Sonhando Acordada
Por Ludmila
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Parte 1
Era de noite, ainda trabalhava sem parar, desde às 6 da manhã. Ela pensava no que deixou para trás no Brasil. Pensava que tinha deixado tudo pelo seu maior sonho: trabalhar e estudar em Londres. Sonho que não se concretizou completamente. trabalhava quase como uma escrava no Norah`s Coffee, não conseguiu a bolsa para o curso de teatro que tanto queria e ainda se sentia só, a não ser pelo fato de viver assistindo filmes com Orlando Bloom, seu ator preferido, ele que estava tão perto e tão longe ao mesmo tempo... Perdida em seus pensamentos, nem notara a presença de , sua única amiga naquele lugar. era descendente de brasileiros, falava português e era muito bonita, ruiva, olhos verdes e era muito extrovertida, ao contrário de que era meio tímida.
- , quando vai sair?
- Espero que antes das 21 horas! – respondeu.
- Você não merece isso! Muito trabalho por pouco dinheiro...
- It´s my life!!! – disse rindo, no fundo querendo chorar.
- Eu vou com uma galera para a nova boate que abriu. Se quiser ir, está aqui o endereço e me encontre lá. Terá muitos gatos!!!
- , espero que não venha mais clientes, já que hoje eu quem vou fechar a loja! Então eu vou sim, preciso me divertir! – falou num tom como se quisesse libertar-se de algo.
- É isso aí, garota! Brasileiras detonando em Londres! Beijo amiga!
- Bye!
começa a limpar o chão e de repente entra alguém correndo na loja. Ela se assusta, e em um impulso pega o primeiro objeto que alcança, um cinzeiro, e ameaça o invasor. Ele, ao ver o desespero dela, mesmo ofegante, diz:
- Calma senhorita! Não vou atacá-la! Eu é que quase fui atacado!
Ela mais calma olha para ele e logo o reconhece:
- Vo... Voc-você é o Orlando Bloom! Por que essa entrada triunfal? – disse meio irônica.
- Eu estava fugindo de um grupo de fãs e outro de paparazzi. Todos decidiram me caçar hoje! – disse rindo.
- Sempre foge assim das suas fãs?
- Não. Claro que não. É que mais de 20 contra 1 é difícil! - continuou rindo.
Contagiada pela alegria, também riu e parou, olhando-o dos pés à cabeça, pensou: que homem lindo! Orlando pareceu notar e ela ficou desconcertada.
- Qual o seu nome? - Orlando perguntou.
- . - ela disse um pouco nervosa.
- , desculpe se eu a assustei! – ele disse gentilmente. – Eu vi a porta aberta e entrei sem pensar...
- Eu entendo! Não tem nada Sr. Bloom!
- Pode me chamar de Orlando!
- Orlando, você aceitaria um chocolate quente? Uns biscoitos?
- É você mesma quem faz? - perguntou curioso.
- Claro! Eu sou a mulher mil e uma utilidades daqui! - disse rindo.
- Então eu aceito! – riu também, mesmo não entendendo bem o que ela queria dizer.
Enquanto ela ia para o outro lado do balcão, ele a analisou, do mesmo modo que ela havia feito com ele. A pele clara parecia tão macia e cheirosa, olhos e cabelos castanhos escuros, belas curvas e um sorriso lindo. Ela tinha uma beleza diferente da que ele conhecia, porém Orlando achou que devia ser bem melhor do que apresentava naquele café.
- Você é de onde? – ele perguntou.
- Rio de Janeiro, Brasil. Foi o sotaque? - ela perguntou dando um sorriso.
- Não, seu inglês é perfeito! É que você é diferente das mulheres daqui. – falou, retribuindo o sorriso.
ficou tão sem graça imaginando o que ele estaria pensando, que derrubou parte do chocolate na mesa.
- Quer ajuda?
- Não se preocupe! No Brasil a gente faz assim, derruba o chocolate, junta de novo e joga na leiteira. – disse brincando.
- Espero que assim fique mais gostoso! – disse rindo.
O chocolate ficou pronto e ela o trouxe junto com os biscoitos. Eles comeram, conversaram e riram como se fossem velhos conhecidos, até que Orlando olhou o relógio e viu o quanto era tarde. Ele tinha que ir.
- , a hora com você parece passar tão depressa! Eu já tenho que ir...
- Orlando, foi bom te conhecer, apesar do susto!
- Desculpe-me novamente! Obrigado pelo esconderijo e pelo lanche! Quanto eu devo?
- Nada!
- Eu faço questão em pagar! Estava uma delícia!
- Hey, não foi nada! Mas se quiser pagar, espero que pague aparecendo aqui de novo! – disse querendo ter formulado algo melhor.
- Tudo bem, eu irei aparecer. Mas de um modo mais discreto! Eu não quero levar algo na minha cabeça! - falou dando uma risada.
- Não sou muito boa de mira. – ela sorriu
- Adorei te conhecer, mas realmente tenho que ir! – ele quis dar-lhe um beijo no rosto, mas achou que seria um abuso de sua parte se o fizesse, sem saber que ela adoraria se ele tivesse feito. Orlando simplesmente apertou a sua mão e disse tchau.
- Adeus! – ela disse baixinho.
terminou tudo o que tinha que fazer e lembrou que nem um autógrafo tinha pedido para Orlando.
- Que fã idiota! - exclamou.
Então uma dor lhe invadiu. Começou a pensar que nunca mais o veria, nunca mais tocaria aquela mão ou olharia dentro daqueles lindos olhos escuros. Tudo bem, ele falou que voltaria! Será que era verdade? Ele é tão ocupado! Por que voltaria por uma garota simples como ela? Era melhor não ter grandes e falsas esperanças! Do nada aconteceu outro estalo:
- Droga, esqueci da !
Saiu correndo desesperada e foi para casa tomar banho e se arrumar para ir à boate.
Parte 2:
olhou seu armário aflita, sem saber o que usar, mas sua mente estava mesmo em Orlando.
- O que será que agradaria Orlando Bloom? - ao falar isso, riu.
Pegou um vestido preto E escolheu o que calçar: um par de botas, as suas preferidas, separou suas bijuterias: brincos, anéis, pulseiras, etc e foi tomar banho. No banho, começou a cantar uma música do U2, uma de suas bandas favoritas, With or without you:
- ... and I wait for you...
É, ela esperava. Esperava o príncipe de seus sonhos... Será que ele iria cumprir sua promessa?
Saiu do banho, se arrumou, pegou um casaco, sua bolsa e o papel que tinha lhe dado. Deu mais uma olhada no espelho e saiu correndo (como sempre) para pegar um táxi.
Chegando na boate, ela olhou para todos os lados até achar um rosto conhecido. viu e fez um sinal. estava com sua amiga do trabalho e mais alguns rapazes. Ela apresentou à eles, que não se interessou por nenhum, mesmo sendo todos bonitos. Para disfarçar, ela disse à :
- Vamos dançar?
- Claro! Vamos todos! - disse .
Nisso, começou uma certa agitação em um dos camarotes Vip's da boate.
- , quem será que está?
- Sei lá, ! Mas deve ser alguém muito importante!
- Vamos até lá conferir? - perguntou .
- Ai, esquece! Hoje eu só quero dançar! - disse numa gargalhada.
Finalmente o camarote ficou calmo. Então, Orlando Bloom e seus amigos que o ocupavam, chegaram perto da sacada para observar a pista de dança.
- Nossa, a pista está muito movimentada, espero que continue assim! - disse Orlando.
- É verdade! E há muitas garotas bonitas também, Sr. Bloom! - disse o gerente da casa - Se precisar de qualquer coisa é só chamar!
- Obrigado! - disse Orlando, como sempre, educado.
- Obrigado ao senhor por ter vindo!
Neste momento, começa a tocar uma música mais agitada e Orlando repara numa garota dançando como se não se importasse com nada. Ela parecia familiar. Ele decidiu descer para ver mais de perto quem era a garota.
dançava desligada de tudo, exceto da música, quando sentiu uma mão sobre seu ombro que lhe causou um arrepio dos pés à cabeça instantaneamente. Ela olhou para trás e deu um leve grito de alegria que foi abafado pela música.
- Oi, Sr. Bloom! - ela disse.
- Eu já disse para me chamar de Orlando! - disse com um sorriso. - Espero não tê-la assustado de novo, !
- Nossa, ainda lembra meu nome!
- Por que eu iria esquecer? - falou novamente sorrindo.
Por causa do som alto, eles tinham que falar bem perto um do outro, o que deixava com vontade de agarrá-lo. Porém, jamais faria isto, era tímida e um pouco covarde.
- Você está linda! - Orlando falou para ela.
- Obrigada! Você também está lindo! - lindo como sempre, pensou.
- Quer dançar comigo? - ele perguntou.
- Seria uma honra! - respondeu sorrindo.
Eles dançaram por muito tempo. olhou o relógio e lembrou que teria que trabalhar cedo. Ela queria que aquele momento não acabasse, mas tinha que parar de sonhar acordada e voltar ao mundo real. Contos de fadas são para crianças, ela pensou.
- Orlando, eu preciso ir... - ela disse triste.
- Já? - Orlando falou tentando não mostrar muito desânimo.
- Eu vou trabalhar bem cedo...
- Pode me dar seu telefone? - perguntou Orlando esperançoso.
- Sim, desde que não seja pra enfeitar sua agenda! - falou rindo.
- Não se preocupe! Ele vai enfeitar e ainda vai ser muito útil para mim! - ele disse piscando o olho para ela.
Aquele gesto dele deixou-a maluca. Ela deu o número, criou coragem e perguntou:
- Você não vai me dar o seu?
- Empreste-me seu celular pra eu colocar o número! - ele pediu gentilmente.
- Isso parece golpe!
- Não, é só pra ter certeza que vai ter meu número. - ele replicou.
ia emprestar, mas lembrou imediatamente do papel de parede do seu celular, que era uma foto dele. O que Orlando iria pensar?
- Ah, desculpa! Eu me esqueci de recarregar o celular! Que cabeça! - mentiu.
- Imagino, trabalhando tanto! Tudo bem! Tem caneta e papel aí?
Depois da troca de telefones eles se despediram. Desta vez, com beijos no rosto e abraços.
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enquanto esperava sua condução de volta, pensava em voz alta:
- É sua boba, agora além de esperar que ele apareça, vai esperar ele ligar! Se já era apaixonada por ele antes, imagine agora!
Orlando já em sua casa também pensava. Será que deveria ligar? Poxa, ela foi tão gentil... E era bonita também, muito bonita! Estava certo quando pensei que ela devia ser bem melhor longe daquele lugar.
