente achou melhor voltar a mexer nos cabelos do rapaz, para mostrar que não tinha ressentimentos. Eles ouviram um grito um tanto familiar vindo de dentro da casa dos répteis e Danny se sentou novamente no banco, preocupado. Viram com uma expressão que misturava nojo e raiva.
- O que foi? - perguntou para a amiga.
- O Dougie querendo me forçar a pegar no primo do Zukie! - respondeu a garota, olhando feio pra Dougie que vinha pedir desculpas.
Depois de Harry, James e Tom darem comida aos tigres e e passarem um bom tempo junto com os pássaros exóticos, eles foram à lojinha de presentes do zoológico.
- Essas lojas são um roubo. Eles colocam os preços nas alturas e você compra de besta, porque são coisas temáticas. - fala para e James, quando Danny aparece do lado de fora da loja com bichinhos de pelúcia dos animais e outros objetos não identificados.
- EI, VOCÊS SABEM QUE HORAS SÃO?! - Harry praticamente gritou quando olhou para o celular, agora que todos já estavam do lado de fora. - 17H15! - levantou de vez e praticamente derrubou que estava encostada nela.
- QUÊ?
- Mas no meu relógio são... 14h20.
- TAVA 14H20 HÁ TRÊS HORAS, QUANDO EU TE PERGUNTEI, ! - gritou também.
- Tá, tá. Vamos logo, a competição já começou.
Chegaram no local da competição às 17h40 e encontraram com , já vestida com a roupa da competição, na área onde estavam alguns atletas.
- Chegaram cedo, hein? - a garota falou, visivelmente chateada.
- Mil desculpas, ! Olha, a gente trouxe um bichinho. - falou, puxando um dos bichinhos de pelúcia que Danny havia comprado de sua mão e dando para . O garoto fez a menção de reclamar, mas resolveu ficar calado vendo como a expressão da garota tinha melhorado depois que viu o pinguim de pelúcia.
- É, a gente comprou especialmente pra você. - Danny falou.
- E cadê a ? - James perguntava, olhando em volta e não avistando a amiga.
- Ela vai entrar já já, já foi se preparar. É melhor vocês irem se sentar. - falou, com o pinguim na mão.
- Agora diz se meus bichinhos não são úteis. - Danny falou baixo para , quando já estavam distantes de e se dirigiam à arquibancada.
Enquanto procuravam lugares, esbarraram com os pais de e ocupando alguns lugares no centro da arquibancada.
- Tia, tio! - falou, cumprimentando os pais de . - Oi Matt, tudo bom? - ela fez o mesmo com o irmão de .
- Oi Sr. e Sra. ... - Harry imitou e se virou para cumprimentar Matthew também, como todos os outros fizeram logo em seguida.
- Mas vocês não falaram que não vinham? - perguntou confusa para os pais das duas amigas, quando todos já tinham se cumprimentado devidamente.
- Elas não queriam que nós quatro viessemos porque as deixaríamos mais nervosas, mas a gente veio em segredo. - o Sr. falou. - Nós voltamos ainda hoje para Stafford. De qualquer forma, as garotas ainda nem sabe que nós estamos aqui.
- Er, eu não sabia que vocês viriam. - falou para Matthew, os dois um pouco afastados do resto das pessoas. A garota estava um pouco errada; sempre ficava assim quando Matthew aparecia por perto, principalmente quando estava com na sua casa.
- Nem eu. Hoje meus pais chegaram "Ei, vamos ver a competição da sua irmã. Quer ir com a gente?" e aqui estou eu. - ele falou, simplesmente.
- Bom, a gente vai procurar alguns lugares pra se sentar, a já vai se apresentar. - falou e todos se despediram. Os oito amigos acharam alguns lugares vagos, mas separados. , Harry, Dougie e Tom se sentaram num canto e , , Danny e James em outro. Assistiram toda a aprensentação de , que foi logo depois da apresentação de uma alemã. Ela estava vestida com uma roupa azul e branca, bem discreta, mas bonita, e os cabelos presos num coque. A garota se apresentou bem. Se estava nervosa, ninguém podia dizer. Praticamente não cometeu erros, e os que cometeu eram insignificantes.
- , vamos pegar refrigerante? - chamou a amiga assim que saiu do rinque.
- Vamos, to morrendo de sede. - falou, se levantando.
As duas já estavam em um dos corredores entre as cadeiras e procurando uma entrada para onde seria a lanchonete.
- Você sabe onde fica a lanchonete? - perguntou olhando para os lados.
- Acho que vi quando a gente chegou. Vem comigo. - puxou a amiga pelo braço pra a direção de onde entraram.
A próxima garota a se apresentar entrou, e Harry e Tom começaram a narrar seus movimentos, rindo deles próprios.
- Vou pegar refrigerante pra gente. - Dougie falou se levantando - , me ajuda?
- Por quê? - perguntou, com preguiça. - Eu quero ver a apresentação.
- Vai, eu só tenho duas mãos e esses dois ai não vão me ajudar mesmo.
- Tá bom. - a menina se levantou. - Onde vendem refrigerante? - perguntou quando já haviam saído das arquibancadas.
- Não sei, deve ser por aqui.
Capítulo 14
e acharam facilmente a lanchonete, que estava relativamente vazia, se comparada quando eles tinham chegado. As duas estavam no balcão comprando alguma coisa para beber quando dois garotos, praticamente da idade das duas, passaram por elas. Um deles era moreno e alto e o outro um pouco mais baixo, loiro com os olhos verdes. estava distraída pagando as bebidas, mas ficou praticamente de queixo caído. Estava de lado para e apoiada com um cotovelo no balcão e, quando os dois passaram por trás de , a garota os acompanhou com a cabeça, se virando a medida que eles iam passando. Um deles encarou que não ligou e continou os observando passar até dar uma volta completa e voltar a posição normal.
- Você viu esses dois gatos que passaram agora? - perguntou para , ainda impressionada.
- Hã? - perguntou, destraída.
- Aqueles dois ali, olha. - , agora de costas para o balcão, mostrava com a cabeça para a mesa que os dois estavam sentados.
- Ah sim. São lindos mesmo... - falou simplesmente e se virou para pegar as bebidas no balcão. - Vamos, a já vai se apresentar.
- Er, vamos ficar aqui só um pouco. - falou, se sentando em uma mesa vaga, próximo de onde elas estavam. - A próposito, você viu a bunda daquele loiro? - falou a garota, fazendo com que risse.
As duas ficaram lá tomando os refrigerantes e conversando, quando os dois garotos se levantaram, indo na direção da mesa das duas.
- Não olha agora, , mas os gatinhos tão vindo pra cá. - falou para a amiga, que estava sentada na sua frente.
- COMO? - se engasgou com a Coca que estava bebendo e, enquanto tossia, ouviu uma voz falar com um sotaque francês:
- Oi, tudo bom? - o moreno falou, se dirigindo a , já que parecia ocupada demais tossindo.
- Tudo, e com vocês? - falou, normalmente. - Senta ai.
- Eu me chamo Guillaume. - foi a vez do garoto loiro falar, enquanto os dois se sentavam nos lugares indicados por . - E esse é o Edouard.
- Nós somos e . - falou, apontando para a amiga e depois para ela mesma. - Vocês não são daqui, né?
- Não, nós somos franceses. Uns amigos nossos vieram se apresentar aqui e nós aproveitamos para visitar a cidade.
- Ah, que legal. Eu sempre quis visitar Paris. - falou, olhando para o Guillaume que estava sentado do seu lado.
Passaram um tempo conversando e, naturalmente, começaram a conversar e Guillaume e e Edouard.
- Olha, desculpa mas eu tenho namorado. - falou, quando notou que Edouard iria segurar a sua mão que estava em cima da mesa, no meio da conversa.
- Ah, tudo bem. - o garoto falou, sem ressentimentos. Os dois continuaram a conversar, enquanto Guillaume já tinha colocado o seu braço ao redor da cadeira de .
- Ai, desculpa, mas a gente vai ter que ir. - falou. Ela realmente parecia sentir muito em ter que deixar Guillaume, ele parecia ser tão legal. - A nossa amiga vai se aprensentar agora. Mas a gente se fala mais tarde. Até mais. - as duas se despediram do garoto e foram para os seus devidos lugares na arquibancada, quando o nome de foi anunciado.
- Ótimo! - exclamou a menina - Obrigada Poynter, agora a gente se perdeu deles!
- Ah , deixa de ser exagerada. A gente já já acha o pessoal...
- É?! Mas eu não sei quanto tempo vai durar o intervalo e nem a hora da apresentação da !
sabia que não estava realmente agindo normal com Dougie. Não desde o incidente no quarto dele. E ele estava sendo bem legal com ela, levando em conta que ele não deveria saber porque ela tinha feito aquilo, ou melhor, não o tinha feito.
- Quer ver se estão vendendo refrigerante lá fora? - perguntou , procurando ser mais simpática agora. - Talvez o pessoal tenha ido lá, não sei.
- Ok. - disse Dougie, puxando a menina para perto e guiando-a pelo meio da multidão com as mãos na sua cintura, o que fez com que ela olhasse para trás, surpresa, mas sem deixar parecer que estava censurando-o.
Quando finalmente atravessaram a multidão e chegaram do lado de fora, começaram a procurar pelos amigos, mas nem sinal deles. Os dois resolveram ir para num lugar ao lado do estádio que tinham pouca gente e esperar que o fluxo de pessoas diminuisse.
- Então, gostou da apresentação de , Dougie? - ela perguntou, olhando para o garoto.
- Hã? É, gostei. - Dougie respondeu, meio aéreo.
- Eu queria fazer patinação! É tão lindo! - comentou a menina, fazendo uma tentativa meio desengonçada de passos de patinação, o que fez com que Dougie começasse a rir.
- Ei, nem começa! Você não faria melhor! - a garota falou, fingindo estar chateada e cruzando os braços.
- Você não me conhece mesmo, . - ele falou, piscando para .
Os dois e se sentaram na grama que contornava o lugar e ficaram comentado sobre as apresentações e outras coisas por um tempo, até se levantou novamente:
- Vamos, Dougie! Levaaanta vai! - ela puxou o braço do garoto, ainda sentado.
- , eu não vou dançar com você!
Depois de muita insistência, o menino se levantou segurando sua mão e rodou a menina, mas sem fazer muito esforço ou parecer que estava a fim de fazer aquilo.
- Feliz? - ele perguntou, agora rindo da situação.
- Eu sabia que você queria dançar comigo! - falou, ainda segurando a mão de Dougie e se distanciando dele, até que seu braços ficaram esticados. Foi aí que ele a puxou para perto, que acabou por se deixar levar, com o braço do menino entorno de si.
- , você realmente parece uma criança às vezes, sabia?