- Cara, o que essa te fez para pensar tanto nela?!
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De manhã cedo, já trabalhava quando seu celular tocou. Ela rapidamente correu para atender.
- Ah, é você ! - disse decepcionada.
- Você pensou que era quem? Orlando Bloom? - disse brincando sem saber de nada.
- Quem dera!
- A-ha desculpe amiga, mas vai sonhando! Você sumiu ontem! O que foi?
- Eu estava sonhando! - disse rindo.
- Você vai ter que me explicar isso! Vou até aí para a gente conversar melhor! Até já!
- Até! - falou desligando o celular. - Ê, falsas esperanças!
Algum tempo depois ela ouviu um barulho na porta...
Parte 3
- , estou aqui na despensa conferindo o estoque! - gritou .
- Já me chamaram de muita coisa, mas de , é a primeira vez! - Orlando disse rindo.
- Oh, é você! É que eu estava esperando minha amiga! Ai me perdoe! - ela falou sem graça e ao mesmo tempo nervosa.
- É melhor ser chamado de do que levar um cinzeiro ou um vaso na cabeça! - brincou ele.
- Ainda não esqueceu isso?! - disse menos sem graça.
- Isto é uma coisa que marca! - retrucou Orlando.
- Marca e dói! - completou ela mais à vontade, e rindo.
Orlando riu junto com ela, admirando o seu humor, e óbvio, a sua beleza. Pensou: "O que será que ela tem, além disso, que mexe tanto comigo? Parece loucura!"
Eles ficaram em silêncio por um tempo, pareciam um observar o outro, até que decidiu falar.
- É... Você cumpre suas promessas!
- Eu nunca faço uma promessa se não tenho a intenção de cumpri-la! - afirmou Orlando.
pensou: "Que homem!"
- Então, aproveitando o movimento fraco, eu posso dar atenção só a você! O que deseja? - perguntou sorrindo.
- Além da sua companhia?
Quando Orlando falou isso ficou levemente avermelhada e assustada ao mesmo tempo. Não que estivesse assustada por achar um abuso, mas sim por não acreditar que ele realmente tinha dito aquilo.
- Mi... Minha com... Companhia? - gaguejou.
- Você acha muito cedo te pedir para sair comigo? Ou pensa que é atrevimento? - Orlando disse ansioso.
- Não! Claro que não penso assim, Orlando! Eu apenas achei que seria difícil alguém como você querer algo com alguém como eu! - finalmente disse o que queria.
- Querer algo? - ele perguntou deixando-a mais confusa.
- Eu quis dizer amizade, ou sei lá...
- Não. Você está certa! Eu quero mais que isso! Não consegui tirá-la da cabeça a noite toda!
Mal ele terminou essa frase e já lhe acariciava o rosto com as pontas dos dedos até chegar à boca, e finalmente começou a beijá-la ardentemente.
- Eu estou sonhando! - sussurrou logo que cessou o beijo.
- Acho que eu também e...
Orlando ia completar a frase, mas foi atrapalhado pelo seu celular, que tocou.
- Está bem. Estou indo agora! - falou para a pessoa do outro lado da linha.
ficou chateada e tentando não demonstrar isto perguntou:
- É algo urgente? É grave?
- Linda, não se preocupe! Mas tenho que ir logo. Depois te explico direito. Desculpe! - ele disse apressado.
- Seja o que for, vá logo! - falou preocupada, não tendo adiantado nada do que Orlando acabara de pedir.
- Saiba que vou mesmo te levar para sair! Que tipo de comida gosta?
- Eu amo comida italiana! Massa é comigo mesma! - respondeu .
- Eu conheço um restaurante ótimo! Assim que eu voltar do meu compromisso te ligo para combinarmos a hora! - prometeu Orlando.
- Vou esperar! - disse ela pensando ao mesmo tempo: Como sempre!
Ele deu outro beijo nela, desta vez mais rapidamente e saiu. Uns 10 minutos depois ela ouve novamente um barulho na porta.
- Já voltou? - falou alegre.
- Mas eu nem tinha chegado! - disse gargalhando.
- Ah, é você...
- É a segunda vez que diz isso hoje! Quem é que você estava esperando, hein? - perguntou super curiosa.
- Se eu disser, não vai acreditar! - exclamou .
- Ai, fala logo! Você está me matando de curiosidade! Diz! - suplicou .
- Deixa de ser curiosa menina! Mas, tudo bem... Orlando Bloom!
- Ah, fala sério! E eu crente que era de verdade! , você não devia brincar assim comigo!
- É verdade! Ele até veio hoje aqui! - disse revoltada porque a amiga parecia não acreditar
- Logo cedo? Que isso aqui fica vazio e ninguém iria notar?! Certo? - disse desconfiada.
- Se vai zombar de mim é melhor ir embora! - falou já enfurecida.
- Calma amiga! Eu estou aqui para dar-lhe boas notícias! Hoje tem uma audição no Teatro de Londres. Eles procuram um rosto novo para uma peça em cima da hora! É a sua chance!
- Sério? Como? Quando? Onde? - falou nervosa.
- Eu até já te inscrevi! Tem que estar no teatro antes das 10h, que é a hora do seu teste!
- Mas, e a loja? - perguntou tremendo.
- Deixa comigo! Afinal, eu já trabalhei aqui antes. Quando a Norah chegar eu explico! Agora vai pra casa, escolha uma roupa beeeeem melhor que esta e corra para o teatro! - ordenou .
- Amiga, desculpa por ter te tratado mal! Você é demais! Eu te amo, beijinho!
- Eu sei! Também te amo doida! Agora se manda! - falou rindo.
foi para casa, fez tudo o que tinha dito e saiu para o teatro.
No teatro, ela respondeu algumas perguntas, preencheu várias fichas e ficou esperando segundo a ordem da secretária do diretor.
- ! - chamou a secretária.
- Sou eu! - disse ela tremendo.
- Sua vez. Entre!
A secretária deu-lhe um script onde já estavam marcadas as falas que ela deveria representar para os jurados e o diretor.
- Elizabeth Benett! Não acredito! - disse empolgada.
- Gosta de Orgulho e Preconceito? - perguntou a secretária rindo.
- Adoro!
- Então vai ser fácil! Boa sorte! - falou a secretária enquanto saía.
olhou tudo em volta, admirada com a dimensão do teatro. Quando fixou o olhar nos jurados não acreditou quem era um deles.
- Orlando?
Parte 4
- Senhorita , certo? - perguntou o diretor.
- Sim. - respondeu tentando esconder o nervosismo. Ela estava nervosa tanto pelo teste quanto pela presença de Orlando no júri.
- Fale para nós um pouco de você! - pediu gentilmente o diretor, que também julgava.
- Meu nome é , tenho 21 anos, sou do Rio de Janeiro, Brasil e...
- Você tem curso de atriz? Tem alguma experiência? - interrompeu com uma pergunta um frio Orlando.
- Sim. Eu fiz teatro na minha escola, um curso rápido perto de onde morava e participei de algumas peças de sucesso no Brasil, participações pequenas...
respondia bem as perguntas do diretor e dos jurados, mas pensava mesmo em Orlando. Por que ele teria a tratado assim? Profissionalismo ou algo diferente? Ele agia como se não a conhecesse, tão diferente de cedo no café!
- Pode se apresentar! - ordenou o diretor.
Ela se apresentou divinamente. Todos os jurados balançavam a cabeça positivamente, inclusive Orlando, que parecia impressionado.
- Qualquer coisa ligaremos. - avisou secamente o diretor.
se despediu, foi para os bastidores e falou novamente com a secretária, Meg Ferguson, de quem ficou amiga.
- Bye! Espero te encontrar de novo! - disse .
- Claro! Assim que você conseguir o papel! - falou Meg apoiando a nova amiga. - Bye!
Quando saía, esbarrou sem querer em alguém. Era Orlando.
- Oi! - ela disse sorridente.
- É por isso que se aproximou de mim? - Orlando foi logo falando.
- O quê? Do que está falando? - ela realmente não sabia do que se tratava.
- Você se aproximou de mim só para conseguir um papel! Não acredito que fui tão cego! - falou Orlando indignado.
- Não! É claro que não! Como pode pensar isso de mim? - não acreditava no que estava acontecendo. - E fui eu quem armei para te conhecer? As fãs? Os paparazzi? E devo ter deixado a porta no lugar certo pra que entrasse! - ela disse irônica.
- Acho que não faria tanto! Mas desde que me conheceu jogou charme! Vai dizer que não sabia que eu iria à boate?! Não sei como pude me apaixonar por você, e tão rápido! - exclamou Orlando.
- Eu sabia... Eu sabia que era bom de mais para ser verdade! Oh, espere! O quê? Você se apaixonou? De verdade? - falou segurando as lágrimas.
- Droga! E ainda para completar estou falando mais do que deveria! Se antes você não tinha ligado para os meus sentimentos, o que seria diferente agora? - finalmente disse Orlando.
- Sentimentos? Se realmente entendesse disso iria notar o que está fazendo com os meus! Eu me apaixonei de verdade por você! Porém, esqueça! O que começa errado termina errado! - falou enquanto recolhia suas coisas e ia.
Orlando ficou em dúvida se o que tinha feito era o certo. Não sabia se a seguia ou simplesmente a deixava ir para colocar a cabeça no lugar.
Algumas horas depois...
- , desculpe-me por ter voltado apenas agora! - pediu .
- Quando for rica e famosa a senhorita me recompensa! E aí, como foi menina? Foi bem? - perguntou impaciente.
- Sim e não! - respondeu .
- Ahn? - parecia não entender nada.
- O teste foi ótimo. Eu fiquei até amiga da secretária do diretor, Meg! O ruim foi o que aconteceu depois... - suspirou .
- O que foi amiga?
Quando ia responder, Norah apareceu.
- Bonito, hein mocinha! - repreendeu Norah.
- A culpa foi minha. - disse .
- Desculpe-me Norah! A culpa é minha mesmo! Mas a ficou em meu lugar e... - não conseguiu completar a frase por causa da interrupção de Norah.
- Que isto não se repita! Você é ótima funcionária e seria chato ter que demiti-la! - avisou e saiu.
- Chato é ser escrava e ainda levar bronca! - bradou .
- Ela já foi! Esquece! - pediu .
- Então amiga, o que houve? - falou de maneira mansa.
explicou tudo, desde a entrada de Orlando no café até o acontecido no teatro.
- Agora entendo. Perdoe se eu não acreditei em você! - disse uma ressentida .