- Isso seria bom, Poynter?
encarava seus olhos, mas o garoto não disse nada, só respondeu com um sorriso e foi se aproximando dela, fazendo com que ficassem com os rostos bem próximos. Lentamente, foi se soltando dos braços do menino e segurou o rosto dele, aproximando do seu e o beijou. Ela agora apoiava os braços em torno do pescoço de Dougie, que tinha as mãos em sua cintura e retribuia, surpreso, o beijo. Ele realmente ficara surpreso com a iniciativa de , positivamente surpreso, até que lembrou-se de Danny. Dougie queria muito beijá-la, ficar assim com ela era o que ele mais queria no momento, mas não devia.
- Acho que já está na vez da se apresentar... - disse, se afastando de , sem olhar para ela. Resolvera falar com Danny. Assim ele poderia ficar com , mas não antes de ter uma conversa com o amigo.
ficou parada, sem reação, olhando ainda o menino. Não sabia o que pensar; tinha tomado a iniciativa, beijara Dougie. Se ele queria ou não ter algo mais sério com ela não era o caso, mas beijá-la pelo menos ela pensava que ele queria. Por que outro motivo ele tinha tentado há dois dias atrás? Dougie se virou em direção ao estádio e começou a andar, deixando uma perplexa para atrás. Ela sentiu uma vontade enorme de chorar; não estava entendendo mais nada daquilo. Esperou um tempo e entrou sozinha no estádio.
e Dougie chegaram nas arquibancadas novamente e deram de cara com Harry e Danny, sendo seguidos pelos outros logo atrás.
- Já acabou? - Dougie perguntou ligeiramente surpreso.
- "Já"? São praticamente 21h00. - Tom falou. - E essas últimas apresentações foram horríveis! Esse pessoal já gosta de cair. Mas, onde vocês estavam?
- A gente se perdeu aqui... - havia feito menção de responder, mas Dougie falou antes que ela pudesse dizer algo. "Ele tem medo do que eu possa falar?", foi o que conseguiu pensar na hora.
- Então a gente perdeu a apresentação da ? Poxa, eu queria ver ela se aprensentando. - falou, triste.
- Ela se apresentou muito bem, foi uma das melhores! - James disse, com cara de entendido.
- E do que você entende, James? - perguntou, para irritar o garoto. Os dois ficaram discutindo no caminho para encontrar os atletas.
- ! - gritou quando viu a amiga, junto com . As duas se abraçaram. - A sua apresentação foi ótima!
- E ai, o que achou? - perguntou para Dougie, enquanto agora abraçava Danny.
- Er... Foi ótimo, ! Uma das melhores apresentações! - Dougie repetiu o que o amigo tinha dito.
- Vocês já falaram com os pais de vocês? - perguntou para as duas.
- HÃ? Eles vieram? - as duas pareciam realmente surpresas.
- E agora eu não sei se era pra contar... - falou um pouco mais baixo.
- Que legal isso! - falou de repente e suspirou aliviada. Achou que as amigas ficariam chateadas com os pais por eles terem vindo mesmo elas pedindo que eles não o fizessem.
- Vamos procurar os quatro. - disse, puxando a amiga. - Tchau, a gente se fala amanhã. - falou rapidamente para os amigos e agora já se distanciava deles, com ao seu lado.
- DANNY! - Anne gritou do outro lado, se dirigindo ao garoto. - Tudo bom? - agora ela cumprimentava a todos, já do lado de Danny. - Eu tava querendo sair hoje a noite, mas as meninas estão muito cansadas e falaram que queriam dormir. Que tal se a gente sair agora pra comer alguma coisa? Você já tinha planos?
Danny olhou para os amigos, que deram de ombros, como se falassem que não tinham planos. Parou o seu olhar um instante em , que não parecia prestar muita atenção na cena. Se virou para Anne e falou:
- Tá, tudo bem. A gente não tinha combinado nada mesmo. Tchau gente, eu encontro com vocês mais tarde, no hotel. - e saiu com Anne.
Antes de ir para o hotel, passaram uma pizzaria no caminho e lancharam alguma coisa. Chegaram no hotel mais ou menos 23h00 e todos foram para o quarto das meninas. Ficaram assistindo TV durante algum tempo, mas estavam todos realmente cansados por ter acordado mais cedo do que imaginavam que iriam. Logo, os meninos foram para o seu quarto. Tom viu a chave de uma delas no criado mudo e não pôde deixar de pegar e colocar no bolso da calça. Amanhã eles dariam o troco.
Na manhã seguinte, os garotos acordaram mais cedo e foram no quarto das meninas, para revidar o que elas tinham feito na manhã anterior.
- Revanche. - Danny falou baixinho, pegando a um batom de na necessaire da garota, em cima da mesa. Todos os garotos, incluindo Harry, pegaram sombra, blush, lápis de olho, batom, gloss e todo tipo de maquiagem que encontraram nas bolsas das meninas e começaram a desenhar no rosto delas.
- Eu não sei porque eu to fazendo isso, não fizeram nada comigo. - Harry falou, enquanto desenhava uma estrela estremamente deformada na testa de com um lápis de olho.
- Se você estivesse no quarto na hora, você teria sido uma vítima também. - Dougie falou, passando um batom vermelho na bochecha de .
Terminaram as obras de arte no rosto das garotas e saíram do quarto, sem fazer barulho algum. 10h30, o garotos bateram na porta delas para acordá-las, falando que o horário do café da manhã ia terminar.
- QUE É, JUDD? - abriu a porta já reclamando com Harry, que estava batendo. A garota não havia notado o que tinha no rosto dela, já que havia acabado de acordar e ido abrir a porta, sem nem sequer olhar para as amigas que ainda dormiam. Não notou as risadas de Danny atrás de Harry, de tão furiosa que estava com o garoto.
- Já tá acabando o horário do café da manhã. Vocês vão querer comer? - quando o garoto terminou de falar, um casal passou por trás deles no corredor e encaravam para com uma cara estranha.
- Eu to sem fome, mas deixa eu ver com as meninas. - falou, esfregando os olhos e borrando ainda mais uma sombra quase preta que James tinha colocado nela, formada por uma mistura de várias cores. Deixou a porta entreaberta e os garotos puderam ouvir quando falou:
- , o que é isso no seu rosto?!
Saíram correndo para o seu quarto e fingiam ver TV quando todas as três abriram a porta do quarto deles com raiva, ainda de pijamas.
- O QUE É ISSO NAS NOSSAS CARAS?
- É o troco por ontem, . - James falou. A garota pegou o travesseiro da cama mais próxima e começou a correr atrás do garoto pelo quarto, passando por cima da cama e de tudo que estivesse na frente.
- Harry... - começou.
- Hm? - o garoto resmungou a pergunta, sem tirar os olhos da TV.
- Você teve alguma coisa a ver com isso? - ela perguntou, olhando diretamente para ele, que agora tinha virado o rosto.
- Er, eu, er... - ele se levantou da cadeira e saiu correndo, vendo a garota ir atrás dele. já tinha ido na direção de Danny com o mesmo batom vermelho que Dougie havia usado em mais cedo. O batom estava totalmente estragado e não tinha mais uso.
- Nem vem, ! - Danny segurou os dois braços da garota e a derrubou na cama, caindo sem querer ao seu lado. Dougie viu a cena e não pôde deixar de se lembrar do dia anterior. Não se sentia bem em ter ficado com achando que Danny gostava dela, mas ao mesmo tempo queria ficar com a menina, namorar com ela. Teria que falar com Danny sobre isso.
No final das contas, os meninos acabaram com desenhos no rosto e nas roupas, os últimos feitos acidentalmente pelas garotas quando tentavam melá-los no rosto. As garotas haviam perdido o horário do café da manhã, mas quando todos ficaram prontos era praticamente meio dia, então decidiram sair para almoçar de vez. Encontrariam com e no final da tarde, quando a cerimônia de encerramento já teria acabado.
Capítulo 15
- Danny, posso falar contigo? - Dougie falou para Danny, assim que os dois saíram do carro, sendo seguidos por e .
- Tá. - Danny falou. - Vocês podem ir entrando, a gente chega daqui a pouco. - falou para as meninas que apenas assentiram com a cabeça e entraram no restaurante junto com o pessoal do outro carro. O restaurante era um lugar bonito, na frente do Hyde Park, com uma área ao ar livre. Decidiram ficar lá fora, mesmo o clima ainda estando um pouco frio. Danny e Dougie começaram a caminhar pelo parque, enquanto conversavam.
- O que é, Dougie? - Danny perguntou, curioso.
- Hm... Nada demais. Você ficou com a Anne ontem? - ele perguntou, parecendo realmente interessado.
- Por quê? Tá a fim dela? - Danny perguntou, brincando. - Sim, a gente ficou. Ela é ótima, eu não a conhecia desse jeito.
- E aquela garota que você falou que gostava? - Dougie continuou com as perguntas. Os dois andavam em volta da praça, onde algumas poucas folhas começavam a crescer nas árvores.
- Ah, eu notei que não ia dar em nada. - Danny falou, simplesmente. Os dois andavam e conversavam sem se encarar.
- Hm.
- Sabe quem era? Era a . - Danny continou, vendo que o amigo tinha dado espaço. Não faria mal contar a ele, não ia dar em nada mesmo.
- QUÊ? - Dougie parou de repente e olhou para Danny.
- É. Por que a surpresa?
- Cara, eu achava que era a ! Eu to gostando da , a gente ficou ontem e tudo! Mas eu achava que você gostava dela também...
- De onde você tirou essa idéia, Poynter? - Danny olhava para Dougie como se ele fosse louco.
- Naquele dia do pier.
- E você teria ficado com uma garota mesmo achando que eu gostava dela? - Danny se tocou de repente e falou, olhando para o Dougie, sério.
- Não, Danny. É que com a é diferente...
- Eu to brincando, Poynter. - Danny falou e Dougie pareceu mais aliviado. - Mas da próxima vez, faz favor de me contar, né? E se eu amasse a também?
- Eu não amo a . - Dougie disse, corando um pouco. Agora ele não encarava mais Danny, e sim o chão.
- É, nem um pouco. Você sempre fala das garotas por quem está interessado desse jeito que fala da . - Danny falou, irônico.
O comentário do amigo deixou Dougie um pouco confuso. Amava mesmo a ? Não, estava cedo demais pra tirar esse tipo de conclusão. Danny foi na direção do restaurante e Dougie falou que iria dar mais uma volta e chegava depois. Andava rápido e olhando para os pés, quando, mais ou menos na altura de onde o restaurante ficava, esbarrou em alguém.
- Nossa, desculpa, eu tava distraído. - levantou a cabeça para olhar em quem tinha batido. Era Giselle.
- Oi Dougie, tudo bom? - Giselle falou, ignorando o fato do garoto ter batido realmente forte nela e agora o seu sorvete estar no chão.
- Er, tudo, e com você?
- Também.
- Não era pra você estar no campeonato? - ele perguntou, meio perdido. - A e a estão lá.
- É, eu sei, mas agora é só uma cerimônia de encerramento e a premiação dos vencedores. Não ia ter muita graça mesmo, então eu resolvi vir dar uma volta na cidade. E você, tá fazendo o que aqui? - ela falou, se aproximando mais do garoto.
- Basicamente a mesma coisa, dando uma volta. - ele falou, sem recuar. A garota estava claramente dando em cima dele, mas ele tinha tanta coisa na cabeça que não ligava.
, na mesa do lado de fora do restaurante, desviou o olhar de Harry, com quem conversava, e pôde ver, por trás do menino, Dougie e Giselle no Hyde Park, do outro lado da rua. Estavam bem próximos. "Ah, entendido o motivo de ele não querer namorar", foi o que a garota pensou. Desviou o olhar e voltou a conversar com Harry e James, que agora tinha se metido na conversa também.
e haviam decidido voltar para Stafford com os amigos na segunda de manhã, ao invés de voltar com o pessoal da patinação. Dormiriam no hotel com as meninas, porém precisavam ir para o seu hotel antes e pegar as coisas, alem de se despedir do pessoal. Combinaram de se encontrar com os demais mais tarde no hotel deles.
, e começaram a arrumar as malas para o dia seguinte, sairíam cedo. Recomendaram que os garotos fizessem o mesmo com as suas coisas. e , juntamente com uma que lamentava pelo seu batom destroçado, foram para o quarto dos meninos, depois de deixar as malas praticamente arrumadas depois da bagunça que os garotos fizeram procurando pela maquiagem delas, de manhã. Quando chegaram lá, encontraram os cinco garotos no meio de roupas e malas, ainda na maior confusão.
- Olha, a ajuda chegou. - Tom falou, quando as meninas entraram pela porta.
- Eu achei que a gente ia jantar agora, mas, pelo visto, tem muito trabalho pela frente. - entrou no quarto e evitava pisar em roupas e comida no chão a medida que andava.
- , me ajuda com isso aqui? - James parecia ser quem estava com a mala mais pronta, mas tentava enfiar tudo pelas bordas da mala e sentava em cima da mesma para fazer com que o zíper fechasse.
- Pêra James, não é assim. - puxou o menino para que ele saísse de cima e começou a retirar as roupas e sapatos que estavam jogados de uma forma desordenada dentro da mala.
- , me ajuda aqui? - Dougie falou, chamando a atenção da garota. Ela resolveu fingir que não tinha ouvido. - ? - Dougie chamou de novo.
- Que é, Poynter? - a garota falou, visivelmente irritada.
- Me ajuda aqui, por favor? - Dougie pediu, sem entender a irritação da garota.
- Eu te ajudei a arrumar a mala na vinda, agora eu vou ajudar o Bourne. - ela falou, simplesmente.
- Eu te ajudo, Dougie. - pegou as roupas do garoto e começou a dobrar, tentando dar um fim numa possível discussão que iria acontecer quando o garoto fez menção de falar algo.
Ligaram a TV e começaram a assistir alguns desenhos que passavam num canal para crianças, enquanto arrumavam tudo. As malas estavam ficando prontas, mas o quarto ainda estava uma bagunça, com embalagens de comida e sacos de salgadinhos espalhados.
- Olha o que eu achei! - falou, tirando um controle de baixo do móvel onde a televisão ficava.
- Mentira que vocês não sabiam que aqui tinha video game, né? - Harry perguntou, incrédulo.
- Vocês sabiam? - parecia impressionada.
- Lógico. A gente joga o tempo todo. - James falou.
- Eu quero jogaaar! - se sentou na frente da TV e ligou o video game.
- E a ajuda aqui? - Tom perguntou, com alguns pacotes de biscoito vazios na mão e indo em direção ao lixeiro.
- Vocês se viram. Nossa vez de jogar. - foi a vez de falar e se sentar ao lado de .
- Ah, legal. Não ajudam e ainda ficam no meio da passagem. - Danny falou, passando entre as garotas e a TV.
- Sai do meio, Jones. - falou, se desviando para tentar enxergar algo.
- Elas ficam meio empolgadas quando estão jogando. - comentou só com Harry. Os dois estavam sentados na cama dele e de Dougie e terminavam de arrumar a mala de Harry.
- Nota-se. - ele falou, rindo.
e chegaram às 19h00, quando o quarto dos garotos já estava praticamente todo arrumado. Passaram no quarto das meninas e não tinha ninguém, mas elas entraram (com a chave que havia lhes dado mais cedo) e colocaram as malas lá. Passaram então no quarto dos meninos e bateram na porta.
- Abre ai, Danny. - falou. Agora ela e jogavam Guitar Hero, se possível, ainda mais empolgadas do que antes.
- Danny, arruma o quarto. Danny, abre a porta. - o garoto foi resmungando em direção a porta e abriu, dando de cara com e realmente empolgadas.
- Olá Danny! - falou, sorridente, e deu um beijo na bochecha do amigo, entrando no quarto rapidamente. a seguiu. - Temos uma ótima novidade! - a garota continuou, agora já dentro do quarto e com quase todos prestando atenção nela.
- O QUE É ISSO? GUITAR HERO? - se jogou na cama ao lado das amigas. - Posso jogar?
- ? - chamou.
- Sim?
- A novidade.
- Ah é! Temos uma ótima novidade! - se levantou da cama e ficou do lado de .
- , desliga isso um segundo? - reclamou com a amiga.
- Tá, tá. Se você insiste. - pausou o video game e desligou a TV, fazendo com que falasse um "aah" decepcionado.
- Ok, a novidade. - falou empolgada. - A gente tava lá na cerimônia de encerramento com o pessoal e, no final, um cara meio estranho veio falar com a gente. Na verdade ele não era tão estranho, mas a ...
- Fala logo, ! - parecia ansiosa. Não agüentava aquela enrolação da amiga.
- Calma. - a garota falou rindo. - Enfim, um cara tinha falado com a Janice, nossa treinadora, e depois foi falar conosco. ELE QUER NOS OFERECER UMA BOLSA PARA FICAR TREINANDO PARA COMPETIÇÕES AQUI EM LONDRES, NÃO É ÓTIMO? - falou, empolgadíssima. estava como a garota e sorria bastante quando terminou de contar. , que estava com um sorriso enorme, mudou subitamente para um rosto sem expressão. Harry e Dougie se entreolharam e James apenas olhou para baixo, sem falar nada. Todos pareciam pensar a mesma coisa: as amigas deles iriam se mudar.
- Mas vocês têm certeza de que isso é sério? - falou alguma coisa, quebrando aquele silêncio que já incomodava.
- Aham, muito sério! Ele era um desses olheiros que sempre ficam nas grandes competições. Enfim, ele gostou de como nós nos apresentamos! Também ofereceram uma bolsa para a Ginger. - foi a vez de falar.
- Vocês não podem morar aqui sozinhas! Vocês ainda nem acabaram o colégio! - falou, sem pensar.
- Tá bom, mamãe. - falou, se irritando com a amiga.
- Bem lembrado! E os pais de vocês? - Tom queria a todo custo arrumar uma desculpa. - Eles não vão permitir isso. E vocês não iam agüentar morar longe deles!
- A gente iria estudar num colégio aqui mesmo! E a gente ia visitar nossos pais em Stafford sempre, eles viriam nos visitar também. - falou, com um tom de decepção na voz. Por que os amigos estavam reagindo desse jeito?
- E a gente? - foi mais direta.
- , a gente ia visitar vocês sempre. E tem internet, telefone, MSN.
- Não é a mesma coisa. - falou, se levantando da cama onde estava sentada com . - Vocês iam se mudar pra Londres e mudar completamente de vida! A gente ia deixar de se falar em dois meses, vocês apostam quanto?
- Muito obrigada pelo apoio, ! - agora praticamente gritava. - QUANDO VOCÊ SE MUDOU POR SEIS MESES PARA O BRASIL, EU TE APOIEI, NÃO FOI? - ela estava visivelmente chateada. Os outros não falavam nada, mas e podiam sentir que eles apoiavam o que os amigos falaram.
- FOI DIFERENTE, EU IA VOLTAR! - foi a vez de gritar.
- Deixem de ser egoístas! - falou. - Poxa vida, a gente veio toda empolgada contar pra vocês a novidade achando que vocês iam nos apoiar, mas pelo visto vocês pensam demais só em vocês. - a garota terminou e saiu do quarto, sendo seguida por , que bateu a porta quando passou.
olhou para que estava visivelmente irritada. Sabia como a amiga se sentia. Do mesmo modo que e eram amigas desde a infância, e cresceram juntas, não só no colégio, mas também como vizinhas. Sabia também que o que havia falado a pouco era verdade; se se mudasse, logo perderiam o contato. Não queria que a amiga fosse embora!
se levantou ainda entre pensamentos e saiu do quarto dos garotos, sem falar nem olhar pra ninguém. Queria ir para o quarto, deitar na cama e pensar sobre tudo aqui, mas sabia que as amigas estavam lá e ainda muito irritadas, de forma que apenas saiu andando pelo hotel, acabando por sentar-se em uma cadeira confortável na área da piscina, àquela hora vazia. Alguns minutos depois, apareceu com algumas lágrimas lutando para não caírem. Sentou-se ao lado de que a abraçou.
- Eu não quero que elas vão embora. - quebrou o silêncio alguns minutos depois da chegada da amiga.
- Eu também não, . - tinha uma voz triste.
- Mas se elas forem mesmo? Eu não quero ficar brigada com elas nos últimos dias que elas vão estar com a gente!
- Você tem razão.
- , posso falar com você? - Dougie chegou à área da piscina e chamou a garota, sentada numa cadeira ao lado de .
- Agora não, Poynter, eu tô conversando um assunto importante com a . - a menina cortou logo. Não queria conversar com Dougie.
- Mas ...
- Agora não, droga!
Tom, Danny e Harry apareceram seguidos por James e , que ainda parecia estar, no mínimo, chateada com tudo aquilo.
- Tá, eu achei que ia ficar sozinha aqui. - falou após perceber que todos tinham chegado. - Vocês me seguiram ou foi a fadinha verde quem contou?
- "Pássaro" verde, . - James corrigiu a amiga.
- Isso mesmo, tanto faz.
Eles ficaram lá na área da piscina, quando notaram que era mais de 22h00 e eles ainda não tinham jantado.
- Eu vou passar no quarto pra ver se as meninas querem ir jantar com a gente. - falou, indo para o lado oposto que os amigos quando chegaram na entrada do hotel.
- Eu acho melhor não, . Elas não vão querer vir com a gente. - Tom falou, dando de ombros.
foi até o quarto mesmo assim. Quando chegou, bateu na porta, mas só ouviu o barulho do ar-condicionado.