- Tudo bem! Mas, agora você acredita. Certo?! - quis saber .
- Sim! Você devia ir parar no Guiness! Em 2 dias?! Que recorde!
- Por isso acabou logo! Grande recorde! - lamentou .
Dois dias depois...
No Norah´s coffee:
- Vamos à boate hoje de novo? Você precisa se distrair! - aconselhou .
- Acha que estou pra isso, ? - perguntou uma desmotivada .
- Desculpa! Então vamos para sua casa, comer pipoca e assistir aos filmes com... - se tocou da mancada que ia dar e ficou quieta.
- Não obrigada. Vá você à boate, que eu preciso ficar sozinha! - pediu .
- Certo. Amanhã cedo eu te ligo! Tchau e se cuida!
- Divirta-se! Eu vou me cuidar! - suspirou .
Orlando Bloom em sua casa atendia a uma ligação.
- Alô?! Oi Eddie! O quê? - disse Orlando.
- Por favor, eu conheci uma garota na boate e preciso encontrá-la! Eu só consegui entrar lá por sua causa! Ajude-me! - falou Eddie desesperado.
- Ah! - bufou Orlando. - Que horas?
- Às 20h30min na porta da boate! - mais mandou do que pediu, o Eddie.
- Tudo bem! Até logo! - limitou-se a dizer Orlando.
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já estava dentro da boate quando encontrou o cara que tinha conhecido outro dia, Edward.
- Olá! - ele disse malicioso pra ela.
- Olá! - retribuiu .
- Você precisa conhecer meus amigos! - disse Edward.
- Não, vamos ficar aqui! - pediu ela.
- Por favor! Você vai adorá-los e eles a você! - ele insistiu
- Tudo bem! - concordou .
Ele subiu com ela para um dos camarotes mais caros. Ela ficou encantada e surpresa ao mesmo tempo.
Quando se aproximaram dos amigos dele, ele foi logo falando:
- , este é Orlando Bloom! - falou como se quisesse aparecer.
- Muito prazer! - Orlando disse.
- O prazer é meu! - ela respondeu.
quase caiu pra trás. Ele realmente era lindo! Porém, pensou em e tudo o que ela tinha passado, não se controlou e foi logo dizendo:
- Preciso falar com você! A sós!
Edward ficou pensativo, assim como Orlando.
Parte 5
- Comigo? – perguntou Orlando, surpreso.
- Eu sou amiga da ! – disse .
- Ah, então é mais uma armação! Você saiu com o Eddie de propósito! – exclamou ele.
- Eu nem sabia que ele era seu amigo! E se soubesse, talvez tivesse mesmo me aproximado por causa da , ela é, ou era, sua fã!
- Ela te mandou aqui? – indagou Orlando.
- Não. E ela não veio aqui hoje por sua causa! Essa hora ela deve estar deprimida em seu quarto, pensando se arranca os pôsteres da parede ou não! – falou , alterando a voz.
- Como assim? Ela nunca me contou que era minha fã! – indagou Orlando.
- Talvez tenha pensado que se te contasse você acharia que ela estava querendo se aproveitar! O que realmente aconteceu e sem você saber disso!
- E o teatro? Coincidência? Vai dizer que ela não me deixou aproximar com interesse? – questionou Orlando.
- Claro que foi coincidência! O único interesse dela era você! Ela não é de deixar ninguém chegar tão perto, já sofreu muito por ser enganada. A não ser que ela conheça ou confie mesmo na pessoa. Aí esta o erro, achar que já o conhecia antes mesmo de você conhecê-la.
- Calma, garota! Você é que não me conhece para falar assim! – declarou Orlando.
- Nem preciso e nem quero, depois de tudo o que houve! Se ao menos tivesse pensado em conversar com ela melhor logo após a discussão do teatro. Não apareceu, não ligou e ainda a deixou mal. – desabafou preocupada.
Eddie, que estava mudo até àquela hora, decidiu falar.
- Caramba, o que é o destino?! Então a garota que te enlouqueceu e a amiga da são a mesma pessoa e ela se importa mesmo com você! Orlando, vai atrás dela! Você disse que ela era demais, aproveita!
- E se ela não quiser me ver? – perguntou Orlando à .
- Ela tem todo direito! – respondeu ela, sarcástica.
Orlando saiu da boate. No estacionamento, ele pensou que talvez fosse melhor ligar antes. "E não vai ser só enfeite...", pensou ele. O telefone dela chamou e quando finalmente ela atendeu, ele disse:
- Preciso falar com você!
- Quem é? – perguntou sonolenta, pois tinha ido dormir cedo.
- Sou eu, Orlando!
- Adeus! – ela disse e bateu o telefone.
Ele tentou ligar de novo, mas ela tinha tirado do gancho. Ligou para o celular e só dava caixa postal. Então, decidiu ir à casa dela e lembrou que não tinha o endereço.
- Tome! - entregou um papel a ele.
- O endereço! Como sabia? – surpreendeu-se Orlando.
- Eu conheço minha amiga! Sabia que ela não iria te atender...
- Por que está fazendo isso? – perguntou ele.
- Eu quero o melhor para ela. Se você for um idiota, é melhor que ela descubra logo! Mas, se for tudo o que ela esperava, que fique com ela! – explicou .
- Obrigado! – disse ele enquanto entrava apressado no carro.
Orlando chegou ao endereço que tinha dado e bateu na porta.
- Já vai! – gritou . - Quem será essa hora?
- Oi! – ele disse quando ela abriu a porta.
- O que quer? Saber mais sobre minhas armações? E como descobriu onde moro? Eu não dou meu endereço a qualquer um! – mencionou .
- Foi sua amiga, , que me deu! E eu não sou qualquer um, você sabe! Eu vim para me desculpar...
- Agora é tarde! Literalmente! – disse . – Como conhece ?
- Deixe-me entrar que esclareço tudo! – pediu Orlando.
- Esquece! Eu pergunto a ela. Vá embora! – falou fechando a porta.
Orlando a impediu e deu-lhe um beijo que a deixou sem ar. Por um momento ela pensou em dar um enorme tapa nele, mas não conseguiu, parecia que tinha sido hipnotizada. Ele parou e ela fez um gesto para que entrasse.
- Até que enfim! – comemorou Orlando.
- Não fique tão contente, senão volta para a rua! - repreendeu .
- Calma, meu amor! – pediu ele.
- Que história é essa da dar meu endereço? – quis saber ela.
- Vou te contar...
Depois que Orlando contou toda a história, ficou alegre com o que a amiga tinha feito. Mas era muito orgulhosa e ainda estava brava com ele.
- Você me perdoa? – perguntou Orlando.
- Não. – disse secamente.
- Mas eu pensei que... E o beijo? – disse ele surpreso.
- Foi mais um erro! Eu já te disse, o que começa errado termina errado! Não posso ficar com alguém que desconfia de mim e joga um monte de coisa na minha cara por nada! – despejou .
- Eu pensei que gostasse de mim! – afirmou Orlando.
- E eu gosto. Gosto tanto que vou te deixar ir para não ficar com uma qualquer... – ela falou chorando.
- Não fale assim! Vem cá! – pediu Orlando.
Ele secou as lágrimas dela e ia beijá-la novamente, mas ela evitou com um gesto brusco.
- Por favor, vá embora! – suplicou .
- Eu vou! Mas irei te conquistar novamente! Entendi o que disse, o que começa errado termina errado. Por isso vou recomeçar, do jeito certo! – afirmou Orlando.
- Vamos ver! – duvidou ela.
- Você vai ver! Tchau querida! – falou se despedindo.
- Tchau! – disse fria.
Ele ia beijá-la, mas ela desviou. Então ele tocou apenas a face dela em sinal de carinho.
- Eu vou voltar! – gritou Orlando de dentro do carro.
- Desta vez eu não vou esperar! – prometeu baixinho.
Parte 6
No outro dia...
- ! Até que enfim você chegou! – disse .
- Ih, o que foi que eu fiz pra me esperar assim? – perguntou .
- Você sabe muito bem! Só não sei se te bato ou te abraço!
abraçou , as duas ficaram pulando juntas e dando gritinhos.
- Conta! Como foi?
Logo após contar todos os detalhes, o celular de tocou.
- Sim. Já estou indo! Diga que espere! – falava ela ao telefone.
- Quem era? O que foi? – perguntou, curiosa, .
- Surgiu um imprevisto. Eu vou ter que sair!
- Mas você mal chegou!
- Depois a gente conversa! – informou .
- Está bem! - concordou , estranhando aquilo.
foi embora. Então, foi para o seu lugar preferido na casa, o mini-jardim que tinha feito com suas próprias mãos e ficava na sacada da varanda de fora do seu quarto. Sempre que queria refletir ia para lá. O jardim era especial para ela, pois sua casa não era grande. Apesar de ter 2 andares, tinha apenas 1 quarto, banheiro, cozinha, área de serviço e sala, com retratos por todos os lados para lembrar-se da família e amigos do Brasil. Era simples, mas bonita, coberta por pedras na fachada, parecia casa de boneca e o toque especial realmente era dado pelo jardim. estava certa quando disse para Orlando que tiraria seus pôsteres da parede. Ela realmente fez isso. Talvez mais por vergonha que ele visse do que por raiva. Ela os tinha guardado na gaveta e, agora, acariciava um deles perdida em pensamentos: Grande orgulho o meu! Continuo esperando ele! só voltou à realidade ao ouvir batidas na porta.
- Senhorita ? – perguntou o entregador.
- Sim, sou eu.
- Para a senhorita! Assine aqui, por favor! – pediu ele.
- Obrigada. - disse ao terminar de assinar.
Ela recebeu um vaso lindo, com uma espécie de rosa, de cor amarela e bordas rosadas.
- Ai, que linda!!! Era justamente o que faltava no meu jardim! Quem será que mandou? – ela pegou o cartão que acompanhava o vaso e leu em voz alta:
"Pode parecer um pouco fora de moda ou falta de criatividade, mas: Uma flor para uma flor!
, você é como uma rosa, bela, sensível e forte ao mesmo tempo, mas com espinhos. Se não souber como tratá-la, a pessoa pode se machucar ou acabar se machucando - Prometo ser um bom jardineiro, vou cuidar muito bem de você!
Beijos do agora seu,
Orlando Bloom."
ficou lisonjeada com o presente, e claro, com o cartão. Ela pegou o telefone para ligar para Orlando, mas seu celular tocou primeiro. Era ele.