- A gente vai sair pra comer alguma coisa. Vocês querem ir com a gente? - ela perguntou pela porta trancada. Novamente, apenas o ar-condicionado lhe respondeu. Ela se deu por vencida e voltou à recepção do hotel, onde os outros a esperavam. Decidiram ir comer na lanchonete mais próxima que estivesse aberta, já que estavam todos morrendo de fome. Por sorte, o lugar não era ruim e estava bem vazio. Não demoraram por lá, pois viajariam cedo no dia seguinte. Voltaram para o hotel, e quando as meninas entraram no quarto, e já dormiam.
No dia seguinte, acordou com o despertador do celular tocando às 6:30. Se xingando por ter deixado para terminar de arrumar a sua mala na última hora, se levantou e viu e prontas para saírem.
- Onde vocês vão?
- Voltar pra Stafford. - respondeu, fria.
- Mas a gente só vai sair daqui de 8h00, vocês podiam ter dormido um pouco mais.
- A gente tá voltando agora , - se virou de costas para a amiga. - a gente vai de trem, e ele sai daqui a pouco.
- Deixem de besteira, vocês duas. Vocês vão de carro com a gente.
- Não, , obrigada.
- Sim, , por favor. - não sabia exatamente porque estava fazendo aquilo. Acordou , quem sabe ela soubesse?
bufou e foi pegar sua mala enquanto explicava rapidamente o ocorrido pra .
- Nem venham! Vocês não voltar três horas de trem por causa de um desentendimento! - falou se levantando. - Além do que, falei pros pais de vocês que ia leva-las pessoalmente até a porta de casa. - era mentira, mas tudo bem. - E eu vou cumprir isso.
- Nã começa querendo dar uma de certinha agora não.
- , eu to falando sério. Vamos todo mundo de carro. Se vocês tiverem assim com tanto ódio da gente, não precisa nem ficar acordada.
- Tá, tanto faz. - falou e soltou a mala no chão. As duas desceram falando alguma coisa sobre café-da-manhã. arrumou o resto da sua mala enquanto tomava banho e ia acordar os meninos. Desceram todos quase na mesma hora para o café-da-manhã e encontraram as duas amigas sentadas sozinhas em uma mesa um pouco mais afastada. Quando terminaram o café, as duas já estavam na recepção do hotel, sentadas em um sofá, conversando, e com as malas por perto. Avisaram que subiriam para pegar as malas e já voltavam. As garotas apenas assentiram com a cabeça e continuaram a conversar.
Capítulo 16
A viagem de volta foi muito desagradável. No carro de , e voltaram no banco de trás, junto com James, enquanto Tom ia na frente com . Passaram a viagem toda sem trocar uma palavra e apenas colocavam no som CDs de bandas que eles gostavam pra quebrar aquele silêncio constrangedor. Fizeram uma parada no meio do caminho, para abastecer e lanchar alguma coisa. Já tinham perdido a aula mesmo, não tinha problema chegar um pouco mais tarde do que o programado. e apenas ficaram no carro, abrindo a boca para conversar sobre alguma coisa pela primeira vez desde que haviam saído de Londres.
- Ok, quem quer trocar de lugar comigo pra ir naquele carro? - James falou para , , Dougie, Harry e Danny, enquanto eles esperavam junto ao carro os amigos terminarem de comprar alguma coisa. - O clima lá tá muito pesado, eu não agüento mais.
- Ótima propaganda, hein, Bourne? Agora quem vai querer ir lá?
- Vaaai, ! Eu te pago 50 libras, troca comigo! - James falou, em tom de desespero.
- Nem vem, você que vai. - a garota soltou o seu braço que James segurava e entrou no carro de Harry.
Chegaram em Stafford um pouco depois da hora do almoço. Todos foram para suas respectivas casa. Um pouco mais tarde, Janice chamou os pais de , e Ginger para conversarem sobre a proposta que as garotas tinham recebido. O representante chegaria na quinta-feira a Stafford para conversar melhor com eles sobre como seria tudo. As garotas foram para a reunião também e depois chamou para dormir na sua casa; elas iriam juntas para o colégio no dia seguinte.
- Você vai amanhã com Dougie, ? - perguntou, já de pijama, enquanto secava o seu cabelo com uma toalha. As duas estavam no quarto de e a garota agora estava deitada na cama e passava os canais da TV com o controle remoto, tentando achar alguma coisa que prestasse.
- Você acha, ? Depois disso tudo? A gente pode ir a pé ou com o Matthew, depende da hora que a gente acordar. - falou, parando num canal que passava Friends, a série favorita dela.
- Sabia que eu nunca assisti Friends? - sentou do lado da garota na cama e agora penteava os cabelos.
- SÉRIO? Nossa, é muito bom, ! Você tem que ver. - saiu correndo do quarto e voltou com uma caixa na mão.
- Essa é a primeira temporada. Tem que ver do começo. - ela falou, enquanto colocava o DVD no aparelho e pegava alguns chocolates para elas comerem. O quarto de era bastante espaçoso, com TV, DVD, computador e até um local específico para leitura. Não que a menina passasse muito tempo por lá, ela preferia sair no seu tempo livre. A parede junto da cama era um rosa quase vermelho e as outras, brancas. A colcha da cama e os detalhes do quarto eram rosas, misturados com o branco que predominava.
As duas já estavam no quarto episódio e já passava das dez da noite quando o celular de começou a tocar. A garota procurou na cama, em cima da bancada, do criado mudo, perto da TV e até no banheiro e nada. O celular parou de tocar. A garota, achando que quem estava ligado havia desistido, sentou novamente na cama ao lado de . O celular começou a tocar novamente. A garota o achou dentro da bolsa da viagem, lá no fundo. Já tinha seis ligações perdidas. Atendeu o telefone e ouviu a voz de do outro lado.
- ?
- Oi. - falou se sentando na cama novamente e respondendo apenas com o movimento dos lábios "É a " para , que havia a perguntado quem era da mesma forma.
- Olha, , eu só queria te falar que eu reagi daquele jeito ontem porque eu não queria me separar de vocês e tal. - começou. agora colocou a orelha perto da de para ouvir o que a amiga dizia pelo outro lado da linha.
- Oh , sem problemas. Depois a gente se fala, tá? - a garota cortou logo a conversa. Ela tinha deixado claro, pelo seu tom de voz, que tinha problema sim. Mas decidiu não insistir.
- Ah, tá certo. Tchau, boa noite.
- Boa noite. - a garota respondeu, desligou o celular e o colocou em cima da cama.
- , você não acha que a gente está sendo dura demais com eles? - falou, assim que desligou o telefone.
- Acho. - ela admitiu. - Sei lá, eles não nos apoiaram nem um pouco, mas eu entendo o lado deles.
- Eu também. Não foi legal quando passou aquele tempo no Brasil, eu senti falta dela.
- E dessa vez, talvez a gente vá pra ficar mesmo. - falou. - Eu não ia querer ir brigada com eles. Talvez nós devêssemos falar alguma coisa com eles amanhã no colégio.
- Também acho. Não gosto de ficar brigada com eles. - falou. - Mas e ai, vamos continuar a ver Friends?
- Gostou, né? - falou em tom de brincadeira e se deitou totalmente na cama, selecionado o próximo episódio com o controle remoto.
Na terça-feira, e acordaram no horário de sempre, mas tinham calculado mal e, como eram duas, demoraram mais do que o normal para ficarem prontas. Tomaram um café apressado e se despediram da Sra. , que estava saindo para o trabalho na mesma hora que elas e igualmente atrasada. Chegaram praticamente na hora que tocou e se separaram, pois teriam aulas diferentes. Combinaram de almoçar do lado de fora do refeitório hoje, já que era realmente agradável e a escola tinha algumas mesas perto do jardim. A primeira aula de era Biologia e ela tinha aula junto com Dougie nesse horário.
Dougie escreveu algo num papel e passou para , que estava sentada algumas carteiras longe dele, lá na frente, por ter chegado em cima da hora. A garota não quis ler de início, mas lembrou o que tinha falado com no dia anterior e abriu o papel. "Eu passei na sua casa hoje pra a gente vir junto, mas seu pai falou que você estava tomando banho ainda". Respondeu no verso: "É, me atrasei hoje" e passou para Dougie, olhando em seguida para o professor e tentando prestar atenção na aula. No horário do almoço, e pegaram as bandejas e procuraram uma mesa com o olhar. Nessa hora, Dougie, Harry, e já estavam na mesa de sempre e conversavam animadamente, aparentemente esperando os outros chegarem para almoçar com eles. passou o olho e viu uma mesa do lado de fora, pela porta de vidro que separava o pátio do refeitório coberto. Lá era cheio de árvores e dava para um lindo jardim, naquela época ainda sem muitas folhas.
As duas passaram pela mesa dos amigos sendo percebidas apenas por e se sentaram animadas numa mesa com Ginger e outras amigas lá fora, longe da visão dos outros. Quando Danny, , Tom e James chegaram e já estavam almoçando, puxou o assunto:
- Vocês não acham que a gente foi longe demais ontem quando as meninas nos contaram a novidade não? - ela falou, sendo bem direta.
- Eu acho que a gente podia ter apoiado mais as duas, sei lá. Elas parecem tão empolgadas com a idéia. - Harry disse, olhando pra .
- É, eu sei. Eu me sinto mal pelo que eu disse pra . Ela me apoiou muito quando eu fui pra o Brasil. - falou também. Na noite anterior, ela tinha ficado lembrando de como ela e estavam empolgadas com a ida de ir para o Brasil e os planos que elas faziam para a garota em sua estadia no país. até ficou amiga da irmã brasileira de e elas se falavam bastante pelo computador, mesmo quando já estava de voltar.
- Talvez a gente devesse falar com elas. - Danny sugeriu.
- Eu tentei falar com a ontem por telefone, mas ela cortou logo.
- A gente dá um jeito para elas não poderem recusar, . - o garoto terminou.
Na saída do colégio, e se despediram e cada uma foi para um lado já que as suas casas ficavam em caminhos diferentes. ainda estava procurando alguma coisa na frente da entrada do colégio e já estava praticamente no final da rua, quando Brian apareceu por trás da garota, abraçando-a.
- Oi, Brian. - falou, virando o rosto de lado e dando um selinho no rapaz.
- Como sabia que era eu? - Brian falou ficando de frente para a garota.
- Eu imaginei. - ela falou com um sorriso.
- Mas e ai, como foi a competição em Londres? Eu ouvi falar que você e a se apresentaram muito bem. - ele falou, empolgado.
- Ah, foi ótima! Nós duas recebemos uma proposta pra ficarmos treinando em Londres, não é o máximo? - falou, empolgada. Na verdade, estava menos empolgada do que normalmente ficaria, pois temia que a reação do garoto fosse igual a dos amigos.
- Sério? - o garoto perguntou, incrédulo. - Isso é ótimo, ! - a garota suspirou aliviada e ficou um pouco mais contente.
- Seríssimo. - ela falou, com um sorriso.
- Vamos sair, tomar um sorvete, sei lá? Você vai me contar direito isso. - ele falou e a garota concordou com a cabeça.