- Alô! Oi! Obrigada pelo presente! Eu amei!!! Como você adivinhou? Eu adoro rosas, tenho várias em meu jardim! – ela foi falando sem deixar tempo para que ele dissesse algo.
- Então, entregaram. Que ótimo que gostou! E o cartão? – quis saber Orlando, apreensivo.
- Bem eu... Eu adorei! Confesso que fiquei um pouco surpresa com o “agora seu”. Mas simplesmente adorei! – suspirava .
- Surpresa? Não sei por quê! Eu sei que há muito tempo sou seu, antes mesmo de te conhecer. Você é que ainda não era minha...
- Ainda não era? Quem disse que agora sou? – questionou ela.
- Seus olhos, sua respiração, seu coração acelerado sempre que me vê, e seu beijo! – respondeu Orlando.
ficou sem ação e muda, mas por dentro era um misto de felicidade e receio.
- , você ainda está aí? Perguntou ele, preocupado.
- Si... sim estou! Pode falar! – disse ela gaguejando.
- Depois, vou te provar isto. Lembra que devo um jantar? Comida italiana, certo? Às 19h30min vou buscá-la, não diga nada, pois sei que está de folga! Um passarinho me contou...
- Não dizer nada? Poxa, ia dizer que está combinado... E esse passarinho? Anda te contando muita coisa à meu respeito! – brincou .
- Não o suficiente. Eu quero saber muito mais sobre você, na verdade, tudo. Porém o melhor deve vir de você! Ainda conversaremos muito sobre esse assunto importante! – pressentiu Orlando.
- Agora sou um assunto importante?! – disse rindo .
- Muito! – confirmou ele.
- 19h30min? Certo... Até mais! – foi se despedindo ela.
- Não desliga ainda! Eu quero ouvir mais a sua voz! – pediu ele.
- Deixe para mais tarde ou vai ter uma acompanhante mal-vestida no jantar. É melhor me deixar escolher logo o que usar!
- Mulheres, mulheres! Só vou desligar porque sei que vai se arrumar para mim, apenas para mim! Beijos, meu amor! – agora era despedida.
- Beijos, lindo! Não se atrase! – pediu .
- Ei, pontualidade britânica! Estou louco para te ver! Até logo!
Assim que desligou o celular, saiu correndo desesperada pra achar o que vestir e acabou esbarrando em uma mesa, derrubando um de seus porta-retratos, sua ansiedade era tanta que nem se importou com a dor na canela e com a quebra de um de seus porta-retratos preferidos. Ela só pensou uma coisa.
- Orlando, viu o que me faz fazer? – falou enquanto subia rapidamente as escadas.
Era 19h29min, estava pronta quando ouviu a batida na porta e saiu correndo. Deu mais uma ajeitadinha no cabelo, respirou fundo e então abriu a porta.
- Boa noite, minha linda dama! Linda como sempre! – Orlando a admirava dos pés à cabeça.
usava um vestido vermelho com comprimento até a altura dos joelhos, decote em V, bordão com pedrinhas brilhantes que combinavam com o par de brincos e o colar que tinha escolhido. Usava uma linda sandália vermelha que ganhou de , achava que nunca iria usá-la, ledo engano. Ela estava levemente maquiada, não gostava de esconder como era, só de valorizar o que tinha de bom. Realmente estava linda. Tanto que, por mais invejosa que fosse uma mulher, admitiria que Orlando fez uma boa escolha.
- E você está demais! – suspirou .
Orlando estava com uma camisa preta que o deixava ainda mais sexy. Ele tinha deixado alguns botões sem fechar e se imaginou abrindo o resto. Sua calça combinava perfeitamente com a camisa, usava uma colônia pós-barba e um perfume de deixar qualquer uma louca. Ele estava tão lindo, tão elegante, tão atraente, tão gostoso e...
- Vamos? – Orlando falou como se a estivesse lembrando que tinham um jantar.
- Vou apenas pegar minha bolsa! – voltou a si.
Ela pegou sua bolsa. Orlando gentilmente lhe estendeu o braço, e ela o segurou carinhosamente. Quando abriram a porta, foram surpreendidos por uma chuva de flashes. automaticamente fechou-a de novo e olhou nervosa para Orlando.
- O que foi isso? – perguntou assustada.
- Fotógrafos, claro! - disse Orlando.
- Desse jeito eu não quero e nem devo sair! – avisou .
Parte 7
- Como não? - perguntou Orlando? - Vai sim! Você não confia em mim?
- Sim, confio! - afirmou .
- Então, e só agir naturalmente, entrar no carro e pronto, no máximo dê um sorriso! - Orlando a instruiu e sorriu.
- Seu sorriso acaba comigo, sabia?! Como posso resistir? Então, seja o que Deus quiser!
Eles abriram novamente a porta e fez tudo o que Orlando tinha falado. Quando finalmente saíram com o carro, começaram a conversar.
- Ufa! Que alívio! - disse ela.
- Bem, o pior já passou! Está vindo o melhor, agora a noite é nossa! - falou Orlando rindo.
- Você não ficou chateado de terem nos fotografados juntos? - quis saber .
- Claro que não! É bom que saibam logo que você já tem dono! Afinal, vai ser uma atriz famosa!
- Se eu conseguir o papel! - lembrou .
- Mas, você já conseguiu! Droga, falei demais... - repreendeu-se Orlando.
- Como assim? Você não interferiu? - perguntou .
- Saiba que no teste, eu fui o mais imparcial possível! Eles realmente admiraram sua postura e desenvoltura no palco. Disseram que você foi um grande achado, a minha aprovação ou reprovação, que não ocorreu, não fazia a mínima diferença. O papel será seu apenas por dois motivos: a unanimidade do júri e o seu esforço! Não interferi em nada.
- Que ótima notícia! Mas eles ainda não ligaram... - disse com receio.
- Vão ligar! - afirmou Orlando tentando animá-la.
- Então, o nosso jantar também será de comemoração! - falou ela alegremente.
- Meu bem, ele já era de comemoração! A diferença, é que temos algo a mais para comemorar! - falou Orlando, e depois a beijou na mão.
Chegaram ao restaurante. Ele era imenso e luxuoso, mas ainda mantinha a cara de uma cantina italiana com suas toalhas verdes e vermelhas, a mesa que eles iriam ficar era intencionalmente um pouco distante das outras. Orlando puxou a cadeira para sentar, depois se sentou também e fez um sinal para o garçom. Ele se aproximou trazendo o cardápio e a carta de vinhos.
- Os senhores já sabem o que vão pedir? - perguntou com toda a classe o garçom.
- O melhor vinho tinto da casa, por favor! - respondeu Orlando.
- Suave, por favor! - acrescentou .
- E para comer? Já se decidiram?
- Por enquanto vamos ficar apenas no vinho. - disse gentilmente Orlando.
O garçom saiu e voltou com o vinho e duas taças de cristal lindas. pensou o quanto deveria ser caro o preço das taças, do vinho, da comida, etc. Orlando chamou a sua atenção quando propôs um brinde.
- Brinde? Claro! - concordou .
- Um brinde à , a pessoa mais talentosa, habilidosa, que faz um chocolate quente como ninguém e ainda consegue ser a pessoa mais bonita que já conheci! E ao início ou recomeço de nosso amor! - discursava Orlando.
- E ao Orlando, o homem mais lindo que eu já vi. Ah, e ao meu papel de protagonista, tanto no teatro quanto na sua vida! Será que eu fui prepotente? - achou que estava sendo muito convencida.
- Não! Se tudo continuar desse jeito a senhorita será sempre meu par romântico! Brindemos! - disse Orlando sempre amoroso.
Eles brindaram e beberam o vinho. Orlando chamou novamente o garçom, desta vez pediram o prato principal. Orlando pediu um macarrão especial da casa e lasanha. Enquanto ela comia, ele a olhava admirando sua postura, e constatou que ela era do tipo de mulher que se saía bem em qualquer ocasião, da mais simples até a mais requintada, jamais lhe causaria algum constrangimento.
- O que foi? - perguntou, terminando de comer;
- Cada vez eu fico mais encantado com você! - disse Orlando.
- Assim me deixa envergonhada! - falou ela.
- E de sobremesa? O que vai querer, meu amor? - perguntou ele, ao ver que ela já tinha acabado.
- Eu tive uma idéia! Poderia pedir a conta? - Pediu .
- Hum... O que será? Tudo bem! Garçom! - chamou Orlando.
Ele pagou a conta, os dois saíram e esperaram o manobrista com o carro. Orlando deu uma bela gorjeta para ele e entraram no carro. ensinou como fazer para chegar à rua onde queria ir.
- Pode parar aí! - indicou .
- Ah, uma sorveteria! Ótima idéia! Que linda essa lojinha! Como achou esse lugar? Ele fica meio longe da sua casa! - Orlando ficou curioso.
- Quando cheguei a Londres, qualquer trabalho, honesto é claro, eu aceitava. Então como adoro cães, trabalhei de babá deles, aí ficava passeando com eles enquanto os donos estavam fora ou ocupados. Um dos donos morava aqui perto, como também adoro sorvete, me apaixonei pelo lugar. Espere só até entrar! Vai adorar!
- Vamos logo! - disse Orlando, puxando-a pelo braço, como se fossem duas crianças.
Depois do sorvete, Orlando disse a ela que agora era a vez dele de mostrar algo que gostava muito. Entraram no carro e pegaram uma avenida com muitas árvores. A chuva recorrente em Londres, hoje não reinava. Era uma linda noite de luar, um clima romântico que podia pegar qualquer um que pairava no ar, e já tinha feito duas vítimas: Orlando e . Os dois eram só sorrisos e carinhos, parecia que a briga entre eles havia sido há anos, ou simplesmente não tivesse acontecido.
Chegaram a uma casa linda, enorme e com um lindo jardim, daqueles típicos da Inglaterra. imaginou quantas rosas poderia plantar ali e começou a rir.
- Qual a graça? - perguntou Orlando.
- Desculpe! Não foi nada demais. - falou encabulada.
Eles pararam na frente da casa.
- Bem-vinda à minha casa! Quem sabe um dia a nossa casa! - brincou Orlando.
- Nossa! É maravilhosa! - não sabia mais o que dizer.
- Venha! Vamos entrar! - convidou ele.
quase não conseguia falar com tanta admiração pela casa. Ela nunca tinha visto uma assim, a não ser em filmes, lógico! Nem seus antigos patrões, os donos dos cães, mais ricos, tinham uma casa tão linda. Era linda não por ostentar riquezas, mas por ser tão agradável, aconchegante e um ambiente bem familiar, à primeira vista. Devia ser um bom lugar para educar e criar os filhos.
- Quero que conheça alguém! - informou Orlando.
- Claro! - assentiu.
Na verdade, ela estava com medo e várias idéias se passavam na sua cabeça. Quem será que ele quer me apresentar? Não, não pode ser a sua mãe! É muito cedo! E se ela não gostar de mim? Ai Orlando! Por que foi fazer isso agora?
Parte 8
Orlando subiu as escadas, abriu uma das portas e Sidi, seu cachorro, saiu correndo, pulou em cima dele e desceu as escadas em disparada. levou um baita susto. Ela que estava tranqüila, de pé observando as fotos na estante, e quase caiu com o salto que Sidi deu nela.
- Oi amiguinho! Que susto me deu! - disse a Sidi. - De onde você veio?
Ele parecia entendê-la, abanou o rabo fazendo graça e abaixou a cabeça para que ela lhe fizesse carinho.
- Sidi! Sidi! - chamava Orlando.
- Ele está aqui! - gritou .
- Bem, eu queria apresentá-los, mas, vejo que Sidi se antecipou! - falou Orli rindo.
- E com grande estilo! - brincou ela.
- Nossa, parece que se conhecem faz séculos! Já estão íntimos e eu já estou com ciúmes! - Orlando fez cara de bravo.
- Dele ou de mim? - falou com as mãos na cintura.
- Dos dois! - ele pulou no sofá, deu um selinho nela e passou a mão em Sidi.
- Sabia que ele se assemelha muito a você?
- Como assim? - perguntou Orli levantando uma sobrancelha. - É porque ele é um cachorrão?
- Bobo! - começou a rir. - Ele também é especialista em entradas triunfais! Ele pulou em cima de mim quase me derrubando.
- Ele deve admirar o belo tanto quanto eu e não perdeu tempo! - Orlando falou e deu uma piscada.
- Você disse que ia me apresentar alguém. - mudou de assunto .
- Era esse senhor aqui! Mas, ele fez isso por si próprio! Por quê? Achou que tinha mais alguém? Minha mãe e a Samantha estão viajando por causa dos projetos.
- Não. É que você falou de um jeito...
- Você disse que adora cães, então decidi te mostrar o meu. - esclareceu Orlando.
- Pena que ele se mostrou e se apresentou sozinho! - falou rindo. - Acho que ele é mais esperto que você!
Orlando fingiu estar indignado e começou a fazer cócegas em , que pedia para ele parar ao mesmo tempo em que ria, enquanto Sidi latia. Orli não resistiu e deu inicio a um beijo intenso, tocando lhe a pele macia. Ela sentia- se flutuando e fez carícias nele também, até que se tocou do que estava provocando. Rapidamente parou e se afastou dele.
- O que foi? - perguntou ele, ofegante.
- Muito rápido! - disse .
- Quer que eu vá mais devagar? - perguntou Orlando, agora com cara de safado.
- Ei! Um degrau de cada vez! - ela o repreendeu.
- Adoro quando fala por metáforas! - ele falou sorrindo e beijou-a novamente.
- Eu estou falando sério! É muito cedo para isso! Meu amor, desculpe-me! - ela disse firmemente.
- Não há por que se desculpar! Eu prometo ir mais devagar! Mas, beijar eu posso? - pediu Orli com jeitinho.
- Sempre! - disse e o beijou.
Eles ficaram mais algum tempo juntos, depois ele a levou para casa, pois ela teria que trabalhar de manhã.
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No outro dia, acordou com o telefone tocando e foi correndo atender, por causa da noite anterior, tinha dormido um pouco mais e esqueceu-se da hora.
- Alô! - disse ela sonolenta.
- Srta. ? - perguntou a voz do outro lado da linha.
- Sim.
- Oi menina! É a Meg, a secretária do teatro! - falou Meg Ferguson alegremente.
- Oi! Como vai? - perguntou educadamente .
- Bem, obrigada! O Senhor Bennington, o diretor, quer sua presença aqui às 8h em ponto!
- Claro! Estarei aí!
- Tenho a impressão que o papel é seu! Desculpe avisar somente agora, recebi ainda pouco a informação que deveria passar a você... - falou mansamente Meg.
- Sem problemas! Vou ter que correr! - já estava animada.
- Até mais! - despediu-se Meg.
- Até! - falou .
que ainda teria que trabalhar no Norah`s coffee. Deixou isso de lado, afinal Orlando afirmou que o papel era dela, logo sairia daquele lugar. Arrumou-se e saiu apressada, já eram 07h30minh. Olhou para o porta- retrato estilhaçado no chão e lembrou que ainda teria que limpar a sala.
- Quando eu voltar!- pensou alto.
Por um milagre chegou a tempo no teatro.
- Entre! Depois a gente conversa! - falou Meg para ela.
- Ela entrou na sala e cumprimentou o diretor.
- O papel é seu, minha jovem! - informou o Sr. Bennington.
- Jura? - fingiu surpresa.
- Tem uma coisa... - o diretor deu uma pausa.
- Algum problema? - ficou tensa.
- Vou ser direto! Não esperávamos por isso. Olhe! - ele colocou uma revista em cima da mesa.
- O que quer dizer com isso? - perguntou .
Na revista tinha uma manchete falando sobre ela e Orlando:
Orlando Bloom e a sua nova conquista!!! Veja fotos exclusivas!
- Tenho que admitir que é uma ótima atriz, mas, seu namoro repentino pode levantar algumas suspeitas. - declarou o Senhor Bennington.
- Então? - ela arqueou uma sobrancelha.
- Desculpe! Não queria ser o portador dessa notícia, porém, cabe a mim informá-la da decisão. A senhorita deve aceitar o papel e encerrar seu romance, ou deve desperdiçar essa grande oportunidade e permanecer nesse seu caso. - falou duramente o diretor.
- Caso? Não é só um caso! Por que isso? O que meu relacionamento poderia causar? - estava revoltada.
- O Sr. Bloom foi um dos jurados, logo as outras atrizes achariam que foi armação...
- O que não ocorreu! - interrompeu .
- Óbvio! Mas, como confirmar isto? Até conseguirmos revelar a verdade, a nossa reputação e a nossa
integridade estarão abaladas. O que será da imagem do teatro? - o Sr. Bennington elevou o tom da voz.
- Se é óbvio, como pode abalar a imagem do teatro? - ela questionou.
- Escute aqui minha jovem! Apenas responda qual é a sua decisão, esqueça o resto!
- Eu sempre quis ser atriz, e essa é uma grande chance. Eu tomei uma decisão que deve ser...deve ser não, que é a certa! - afirmou categoricamente .
- Vamos lá! Diga! - pediu o Sr. Bennington.
Parte 9
Algum tempo depois...
- Oi! O que fazem aqui na porta da minha casa? – perguntou ao ver Orlando e Sidi.
- Esperando você! Passei no seu trabalho pra te ver e a senhorita não estava, achei que estivesse em casa! Onde você foi? – quis saber Orlando.
- Ao teatro. Estou tão nervosa que me esqueci de trabalhar! Podemos nos ver mais tarde? – ela realmente estava nervosa.
- Não! Você não vai trabalhar neste estado! O que aconteceu? – Orli já estava preocupado.
- Uma longa história! Entre, eu vou te contar! Ah, oi amiguinho! Nem falei com você! – se lembrou de Sidi.
Eles entraram e começou a falar sobre o que houve no teatro.
- Ele claramente me mandou escolher entre você e o papel! Nem deu tempo para pensar!
- E o que você resolveu? – ele já se preocupava.
- Bem, foi assim...
Antes no teatro...
- Vamos lá! Diga! – pediu o Sr. Bennington.
- Eu espero, realmente, que a peça faça sucesso. E espero que a sua nova protagonista se esforce tanto quanto eu me esforçaria para viver esse tão grandioso papel!
- Essa é a sua decisão? Vai realmente abdicar do papel? – perguntou ele.
- Claro! Não podia ser diferente! O Orlando é mais importante do que qualquer personagem! – não parecia ter a menor dúvida.
- Boa Sorte! Boa Sorte com o seu RELACIONAMENTO e com sua carreira! – o diretor parecia estar sendo sincero, apesar da ênfase na palavra RELACIONAMENTO.
- Obrigada! – disse e se retirou. – Droga!
- O que foi? – perguntou Meg.
- Não foi desta vez... Ele mandou escolher entre as duas coisas que mais queria no mundo! – ela não se conformava.
- Como assim? – Meg se aproximou.
- Entre meu namoro com Orlando e meu papel na peça. Vê se pode!
- E o que escolheu? – Meg estava cada vez mais interessada no assunto.
- Ele lógico!
- Nossa ! Ele tem muita sorte em ter te achado!
- Não, eu é que tenho sorte! Sorte de poder estar com ele! – suspirava.
- Ai... ai... O amor! Meg também suspirou.
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- Uau! Isso é sério? Você optou por mim? – Orlando estava impressionado e sorria.
- Sim. Porém, estou quase me arrependendo disso! – disse séria.
- Arrependendo? Eu achei que... – ele mudou de expressão no mesmo instante.
- É... afinal você não acreditou que fiz isso! – não se agüentou e deu uma gargalhada;
- Você gosta de me assustar! Depois, eu é que sou bobo! – Orlando respirava aliviado.
- Está querendo dizer que sou boba? É melhor ir embora!
- Nessa eu não caio! Agora, vou ter que ficar sempre atento com você! – ele ria.
- Como você agüenta isso? falou com Sidi.
- Amor desculpe-me ser intrometido, mas, vidro quebrado na sala é moda agora? Alguém pode se machucar! – Orlando a advertiu.
- Que cabeça! Esqueci desde ontem, culpa sua!
- Minha culpa? Por quê? - Orli ficou curioso.
- Ontem, depois que me ligou, saí correndo para decidir o que usar e esbarrei na mesa. – ela olhava os cacos no chão. Doeu, tá?!
- Ah é? Coitadinha, deixe-me dar um beijinho! Então por isso a culpa é minha? Você é que vive correndo! – ele estava rindo, até que se deparou com o retrato no meio do vidro quebrado. – Quem é esse?
- Não importa! – disse um pouco nervosa.
- Mas já importou?
- Vou pegar a vassoura e limpar isso! – ela disfarçou.
- , responde, por favor! – Orlando pediu gentilmente.
- Esse é o Victor, meu ex. – saiu para pegar a vassoura, a pá e a lixeira.
- Ainda gosta dele? – Orli perguntou assim que ela voltou à sala.
- Não, claro que não! Eu gosto de você e estou com você! Esquece isso! – ela se cortou com um pedaço de vidro. –Ai! Droga!