Foram para a sorveteria perto do colégio, que estava com bastante gente, mas ainda assim conseguiram uma mesa do lado de fora. Brian foi pegar os sorvetes e voltou para a mesa se sentando na cadeira na frente de .
- Agora me conta como é essa história de você treinar em Londres. - falou, entregando um sorvete para a garota.
- Foi o seguinte: depois que teve a premiação e tudo o mais, um cara veio falar comigo, com a e com a Ginger, que é da nossa equipe também sabe. Bom, ai ele falou lá que era um olheiro, sabe, desses que sempre ficam nas grandes competições, e que ele tinha gostado das nossas apresentações e que queria nós oferecer uma bolsa para ficarmos treinando para as competições lá em Londres. - ela falou, em seguida tomando o seu sorvete.
- Poxa, isso é realmente ótimo ! Mas assim, vocês teriam que se mudar pra lá, é?
- É, por quê? - ela perguntou temendo sua reação agora que estava tudo mais explicado. - Algum problema?
- Bom, e nós? - ele observava a garota um pouco distraída com o sorvete.
- Nós o quê? - ela falou, olhando bem no rosto dele.
- Como a gente fica?
- Hm. Eu ainda não tinha pensado sobre isso. - ela falou triste, baixando a cabeça para seu sorvete novamente.
- Sabe, eu só vejo uma solução.
- E qual seria? - ela falou receosa. Será que ele estava mesmo falando deles acabarem?
- , quenamorcomgo?
- Quê? - ela falou, sem entender.
- É que sei lá, eu gosto tanto de você, e a gente se dá tão bem, - ele mexia as mãos, nervoso. - eu achei que você ia querer namorar comigo.
- Brian, eu... - ela começou.
- Muito cedo, não é? - ele falou baixando os olhos.
- Não é isso, é que eu... - tentou continuar.
- Você não gosta de mim desse jeito? - ele falou, agora olhando nos olhos da garota.
- Não! Não é nada disso, é só que eu... Fiquei em choque! - ela sorriu. - Claro que eu quero namorar com você!
- Sério? - ele perguntou se levantando e agora se sentando ao lado da garota.
- Seríssimo!
Ele sabia que a sorveteria estava cheia de gente, principalmente do colégio deles e com certeza havia muitos conhecidos em volta, mas ele não se conteve e beijou a garota. A sua namorada. Estava extremamente feliz.
Já era noite e estava no quarto quando ouviu a campainha tocar. Colocou mudo na TV e ouviu Matthew abrir a porta, falando algo como "ela tá lá em cima". Tirou o mudo e continuou assistindo TV normalmente, quando ouviu algumas batidas na porta e gritou um "pode entrar", ainda deitada na cama. Os oito amigos apareceram na porta dela e iam entrando no quarto sem cerimônia. Danny sentou na sua cadeira do computador.
- Viemos te pegar para ir pro pier com a gente. - disse.
- Não, obrigada. Já tá tarde, amanhã tem aula. - a garota respondeu. Agora já tinha desligado a TV e estava sentada com as pernas cruzadas em cima da cama.
- , são 20h00. - falou. Ela não ia arrumar uma desculpa. - Vem logo. A gente vai passar na casa da também. - ela puxou pelo braço, que não hesitou. Sabia que os amigos iam arrastá-la de qualquer forma para o pier. Pegou um casaco, colocou um tênis e desceu com todos.
- Vou no pier, mas já volto. - falou para os pais, que assistiam TV na sala.
- Tá certo, filha. - o Sr. falou, acenando para todos que saiam.
Passaram na casa de e ela mesma atendeu a porta. Já estava praticamente pronta para ir dormir, com pijama, pantufas e tudo. Os amigos falaram a mesma coisa que disseram pra e olhou para a amiga na varanda da casa, que apenas deu de ombros. falou para eles esperarem um segundo na sala que ela iria trocar de roupa. Voltou em menos de cinco minutos e eles foram para o pier a pé, já que este não ficava tão distante assim da casa da garota.
Capítulo 17
- Alguém pode nos dizer o que isso significa? - perguntou confusa e um pouco irritada, quando eles chegaram no píer.
- A gente só tava afim de sair com as nossas amigas. - Tom falou simplesmente.
- Olha, a gente queria pedir desculpas. - falou de vez. - A gente sabe que reagiu errado à notícia de vocês...
- Mas queríamos falar que achamos o máximo, vai ser ótimo! - terminou a fala da amiga. Ela podia não estar totalmente feliz com a possível mudança das amigas, mas sentiu que tinha que as apoiar se era o que elas queriam.
- E a gente vai entrar em contato toda semana. - falou.
- Er... Bom, é isso. - terminou e esperou a reação das amigas.
- Deixem de ser bestas, vocês. - falou, rindo. - A gente vai se falar todo dia, o tempo todo.
- É realmente difícil ficar com raiva de vocês por muito tempo. - foi a vez de falar, e todos se abraçarem por um momento.
- Mas e ai, como andam as coisas? - perguntou, interessada, depois de se soltar do abraço. - Eles já falaram com os pais de vocês?
- A gente se reuniu com a Janice ontem e depois de amanhã o cara lá vem conversar com os nossos pais aqui. Mas a gente não sabe se tá certo ou não... - explicou tudo para os amigos, com algumas intervenções de , que complementava a história com um detalhe ou outro.
- Ei, adivinha quem é a mais nova compromissada? - se lembrou de repente, no meio de uma conversa.
- Você? - Tom perguntou, empolgado, e recebeu um olhar entediado de . - Ah é, você já era... - ele falou, pensativo.
- A ! Com o Briaaan. - ela brincou com a amiga.
- JURA? Nossa, , que legal! - falou.
- Eu ainda não gosto dele. - Danny disse, olhando para baixo com cara de quem não quer se meter.
- Deixa de ser implicante, Jones. - falou e o garoto apenas deu de ombros. - Eu acho que é ótimo. - completou, com um sorriso.
No dia seguinte, todos almoçaram juntos, só que dessa vez, numa mesa lá fora, como sugestão de .
- É sério, aqui é muito mais agradável de se almoçar. - Harry comentou com os amigos.
- Não sei porque a gente sempre ficava lá dentro, naquele barulho. - complementou.
- Gente, eu tô indo. - falou, logo depois que terminou de comer. - Combinei com o João Victor pra resolver as coisas do trabalho de História. Tchau. - falou, levando a bandeja com a mão e colocando-a no lugar apropriado.
No final da aula todos se encontraram na saída do colégio e foram para a casa de Dougie divididos nos carros dele, de e de Danny. Os garotos tinham ensaio e Dougie havia chamado todos para irem direto para lá, embora insistisse que tinha que sair cedo, pois tinha marcado de se encontrar com Guilherme às 17h00. Depois de uma confusão que envolveu Danny e James fazendo sanduíches, todos foram para a parte de trás da casa onde ficava o "estúdio" dos garotos. Eles começaram ensaiando um cover da música I Wanna Hold Your Hand dos Beatles, e em seguida passaram para Crazy Little Thing Called Love, mas precisava ir se arrumar e saiu no meio do ensaio. Depois que acharam que já haviam ensaiado bastante e as meninas já estavam bem entediadas de ouvirem as mesmas músicas, decidiram voltar para a sala e pedir uma pizza. Enquanto esperavam-na, Dougie foi lá em cima e voltou com uma caixa de jogo colorida.
- O que é isso? - perguntou, curiosa.
- TWISTER! - Dougie falou abrindo a caixa e mostrando um pedaço do tapete, parecendo realmente animado.
- Eu nunca joguei isso! - exclamou.
- Nem eu! É legal! - seguiu o comentário da amiga.
- O problema é que só dá pra quatro pessoas de cada vez. - James comentou, olhando para o amigo.
- A gente se reveza!
- Então eu e vamos primeiro. - falou, abrindo um sorriso.
- Nem vem. Por que vocês?
- Porque a gente pediu primeiro e a gente nunca jogou.
- Exatamente, então sentem-se e assistam o mestre jogar. - James falou se levantando e ajudando Dougie a organizar o jogo.
- Então vamos nós quatro e depois vão mais quatro. Judd vem cá rodar a roleta. - Dougie chamou o amigo.
- Bourne, você primeiro: pé direito no azul.
James entrou no tapete seguindo o que Harry havia dito.
- Dougie, mão direita no verde. , mão direita no vermelho.
Passaram mais alguns minutos até que apenas estava com uma das mãos livre.
- , pé direito no amarelo.
- Ai que saco, será que não dava pra ser a mão não? - reclamou quando teve que passar a perna por cima do braço de James. - Eu não sou banquinho tripé!
- Reclama não. - , que estava totalmente torta, olhou feio para a amiga.
- Dougie, pé esquerdo no azul.
- AI! - James reclamou. - Controla teu pé e pára de me chutar, Dougie.
- Foi mal, cara.
James foi o primeiro a cair e se levantou reclamando que Dougie havia se escorado nele. foi a segunda.
- , pé esquerdo no amarelo. - Harry ditou, observando a menina fazer ponte para chegar até o círculo.
- , você tá louca? - Dougie olhou espantado para a posição da garota.
- Eu treino muito por causa da patinação. - a garota falou, simplesmente.
- Dougie, pé direito no amarelo.
Dougie levantou o pé para coloca-lo do outro lado do tapete, mas seus braços já estavam muito cansados e ele caiu de lado.
- Yeah! Eu ganhei! Agora diz quem é o mestre, Bourne! - apontou para James, tirando onda com o garoto.
- Tá, tá, agora é nossa vez. - Danny se levantou e foi juntamente com Tom, e Harry para o tapete.
- , vem aqui girar. - Harry passou a roleta para a amiga.
- Mão esquerda no vermelho. - ditava para Tom, que já estava bastante torto em cima do tapete do jogo.
- AAH! Eu vou cair!
- Só não cai em cima de mim. - Danny reclamou olhando feio pro outro.
- Minha vez. , roda pra mim! - pediu desesperada por uma posição mais confortável.
- Pé esquerdo no verde.
- Droga! Já tá.
A campainha tocou e James foi atender a porta, voltando com as duas pizzas que eles haviam pedido.
- Opa! A comida chegou. - Harry falou, todo torto, no tapete do jogo.
- , vem comigo pegar refrigerante? - Dougie pediu se levantando do sofá e olhando para a garota.
- Ok. - respondeu depois de olhar em volta e perceber que quase todos estavam entretidos no jogo. - ! Vem ajudar também.
- Ah, ...
- Por favor. - ela olhou fundo para a amiga, tentando passar mais súplica pelo olhar do que pela própria voz.
estranhou aquilo e concordou, se levantando do sofá. Já na cozinha, Dougie se aproximou de .
- , será que a gente podia...
- Agora não Poynter, a pizza vai esfriar.
fingiu que não havia ouvido enquanto organizava os copos em uma bandeja, mas a verdade é que ela notou que a amiga estava agindo muito estranha com Dougie desde que eles tinham voltado de Londres.
Voltaram para a sala, onde todos já haviam desistido de jogar Twister e organizavam os pratos. Quando todos acabaram de comer, ficaram mais um pouco conversando, mas já eram quase 20h00 quando todos decidiram ir embora.
Já do lado de fora, virou-se para .
- , vem aqui em casa rapidinho?
- Ok. - respondeu seguindo a amiga ao atravessarem a rua.
Já sentadas no sofá da sala dos , perguntou.
- O que aconteceu que você tá tratando o Dougie tão mal?
- Eu não tô tratando ninguém mal não, .
- Tá, me engana que eu gosto. Vai, fala logo.
- Hm... - hesitou por alguns segundos - - Foi o seguinte... - não tinha motivos para mentir para , que tinha virado sua cúmplice nessa história toda. Contou desde como eles tinham ficado no campeonato durante a apresentação de (nessa hora recebendo um olhar feio da amiga) e como ele tinha falado para não contar pra ninguém, e que depois ela o tinha visto junto com a Giselle.
- E agora eu não quero mais falar com ele. - ela falou, terminando a história.
- Poxa , mas você tem certeza disso? - parecia triste.
- Claro que sim. Ele mesmo falou que não namorava garotas como eu. Provavelmente prefere umazinha fácil qualquer. - ela estava realmente irritada com aquilo tudo.
- Você quem sabe, mas eu não concordo com isso. Acho que você deveria conversar com ele, não sei.
- Não. Porque com certeza ele vai arrumar uma desculpa qualquer e eu vou cair. - ela olhou pro relógio do DVD. - Já são mais de 20h30. Tenho que ir pra casa. Tchau, .
Levantaram e se despediram na porta. entrou no seu carro sem nenhuma dúvida na cabeça. Estava decidida.
Enquanto isso, Dougie havia colocado os pratos no lava-louça e esperava que fossem limpos enquanto assistia uma coisa qualquer na TV. Guardou os pratos, pegou o jogo e subiu para o seu quarto. Lá, colocou comida para Zukkie e sentou-se na cadeira para ligar o computador. Olhou pela janela e viu alguém sair da casa de e entrar num carro parado na rua. Era . Ele não entendia porque ela estava agindo de forma tão estranha. Será que havia se arrependido de ter ficado com ele? Decidiu ir tomar um banho e refrescar as idéias. Quando voltou para o quarto para se trocar, percebeu pela primeira vez que havia uma peça de roupa com um bilhete em cima da sua cômoda. "Achei esse casaco no sofá hoje pela manhã. Bertha". Bertha era a responsável pela casa continuar de pé mesmo com a Sra. Poynter ausente quase todas as semanas. Ela ia todo dia pela manhã antes do garoto sair para o colégio, para arrumar a casa e preparar algo para ele jantar, mas geralmente saia antes de ele voltar da escola.
Dougie pegou o casaco. Não era dele, e não sabia de quem era. Esforçou-se um pouco para tentar lembrar quem poderia ter deixado-o ali e finalmente conseguiu. Deixou o casaco do lado dos seus livros e se sentou na cama. Entregaria no dia seguinte, seria uma boa desculpa para falar com . Mexeu num livro na estante. Estava entediado, então decidiu escrever alguma coisa. Mexendo no computador achou as fotos que haviam tirado no mesmo dia da arrumação da mala, e as mais engraçadas eram as que tiraram na cozinha. Puxou um caderno e começou a escrever.
Na quinta-feira era a reunião com os pais e o representante da escola de patinação de Londres e, pela manhã, as duas garotas estavam muito animadas.
- Eu ainda não vou com a cara desse Brian. - Danny reclamou olhando para as costas de que se afastava.
- Nem eu. - Dougie apoiou o amigo.
- Já falei para vocês dois pararem com essa implicância idiota com ele. - Tom falou. - Ele gosta da e parece que a também gosta dele, qual o problema? Deixem os dois em paz.
- É, o Fletcher tem razão. - interviu.
- Além do que, não é nada mal ter um namorado, sabem? - falou, rindo.
- Por falar em namorado, , como o Guilherme reagiu quando você contou sobre Londres? - perguntou, se virando para a amiga. Todos ainda tinham um pouco de receio em tocar no assunto, mas achou que eles tinham que parar com isso e tratá-lo como um assunto qualquer, mesmo que não fosse.
- Ah, ele reagiu bem. Pelo menos falou que era ótimo pra mim e essa coisa toda. Mas não sei, achei alguma coisa estranha nele. - falou essa ultima parte com a voz um pouco triste, que fez com quem James, que estava sentado ao seu lado, levantasse a cabeça.
- Como assim? Você acha que ele vai querer acabar contigo porque você vai para Londres?
- Acho que não. Mas a gente já não consegue se ver muito aqui em Stafford. Se eu for pra Londres, ai é que a gente não vai se ver mesmo. Não acho que essa história vá pra frente. - parecia triste com aquilo tudo.
- Fica assim não, . - James falou passando o braço pelo ombro da garota e abraçando-a.
Pela tarde, Harry e foram para a Educação Física, já que a garota não tinha mais desculpas para faltar agora que o campeonato acabara e os treinos voltariam ao ritmo normal e, quando já era noite, ela e foram para a reunião prometendo contar tudo para os amigos assim que chegassem no colégio.
CAPÍTULO 18
James entrou correndo pelo colégio no dia seguinte, mas eram 8h50 e o professor não o deixaria entrar, de modo que ele teve que ir para a biblioteca. Àquela altura, e já deveriam ter contado tudo sobre a reunião e sua decisão de ir pra Londres. Ele acordara tarde porque havia passado grande parte da noite anterior pensando sobre o assunto e finalmente tomara a sua decisão. Não poderia deixar que ela fosse embora sem lhe contar aquilo. Infelizmente, eles não tinham aulas juntos naquele dia, então só poderiam conversar no horário do almoço. Antes do almoço, porém, o professor de Biologia não permitiu que ele saísse da sua aula até que acabasse o trabalho que havia sido passado duas semanas antes, de forma que não falou com nenhum dos amigos mais do que um "Oi, tenho que ir" o dia inteiro.
Já na saída do colégio, ele procurou pelos amigos, mas achou apenas Emma falando com alguns amigos do terceiro ano.
- Emma, você sabe onde tá sua irmã e o resto do pessoal? - ele chegou do lado de Emma e perguntou a garota, que agora mostrava umas anotações à uma amiga.
- Não sei, mas ela falou alguma coisa sobre ir para a casa de alguém hoje pela manhã. - a garota respondeu, sem certeza.
- Obrigado. - James respondeu se virando e indo em direção à saída do colégio.
Já do lado de fora, pegou o celular e ligou para Tom; o último deles para quem tinha ligado. Esperou um pouco e o amigo atendeu no terceiro toque.
- Fletcher, você tá com o pessoal?
- Oi Bourne, tô sim. A gente tentou falar contigo hoje no colégio, mas não conseguiu. Tá todo mundo aqui na casa do Harry. Vem pra cá. - ele falou e em seguida reclamou algo com Dougie, que falava alto no mesmo cômodo.
- Certo. Tô indo, se forem sair avisa! - falou e desligou o celular em seguida, se dirigindo para a casa do amigo que não ficava tão longe do colégio.
A campainha tocou e Harry foi atender.
- Cara, finalmente! Achei que você tinha m orrido ou sei lá o que. Não te vi o dia todo. - o telefone da casa começou a tocar nesse momento. - Droga, isso aqui virou uma delegacia. Entra ai James, o pessoal tá lá atrás.
James balançou a cabeça e foi para cozinha com a intenção de usar a porta dos fundos que dava para uma pequena área verde com churrasqueira e uma pequena piscina. Quando abriu a porta para entrar na cozinha de azuleijos brancos dos Judd, ouviu conversando com .
- A Ginger também vai, sabe? A gente deve ir para lá domingo para ver onde vai morar e o colégio.
- Oi James. - comprimentou o garoto quando percebeu que ele entrara no aposento.
- Oi garotas. Vou falar com o pessoal. - ele disse se dirigindo rapidamente para a porta logo a sua frente e saindo do local. Já no quintal, olhou ao redor. Danny, Tom e conversavam em uma mesa próxima, enquanto e estavam sentadas na grama mais a frente e Dougie permanecia sozinho na beira da piscina com um dos pés dentro d'agua. James se aproximou das duas garotas sentadas na grama.
- , será que eu podia falar com você? - ele parecia ansioso. - É realmente importante.
- Claro James, o que foi? - ela repondeu, se levantando e os seus olhos ficando na altura dos do garoto.
- É que... Eu não devia estar falando isso... Mas eu não posso deixar você ir para Londres sem falar...
- Mas, James... - começou.
- Não, me deixa falar! Eu sei que você tem namorado e que tá se mudando de cidade, mas a verdade é que eu te amo! - ficou estática quando ouviu aquilo. Ela não esperava isso vindo do James. O que ele estava pensando? Aliás, ele amava ela? Ele sabia esconder muito bem. - E eu sei que provavelmente a gente nunca mais vai se ver... mas eu precisava que você soubesse! - ele ficava cada vez mais ansioso e vermelho. - E se um dia você não quiser mais o Guilherme... Eu tenho certeza que se você me der uma chance você ia gostar de mim como eu gosto de você. - o garoto prendeu a respiração. não sabia se pela emoção do momento, se esperando sua resposta, se era alívio por ter tirado aquilo do seu peito ou simplesmente por estar muito preocupado com sua reação que esquecera de respirar. decidiu agir.
- James, deixa de ser louco! A não tá indo para Londres!
- Como não? - aquela altura e que haviam voltado da cozinha já estavam ao lado dos três. , Tom e Danny agora prestavam atenção na conversa dos outros.
- Não vai. Os pais dela não deixaram. - informou ao garoto, que ficou ainda mais vermelho, se isso fosse possível.
- Mas eu ouvi... A falou que elas iam no domingo! - ele falou, apontando para a garota.
- Eu não falei isso! - a garota se defendeu quando os olhares se voltaram para ela. - Eu tava falando que EU e a GINGER vamos no domingo.
- Mas... - ele olhava atônico para as pessoas e seu olhar parou em . - ... Eu...
- James... Eu não... Anh... - ela não sabia o que falar. Mal sabia o que pensar daquilo tudo. Se virou e andou rápido para dentro da casa sendo seguida por .
Já dentro da sala, se largou no sofá e sentou ao seu lado.
- No que ele estava pensando? - falou mantendo o olhar fixo num ponto da sala.
- Eu não faço a menor idéia! Mas por que você não falou nada? - perguntou, se sentando do lado da amiga.
- Não sei. Isso é tudo tão estranho! - continuava olhando para o nada.
- O que é estranho?
- Um dos seus amigos chegar do nada e falar que gosta de você, mesmo sabendo que tem namorado. O que eu deveria dizer? - agora ela olhou para a amiga, que parecia tão surpresa quanto ela.