- Deixe-me ver! – pediu Orlando com pena.
- No armário da cozinha tem uma caixinha com remédios. Pega pra mim! – pediu .
- Armário da cozinha? – ele parecia estranhar.
- Claro! A cozinha é um dos lugares onde mais ocorrem acidentes! É o lugar ideal para ter uma caixa de emergência. Amor vai logo! – ela segurava seu dedo sangrando.
Orlando pegou a caixa e cuidou do corte de , ela o olhava admirada. Ele notou e sorriu.
- Deixa que eu limpo o resto! – disse Orli.
- Ai...ai! Que namorado prestativo! - ela suspirou.
- Quem disse que sou seu namorado? - ele falou super sério.
- Mas, Orlando você... – nem conseguia falar.
- Gostou? É bom fazer isso com os outros, não é?! – Orlando ria da cara dela.
- Viu só, Sidi? Criei um monstro! – ela também começou a rir.
Orli limpou os cacos de vidro. Depois, olhou para no sofá, ela brincava com Sidi. Ele pegou a foto que ela tinha deixado em cima da mesa e ficou analisando. Quem será esse tal de Victor? Nessa foto, eles parecem tão felizes! O que ele significou, ou melhor, o que ele significa para ela?
- , afinal, qual o porquê desta foto estar aqui? – ele foi bem firme.
Parte 10
- Quer saber se eu o amava? Eu o amei, e muito! Ele foi meu primeiro em tudo! Só que passou! - começou a falar.
- Você ainda não explicou a foto! - Orlando insistia.
- Nós tivemos vários problemas, por isso acabou! Desde então, deixei o retrato aí em cima para servir de exemplo, para que eu nunca mais cometa alguns erros.
- Que erros? - Orli perguntou.
pretendia contar, mas seu telefone tocou.
- Desculpa, Orli! - ela disse e atendeu ao telefone. - Pronto!
- , você está despedida! - Norah foi curta e grossa.
- Eu sei que errei, mas será que não dá para me dar outra chance? - praticamente implorava.
- Eu disse a você para que não se repetisse! Você não está nem aí para o emprego, afinal, ganhou na loteria! - Norah foi dura.
- Eu praticamente trabalho como escrava, quase não tenho folga e ainda sou tratada assim... Você disse que ganhei na loteria? Ganhei sim! O Orlando se preocupa comigo, ao contrário de você, para quem trabalho já há algum tempo e nunca me valorizou! - disse tudo o que pensava.
- É bom saber que pensa assim! Agora sei que não lhe fará falta alguma esse trabalho! - Norah falou isso e desligou o telefone.
- Norah! Norah! - repetia .
- O que foi, meu amor? - perguntou Orlando.
- Eu fui demitida! - ainda não acreditava.
- Não liga não! Meu amor, você sofria muito lá! - Orli tentava consolá-la.
- É que tem um problema...
- O que foi agora? - ele não entendia o motivo da tristeza dela.
- My dear, se eu não tiver um emprego perco meu visto! E só falta um mês para renovar. - ela estava angustiada.
- Calma, meu bem! Nós vamos resolver isso! - Orlando queria animá-la.
- Nós não, eu vou! Orlando, eu não quero te meter em meus problemas. Não se preocupe! - tentava convencer a si mesma disso.
- Garota, eu me preocupo muito com você! Não me peça para não fazer isso! Agora que estamos bem, eu não quero te perder!
- E não vai, meu amor! - ela estava aliviada por um lado, já que ele não perguntou mais nada sobre Victor.
- E esse dedinho? Está melhor? - Orli falou carinhosamente.
- Não faz nem meia hora que me cortei! - riu.
- Deixe-me dar um beijinho para curar logo! - ele disse de um jeito fofo.
Orlando começou a beijar o dedo de e foi subindo pelas mãos, pelos braços, pelos ombros, até chegar ao pescoço e finalmente à boca. Eles se beijavam apaixonadamente, quem presenciasse a cena, dificilmente acharia que eles tinham se conhecido há pouco tempo.
- Estou com fome! - disse para fugir do que poderia acontecer depois e levantou do sofá disfarçando.
- Vamos sair para comer algo? - Orlando perguntou.
- Claro! Estou sem comer desde cedo! - ela alisou a barriga.
- , você tem que se cuidar! - Orli falou apontando o dedo para ela.
- Sim, papai! - ela bateu continência e riu.
- Isso é sério! - ele estava sério mesmo.
- Desculpe meu amor! É que você, a , minha mãe, todos dizem para eu me cuidar, sendo que eu faço isso! - fez cara feia.
- Isso significa que muita gente se preocupa com você!
- Você se preocupa comigo, Orli?
- Muito!
- Sério? - ela se balançava feito uma criança e se aproximava dele..
- Por que não seria? - ele ria dela.
- É só para eu ter certeza! E do que é que está rindo? - fez careta.
- Você é meio maluquinha! - Orlando ria ainda mais por causa da careta que ela fazia.
- Meio maluquinha? - ela fingiu estar chateada. - Eu sou totalmente maluquinha! - pulou em cima de Orlando e o beijou.
- É melhor irmos comer logo, a fome está afetando seu cérebro! - Orli brincou.
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Quase 1 mês depois...
O namoro dos dois continuava firme e cada vez mais sério. já conhecia a família de Orlando, ao contrário do que pensava Sonia, a mãe dele, gostou muito dela e disse que o filho fez uma ótima escolha. Infelizmente, o visto de estava quase vencendo. Ela tinha trabalhado em alguns lugares, mas todos temporários e teria que voltar ao Brasil. e conversavam no jardim da casa de .
- , como vou falar isso para o Orli? - estava nervosa.
- Ele já sabia que você teria que ir! Apenas não sabia quando! Ele vai te entender! - animava a amiga.
- Nós fazemos 1 mês de namoro hoje e esse é o presente? A minha viagem?
- , vai com calma! Ele te ama e sabe que não é de propósito. - não sabia mais o que falar.
- Ele me ama! Ah, isso é tão bom! - suspirava.
- O que é tão bom? - Orlando chegou de surpresa.
- Você, você é tão bom! - o beijou.
- Vou deixar os dois sozinhos! - foi saindo.
- Ei, não precisa! Pode ficar! - disse gentilmente Orli.
- Não, obrigada! Primeiro, estou sobrando e segundo, vocês precisam conversar! - beijou os dois no rosto e saiu.
- Eu não devia ter te dado a chave daqui! Tem hora que me assusta! - brincou .
- Esqueceu que minhas entradas são sempre triunfais? - ele sorriu. - Mas, o que precisamos conversar?
- Vou ser direta, vou para o Brasil segunda-feira!
- O quê? Já? Mas hoje já é quarta-feira! Por que não me avisou? - Orlando estava meio perdido.
- Calma! Eu vou para acertar minha permanência aqui. Duas semanas, é o tempo que falta para vencer meu visto e quanto mais rápido eu for, mais rápido eu volto.
- Eu tenho outra solução!
- Qual? Você acha que posso resolver isso daqui?
- Não. Casa comigo! - Orlando propôs.
Parte 11
- Casar? É muito cedo, amor... - respondeu.
- Mas se nós nos casássemos você poderia ter dupla cidadania e...
- Desculpe, já decidi! - ela foi firme.
- Tá. Mas vai ser obrigada a trabalhar para manter o visto! E se não ficar em um emprego? O que vai fazer? - Orlando indagou.
- Está agourando? - já estava se irritando.
- Não, estou sendo realista! Por favor, não vamos brigar! - Orli se mantia calmo.
- Tudo bem! - ela tentava se acalmar.
- Você não pensa em se casar comigo? - ele questionou.
- Sim, pode ser. Mas, não agora! Você é tão impulsivo! - respondeu, porém ela pensava.
- Pode ser? - Orlando cruzou os braços.
- É cedo, eu já disse! Não podemos nos precipitar.
- Tudo bem! Quanto tempo pretende ficar lá?
- O suficiente para visitar minha família e resolver isso. Bem que você podia vir junto! Que tal? - se animou.
- Eu estou cheio de compromissos, tenho que resolver tudo logo, você sabe, daqui a pouco começam as filmagens. Esse novo filme é super importante e... Desculpa amor! - Orli ficou pensativo.
- Eu vou sentir sua falta! - ela o abraçou.
- Eu também meu anjo! - ele a beijou na testa. - Vou ao menos poder te levar segunda ao aeroporto?
- Você não vai estar ocupado?
- Mesmo que estivesse! E vou poder te ligar? - Orlando queria saber.
- Sempre que quiser! - pegou a mão dele e começou a acariciar.
- Então, vou ter que ligar toda hora! - ele riu, segurou as mãos dela e as beijou.
- O senhor não está esquecendo-se de nada? - ela arqueou a sobrancelha.
- Tipo um jantar de comemoração? Comemoração de que mesmo? - Orli disse num tom irônico.
- Acho que não tem nada demais hoje não! Você deve ter se confundido! - entrou na dele.
- Vai se arrumar logo ou vai se atrasar! Você sempre demora! - ele bocejou de mentira.
- E você sempre gosta do resultado! - ela piscou pra ele.
- Isso é verdade! Mas eu me arrumo bem mais rápido e você sempre gosta!
- Mas com você é diferente, fica bem de qualquer jeito! - sorriu e foi se arrumar.
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Segunda-feira de manhã, no aeroporto...
- Se cuida, linda! - pedia Orlando.
- Eu me cuido, e se cuida também! Eu te amo! - o beijou.
- Eu também te amo! Diz para sua mãe que logo iremos nos conhecer! Ah, manda um beijo para as suas amigas que são minhas fãs e não se esquece de dar os autógrafos para elas!
- Qual é Senhor Bloom?! No máximo um aperto de mão! Elas receberão sim os autógrafos! - botou as mãos na cintura.
- Boba! Comporte-se, viu?!
e Orlando foram andando abraçados até o portão de embarque.
- E a ? Por que ela não veio? Que amiga! - Orli balançava a cabeça negativamente.
- Palhaço! Ela falou comigo mais cedo e você sabe disso! detesta despedida, por isso não veio! - ria.
- Por um lado, que bom que ela não veio! Iria estragar nossa despedida romântica! Espera aí! Palhaço? - ele cruzou os braços.
- É meu lindo palhacinho! Beijos, meu amor! Tenho que ir! - ela deu um selinho nele e continuou andando.
- Ei! Só isso? Vem cá!
Ele a puxou e deu beijo tão intenso que ela quase perdeu os sentidos.
- Nossa!!! O que foi isso? - perguntou.