- Bem, eu não acharia tão estranho assim, quer dizer, dependendo da pessoa. - falou, desviando o olhar.
- Você é louca. - ela decidiu ignorar o comentário da amiga. - E, além do mais, tem o Guilherme! O que ele achou que eu faria? Simplesmente largaria o meu namorado para cair nos braços dele só porque ele se declarou de uma forma muito estranha?
- Talvez, por quê? Por acaso você cogitou essa idéia? - voltou a olhar para , com um olhar curioso.
- DE JEITO NENHUM! Eu gosto muito do Guilherme, , e você sabe disso! - ela agora se exaltava.
- Que estresse é esse? - Harry perguntou entrando na sala.
- Nada não Judd, só deixa a gente conversar um pouco? - pediu e o garoto assentiu se retirando para os fundos da casa com os demais. - E agora? O que você vai fazer?
- Ah, vou ignorar. Deixar pra lá. Para falar a verdade, fora o susto, isso não me abalou sabe? Estou bem namorando o Guilherme e sendo amiga do James. Vou continuar assim. - falou dando um sorrisinho. Ela sabia que estava mentindo. O que o garoto acabara de falar tinha mexido com ela. Ele falou que a amava. Demorou um bom tempo de namoro para Guilherme falar que a amava. - Isso se o James deixar, né? - ela continuou.
- Como assim?
- Ah, sei lá. Vai ver depois dessa declaração ele resolve me perseguir, não sei. - falou, rindo.
- Ele não precisa te perseguir . Esqueceu que ele vive com a gente para cima e para baixo? - disse , rindo com a amiga.
- É mesmo, você tem razão... - se fingiu de pensativa e as duas caíram na gargalhada de novo.
- Ok, já vi que você superou. Vamos voltar lá para fora? - se levantou e puxou a amiga pelo braço.
Quando chegaram, perceberam que agora era James quem estava solitário na beira da piscina. Danny, Tom e Harry, naquele momento, se aproximaram do garoto e começaram a conversar e as outras garotas estavam sentadas no mesmo lugar na grama, juntamente com Dougie. e se aproximaram do último grupo. parecia irritada por algum motivo enquanto Dougie se levantava com uma cara chateada e ia falar com os quatro amigos, retirando alguma coisa do bolso. e se sentaram junto com as amigas e, pouco tempo depois, James se levantou, lançou um olhar distraído para e se retirou, acenando um tchau para todas as garotas.
As meninas já conversavam fazia quase meia hora quando Tom se aproximou delas.
- Ei garotas. Você pretendem fazer alguma coisa amanhã?
- A gente não tem nada progrado não. Ou tem? - se virou para como se esperasse que a garota confirmasse. Ela e as outras tinham um costume de perguntar esse tipo de coisa para a amiga, que sempre dava uma de agenda para os compromissos de todas.
- Não, a gente não tem nada amanhã não. Por quê? Tem alguma idéia? - perguntou para o garoto.
- Não é nenhuma proposta indecente não né, Fletcher? - brincou com o garoto.
- Só se vocês quiserem. - ele falou sorrindo e piscando um olho para a garota que fingiu estar horrorizada. - Pra falar a verdade, é só a mesma coisa de sempre. Ensaio da banda. É que amanhã a gente vai ensair uma música nova e queria que você ouvisse e falassem o que acham dela.
- Por mim tudo bem. - disse e, em seguida, balançou a cabeça concordando. As outras três amigas se entreolharam.
- Sabe o que é Tom? É que eu vou para Londres... - a garota começou.
- É só no domingo , nem vem. Além do que o Dougie prometeu deixar vocês jogarem Guitar Hero enquanto a gente repete as músicas.
- Opa! Tô dentro, então! - falou, abrindo um sorriso.
- Tá, pode ser, então... - Gabria e concordaram, mesmo não sendo exatamente o que queriam.
- Certo, então amanhã de umas 15h00 você aparecem lá na casa do Dougie, certo? - Tom falou se afastando e deixando as meninas voltarem para a conversa que mantinham anteriormente.
O sábado começou como qualquer outro. As garotas acordaram por volta das 10h00. Na verdade, foi a encarregada de acordar cedo e ligar para as amigas. Quanto aos garotos, elas tinham certeza que não acordariam antes do meio dia, quando a fome não deixasse que eles dormissem mais. Desse modo, simplesmente marcaram de ir para a casa de , que estava virando o quartel general delas. Por volta das 12h00, estavam todas sentadas na sala tentando decidir um filme para assistir quando a campainha tocou. A mãe de foi atender e logo chegou na sala com Tom e Harry.
- O que vocês tão fazendo aqui? - perguntou, incrédula. - A casa do Dougie é do outro lado da rua.
- A gente já tentou lá, mas ninguém atende. O baixinho deve estar dormindo ainda. - Harry falou com simplicidade.
- Ai a gente resolveu vir pra cá esperar. - Tom deu de ombros.
- Uhul! Bom saber que a minha casa é a segunda opção das pessoas que não conseguem acordar o Poynter. - falou, tentando parecer indignada.
- Você deveria considerar isso um elogio, xuxu. - Tom disse, apertando as bochecha da garota e rindo, mas só conseguiu receber um olhar fuzilante da amiga.
- Ok, o que vocês estavam fazendo? - Harry perguntou se sentando no tapete ao lado de .
- A gente tava escolhendo um filme. - informou enquanto voltava a sua tarefa de tirar os DVDs do armário e procurar um interessante. Nesse momento, ela tirou um pequeno box com os três DVDs de "De Volta Para o Futuro" e Tom só faltou sair pulando pela casa.
- Bora ver esse! Por favoooooooor! - ele praticamente implorou.
- Por mim tudo bem. Meninas? - se virou para encarar as outras.
- Por mim também. - falou, enquanto concordava com ela.
- ...? - Tom se virou para a amiga com um grande sorriso no rosto, que só fazia sua covinha aumentar. Isso fez soltar uma pequena risada pelo nariz.
- Nem vem Fletcher, você vai precisar de mais que isso para me convencer a assistir esse filme pela trilhonésima vez.
- Vai, do meu coração, por favooooor!
- Tááá, tá bom. Tá na hora da minha boa ação do dia mesmo. - falou dando uma risada e Tom só não pulou no seu pescoço lhe abraçando porque tinha muita gente no caminho.
- Que bom saber que minha opinião conta. - Harry falou, levantando uma das sobrancelhas.
- Ah Harry, vai ser estraga prazeres é? - cutucava o menino de lado com o cotovelo.
- Ah, vai. Fazer o que, né? - ele falou, com um sorriso.
Nesse momento o celular de Harry começou a tocar e ele atendeu.
- Alô, Danny? Também não consegui. Ele deve tá dormindo ainda. Na casa de . Ok. - desligou o telefone e virou para as garotas. - O Danny vem pra cá.
Ele mal acabara de falar aquilo e a campainha tocou. Dessa vez foi atender, voltando pouco tempo depois com o garoto. Enquanto isso, colocava o DVD do filme e todos finalmente se acomodaram quando iniciou o filme. O personagem principal logo apareceu, e após alguns minutos Tom falou:
- Ei pessoal, por que a gente não coloca o nome da banda de McFLY? - ele sugeriu, do nada.
- Você ficou louco? - Harry falou, se virando para o amigo que estava sentado do seu lado, no chão.
- Não Harry, sério mesmo. Eu adoro o filme, e no final o McFLY "filho" tem uma fala realmente legal sobre música e tudo mais...
- Eu não gostei muito dessa idéia não Tom. - Danny falou, mal tirando os olhos da tela.
Alguns minutos depois, apareceu uma cena em que o Marty McFly brigou com o cara que um dia se tornaria o chefe de seu pai e foi obrigado a fugir pela rua, inventando o skate. Sua fuga acabou com o "malvado" caindo em um caminhão cheio de estrume e Danny rindo escandalosamente. Quando a câmera virou e mostrou o caminhão de esterco, apareceram as palavras "D. JONES" na sua lateral, e Danny não se conteve.
- Meu nome tá no filme! Meu nome tá no filme!! - ele apontava para a tela, se levantando. - Que legal! Tô começando a gostar desse filme!
- Agora ele gosta. - Tom bufou alto.
Quando já estava na metade do filme outro celular tocou. Dessa vez foi o de Tom, e ele informou a Dougie que estavam "na casa da frente assistindo o melhor filme do mundo". Dougie logo apareceu e se juntou aos amigos. Um pouco antes de acabar, o Marty falou a tal frase que o Tom havia comentado:
"If you don’t play, there’s no music.
If there’s no music, they don’t dance.
If they don’t dance, they don’t kiss.
And if they don’t kiss, they don’t fall in love..."
( "Se vocês não tocarem, não tem música.
Se não tem música, eles não dançam.
Se eles não dançam, eles não beijam.
E se eles não beijam, eles não se apaixonam...")
- Cara! Essa frase é tudo! Sério mesmo. - Harry falou ainda do chão olhando para Tom, que agora estava sentado no sofá.
- Tá vendo? Eu falei. - Tom disse, com ar de superioridade.
- Acho que eu perdi alguma coisa... - Dougie olhava de um amigo para o outro.
- É que eu sugeri que a gente chamasse a banda de McFLY por causa do personagem principal do filme. Ele toca rock e tem essa fala super legal e a coisa toda.
- É uma idéia, Fletcher.
- Ae! Alguém me deu crédito! - Tom falou, orgulhoso.
Começaram a assistir o segundo filme ainda pensando na possibilidade do nome. Por fim, Dougie tinha gostado da idéia e convenceu Harry, que havia gostado da frase. Danny já estava apoiando a idéia depois do caminhão de esterco com o seu nome.
CAPÍTULO 19
Estavam na metade do filme quando James apareceu reclamando que eles ainda não tinham ido ensaiar. Assim que chegou na sala, o olhar de James se encontrou com o de e ele ficou vermelho. Ainda estava sem graça pelo ocorrido no dia anterior e evitava ao máximo falar com a garota e trocar olhares com ela. Quando estavam praticamente convencendo Tom a deixar o filme de lado e irem finalmente para a casa de Dougie, a campainha tocou mais uma vez.
- Isso aqui virou hotel. - bufou enquanto Matthew decia as escadas gritando um "eu atendo".
Ouviram a voz de uma garoto com um sotaque diferente e, quando os dois passaram pela sala, todas as garotas se viraram e, com exceção de , soltaram um ar de riso.
- Olá Juanes. - , e falaram, em coro.
Juanes era um amigo espanhol da sala de Matthew, muito bonito por sinal.
- Olá garotas. - ele acenou enquanto passava pela sala e subia as escadas atrás de Matthew.
Assim que ele sumiu de vista, as garotas começaram a rir e se entreolharam, fazendo Dougie, Danny e James fazerem uma cara de poucos amigos..
- Vocês ai, parem de tarar os amigos do meu irmão! - brincou, rindo.
- Nem vem, eles são muito gatos. - falou, fazendo revirar os olhos.