- A gente vai ficar tanto tempo sem se ver que descontei agora! Gostou?
- Adorei! Será que ainda sobra para quando eu voltar? - ela fez cara de pidona.
- De onde veio este tem muito mais! - Orli deu um sorriso malicioso.
- Desse jeito, vou perder meu vôo! Fica direito, senão quando eu voltar vai ficar de castigo! - o abraçou.
- Você já está me deixando de castigo! E cuidado com os brasileiros assanhados! - ele deu outro beijo daqueles e ela partiu.
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No avião...
- Que droga, odeio a decolagem! Ai meu Senhor, me proteja, ou melhor, nos proteja! - fez o sinal da cruz e tremia.
- Se quiser, posso segurar sua mão enquanto o avião sobe! - disse o moço que acabara de chegar.
- Obrigada, mas meu namorado é muito ciumento e não iria gostar nada disso! - ela falou sem olhar para o moço.
- Eu insisto, senhorita !
- Como sabe meu... - olhou
para o sujeito e viu que era Victor. - O mundo é tão grande e tão pequeno ao mesmo tempo! Você aqui?!
- Que coincidência! E vou me sentar ao seu lado! - Victor falou animado.
- Espero que alguém troque de lugar comigo! - falou ela se levantando.
- Calma! Assim que decolarmos a gente resolve isso! Mas temos que esperar os procedimentos de segurança. - Victor tentava ser gentil.
- Eu devia ter pegado um pára-quedas com o Orlando! - falou baixinho.
- O que disse?
- Nada não! O que fazia na Inglaterra?
- Ficou interessada de repente?
- Não enche! É só para saber aonde não devo ir!
- Trabalho. Eu agora sou um grande empresário e vim fazer uns negócios em Londres. - Victor respondeu. - E você? Esperava que não me esquecesse tão rápido! Esse tal Orlando Bloom sempre mexeu com a sua cabeça, mas daí a você fisgar ele... Nossa, você está demais!
- Tão rápido? Já faz 1 ano! E o que te irrita mais? O fato de eu estar feliz ou que eu posso viver sem você e arrumar alguém mil vezes, não, um bilhão de vezes melhor? - deu um sorriso irônico.
- Desculpa, mas você conhece a fama desses atores de Hollywood!
- Não mais do que a sua fama de cafajeste!
- Esse cara fez lavagem cerebral em você? - Victor ria.
- Acho que ser deixada no altar mudou minhas perspectivas! - se chateava cada vez que ele dizia algo.
- Não sabe o quanto me arrependo! - Victor se lamentava.
- Não devia! Eu não lamento! No dia achei que iria morrer, mas agora eu quero mais é viver! O Orlando até quer casar comigo!
- Você ainda me ama e sabe disso, não vai querer casar com ele!
- Claro que quero, não agora, mas vou! - ela o queimava com os olhos.
O avião já tinha decolado, então ele se levantou e foi falar com uma comissária de bordo para ver se conseguia mudar de lugar.
Parte 12
estava aliviada, Victor tinha conseguido outro lugar e a deixou em paz. Ele não a incomodou até chegar ao Brasil.
- Posso te procurar? - perguntou Victor.
- Claro, claro que não! Adeus Victor! - deu as costas para ele e foi embora.
- Você ainda vai me querer de volta! - gritou ele.
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Na casa da família de ...
- Minha filha! Que saudades! - Dona abraçou a filha.
- Mãe, assim você me sufoca! - ria.
- E o Orlando? Ele não veio? - perguntou a mãe de .
- Ele está ocupado, mas disse que logo irão se conhecer. Ele está louco para isso!
- Em pensar que ele estava por todos os lados em seu quarto, e agora, você fica no quarto dele!
- Mãe! - disse vermelha.
- Então, fale-me sobre a viagem! - pediu Dona .
- A Senhora nem imagina quem estava no avião, se eu desse mole ia passar a viagem toda ao meu lado! - ainda estava chateada.
- Quem? - quis saber D. .
- O Victor! Vou te contar tudo!
contou tudo da decolagem até a hora do desembarque.
- Que homem cínico! - Dona se irritou. - Depois de tudo o que fez a você ainda a quer de volta?!
- A minha vontade foi de mandar ele à P#$@ que!
- Não, minha filha. A moça pode não ser honrada e trabalhar de uma maneira que foge da moral, mas não merece esse traste! - Dona riu.
- Ai mãe! Só você mesmo! - riu também. - Vou ligar para o Orlando, pra dizer que cheguei bem.
- Filha, troca de roupa primeiro!
- Depois, primeiro o Orli!
- Ai, esses apaixonados! E eu já comprei as lembranças para você puxar saco da sua sogra e da sua cunhada!
- Você é demais, mãe!
pegou o telefone e discou o número, que já sabia de cor.
- Sim. - disse Orlando ao atender.
- Já está com saudades? - perguntou .
- Quem está falando? - falou Orli, sério.
- Como quem está falando? Orlando Bloom não lembra mais da minha voz? E nem faz um dia que viajei! - ela se irritou.
- Claro que sei que é você, meu amor! Eu apenas estava brincando!
- Palhaço! Não respondeu a minha pergunta!
- Estou sentindo muito a sua falta! Volta logo! - Orlando pediu.
- Vou tentar! - disse alegre.
- Como foi a viagem?
- Um saco! - ela mudou a atitude na hora.
- O que aconteceu? O vôo foi chato? Perdeu alguma mala? - Orli se preocupou.
- Podia ter sido mais chato, mas há pessoas muito legais por aí! E eu não perdi nenhuma mala, porém, achei uma!
- , eu não estou entendendo nada! - ele estava confuso.
- Encontrei o meu ex! A droga do assento dele era do meu lado e ele ficou me chateando. Quando falei que ia mudar de lugar, ele se mancou e conversou com a comissária para achar alguém para trocar de lugar com ele, inventou uma desculpa qualquer.
- Que bom que ele entendeu o recado! - Orlando ficou aliviado.
- Não sei não, ele perguntou se podia me procurar assim que desembarcamos! - estava com medo do que Orlando poderia pensar.
- Amor, fica longe dele! Eu estou aqui te esperando, não dê esperanças a ele! - Orlando pediu.
- Meu amor, comigo ele não tem chance alguma! Eu só consigo pensar em um cara: Brad Pitt! Não, eu quis dizer Johnny Depp, não, Tom Cruise... Quem é mesmo?
- Engraçadinha! Quem é que deve ir para o circo agora? - Orli fingia não achar graça.
- Além do senhor Orlando Bloom? Ops, lembrei o nome! - ria.
- Quando você voltar vai ter! - Orlando avisou.
- O quê? Um beijão daqueles de novo? - ela ficou imaginando.
- Gostou mesmo, hein?! Não sei se está merecendo! - Orli ria.
- Poxa! Mas, e o Sidi? Manda um beijo pra ele! Ah, não se esqueça de falar para a Sam e para a Dona Sonia que vou levar as lembranças, minha mãe se antecipou e já as comprou! Manda um beijo para as duas também!
- Agora sou o garoto de recados? Está anotado! A senhorita deseja mais alguma coisa?
- Além de você? - disse maliciosamente.
- Uau! Acho que não vou dormir esta noite! Afinal, quais são as suas intenções comigo? - Orlando perguntou.
- As melhores possíveis!
Dona já olhava a filha com as duas mãos na cintura e batendo o pé.
- Orli, eu tenho que ir! Minha mãe já está me olhando de cara feia! Acho que vou apanhar, sabe como é mãe, eu cheguei, não troquei de roupa e não comi nada! - fingia estar com medo.
- Vai logo, obedece a mamãe! Será que eu já disse para se cuidar? - Orli riu.
- O tempo todo! Não esquece que te amo! Beijos meu amor! - ela ficou triste por ter de desligar.
- Eu também te amo! Que tipo de beijo está mandando?
- Orli, eu tenho que desligar. Desculpa, mas eu não posso ficar no "Ah, desliga você!" E pode ser o tipo de beijo que quiser imaginar! Bye!
- O que um chinelo não faz?! Beijos, meu amor! - ele desligou o telefone.
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Mais tarde...
- Filha, atende a porta! - gritou Dona da cozinha.
- Mal cheguei e já virei porteira! - reclamou.
- Vai logo, menina! - Dona gritou de novo.
abriu a porta e deu de cara com Victor. Ele carregava um enorme buquê de flores.
- São para você. - Victor entregou o buquê.
- Se me conhecesse, ia saber que eu prefiro receber flores em vaso, para que elas não morram depressa! E mesmo que fosse assim, não aceitaria, porque veio de você! - ela devolveu as flores.
- Claro! Se fosse do outro, você aceitaria de cemitério! - ele disse irônico.
- Não! O Orlando sabe do que eu gosto! E como sabe! - deu um sorriso safado.
- Vocês, vocês já... ? - Victor fez uma expressão de ciúme e inveja ao mesmo tempo.
- Não lhe diz respeito! Adeus! - ela bateu a porta e entrou rindo da cara que ele fez.
- Filha, quem era? - perguntou a mãe de .
- Alguém que agora vai ter muito no que pensar!
- Você não perde por esperar! - disse Victor do lado de fora da casa.
Parte 13:
No outro dia...
acordou bem cedo e foi visitar toda a sua família no Rio. Seus avós, tios, irmãos e antigos amigos a acolheram bem, só faltou ver seu pai e seu irmão mais novo que tinham viajado, apenas chegariam no outro dia. Depois de conversar com todos, ouvir histórias, relembrar o passado, ela foi resolver seu real motivo de estar no Brasil.
Algum tempo depois...
- Que saco! A aprovação só sairá em duas semanas! - distraída, bateu de frente com um senhor.
- Mil desculpas, senhorita! - falou o senhor com um sotaque inglês carregado.
Ele era alto, forte, branco, olhos azuis, cabelo castanho claro, devia ter entre 38 e 45 anos, tinha ótima aparência.
- Não, o senhor é que me desculpe! Eu estava distraída e não o vi! - se desculpou.
- Sabia que é muito bonita? - perguntou o homem.
- Obrigada. Mas, eu sou muito bem comprometida. - ela foi educada.
- Perdoe-me, não quis ser inconveniente! E também não é o que está pensando! Eu procuro uma atriz para o filme, no qual eu sou diretor. Quando a vi, veio toda a descrição da personagem à minha cabeça. Meu nome é Danny Mclean, trabalhei muito tempo como assistente e agora virei diretor. Então, sou meio novo, quero dizer, no trabalho. - ele riu.
- Muito prazer! Eu sou . Que tipo de filme? É que sou atriz e de repente...
- Comédia romântica. Você é atriz? Será que o destino te pôs no meu caminho? - Danny estava maravilhado.
- Será? - sorriu.
- Você tem e-mail? Assim, posso te mandar o texto. Você decora e depois fazemos o teste!
- Onde será feito o filme? - ela estava esperançosa.
- É uma co-produção Brasil/Inglaterra/EUA, então teremos cenas gravadas nos 3 países. Você tem passaporte?
- Na verdade, eu estou morando em Londres, no momento, só estou aqui para regularizar minha situação para permanecer lá.
- Você fala inglês?
- Sim, eu gosto tanto de inglês que meu namorado é inglês!
Ambos riram.
- Bem, quanto a sua situação, acho que posso ajudá-la com isso! - garantiu Danny.
- Como? - se interessou.
- Se for aprovada no teste, podemos arrumar seu visto como atriz, afinal, vai precisar porque ficará pra lá e pra cá!
- E quando vai ser o teste?
- Pode ser amanhã?
- Amanhã? Sim! Aonde?
- Tome o endereço e esteja lá às 10h! Ah, dê-me seu e-mail!
- Às 10h? De novo? Ah não! Da última vez não me deu sorte! - ela falou baixinho.
- Algum problema? - Danny se preocupou achando que perderia sua atriz.
- Não, nada! Aqui está meu e-mail. Até amanhã, Sr. Mclean! - se despediu.
- Até amanhã, senhorita!
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chegou a casa e foi correndo ligar para Orlando.
- Oi amor! Pena que você ligou em uma péssima hora! - lamentou Orli falando baixo. - Eu estou em uma reunião de elenco.
- Tudo bem! Posso apenas te pedir um favor?
- Sim, pode falar! - ele disse apressado.
- Você conhece algum Danny Mclean? Poderia descobrir algo sobre ele? - estava ansiosa.
- Não conheço. Por quê? - Orlando ficou desconfiado.
- Depois eu explico! Beijos meu lindo!
- Vou descobrir algo! Beijos! - Orli desligou e deu um sorriso sem graça para o pessoal na reunião.
passou o resto do dia pensando na história do papel. Era bom de mais pra ser verdade, tinha algo estranho e ela desconfiava. Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho do telefone; era Orlando.
- Oi querido! E aí, descobriu algo? - ela foi logo perguntando.
- Ah sim, estou muito bem! - Orli brincou.
- Desculpa meu bem, é que estou tão ansiosa!
- Ansiosa para saber quem é esse cara? Primeiro, diz o porquê de querer saber quem é ele! - Orlando estava com ciúmes.
- Ele me ofereceu um papel em um filme. Preciso saber se ele é confiável! - roia as unhas.
- Estou parecendo um espião! - ele ria. - Danny Mclean, certo?
- Sim! Fala 001! - ria.
- 001?
- Sim. Pra mim você não é o 007, você é o número 1! Agora, fala logo Orlando!
- Obrigado! - ele ria dela. - Ele era assistente de direção. Trabalhou como estagiário para o Spielberg, e algum tempo como braço direito de Tom Cruise, até que ganhou gosto pela direção e decidiu seguir seu próprio caminho. Mclean tem bons contatos, é amigo de alguns famosos e é tido como sujeito de boa índole, super honesto e confiável. Disseram-me que ele procura uma nova cara para seu filme, mas atores conhecidos já fazem parte do elenco.
- Então? Você me apóia? Posso tentar o papel? - ela estava com receio da resposta de Orlando.
- Boa sorte! Espero que tenha sucesso!
- Isso é um sim?
- Sim! - Orlando riu.
- Ai meu amor! Obrigada, você me ajudou muito! - comemorou pulando no sofá.
- Já vai desligar? - Orli falou com jeitinho fofo.
- Desculpa, tenho que ver meus e-mails para pegar o script! Tenho até amanhã para decorar! - falou ressentida.
- Sei, a senhorita só queria usar as minhas habilidades de agente especial, ou seja, só queria me usar! - Orlando reclamou.
- E quero te usar muito ainda! - ela provocou.
- Fala isso, dessa maneira, porque está longe! Se tivesse falado isso aqui, eu já teria te agarrado e você iria pedir para eu parar!
- Quando eu chegar aí, a gente resolve isso! Bye!
- Resolve? Hum! Bye , beijos!
- Beijos! - ela desligou.
foi para o computador conferir seus e-mails. Havia uns 100 não-lidos, sendo que um era o de Danny, alguns de amigos, outros de propagandas e 50 de Victor.
- Que idiota! - bradou .
Ela abriu um deles, por curiosidade, tinha um coração com o nome dela e o dele.
- Ridículo! - se irritava a cada e-mail.
Apagou todos e foi para o seu mais esperado, o de Danny. Ela começou a ler o script e soltou um gritinho:
- Ah não! Não acredito!
Parte 14
"O filme tinha como tema central uma esgrimista brasileira que vai competir no exterior. Lá acontecem situações engraçadas por ela não falar muito bem o inglês. Na história, destacam-se também outros personagens: um esgrimista, por quem ela se apaixona, e seu professor de inglês, um homem mais velho que acaba se apaixonando por ela. Entre espadas e livros é que acontecem os conflitos pessoais da personagem."
- Ah não! Não acredito! Vou ter que aprender a mexer com espadas, se conseguir o papel, é claro! Eu não posso ficar esperançosa para quebrar a cara, como da outra vez! É melhor parar de pensar nisso e decorar as falas!
passou o resto da noite ensaiando e decorando as falas, praticamente dormiu nas folhas que tinha imprimido.
De manhã...
- Meu amor, acorda! Você disse que tinha um compromisso importante, acorda! - falou Dona .
- Ahn? O que? Que horas são? - se assustou.
- 8:30h!
- Já? Ai meu Deus! Preciso correr para me arrumar e chegar a tempo!
- Ai filha, não perde o costume! - D. ria.
se arrumou apressada, tomou o café da manhã
e saiu correndo para pegar o ônibus. Finalmente ela chegou onde seria o teste.
- Ufa! Ainda cheguei 20 minutos adiantada, que maravilha! - vibrou. - O Sr. Mclean, por favor! - ela disse à recepcionista.
- Ele já vai recebê-la, só mais alguns minutos. Por favor, sente-se! - disse gentilmente a recepcionista.
- Obrigada! - agradeceu e se sentou.
Cada minuto parecia uma eternidade. Ela decidiu pensar em algo para se acalmar e lembrou-se de Orlando. Por mais que tentasse imaginar, jamais teria noção da saudade que sentiria quando eles se afastassem, a não ser que vivenciasse isso, o que acontecia agora. Como em tão pouco tempo sentia tudo aquilo? É verdade que ela já era louca por ele como fã, mas conhecê-lo e ficar com ele como pessoa, era outra coisa. E era tão bom!
- Srta. ! - disse Danny.
- Sim. Como vai? - perguntou.
- Bem. Entre! - indicou lhe a porta.
- Com licença! - ela disse educadamente e entrou.
- Então, acha que está pronta? Podemos começar logo? - o diretor estava animado.
- Lógico! - se empolgou.
- Ok! Vamos à parte que pedi para você gravar! - Danny se sentou.
Na sala havia câmeras, porque além de ser um teste de interpretação, era um teste de vídeo, para ver como ela agia diante das câmeras e se tinha boa imagem na tela.
- Ação! - gritou o diretor.
não se intimidou com as câmeras e interpretou muito bem. Ela aproveitou o espaço que tinha e manifestou todas as emoções que a personagem exigia naquele momento.
- Corta! - disse Danny Mclean. - , podemos conversar?
- Claro! - estava tremendo de medo, num misto de ansiedade, nervosismo e receio.
Eles foram para outra sala.
- Por favor, sente-se! - pediu Danny. - Daqui a um mês começam as filmagens. Eu te disse que ajudaria, então não se preocupe com passaporte, visto permanência, imigração, etc.
- Isso quer dizer? - ela se animou.
- Que você é Ana Paula Silva, esgrimista brasileira e irá competir fora do país! - ele riu.
- Sério? Vocês optaram por mim? - estava emocionada.
- Na verdade, fizemos o teste da personagem apenas com você! Uma pessoa me disse que era ótima atriz e precisava de uma chance.
- Que pessoa?
- Meg Ferguson, minha noiva. Ela disse que te conheceu em um teste em Londres. - explicou Danny.
- Que coincidência! A Meg é um amor de pessoa e eu devo muito a ela! Você arrumou uma ótima noiva, tem muita sorte! - sorriu.
- Por falar em sorte, e o seu namorado Orlando Bloom? Como vai? - Danny perguntou.
- Até ontem, quando falei com ele, estava muito bem e trabalhando! Nosso namoro não vai interferir. Ou vai? - ela se preocupou.
- Não! Absolutamente! Não querendo me aproveitar, mas talvez até valorize mais o filme. - Danny informou.
- Desculpe, mas não quero usar Orlando para isso!
- E não usará! A mídia sim. Querida, querendo ou não, você ficará conhecida por ser a namorada dele. Cabe a você, mostrar seu talento!
- Mostrar meu talento? - se assustou porque pensou no duplo sentido que ela e as amigas davam à palavra talento.
- Sim, talento. Mostrar o quanto você é boa atriz, as suas qualidades e que não precisa usar ninguém para ter sucesso! - Danny incentivou.
- Ah sim, claro! - sorriu.
- Então a gente se vê! - disse Danny.
- Sim, a gente se vê! Muito obrigada pela oportunidade!
- Você fez por merecer! Até breve!
- Até breve! - se despediu e saiu correndo para ligar para Orlando.
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- Pronto! - disse Orlando ao atender.
- Por favor, o agente Bloom! - pediu.
- Sim, é ele. Bloom, Orlando Bloom! - Orlando riu. - Oi amor, você me deixou tão nervoso esperando que me deu até vontade de fumar!
- Se fizer isso, vai ficar esperando para sempre! Você sabe o quanto odeio cigarro! Ele não faz mal à saúde apenas de quem fuma, mas de quem está perto também! - se chateou com o que ele disse.
- Não, eu não farei isso! Não foi você que me disse que vontade dá e passa? Então! - afirmou Orli.
- Por que estava me esperando? - ficou curiosa.
- Para saber do teste e para te contar algo!
- Ah, então conta! Você sabe como sou curiosa!
- Eu não sei se vai gostar! - Orlando a preveniu.
- Vamos meu amor, conta! - estava impaciente.
- Então tá! Aconteceu o seguinte...
Continua...