- E o Matthew também não fica atrás. - disse.
- Ah, que você tem um tombo pelo meu irmão eu já sei a muito tempo, . - provocou a amiga, recebendo um olhar feio dela e uma cara fechada de Dougie.
- E ela por acaso tá mentido, ? Seu irmão é muito bonito, admita. - falou, ainda rindo.
- Aff, ele é meu irmão! Parem com isso, suas loucas. - ela não conseguia parar de rir. - E você, hein, ? Você tem namorado.
- Tenho namorado sim, mas não sou cega. - respondeu dando lingua para a amiga. Isso só fez com que James fechasse a cara assim como Dougie e as garotas rissem ainda mais.
Depois de muitos risos e caras feias, todos sairam da casa e atravessaram a rua para que os meninos enfim pudessem ensaiar com a banda agora finalmente batizada de McFLY.
- Toca uma dos Beatles pra mim? Por favoooor. - pediu, quando todos já estavam dentro do estúdio e os meninos pegavam os intrumentos. Eles se entreolharam e cochicharam algo que elas não ouviram. Logo em seguida, tocaram as primeiras notas de uma música que logo reconheceu como sendo She Loves You e deu um gritinho, batendo palmas animada. Quando acabou ela agradeceu aos meninos pela música.
- Pra falar a verdade, , a gente já tinha combinado de tocar essa música hoje! - Danny falou, rindo.
- Chatos! - olhou feio e estirou a lingua para eles.
Os meninos continuaram o ensaio e, quando iam começar a tocar a música pela quarta vez, se adiantou, pedindo para o Dougie para ir jogar video game, recebendo o apoio das outras. ficou em dúvida. Continuava a ouvir She Loves You ou ia jogar Guitar Hero? Desistiu e se juntou às amigas, afinal, tinha os Beatles todos os dias tocando na sua coleção de CDs.
Elas já jogavam a quase meia hora quando James chegou avisando que eles iam ensaiar uma música nova e que só era para todos voltarem para o estúdio quando eles chamassem. Desse modo, ele sentou-se no sofá do lado de , esperando a sua vez de jogar. jogava empolgada quando seu o celular começou a tocar. Com uma das mãos, tirou rapidamente o celular do bolso e jogou no colo de quem estivesse mais perto, pedindo esse atendesse o telefone. James atendeu e logo entregou o celular para .
- É o Guilherme. - ele falou, com um pouco de receio.
- Ah. Diz ai que eu já já atendo. - ela falou, sem tirar os olhos da tela.
- Acho melhor não, . - James continou, falando baixo.
- Ai que saco. , dá pause aí no jogo, por favor. - ela falou e em seguida se levantou, pegando o celular da mão de James. aproveitou a oportunidade e pulou no sofá para continuar o jogo da amiga, enquanto esta falava ainda na sala com o namorado.
- Não, a gente tá na casa de Dougie. Todo mundo. As meninas e os meninos, por quê? Foi o James quem atendeu. Porque eu tava ocupada, oras. Jogando. - ela saiu pela porta da frente com a intenção de ir para o terraço em busca de um pouco de privacidade, mas não antes de todos escutarem o que provavelmente seria o início de uma pequena discussão.
- Então dá próxima vez eu não atendo, ok? - ela falou com um tom de voz um pouco mais irritado. ficou observando pela janela a amiga andar de um lado para o outro no terraço, provavelmente discutindo com Guilherme. Quando ela se sentou num banco que havia, voltou a atenção para a sala e percebeu que James ainda observava , com uma expressão não definida no rosto. tinha certeza que ele deveria estar feliz por ver a garota brigar com o namorado e ao mesmo tempo se sentindo culpado pelo sentimento, já que ela estava obviamente chateada.
Já passavam das 20h30 e falava que tinha que ir para casa arrumar alguma coisa para Londres no dia seguinte, apesar de ser lembrada pelos demais que ela morava na casa da frente.
- Mas eu ainda tó cheia de coisa pra fazer, e tenho que terminar o trabalho de Trigonometria, porque eu não sei que horas eu chego amanhã. - ela reclamava no sofá. - Eu sou cheia de coisa pra fazer e me meto em mais, não sei porque. Se eles não chamarem logo eu vou ter que ir embora sem ouvir a música.
Logo em seguida, Dougie apareceu chamando todos para o estúdio e, quando todos seguiram para os fundos, ele se dirigiu às escadas afirmando que tinha que pegar alguma coisa no seu quarto. Quando ele voltou para o estúdio parecia um pouco nervoso. Tomou posição com o baixo com uma expressão nada confortável, mas os outros se acomodaram sem perceber. Começaram a tocar a nova música que Tom e Danny se reversavam cantando.
It's only been a day
But it's like I can't go on
I just wanna say
I never meant to do you wrong
And I remember you told me baby
Something's gotta give
If I can't be the one to hold you baby
I don't think I could live
Só se passou um dia,
Mas parece que eu não consigo seguir em frente,
Eu só quero dizer,
Que eu nunca quis te fazer mal
E eu me lembro que você me disse baby,
Alguém tem que ceder,
Se eu não posso ser aquele que te abraça baby,
Eu não acho que poderia viver
Now I'm so sick of being lonely
This is killing me so slowly
Don't pretend that you don't know me
That's the worst thing you could do
Now I'm singing such a sad song
These things never seem the last long
Something that I never planned, no
Help me baby, I'm so sick of being lonely
Agora eu estou muito cansado de ficar sozinho,
Isso está me matando tão lentamente,
Não finja que você não me conhece,
Isso é a pior coisa que você poderia fazer
Agora eu estou cantando uma música tão triste,
Essas coisas nunca parecem durar,
Algo que eu nunca planejei, não
Ajude-me baby, eu estou tão cansado de estar sozinho
De alguma forma, aquela música fez se sentir levemente desconfortavel. Era como se a música falasse dela, ou fosse para ela, mais provavelmente. Claro que era uma idiotice, afinal, ela já havia sentido isso com outras tantas músicas e em tantos outros momentos. Ela achava comum que uma pessoa, quando estivesse triste ouvisse uma música triste e pensasse que se encaixava na sua vida, ou se estivesse apaixonada e ouvisse uma música romântica, achava que ela havia sido escrita pensando naquela pessoa em especial, contando sua história. Sempre arrumava uma forma de se encaixar.
Your stuff's in my house
So many things I can't ignore
Your clothes still on the couch, yeah
Your photo's on my freezer door
And I remember you told me baby
Something's gotta give
If I can't be the one to hold you baby
I don't think I could live
Suas coisas estão em minha casa,
Tantas coisas que eu não posso ignorar,
Suas roupas ainda no sofá, yeah
Suas foto na porta do meu freezer
E eu me lembro que você me disse baby,
Alguém tem que ceder,
Se eu não posso ser aquele que te abraça baby,
Eu não acho que poderia viver
Dougie observava pelo canto do olho. Ele tinha escrito essa música pra ela. Não sabia o que a garota estava achando nem se tinha notado que a música ela sobre eles, mas ele se sentia bem apenas em tocá-la pra ela. Por umas duas vezes, notou a menina olhando diretamente para ele, mas desviando o olhar. O que ela estava pensando?
Now I'm so sick of being lonely
This is killing me so slowly
Don't pretend that you don't know me
That's the worst thing you could do
Now I'm singing such a sad song
These things never seem the last long
Something that I never planned, no
Help me baby, I'm so sick of being lonely
wa wa wa wa wa (3x)
I am so lonely
wa wa wa wa wa (3x)
Agora eu estou tão cansado de ficar sozinho,
Isso está me matando lentamente,
Não finja que você não me conhece,
Isso é a pior coisa que você poderia fazer
Agora eu estou cantando uma música tão triste,
Essas coisas nunca parecem durar,
Algo que eu nunca planejei,
Ajude-me baby, eu estou cansado de estar sozinho.
wa wa wa wa wa (3x)
Eu estou tão sozinho
wa wa wa wa wa (3x)
também estava cansada de ficar sozinha. Queria ficar com ele. Mas a que custo seria isso?
Eles finalizaram cantando o novamente o refrão da música e, quando descansaram os instrumentos, as garotas foram abraçar e elogiar os meninos. Dougie, então, segurou pela mão e a levou para fora. A garota ainda estava pensando na música, de forma que esqueceu de fingir que tinha raiva dele. No momento, nem se lembrava porque tinha parado de falar com ele. Chegando na cozinha, ele pegou alguma coisa em cima da mesa e se virou entregando para a garota. olhou para baixo e viu seu casaco sumido em suas mãos. Então era isso. A música realmente havia sido escrita pensando nela, então ela não estava ficando louca. Isso era um alívo, porém essa nova informação só a deixou ainda mais confusa. Ela olhou para o menino na sua frente. Ele estava apreensivo e mordia o lábio, olhando-a. Ela não sabia se ria, se chorava, se pulava no garoto ou se saia correndo, de forma que apenas olhou fundo naquele olhos azuis do garoto. Que olhos azuis! Ela amava aqueles olhos. Voltou aos seus antigos pensamentos depois de alguns minutos; ela tinha que descobrir a verdade. Por que ele escrevera aquela música? Queria namorar com ela?
Ou será que era apenas para não ficar sozinho? Mas quem se daria ao trabalho de escrever uma música tão bonita quanto aquela, apenas para não ficar sozinho?
- , me desculpe, eu não sei o que fiz, mas eu gosto de você... - ele começou a falar. Ficou de frente para ela e segurou as suas mãos. era um pouco mais baixa que o garoto, de forma que ele olhava um pouco para baixo, bem nos olhos da garota. já não ouvia mais. O motivo da sua raiva voltou para a sua cabeça, apesar de tudo. Será que ele realmente estava dizendo que não sabia que tudo aquilo que ela estava fazendo era por causa da atitude infantil de não assumir para todos que eles tinham ficado? Não, aquilo com toda certeza era apenas mais uma dessas tantas desculpas esfarrapadas que os homens gostavam de dizer para as mulheres, apenas querendo a chance de ganhar de novo sua confiança, esperando o momento de magoá-la novamente. Pensamentos, quase todos incompletos, rodavam na sua cabeça, misturando a ânsia de beijá-lo e a vontade de sair correndo dali. Percebeu um movimento de Dougie e viu que ele levantava a mão em direção da nuca da garota. Não, ela não seria feita de tola tão facilmente. Tinha que pensar sobre aquilo, e não lhe parecia que beijando-o seria o melhor modo de fazer isso.
Deu um passo para trás e se virou. Saiu praticamente correndo da cozinha e o mesmo em relação a casa. Correu por toda a rua, diminuindo de velocidade apenas quando dobrou a esquina e não se deu ao trabalho de olhar para trás para ver se alguém a seguira. Ela abraçou o seu casaco e chorou. Chorou quase todo o caminho de volta para casa, tentando pensar sobre tudo o que havia acontecido, dando tempo para cada sentimento passar por vez.